Harry Potter e a Luz Sagrada

Capítulo 5
A PROFECIA

         A Sra. Weasley recebeu todos com abraços bem apertados, e Harry acabou recebendo dois, o que, ele pensou, não fazia mal nenhum. O Sr. Weasley levou o malão de Harry até o quarto de Rony, enquanto todos conversavam animados na sala. Todos queriam saber as novidades de Harry, e o menino não teve sossego até a hora do jantar.

         A Sr. Weasley fez uma comida caprichada, que tinha de tudo o que Harry mais gostava. Ficaram conversando a janta toda, e Harry não teve nenhuma oportunidade de conversar com Rony e Hermione a sós.

         Depois de se empanturrarem de comida, todos se sentiram extremamente sonolentos, e aos poucos cada um foi deixando a cozinha e indo até seus quartos. Harry, Rony e Hermione saíram juntos, e quando estavam fora do campo de audição dos pais de Rony, Harry cochichou:

         - Preciso falar com vocês dois.

         - Vamos para o meu quarto – disse Rony no mesmo tom, indicando as escadas.

         - Eu estou dormindo no quarto da Gina – cochichou Hermione.

         - Não importa. Depois você vai para o seu quarto, só preciso falar com vocês – disse Harry.

         Os três subiram as escadas até o último andar, onde estava o quarto de Rony. Quando entraram, sentiram um grande impacto nos olhos, pois cada centímetro das paredes estava coberto com pôsteres laranjas, do time de quadribol de Rony, os Chudley Cannons. Se sentaram na cama de Rony e ficaram fitando Harry, esperando o que ele tinha para contar.

         Mas a verdade é que Harry não sabia exatamente o que contar aos amigos. Estava testando sua palavra em contar sobre a capa, mas acabou se segurando por pouco. Resolveu contar sobre o grymbool que ganhara de Hagrid.

         - Bem... Não é uma coisa tão importante assim... Mas eu queria mostrar pra vocês – disse retirando a pequena bola do bolso.

         - Uau! – exclamaram os dois – O que é isso, Harry? – perguntou Rony surpreso. Mas antes que Harry pudesse dizer qualquer coisa, Hermione disse:

         - Onde conseguiu isso Harry? Os grymbools são criaturas muito raras! – disse maravilhada.

         - Como você sabe o nome dele? – Harry perguntou, mas depois se arrependeu. É claro que a amiga tinha lido “O Livro Monstruoso dos Monstros” inteirinho – Bem... Foi o Hagrid que me deu, disse que seria útil esse ano. E também pediu para eu descobrir a utilidade dele.

         Harry percebeu de Hermione estava se segurando para não contar a utilidade do grymbool, e até mordia o lábio para isso. Ela deu um longo suspiro e disse:

         - Bom Harry, já que Hagrid disse que você tinha que descobrir, eu não vou te contar.

         - E para mim? Pode me contar? – perguntou Rony, que estava de fora da conversa.

         - Também não. Se Hagrid disse que seria útil esse ano acho que vamos estudá-los, e você vai ter que descobrir – disse Hermione com rispidez.

         - Mas voltando ao assunto, Harry... O que você queria nos contar? – perguntou ignorando a resposta de Hermione.

         - Em resumo era só isso. – respondeu dando de ombros – Ah, recebi notícias de Sirius no meu aniversário!

         - Sério? E o que ele disse? – perguntou Rony animado.

         Nessa hora Harry quase contou sobre a capa, mas por um triz conseguiu se controlar e contar sobre a missão que recebera de Dumbledore. Depois de tudo explicado, os dois ficaram muito animados.

         - Será que Sirius vai dar aulas pra gente? Ele disse que vocês se veriam antes que você esperasse! – comemorou Rony esperançoso.

         - Ou talvez Lupin volte. E Sirius seja ajudante dele! – emendou Hermione.

         - Eu não sei, só vamos descobrir isso em 1º de Setembro – disse Harry.

         Os três ficaram conversando até tarde da noite. Era quase meia-noite quando Hermione disse que estava cansada e saiu do quarto, indo até o de Gina. Harry e Rony ainda conversaram mais um pouco até que o cansaço os venceu e foram dormir.

 

         Um homem magro e alto estava sentado em uma confortável cadeira de veludo vermelha, acariciando levemente a cabeça de uma grande cobra, que cochilava ao seu lado. A sala era fria e escura, a não ser por uma lareira que trepidava timidamente. Uma porta bate. Um homem gorducho chamado Rabicho entra rapidamente na sala segurando um pedaço de pergaminho amassado, com contido triunfo estampado no rosto. Finalmente conseguira cumprir sua missão.

         - Milorde, finalmente consegui! Aqui está a profecia! – disse ofegante, não conseguindo mais conter o triunfo.

         - Já não era sem tempo! – reclamou o homem – Me dê isso logo, Rabicho! – e arrancou o papel do servo.

         - E então milorde? É essa mesmo? – perguntou ansioso, mexendo nas mãos.

         - Então finalmente Rabicho conseguiu fazer algo direito! – exclamou Voldemort, olhando para o pergaminho maravilhado – Vejamos o que temos aqui - Era um papel sujo e amassado, que continha diversas palavras em forma de verso, que pareciam despertar a curiosidade de Voldemort.

 

“A luta final será travada

Entre os filhotes da serpente e do leão

Será uma luta equilibrada,

Sem nenhum vencedor.

Mas o leão possui incríveis amizades

Que farão toda a diferença.

O sangue e a luz ficarão ao seu lado,

E causarão a queda da serpente.

Essa queda lhe será quase fatal,

Trazendo de volta a harmonia que se perdeu.

Mas, se não eliminado totalmente,

A serpente voltará, mais e mais forte

Com vários aliados que pareciam esquecidos.

Se a serpente acabar ou com o sangue ou com a luz,

O caos e o pânico reinarão para sempre no mundo.”

 

         - Interessante! – disse Voldemort, com a mão no queixo, pensando sobre o que acabara de ler – Enfim a luta final começará! Mas... preciso saber quem é a luz e o sangue, e eliminá-los antes que aquele velho gagá descubra.

         Voldemort se levantou da cadeira e começou a dar voltas pela sala, com Rabicho o olhando apreensivo. Voldemort sentiu o olhar do servo e gritou:

         - Vá Rabicho! Saia daqui! Procure o que fazer, eu preciso pensar sobre isto aqui!

         Rabicho nem esperou segunda ordem, saiu correndo da sala, e acabou tropeçando na saída, mas logo se levantou e correu novamente. Voldemort olhou para Nagini, sua cobra, e seus olhos vermelhos brilhavam estranhamente.

         - Sabe Nagini, nunca pensei que Helga Hufflepuff pudesse fazer uma previsão deste tamanho. É claro que todos sabiam que ela era uma grande vidente, mas nunca esperei isto dela! – comentou com a cobra, que o fitava com muita atenção.

         - Talvez ela não seja tão inútil assim – sussurrou a cobra, em uma língua que somente os dois entendiam.

 

         Harry acordou suando frio. Olhou para os lados assustado e viu que se encontrava na casa dos Weasley, no quarto de Rony. Colocou sua mão sobre a cicatriz. Estava queimando, e doía um pouco. Levantou um pouco tonto, procurou pelos seus óculos e os encontrou na mesa de cabeceira de Rony. Os colocou e foi correndo pegar um pedaço de pergaminho e uma pena.

         Começou a escrever o sonho, e sua letra não estava caprichada, queria logo se livrar da responsabilidade. Colocou tudo nos mínimos detalhes, menos a profecia, que não conseguia se lembrar de jeito nenhum. Colocou o que veio em sua mente e guardou o pergaminho embaixo do travesseiro. Decidiu não acordar Rony, que dormia tão profundamente. Esperaria até o dia seguinte para contar alguma coisa.

            Sentou-se novamente na cama e deu um suspiro. Voldemort estava planejando matar duas pessoas inocentes, que ajudariam a derrotá-lo para sempre. E teve a horrível sensação de que ele era uma delas. Olhou pela janela e viu que Edwiges voava em sua direção. Tinha saído bem cedo e só voltara agora, carregando um rato morto. Harry acariciou seu bico e se acomodou na cama, na expectativa de dormir e não ter mais sonhos com Voldemort.

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