Harry Potter e a Luz Sagrada
Capítulo 7
MONITORA E MONITOR
Era a manhã de 1º de Setembro, e todos na casa dos Weasley pareciam
muito apressados. Acabaram perdendo a hora, e estava uma confusão total. Às
vezes podia-se ver alguém esbarrando na escada, com uma torrada na boca ou uma
salsicha.
Acabaram de se arrumar às 10:30h, e estavam muito atrasados e irritados.
Um carro novo do Ministério foi buscá-los, e era incrível como ele corria.
Chegaram na estação em menos de 20 minutos. Aproximaram-se da plataforma 9 ½,
e tiveram que ser muito discretos para não chamarem a atenção dos trouxas.
Com sorte conseguiram encontrar uma cabine só para eles, bem no final do
trem. Fred e Jorge logo saíram do vagão, pois encontraram Lino Jordan e
Angelina Johnson, companheiros de ano. Ficaram somente Gina, Harry, Rony e
Hermione, e Harry fez um gesto com a cabeça informando que queria falar com
eles em particular, e Rony logo expulsou Gina do vagão.
- Vai saindo Gina...
- Ih, tá bom! Já estou indo! – disse Gina saindo emburrada.
- O que quer falar com a gente, Harry? – perguntou Hermione curiosa.
- Bem... É que semana passada tive um sonho com Voldemort, mas esqueci
de contar a vocês – disse Harry baixinho, com medo que alguém escutasse.
- Faz favor de não dizer esse nome? – reclamou Rony.
Harry contou os dois sonhos que teve, e as reações de Rony e Hermione
foram piores do que ele imaginava.
- Harry, mas quem será que Você-Sabe-Quem quer matar? – perguntou
Rony aflito – Não pode ser um de nós, não é? Ele disse amigos...
- Não fale uma coisa dessas, Rony! – reclamou Mione – Não pode ser
nós, só se ele se referisse a uma família sangue puro!
Rony e Mione ficaram discutindo sobre isso por algum tempo, até que a moça
do carrinho de doces apareceu, oferecendo comida aos garotos. Harry comprou um
bocado de coisas, e quando a moça estava saindo, disse:
- Srta. Granger, estão te chamando no 1º vagão, acho que é algo sobre
a reunião de monitores.
Harry e Rony olharam para Hermione, esperando alguma resposta da parte
dela. Ela ficou calada e não disse nada, até que Rony disse, com uma voz
bastante séria.
- É melhor você ir. Não é bom uma monitora se atrasar para a 1ª
reunião.
- Tá bom. Estou indo – disse cabisbaixa e saiu.
- Por que precisava tratá-la assim? – perguntou Harry.
- Pra ela saber que não gostei dessa história de monitora – respondeu
Rony secamente.
- Acho que você devia dar uma chance a ela... – comentou Harry.
- Ah, cala essa boca! – reclamou ele, pegando um sapo de chocolate.
Hermione se dirigiu ao primeiro vagão, nervosa. Não sabia quem daria as
instruções aos monitores, e tinha um mau pressentimento. Quando entrou, quase
levou um susto, pois quem estava lá era...
- Prof. Snape? – perguntou Hermione com a voz falhando.
- Srta. Granger, não acho uma boa idéia a monitora da Grifinória
chegar atrasada na primeira reunião, talvez eu tenha que descontar alguns
pontos da Grifinória por isso – disse Snape suavemente.
- Professor? – disse uma voz no fundo do vagão – Acho que não é
justo tirar pontos da Grifinória sem o ano letivo ter começado. – era Carla
Wetts, da Grifinória.
- Senhorita Wetts, acho que não pedi sua opinião – disse Snape
secamente, mas não descontou nenhum ponto da Grifinória, o que foi uma sorte.
Snape começou identificando todos os monitores das casas, disse que
precisariam trabalhar juntos caso acontecesse algum imprevisto na escola.
Hermione quase deu um grito de espanto quando Snape disse quem era o monitor da
Sonserina. Ele olhava para Hermione com um olhar superior, e em seus lábios
podiam-se ver um pouco de desdém.
- Malfoy! – exclamou Hermione, atônica.
- Claro que sou eu Granger. Ou esperava que fosse quem? Grabbe ou Goyle?
– perguntou irônico.
- Ora, claro que não! – retrucou Hermione com aspereza.
- Só acho melhor você ter bons modos. Não é bom um monitor arranjar
brigas – disse com o seu conhecido ar arrogante e superior.
O professor passou algumas instruções para os monitores depois
desaparatou, deixando os monitores um pouco surpresos, exceto Malfoy, que olhou
com riso a expressão dos demais.
- Será que ele aparatou em Hogwarts? – perguntou Justino
Flinch-Fletchley, monitor da Lufa-Lufa.
- Não é permitido aparatar em Hogwarts – disse Hermione com aspereza.
- Então deve ter aparatado perto de lá, acho que foi na estação de
Hogsmeade. – sugeriu Padma Patil, da Corvinal.
- Pra mim os professores têm permissão especial para aparatarem dentro
dos terrenos da escola – comentou Carla Wetts, da Grifinória.
- Vocês não sabem de nada! – disse Draco com ar superior.
- Ah é? Então diga o que sabe! – provocou Hermione, com os braços
cruzados.
- É óbvio que eles podem aparatar onde quiserem! – continuou Malfoy,
com sua voz insuportável, caminhando entre todos.
- E o que foi que eu disse? – perguntou Carla, levantando-se da
cadeira.
- Eu não sei. Não presto atenção no que uma sangue-ruim como você
diz – disse Draco com desdém.
Ploft!
Antes que Draco pudesse dizer qualquer coisa, Carla levantou a mão e deu
um tapão no rosto do garoto, que ficou olhando atônico para ela, com uma
expressão que dizia: “Quando eu contar para o professor Snape você vai estar
encrencada”. Depois saiu do vagão, para se juntar a Grabbe e Goyle.
- Uau! Como você teve coragem de bater no Malfoy? – perguntou Ana
Abbot, da Lufa-Lufa.
- Aquele louro aguado já estava me dando nos nervos! – disse Carla
entre dentes.
- Você sabia que ele pode te tirar o cargo de monitora, não sabe? –
perguntou Padma ainda assustada com o tapa que Draco levara.
- Sei, mas só o gostinho de marcar aquela pele branca já me vale muito
– respondeu se sentando novamente, agora ao lado de Hermione.
- Você é da Grifinória? – perguntou Hermione, tentando puxar
conversa – Eu nunca te vi no Salão Comunal...
- Ah, sou sim. Entrei no mesmo ano que você, sabe. Mas nunca fui de me
mostrar muito, sempre preferi ficar em um canto, longe de todos. E a maior parte
do tempo eu fico na Biblioteca... – disse com a voz contida. Decididamente
tinha alguma coisa que ela não poderia contar.
- Ah... – concordou Hermione – Eu sou Hermione Granger, prazer. –
disse estendendo a mão.
- Eu sei quem é você. Posso te chamar de Hermione? – ela concordou
– Meu nome é Carla Wetts, espero que possamos ser amigas.
- Claro! Ultimamente Rony e Harry – Carla fez uma careta, mas conseguiu
disfarçar – têm me deixado um pouco de fora de tudo, só porque fui nomeada
monitora.
- Aposto que estão com ciúmes. E não se preocupe, nessa fase você vai
ser mesmo um pouco excluída. Sabe como é, meninos nessa fase da adolescência
ficam cheios de segredinhos.
- É mesmo. – concordou Hermione, rindo. Depois, parou de falar um
pouco e ficou pensativa – Ei... Acho que já te vi antes sim... Há! Você foi
quem estava n’O Caldeirão Furado, com o Lupin! – disse triunfante.
- Ah, era eu sim – disse envergonhada.
- O que estava fazendo com Lupin? – perguntou Hermione de repente muito
interessada.
- Bem, é que... – disse desconfortável – Eu conto, mas peço que não
conte a ninguém, principalmente ao Weasley e ao Potter.
- Não conto, não se preocupe. E por que os chama pelo sobrenome?
- Não sou amiga deles, não tenho esse direito – respondeu dando de
ombros. Se aproximou mais de Hermione e cochichou: - Remo é meu padrinho. Tenho
vivido com ele desde que meus pais... hum... – disse engolindo seco – foram
atacados por Voldemort...
- Ah... Me desculpe, não queria tocar nesse ponto... – disse Hermione
envergonhada.
- Não se preocupe, está tudo bem.
As duas ficaram conversando durante quase toda a viagem. Quando faltavam
duas horas para o trem chegar a Hogwarts, a Profa. Mcgonagall aparatou de
repente no vagão, fazendo muitos se assustarem. Cumprimentou Hermione e Carla
por serem monitoras e revelou qual seria a nova senha para passarem pelo retrato
da Mulher Gorda. Depois liberou que fossem se sentar com seus amigos. Quando
estavam saindo, a Profa. Sprout e o Prof. Flitwick apareceram para fazerem a
mesma coisa que McGonagall.
- Bem, te vejo por aí! – disse Carla apertando a mão de Hermione.
- Igualmente. – disse Hermione. Depois, completou meio que sem pensar -
Me desculpa a curiosidade, mas em que vagão você vai ficar?
- Ah, não tem problema. Vou ficar no vagão dos Gêmeos Weasley, eles
foram um dos únicos que me notaram no Salão Comunal. – disse disfarçando um
acesso repentino de tristeza – Bom, até mais! – completou entrando no vagão
dos gêmeos.
Hermione foi até o vagão que Harry e Rony estavam, e estes nem sequer
deram sinal que viram que a garota chegara.
- Será que dá para os dois pararem de me ignorar? – perguntou
irritada.
- Desculpe. Estávamos muito ocupados em uma partida de quadribol –
disse Rony apontando para a varinha e em seguida para o campo, que estava armado
com os jogadores de Harry e Rony, que olhavam a situação muito confusos.
- Ah é? Então fiquem dando mais atenção para um jogo do que para mim!
Ótimo! – disse com a voz chorosa, mas com postura decidida, e saiu do vagão
antes mesmo que algum deles pudesse dizer qualquer coisa.
- Rony, pare de ser tão seco com Mione. Ela não merece – disse Harry.
- Ela também está nos trocando por um distintivo reluzente, não pode
reclamar! – disse Rony, fazendo um movimento tão brusco com a varinha que o
goleiro dele voou mais de um metro.
Alguns minutos depois o trem começou a diminuir a velocidade, e eles
puderam ver os primeiros sinais de Hogwarts, que se aproximava cada vez mais.
- Bem vindo ao lar! – comentou Rony olhando para o castelo pela janela.