Harry Potter e a Luz Sagrada

Capítulo 8
O BURACO-NEGRO NO RETRATO

         O Expresso de Hogwarts parou na estação de Hogsmeade, e logo os alunos foram saindo dos vagões, conversando animadamente. Os alunos do primeiro ano estavam apreensivos, principalmente quando viram o gigante, Rúbeo Hagrid os chamarem para fazerem a típica passagem pelos barcos até a escola. Ele acenou para Rony e Harry, que retribuíram animados. Desde o último incidente no trem, eles não estavam falando com Mione, que estava profundamente magoada, mas não deixou que eles percebessem isso. Foi no mesmo coche que Carla Wetts, Fred e Jorge Weasley.

         A noite estava bem calma e sem nenhuma nuvem, o que deixou a viagem muito mais tranqüila. Aos poucos os coches foram parando na entrada e os alunos entraram muito felizes, pois estavam no começo de mais um ano letivo, que prometia ser muito diferente dos demais. Harry não pôde deixar de reparar que havia muito menos alunos que nos outros anos, e quando perguntou a Rony, ele respondeu um pouco impaciente, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo:

         - Não está na cara? É tudo culpa do Você-Sabe-Quem! Papai e mamãe só nos deixaram vir para a escola porque o único bruxo que ele teme é Dumbledore, e não corremos perigo aqui.

         - Tem razão, mas não vejo porquê todos ficam com tanto medo. Dumbledore não vai deixar nada acontecer! – comentou Harry se irritando um pouco.

         Rony não respondeu nada, estava ocupado demais em observar Hermione conversar e dar risada junto com os gêmeos e com uma garota que ele não conhecia, e ficou muito vermelho. Harry não pôde deixar de notar a expressão no rosto do amigo e aproveitou para caçoar dele:

         - Que foi Ron? Não admite que seus irmãos façam Mione dar risada? Ou será que é ciúme?

         - Cala a boca, Harry! – respondeu Rony, agora com as orelhas muito vermelhas.

         Aos poucos, os alunos foram se sentando nas mesas das casas, para começar a típica cerimônia de seleção, onde um chapéu velho e surrado, o Chapéu Seletor, escolhia a casa que os alunos novos ficariam, de acordo com as qualidades e habilidades de cada um. Rony e Harry se sentaram bem na ponta da mesa, perto dos lugares vagos, que logo seriam ocupados pelos futuros grifinórios. Hermione sentou-se um pouco perto dos dois, mas não parecia disposta a conversar.

         A Profa. Minerva McGonagall adentrou o salão com muitos alunos apreensivos atrás dela. Se dirigiram ao centro do salão e a professora colocou o banquinho de três pernas em um ângulo que todos podiam ver. Colocou o surrado chapéu sobre ele e abriu um pergaminho, onde começou a ler os nomes dos novatos, que aos poucos foram selecionados para as casas. Depois da cerimônia terminada, todos ficaram em silêncio para ouvirem os comentários de Dumbledore, que parecia muito mais sério do que de costume.

         - Caros alunos e alunas. Quero desejar-lhes boas vindas e que aproveitem bastante este novo ano letivo. E gostaria de dar alguns avisos de começo de ano, que não podemos deixar passar devido aos últimos acontecimentos do mundo mágico – e deu uma pausa para observar todos os alunos, que o miravam apreensivos e curiosos ao mesmo tempo. – É fato sabido que Voldemort está de volta, então temos que tomar algumas providências extras para segurança de todos. Continua restritamente proibida a entrada na floresta proibida, principalmente à noite, e se algum aluno for visto perambulando sem motivo algum, serão severos os castigos. A maioria das atividades noturnas estarão suspensas até segunda ordem. O campeonato de quadribol acontecerá normalmente este ano, e depois os capitães dos times procurem os diretores das casas para combinarem os horários disponíveis. Acho que de importante é só. Aproveitem a comida! – disse se sentando.

         E magicamente os pratos se encheram de comida, e de repente Harry sentiu-se morto de fome, devorando tudo o que podia alcançar. Ao mesmo tempo, ouvia uma conversa que vinha dos alunos novos.

         - Sabem, eu sou mestiço. Meu pai é bruxo, e minha mãe é trouxa. Ela ficou muito surpresa quando descobriu, mas dá a maior força – disse um menino louro que lembrava um pouco Draco Malfoy.

         - Eu nasci trouxa, mas acho que isso não é problema. Já li todos os livros, e fiquei sabendo que algumas matérias são realmente difíceis – disse uma garota que parecia muito cheia de si.

         Harry olhou para Rony, divertido. Ele também ouvia a conversa dos novatos, e ambos concordaram com a cabeça. “Ela é uma segunda Mione” pensaram juntos. Deram uma risada e continuaram a comer, conversando sobre algum assunto que aparecia de repente. Eles apuraram a audição quando ouviram Jorge comentar com Hermione sobre quadribol:

         - Sabe, precisamos fazer nova seleção para o time. Perdemos o Wood, que era um ótimo goleiro, e com isso também perdemos nosso capitão. Será que você e Carla poderiam falar com a professora McGonagall para fazerem um anúncio?

         - Faço sim, temos que ganhar a taça novamente – disse Hermione comendo um pouco triste.

         - Hermione, não fique assim. Se quiser depois eu ajudo a falar com os seus amigos – disse Carla passando o braço carinhosamente pelo ombro da garota.

         - Obrigada Carla – disse ela se animando um pouco.

         Harry e Rony não ouviram o resto da conversa, estavam ocupados demais conversando sobre as novas chances da Grifinória vencer o campeonato das casas.

         - Sabe Harry, acho que vou me candidatar a goleiro do time, quem sabe se eu conseguir mamãe não me dê uma vassoura? Acho que uma Cleanswep 7 dá pro gasto, já que Fred e Jorge usam Cleanswep 5... Elas não são muito rápidas, sabe... Mas têm o cabo grande, o que pode ser útil como goleiro – dizia Rony esperançoso.

         - Seria legal se você entrasse. Aí você não precisaria me esperar terminar o treino, faria isso junto comigo! – concordou Harry, se animando – E você tem chances, é um ótimo goleiro!

         Ficaram conversando sobre quadribol até o término do jantar, onde todos foram se levantando e se dirigindo ao Salão Comunal, de repente todos muito cansados e sonolentos. Quando Harry e Rony se aproximaram do retrato da mulher gorda, notaram um pequeno tumulto na entrada, e parecia que ninguém estava entrando por algum motivo.

         - O que está acontecendo aqui? – perguntou Lino Jordan, no 7º ano – Onde estão os monitores?

         Então ouviram uma voz que gritou esganiçada da frente da multidão.

         - Alguém... chama... Dumbledore... AGORA!

         Rony se aproximou da entrada, dando ocasionalmente algumas cotoveladas em alunos menores, sendo seguido de perto por Harry, até que encontraram uma cena que os deixou paralisados. A Mulher Gorda não estava lá, e tampouco havia algum retrato. Só podiam ver uma grande bola negra, que parecia estar bloqueando a entrada de todos, e parecia totalmente carregada de artes das trevas.

         - Mione! O que aconteceu? – perguntou Harry pálido.

         Hermione tremia toda, e não conseguia falar nada. Por várias vezes abriu a boca e soltou um ruído esquisito, depois voltava a fechá-la. Carla Wetts, que por ser monitora também, respondeu pela amiga.

         - Nós não sabemos ao certo. Quando chegamos o retrato estava vazio, mas ele começou a se transformar. Eu não sei, mas de repente esse buraco negro surgiu. Achamos que era Voldemort que queria atacar você, Harry Potter.

         - Vol... Voldemort? – perguntou Harry gago. Rony só soltou uma exclamação de terror.

         Ouviram passos atrás deles, e logo Dumbledore apareceu, seguido da professora Minerva e, para desgosto de muitos grifinórios, Severo Snape, o odiado professor de Poções. Dumbledore analisou a situação rapidamente, e depois disse, com uma grande urgência na voz.

         - Todos os alunos dirijam-se ao Salão Principal. Monitoras, fiquem aqui. Vou precisar da ajuda de vocês. Acompanhem a profa. McGonagall. Prof. Snape, avise todos os outros alunos, é melhor que eles também vão para o Salão Principal.

         O professor Snape saiu com suas vestes rodopiando à sua volta. A professora McGonagall praticamente obrigou todos os alunos a irem ao Salão Principal, onde receberiam alguma instrução. O professor Dumbledore pegou sua varinha, e murmurou um feitiço que parecia ser um feitiço bloqueante, que impedia que qualquer um se aproximasse do local.

         - Senhoritas, por favor, me acompanhem – disse suavemente, depois de guardar sua varinha no bolso.

         Carla lançou um olhar a Hermione, mas ela não respondeu. Parecia estar fora da si temporariamente, pois ainda era grande o espanto pelo que acabara de acontecer. Dumbledore as levou até à gárgula em forma de águia, e disse a senha para que pudessem passar. Chegando na sala, ele ofereceu duas cadeiras para elas se sentarem, e ele mesmo se sentou em outra cadeira.

         - Então senhoritas, podem explicar o que aconteceu? – perguntou calmamente, um estranho brilho nos olhos.

         - F... fo... foi Voldemort! – gaguejou Hermione esganiçada, recobrando um pouco da cor em seu rosto.

         - Voldemort? Você tem certeza Srta. Granger? – perguntou Dumbledore não acreditando muito.

         - Só pode ser, diretor! – reforçou Hermione, começando a voltar ao normal – Com certeza isso é magia negra avançadíssima!

         - Desculpe interromper, diretor. Mas eu não concordo – disse Carla, que até então estava calada.

         - O que acha então, Srta. Wetts? – perguntou Dumbledore levemente interessado.

         - Eu não sei se Mione viu, mas uma pessoa encapuzada estava saindo sorrateiramente pelo corredor esquerdo. Tenho grandes suspeitas que possa ser um aluno.

         - Curioso. – disse Dumbledore, se perdendo em pensamentos. Ficou algum tempo pensativo até que se lembrou que as duas ainda estavam ali – Senhoritas, vão até o Salão Principal e fiquem com os outros alunos. Qualquer informação eu mando avisar-lhes.

         As duas saíram da sala do diretor, perplexas. Nunca tinham visto Dumbledore tão preocupado antes, e a situação do colégio decididamente parecia muito delicada. Tomaram uma certa distância da sala e começaram a conversar, questionando suas opiniões.

         - Carla, por que falou do vulto ao Dumbledore? – perguntou Hermione franzindo a testa.

         - Achei que ele deveria saber. – respondeu dando de ombros – E além do mais, desconfio que algum aluno que tenha feito isso mesmo, afinal Voldemort não pode entrar no colégio...

         - Não sei, é melhor nós irmos logo, pode ser perigoso ficarmos perambulando por aí à essa hora.

         Carla concordou. As duas aumentaram o passo, e logo chegaram no Salão Principal, onde todos os alunos conversaram sobre o acontecido, e os professores conversavam em tom sério com os monitores. As duas acabaram parando sorrateiramente atrás de Harry e Rony, que também discutiam os acontecimentos.

         - Será que Você-Sabe-Quem está te tentando te achar, Harry? Tem alguma coisa a ver com o seu sonho? – perguntou Rony apreensivo, esperando uma resposta negativa.

         - É bem provável... – respondeu Harry pensativo – Aposto que queria me afastar da escola o mais rápido possível, por causa daquela profecia idiota! – resmungou.

         - Profecia? – perguntou uma voz atrás deles, interessada – Que profecia?

         - E é da sua conta? – perguntou Harry asperamente.

         - Harry, não fale assim com ela! Só estava perguntando! – disse Hermione defendendo-a.

         - Tudo bem Hermione. Eu sei que não devia estar ouvindo essa conversa mesmo. – respondeu Carla, dando de ombros tristemente – Eu já estou indo. – e se retirou.

         - Mione, quem é essa garota? – perguntou Rony interessado.

         - Ah, então para perguntar quem é ela você fala comigo? - perguntou Hermione friamente.

         - Tá bom, não está mais aqui quem falou! – resmungou Rony, cruzando os braços.

         Minutos depois ouviram uma voz que parecia ampliada mais de mil vezes, como em um berrador. Ouviram a voz rouca de Dumbledore, que dizia: “Todos os alunos permaneçam no Salão Principal. Professores, venham até a minha sala. Monitores-chefe e fantasmas, tomem conta dos alunos. Todos dormirão aí por essa noite”. Houve um enorme rebuliço e várias vozes foram ouvidas. Os professores saíram mais do que apressados para a sala de Dumbledore.

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