Harry Potter e a Luz Sagrada

Capítulo 9
COMEÇO DAS AULAS, TAREFAS IMPOSSÍVEIS E DECISÕES

         A noite demorou muito a passar, principalmente porque muitos alunos não pareciam nem de longe dispostos a dormir. Os monitores-chefes ralhavam com qualquer aluno que encontrassem acordados, mas logo o sol invadiu os rostos de todos, fazendo-os acordar. Dumbledore apareceu no local mais ou menos umas dez horas, e deu um aviso para a maioria dos alunos:

         - Infelizmente não conseguimos pegar o culpado pelo tumulto da noite anterior, mas a torre da Grifinória já está arrumada e protegida contra eventuais ataques. Todos os alunos podem se dirigir às suas casas, e as aulas da manhã estão canceladas. O café será servido, então todos que estiverem com fome, podem voltar ao Salão Principal.

         Os alunos foram saindo aos poucos do Salão, alguns com caras de sono, dando bocejos ou conversando sonolentamente com seus amigos. Os grifinórios estavam um pouco temerosos por causa do ataque, mas voltaram ao salão normalmente. Hermione deu a nova senha a todos (“Sangue de Dragão”) e todos os alunos entraram, comentando o cancelamento das primeiras aulas.

         - Foi uma sorte, sabem – comentou Rony entrando no dormitório para tomar banho. – Perdemos aula de Adivinhação e História da Magia, realmente seria um começo de dia chato.

         - Não faz muita diferença. – respondeu Harry desanimado – Ainda temos Transfiguração e Poções, e eu trocaria essa aula por qualquer outra.

         - Ah não! – reclamou Rony. – Snape e Malfoy juntos! No primeiro dia de aula!

         Harry deu de ombros. Estava muito preocupado com o ataque, e tinha a terrível suspeita que Voldemort estava nos terrenos da escola.

         O dia correu como de costume. As aulas foram realmente difíceis, e a desculpa que a Professora Minerva deu quando Hermione levantou esse comentário foi:

         - Srta. Granger, este é o ano em que vocês farão os seus NOM’s, precisam estudar desde já.

         A aula de Snape não foi menos divertida. Ele passou uma complicada poção, que era chamada de Poção Esquelesce. A classe toda prorrompeu em calafrios quando o professor propôs a tarefa, que mais valia como uma prova:

         - Vocês farão a poção em duplas. Ela é bastante complicada, e vai levar duas aulas até ficar pronta. Depois um da dupla deverá arrancar os ossos de seu colega, para testarmos a poção. Se funcionar, os ossos irão crescer novamente, caso contrário, poderá ficar com fraturas expostas ou algo pior – explicava o mestre, lançando um olhar prazeroso ao ver a cara dos alunos.

         - Mas professor...? – questionou Hermione. – A poção Esquelesce causa muita dor em quem a toma, é terrível ter os ossos crescendo novamente! Não seria melhor se testássemos em outro animal ou...

         - Não pedi seus comentários, Srta. Sabe-tudo Granger. Menos 10 pontos para Grifinória pela sua impertinência. E graças sua amiguinha aqui, terão que fazer as duplas com um colega de casa diferente da sua. – e lançou um olhar à classe, que o observava com profundo ódio – E então!? O que esperam? Comecem logo! – bufou, fazendo os alunos começarem assustados.

 

         No final da aula, os alunos começaram a reclamar do professor – como sempre faziam – e da tarefa absurda proposta na aula. Os grifinórios reclamavam ao máximo, enquanto os sonserinos, chefiados por Draco Malfoy, davam risadinha prazerosas da cara deles.

         - Isso é impossível! – bufava Rony – Como aquele morcegão seboso pede para quebrarmos os ossos? Ele pirou de vez!

         - Eu prefiro ficar com zero do que passar por aquilo de novo. Nem queiram imaginar como dói essa droga de Esquelesce! – concordava Harry, apertando furtivamente seu braço.

         - Eu vou reclamar com o Dumbledore! O professor Snape não pode fazer isso! Está ultrapassando os direitos que ele tem como professor! – comentou uma indignada Carla Wetts, que falava com Hermione.

         - Mas Carla! O professor pode tirar o seu cargo de monitora e... – Hermione tentava convencê-la a não falar com o professor Dumbledore.

         - Se você prefere um distintivo de monitora ao invés do seu braço inteiro, tudo bem! Eu falo com o Dumbledore sozinha! – bufou a garota, correndo até o Salão Comunal.

         - Uau, o que aconteceu com aquela garota? – perguntou Dino Thomas impressionado – Voou feito um foguete.

         - Vai ver estava só querendo se exibir – comentou Parvati Patil com desdém.

         - Mione! – perguntou Rony perplexo – O que estava falando com ela que a deixou tão perturbada?

         - Nada Rony, nada. – respondeu Hermione irritada – Nada de mais.

         Os três voltaram ao Salão Comunal da Grifinória, para guardarem o material e matarem o tempo enquanto esperavam a hora do jantar. Viram Carla conversando com Fred e Jorge, que pareciam bastante sérios. Logo depois os três deixaram o salão comunal, conversando sobre algo muito sério.

         - O que será que eles conversam? – perguntou Rony curioso, enquanto jogava xadrez de bruxo com Harry.

         - Não sei, e parece que não é da nossa conta – respondeu Harry comendo um peão do amigo.

 

         Carla estava furiosa, e caminhava a passos largos, sendo acompanhada nos calcanhares por Fred e Jorge, que tentavam persuadi-la a não tomar uma atitude dessas.

         - Veja bem Carla... Não vale a pena. O prof. Snape só vai ficar com mais ódio de você. Não vale a pena denunciá-lo – dizia Jorge, argumentando de todas as formas possíveis.

         - Não adianta! Ele passou dos limites! E vocês não sabem o que é fazer os ossos crescerem com essa poção! – descordava Carla, andando mais rápido.

         - E você sabe? – perguntou Fred.

         - Claro que sei! Quando era pequena fraturei os ossos da perna, e eles foram reduzidos a pó. Fiquei quatro dias sofrendo com a volta dos ossos, não é fácil! E eu tinha somente cinco anos! Foi terrível! – disse se relembrando do ocorrido.

         - Mesmo assim, - continuou Fred – você não pode se dar ao luxo, o professor vai te odiar mesmo, e siga nosso conselho, não é bom ser odiado pelo professor morcegão.

         - Já disse que não! E nem vocês vão conseguir me convencer o contrário – decidiu a garota, parando brutamente na entrada da sala do diretor.

         - Você tem certeza que...? – perguntou Jorge, observando a entrada da sala.

         - Absoluta! – confirmou Carla, apontando a varinha para a entrada – Sorvete de Limão!

         A gárgula começou a girar, dando forma a uma escada de caracol. Ela começou a subir, no que parecia um caminho sem fim, até que finalmente chegou à já conhecida sala circular. Chamou pelo diretor duas vezes, até que ele apareceu do dormitório superior, com uma expressão surpresa ao vê-la ali.

         - Senhorita Wetts. Que surpresa vê-la aqui. Sente-se, o que lhe trouxe aqui? – disse o diretor gentilmente, oferecendo uma macia cadeira de veludo.

         - Professor, eu vim aqui para reclamar da aula de Snape – começou a garota se sentando.

         - Ah, sim, sim, a aula do professor Snape. Não sei porque todos têm tanto ódio em relação a essa matéria. – comentou Dumbledore com o olhar divertido – Qual é o problema dessa vez?

         - É que ele nos propôs uma tarefa impossível! Ele quer que nós arranquemos os ossos do nosso parceiro e que testemos a poção neles, que ainda tem chances de dar errado! É como se lançasse um Cruciatos na gente! É a mesma coisa! – Carla dizia tudo muito rápido, nem parou para respirar.

         - Hum... Eu duvido muito que Severo tenha proposto uma tarefa assim... – disse o diretor com a mão no queixo – Contudo, é melhor que eu fale com ele pessoalmente.

         - O que vai acontecer, diretor? – perguntou agora com uma pontinha de medo.

         - Lhe garanto que nada de grave. Só preciso conversar com ele. Depois eu te chamo. E isso é só.

         Carla agradeceu com a cabeça e se retirou da classe pensativa. Estava com um mau pressentimento. Um pressentimento que a raiva do professor pela aluna somente iria aumentar, ainda mais depois dessa reclamação. Dirigiu-se silenciosamente ao Salão Principal, onde grande parte dos alunos já estavam prontos para jantarem. Sentou-se ao lado de Fred e Jorge, muito calada, até que eles resolveram perguntar o que acontecera.

         - Nada de mais, eu espero. – ela respondeu, desanimada – Dumbledore disse que vai conversar com o professor Snape, e eu acho que isso não vai acabar bem.

         - Nós te avisamos. – disse Fred no  tom mais sério possível – Era o óbvio.

         - Mas já que aconteceu torça para Dumbledore não comentar com o seboso que foi você, ou vai estar um tanto encrencada – completou Jorge, num tom cauteloso.

         - Ah, vocês ajudam muito – respondeu afundando no banco.

         - Não fique assim! – disse Fred passando um braço pelo seu ombro, tentando confortá-la. – Na próxima semana faremos o teste do time de quadribol, precisamos de um time que nos dê a vitória, certo?

         - E sugerimos que você se inscrevesse, seria bem legal se entrasse no time – completou Jorge, também colocando um braço em seu ombro.

         - Há! Com certeza! Nunca teria chances como goleira! – disse se desanimando mais ainda.

         - Bem... Não sei ao certo, mas talvez Katie Bell saia do time, você sabe... Virou monitora chefe e está cheia de trabalhos... – comentou Jorge.

         - Vocês sabem que eu prefiro ser batedora, é a posição que eu jogo melhor. Até que não iria mal como artilheira, mas sei lá... não estou pronta. Já nem esperava ser monitora, e agora que sou... – disse em profundo desânimo.

         - Vamos, anime-se! – disse Lino Jordan se aproximando – Quer jogar uma partida de snap explosivo? – convidou, mostrando as cartas para a garota.

         - Isso não é justo... – reclamou Carla, mas já mostrando um sorriso – Vocês sabem que eu adoro qualquer divertimento bruxo!

         - Claro, é por isso que estamos oferecendo! – disse Fred com um sorriso maroto.

         E os quatro começaram a jogar, fazendo muito barulho e dando altas gargalhadas.

 

         Não muito longe dali, parecia que Hermione estava finalmente fazendo as pazes com Rony e Harry. Mas ainda tinham alguns desentendimentos:

         - Mione, você realmente gostou de ser monitora? – perguntou Rony desconfiado.

         - Ah, é legal assim... mas é muito trabalhoso, e depois daquele incidente com o retrato, fiquei um pouco receosa, sabem...

         - E você ganha alguma senha para o banheiro especial ou algo do tipo? – pergunta Harry curioso.

         - Por enquanto não, acho que é só para os monitores chefes... – e deu uma pequena pausa – Rony, você estava falando sério sobre eu estar trocando vocês por um distintivo?

         - Ah, bem... – disse com as orelhas vermelhas – Eu estava com ciúmes, essa é a verdade...

         Hermione concordou, e Harry começou a abafar risadinhas, mas isso já estava ficando impossível, até que resolveu deixar as gargalhadas saírem, deixando os dois muito encabulados. Minutos depois os professores se sentaram à mesa e o banquete começou. Todos comeram com muita vontade, e com muito menos educação do que o normal.

         Enquanto voltavam para o Salão Comunal, Rony lançou um comentário que era completamente verdadeiro:

         - Bem, no final das contas não foi um primeiro dia muito interessante...

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