Harry Potter e a Luz Sagrada
Capítulo 6
NO BECO DIAGONAL
No começo da manhã, Harry foi acordado bruscamente com Rony, que lhe
lançava vários travesseiros, na expectativa de acordá-lo. Harry levantou
jogando os travesseiros para o lado furioso, e demorou um pouco até focalizar a
imagem de Rony, olhando-o apreensivo.
- Rony, que diabos...? – perguntou Harry ainda sonolento, mas Rony não
o deixou terminar.
- Vamos Harry! Estão todos esperando você! Vamos ao Beco Diagonal,
recebemos cartas! Ande logo! – e jogou outro travesseiro em Harry, que bufou
em resposta.
Rony desceu as escadas correndo. Todos os cinco Weasley e Hermione
estavam sentados à mesa tomando café da manhã, e assim que Rony entrou na
cozinha, a Sra. Weasley logo perguntou:
- Onde está Harry, Rony? Ainda dormindo?
- Mais ou menos – respondeu Rony indiferente. – Acabei de acordá-lo,
estava um pouco mal-humorado – e sentou-se para comer salsichas que acabaram
de sair do forno.
Harry levantou um pouco rabugento. Olhou para os lados e não viu ninguém,
exceto Píchi que piava alegremente e Edwiges, que mirava a pequena coruja com
muita desaprovação. Por um instante a visão de Voldemort matando alguém
passou pela mente de Harry, que logo se lembrou do sonho que tivera. Pegou um
outro pergaminho e começou a escrever:
“Dumbledore,
Tive outro sonho esta noite com Voldemort. Estou enviando os detalhes na
outra folha. Ele disse algo sobre a profecia, mas não lembro direito o que era.
Só lembro que mencionou os herdeiros de Slytherin e Griffindor, e mais alguma
coisa sobre luz e sangue, que não entendi direito. Estou um tanto intrigado e
confuso. Se o senhor souber de alguma coisa, não deixe de me informar.
Atenciosamente,
Harry”
Dobrou cuidadosamente as duas folhas e as prendeu na pata de Edwiges, que
fazia cara de importante. Deu uma bicadinha na orelha de Harry, e já sabendo
para quem era a carta, saiu voando pela janela de Rony.
Harry deu um suspiro. Se bem se lembrava, Rony o acordara dizendo sobre
alguma coisa no Beco Diagonal, e precisa se apressar. Trocou de roupa
rapidamente e desceu correndo as escadas, tentando encontrar alguém que pudesse
lhe explicar o que estava acontecendo. Mal acabou o último lance de escadas
quando a Sra. Weasley exclamou:
- Harry querido, eu sei que você deve ter passado por maus momentos com
seus tios, mas receio informar que precisamos ir ao Beco Diagonal, para comprar
seu material. E acho que não vai dar tempo de você comer alguma coisa.
- Tudo bem, eu não estou com fome – mentiu Harry. Mas nesse momento
seu estômago fez um grande barulho, acusando-o do contrário.
- Ora Harry, não precisa mentir, eu sei que está com fome – disse a
Sra. Weasley carinhosamente.
- Er... Bem... Um pouco... – disse Harry sem graça.
- Será que você consegue agüentar até chegarmos lá? Prometo que
compro alguma coisa muito gostosa para você!
- Aposto que se fosse com a gente receberíamos um ‘a culpa não foi
minha se demoraram a acordar’ – disse Fred em tom desgostoso.
- Eu ouvi isso muito bem, senhor Fred! – brigou a Sra. Weasley
franzindo a testa.
- Vamos logo, Molly. Eu não posso me atrasar. Depois de ir ao Beco
Diagonal preciso ir ao Ministério, me chamaram de última hora – disse o Sr.
Weasley apreensivo.
- Certo então. – decidiu a Sra. Weasley – Quem quer ir primeiro? –
ninguém se ofereceu – Gina, pode ir primeiro? – perguntou carinhosamente.
- Tá - respondeu envergonhada.
Os Weasley, Hermione e Harry se dirigiram até a lareira. A Sra. Weasley
pegou um potinho com pó-de-flu e ofereceu a Gina. Ela pegou e logo entrou na
lareira, gritando “Beco Diagonal”. Em seguida foram todos, nessa ordem:
Percy (que mesmo já formado queria ir comprar algumas penas e pergaminhos),
Fred, Jorge, Rony, Harry, Hermione, Sr. e Sra. Weasley.
- Bom... Podem passear e comprarem o que precisarem, daqui à um hora nos
encontramos na Floreios e Borrões para comprarmos os livros – disse a Sra.
Weasley.
Harry, Rony e Hermione foram olhar as novidades das lojas; Fred e Jorge
foram procurar algum logro para se divertirem; Percy foi à biblioteca procurar
algum livro e o Sr. e a Sra. Weasley foram com Gina ver algumas coisas.
Quando passaram pela loja da Madame Malkin, encontraram Dino Thomas e
Simas Finnigan experimentando novas vestes. Passaram pela Sorveteria Florean
Fortescue, e não resistiram: acabaram comprando três enormes sorvetes. Depois
passaram no Gringotes para reabastecerem suas carteiras. Andaram por quase
trinta minutos quando Hermione teve uma idéia:
- E se fôssemos n’O Caldeirão Furado? Ouvi dizer que estão vendendo
cervejas amanteigadas lá.
- Ótimo, estava mesmo morrendo de sede – disse Rony tirando sua capa.
Seguiram até o bar-hospedaria, e Tom, sempre muito alegre, serviu-os
quase que prontamente. Estavam tomando suas cervejas e conversando quando
ouviram a sineta indicando que alguém entrara e se viraram. Por um momento
ficaram bastante surpresos, mas depois se recompuseram e começaram a acenar
para se aproximar.
Lupin estava acompanhado por uma garota que parecia tímida, e que devia
ter uns 15 anos. Ela usava uma capa que tinha um emblema de Hogwarts, bem
discreto. O ex-professor se aproximou, cumprimentou os três e comentou:
- Vocês parecem muito bem, eu espero. Snuffles gostaria de ter vindo,
mas coitado, teve um chamado urgente – comentou alegremente.
- O que está fazendo aqui, professor? – perguntou Rony.
- Não sou mais seu professor, não tem porquê me tratarem assim. –
disse com a testa ligeiramente franzida – Estou aqui comprando o material
escolar de Carla, ela também estudará em Hogwarts esse ano. – e apontou para
a garota, que sorriu timidamente.
Os três deram um aceno para ela. Lupin não se demorou muito, ele e a
garota logo foram para o Beco propriamente dito, pois estavam com pressa. Harry
ainda pôde ouvi-la comentar:
- Remo, não sei o que tanto vocês falam sobre esses três,
principalmente desse Harry Potter. Não vi nada de especial nele – resmungou.
- Ora Carla, ele é filho de Tiago Potter, e nós temos muito carinho por
ele – disse Lupin levemente magoado.
- Tanto faz – respondeu indiferente.
- Eu não fui com a cara dela – resmungou Harry entre dentes.
- Por que não Harry? Ela parece ser simpática – disse Hermione.
- Bem, e ela é bonita! – exclamou Rony meio sem pensar. Hermione lançou
um olhar carrancudo a ele – Mas em que ano ela deve estar? Perece ter nossa
idade.
- Não faz diferença – respondeu Harry emburrado.
Na hora determinada, Harry, Rony e Hermione se encontraram com os Weasley,
e todos se dirigiram à Floreios e Borrões, que estava estranhamente lotada.
- Só falta ter outra seção de fotos com Lockhart – lembrou Rony
amargurado. Da última vez que o local estava cheio, Gilderoy Lockhart estava
distribuindo autógrafos, e não fora muito agradável.
- Ah, não fale nele! – reclamou Jorge – Aquele professor era um
idiota.
- Um completo inútil – completou Fred.
- E além de tudo uma farsa – concluiu Harry.
- Ah, ele não era tão mal assim! – contrapôs Hermione.
- Só porque você gostava dele! Grande coisa... – disse Rony com desdém.
- Rony! – exclamou Hermione, ofendida.
- Ah, vocês não vão brigar?! – disse Harry cansado dessa cena dos
dois.
- Não! – disseram ao mesmo tempo. Fred e Jorge riram.
- Tão namorando! Tão namorando! – começaram a cantarolar.
Rony e Hermione tiveram que ouvir as provocações dos gêmeos sem
reclamar. Compraram os seus livros (um pouco menos do que no ano anterior, pois
algumas matérias, como O Trato das Criaturas Mágicas, continuavam com o mesmo
livro). Depois se dirigiram logo à Toca
Quando chegaram, Harry sentiu seu estômago pular dois metros.
Definitivamente estava morrendo de fome. A Sra. Weasley parecia adivinhar isso,
então logo preparou um grande almoço. Todos comeram até não poder mais e
depois foram se ocupar com alguma coisa. O Sr. Weasley e Percy foram ao Ministério
trabalhar; Gina foi para seu quarto, de acordo com o que ela disse,
“estudar”, Fred e Jorge se trancaram no seu quarto, e Harry logo pensou que
estariam praticando as Gemialidades Weasley. Ele, Rony e Hermione foram para o
quarto de Rony conversarem, mas não por muito tempo, pois uma encomenda que
Hermione recebera varreu qualquer coisa dos pensamentos dos três, e Harry até
tinha se esquecido do sonho com Voldemort.
- Uau, Mione! O que é isso? – disse Rony perplexo. Era um envelope
verde claro, com letras grafadas em ouro. Tinha o emblema de Hogwarts, o que os
deixou mais intrigados.
- Mas o que será? Já recebemos as cartas com o material – comentou
Harry.
Hermione segurou o envelope, trêmula. Era muito mais pesado do que
qualquer outro envelope que recebera de Hogwarts. E era irritante tentar
descobrir o que continha nele com Rony e Harry dando comentários cada vez mais
absurdos sobre o que teria ali dentro. Por fim, Hermione decidiu abrir o
envelope. Pegou a primeira folha de pergaminho e leu em voz alta.
“Srta. Hermione Granger,
É com muita felicidade que venho lhe informar que a Srta. foi nomeada
monitora de sua casa, Grifinória. Os escolhidos foram decididos esta semana, e
pedimos que a Srta. compareça na primeira cabine do Expresso de Hogwarts, no
dia 1º de Setembro.
Magicordialmente,
Profª. Minerva McGonagall
Vice-diretora”
- Eu não acredito! – disse Rony pasmo – Mione! Você? Monitora?
- Imagina o que vai ser quando todos ficarem sabendo! – completou Harry
perplexo.
- O que foi? Não deve ser tão ruim assim... – disse Hermione
insegura.
- O que não deve ser tão ruim? – perguntaram Fred e Jorge descendo as
escadas, curiosos.
- Mione foi nomeada monitora! – exclamou Rony inconformado.
- Monitora? – perguntou Fred atônico – É Rony, acho que sua querida
Mione vai se tornar chata e mandona como Percy!
- Cale a boca! – gritou Rony, agora furioso.