PAIXÃO EM TEMPOS DE POESIA

 




Queima minha boca esse seu olhar

Incendeia os sentidos

Frases soltas em presos fitares...

Arrasta-me a alma, esse seu chegar

Manso e terno.

Os pés da cama. O coração em pé...

Exorcizam-me fantasmas, essas suas mãos curiosas

E doces.

Essa sua língua quente e suave. Bocas... bocas...

Eu, mergulhada em mim, no seu sorriso

Choro e rio, estertor do amor.

E me perco entre sem-fins loucos carinhos

E me acendo em pernas, pêlos e púbis

E me faço inteira, derramadas em seu ventre

Todas as minhas dores... Todos os meus cansares...

E me oculto a alma entre seus cabelos

E me esqueço a vida nesse seu gozar...

E me divido em orgasmos e sementes

Em falos, gargantas e cataclismas...

E me permito plena

Azul de amor.

(E, pelas alvas paredes, sombras de prazer se fundem em nós.)

 

 

 

 

Ana Ribas

(Joinville, inverno de 00)

 

 

 

 

 

 

 


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