Harry Potter e a Luz Sagrada
Capítulo 10
POÇÃO E ÓDIO
Já era de manhã, e o Salão Comunal da Grifinória estava quase
deserto, somente com alguns alunos do sétimo ano conversando, entre eles Fred,
Jorge, Lino Jordan, Alicia Spinnet, Katie Bell e Angelina Jonhson. Discutiam
sobre os NIEM’s (níveis incrivelmente exaustivos em magia), que teriam que
prestar no final do ano. Os professores já começaram mandando tarefas muito
complicadas. A conversa já estava ficando exaustiva, até que o buraco do
retrato se abriu e por ele entrou a professora Minerva McGonagall.
- Professora...? O que está fazendo aqui? – perguntou Fred surpreso,
como todos os outros.
- Senhor Weasley, estou afixando o anúncio que o senhor pediu. A
senhorita Granger foi falar comigo logo após o jantar, e disse para colocar o
mais rápido possível – e deu uma pausa. – Seria muito confortante se o
time ganhasse a Taça novamente.
- Ah, entendo – disse sem graça.
- Espero que encontrem um bom goleiro, e não esqueçam que depois do
time estar pronto, teremos uma reunião para decidir quem será o novo capitão.
– comentou enquanto se dirigia ao retrato novamente – Vejo todos vocês na
hora do café.
A professora saiu pelo buraco do retrato, deixando os alunos com uma
preocupação a mais: vencer o campeonato de quadribol novamente. Ficaram
conversando até umas dez horas, quando todos os alunos começaram a descer dos
dormitórios e rumarem ao Salão Principal, para tomarem café.
Ouve um rebuliço e um tumulto total quando os alunos passaram pelo mural
de avisos e viram o anúncio de goleiro para o time. Os alunos comentavam
excitados, com um fio de esperança que fossem do time. Entrementes, Harry, Rony
e Hermione conversavam sobre isso também, Harry e Mione tentando persuadir Rony
a entrar no time.
- Vamos Rony, você tem muitas chances! – insistia Harry, pela enésima
vez.
- É mesmo! Ninguém acima do 5º ano vai querer entrar, Ron! Eles vão
estão ocupados com NIEM’s e exames, você pode conseguir! – ajudava
Hermione.
- Tudo bem, vocês me venceram. Vou escrever à mamãe tentando
persuadi-la a me comprar uma vassoura – aceitou Rony, vendo que seria impossível
ser contra.
Os três foram ao corujal despachar Píchi com o pedido, e em seguida
foram ao Salão Principal tomarem café. Sentaram-se perto de Dino Thomas, Simas
Finnigan e Neville Longbotton, que conversavam sobre a aula de poções que
teriam depois do almoço.
- Qual é o papo? – perguntou Rony se servindo de bacon.
- Ah, aquela aluna nova, Wetts, acho, ouvi dizer que ela falou com o
diretor, foi reclamar do professor Snape – comentou Dino sombriamente.
- Ela não foi! – exclamou Hermione.
- Fui sim – respondeu uma voz triste perto dali. Era Carla Wetts.
- Você foi? Parabéns, temos que te cumprimentar, não é todo dia que
alguém se revolta com o Snape! – comentou Rony apertando a mão da garota.
- Não seja idiota, Rony! – retrucou Harry, começando a se irritar –
Duvido que ele vá ouvir um protesto de uma garota da Grifinória. Ele deve
estar rindo na sala dele.
- Aaa eu não sei – comentou Neville esperançoso. – Espero que
Dumbledore convença-o a não fazer aquilo, já estou pensando em faltar à aula
dele...
- Não se preocupe Neville... Dumbledore disse que tudo será resolvido,
e ninguém será mais odiado por ele do que eu – comentou Carla infeliz,
brincando com o seu prato.
- Não tanto quanto eu – respondeu Harry com aspereza.
- É o que você pensa – retrucou a garota, tão baixo que ninguém
ouviu, exceto Hemione, Fred e Jorge.
- Vamos Carla, não fique assim. As coisas vão melhorar, pense assim. Não
está tudo perdido – consolou Jorge, dando um tapinha amigável no ombro dela.
- Obrigada gente. Vocês me ajudaram bastante – agradeceu dando um meio
sorriso, e comendo com mais animação, tentando não pensar na aula que se
aproximava.
- Que isso! Só estamos falando a verdade! – comentou Fred, dando uma
risadinha.
- Obrigada – agradeceu novamente, acabando de comer em seguida.
Os alunos foram acabando e se dirigindo às primeiras aulas do dia. Harry
e Rony foram para Adivinhação, junto com Dino, Simas, Neville, Lilá e Parvati.
Hermione e Carla seguiram para Aritmancia. Os alunos do 7º ano foram para a
primeira aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, que até agora ninguém
sabia quem seria o novo professor.
O dia passou sem nenhum problema, e logo todos já estavam no Salão
Principal novamente, almoçando e conversando sobre as aulas da manhã. O
principal assunto era a aula de DCAT do 7º ano, pois todos os alunos estavam
curiosos para saber quem era o professor. Fred e Jorge Weasley foram os responsáveis
por narrar a história:
- Nós entramos na sala, e vimos que estava deserta. Sentamos nos lugares
e esperamos pacientemente pelo novo professor – começou Fred, fazendo um ar
de suspense.
- E esperamos... esperamos... esperamos... – continuou Jorge, no mesmo
tom que o irmão – Até que não aconteceu nada. Já haviam passado vinte
minutos e nada de professor.
- Então Lino Jordan e eu resolvemos ir procurar Dumbledore, para
esclarecermos o professor irresponsável. Sabem, realmente queríamos ter aula,
estávamos loucos para aprender – disse Fred displicentemente. Alguns deram
risada. Duvidavam que os Gêmeos Weasley quisessem aprender algo.
- E eles foram. Eu fiquei do lado de fora esperando. Quando eles viraram
um corredor, encontraram com o professor Dumbledore, e eles acabaram se
trombando. O diretor foi até a sala e se desculpou com todos.
- Caros alunos, me desculpem por não ter avisado, mas a nova professora
de Defesa Contra as Artes das Trevas ainda não chegou à escola, e esqueci de
avisar que as aulas desta semana foram canceladas – entoou Fred, imitando a
voz serena do diretor.
- E é claro que ficamos muito bravos com o diretor. Perdemos vinte
minutos em nada. Aí ele nos dispensou e fomos para o Salão Comunal, jogar um
pouco de snap explosivo – terminou Jorge, com uma expressão séria no rosto,
mas muito forçada.
- Então teremos uma professora... – comentou Simas, um
sorrisinho estampado no rosto.
- É o que parece – concordou Fred, mas fazendo uma careta. – Só
espero que seja bonita, já pensou se fosse uma velha rabugenta?
- Eu preferiria o Snape em vez de um tipo desse! – comentou Rony sem
pensar.
Todos olharam espantados para ele. Rony se tocou do que disse, e tentou
arrumar, mas sem muito sucesso.
- Ah, sabem... não que eu goste do Snape, longe de mim, mas quem sabe
ele fosse melhor?
- Aa Rony, não tente consertar, se não falará mais besteira –
repreendeu Hermione, brava.
Todos começaram a caçoar de Rony, que estava mais vermelho que um
pimentão. Todos menos Carla, que sentia que estava incomodamente sendo
observada. Se mexeu no banco, procurando pelo autor do olhar incômodo. Passou
pela mesa dos professores e notou dois olhos negros a olhando com profundo ódio.
Engoliu seco. Snape a olhava com um olhar mortífero. Era mais do que óbvio que
Dumbledore falara com o professor, e este passara a odiá-la ainda mais.
Suspirou, e comeu o resto do seu almoço muito tristemente, demorando o máximo
que pôde.
Então o momento que todos os alunos do 5º ano esperavam temerosamente.
A aula de Poções. Os grifinórios caminhavam pelos corredores, e logo
encontraram com os sonserinos, liderados por Draco Malfoy. Ele passou por todos
sem olhar nos rostos deles, e parou em Carla, com seu arzinho de desdém.
- Vejo que a mais nova sangue-ruim está tentando ser popular desafiando
os professores. Mas parece que vai se dar mal, Snape está furioso. Aposto que
vai te dar uma detenção antes que possa dizer ‘asfólamo’ – caçoou
Draco, arrastando sua voz o máximo possível.
- Para a sua informação, Malfoy, - respondeu Carla, sem perder a
pose – meu sangue é tão puro quanto o seu, mas acho que sua mente é muito
limitada, e não consegue conhecer outras famílias sangue-puro além da sua –
e lançou um olhar divertido. – E eu não estou com medo do professor, ele não
vai fazer nada de mal à minha pessoa, porque ele não pode tocar em mim, no máximo
me dar uma detenção, o que, nem de longe me assusta.
Ela nem esperou Draco responder, passou rapidamente em direção à sala,
mas foi barrada por uma pessoa em vestes pretas esvoaçantes. Era o professor
Snape, com um olhar de desdém nunca visto pela garota antes, misturado com
bastante raiva.
- A Srta. não tem medo de mim, Srta. Wetts? Pois deveria... Não estou
muito amigável ultimamente... – comentou com a voz fria e altamente letal.
Carla ficou sem palavras. A voz parecia ter sumido. Não esperava que o
professor fosse aparecer naquele momento, se não ela não diria uma coisa
dessas, ainda mais a Draco, o aluno preferido do professor. Agora ela podia se
considerar uma ex-monitora, estava se arriscando demais, e a corda estava mais
pra lá do que pra cá.
- Detenção, Srta. Wetts – sussurrou Snape, o rosto bem perto do dela,
os narizes quase se encostando. – E vocês, - completou, se levantando e
referindo-se aos outros alunos, que olhavam a tudo perplexos – vão logo para
a sala, antes que eu perca a paciência.
Os alunos andaram rapidamente até a sala. Carla ainda ficou alguns
minutos paralisada, sem saber o que fazer. Quando os sonserinos passaram, Draco
fez uma cara de triunfo quando passou por ela, fazendo questão de lhe dar um
empurrão.
O sangue da garota subiu à cabeça. Sentiu uma raiva incontrolável, e
pegou sua varinha, apontando firmemente para as costas de Draco. Queria lançar
o pior feitiço que conhecia – e isso incluía alguns feitiços proibidos -,
mas conseguiu se segurar por um triz. Murmurou algumas palavras sem sentido e
foi até a sala, onde Snape já começara a falar.
-... e graças à uma aluna atrevida da Grifinória, a tarefa estará
mudada. Testaremos a poção com um animal transfigurado, que espero que tenham
aprendido em Transfiguração, ou serão reprovados nesta também. As duplas
continuam as mesmas, e as poções que funcionarem irão para a enfermaria. O
estoque está quase no fim.
Alguns alunos gemeram. Muitos ainda não foram bem-sucedidos nas aulas de
transfigurar animais de porte médio-grande. Outros, estavam mais preocupados na
poção em si, que era mais complicada que qualquer outra que já tinham feito.
Passaram uma aula apertada, e cheia de medos e aflições. Snape estava
imperdoável, descontava pontos de Grifinória pelas coisas mais banais. No fim
da aula, a turma estava com menos cinqüenta pontos, mais a detenção de Carla.
Quando a sineta tocou, a turma saiu aliviada, juntando seus pertences e
saindo o mais rápido possível. Esta fora, sem sombra de dúvidas, a pior aula
de poções.
- Srta Wetts, você fica. Precisamos combinar sua detenção.
Carla fez um movimento brusco com a mochila, e acabou derrubando um
frasco de sangue de rã australiana. Com muita raiva, pegou sua varinha e logo
limpou tudo, caminhando até a mesa do professor, que fez um gesto de negação
com a cabeça.
- Não mesmo, senhorita. Vai limpar tudo, mas sem magia.
Ele fez um movimento com a varinha e o líquido voltou a se espalhar.
Carla limpou tudo, fazendo muxoxos e murmurando palavras sem sentido, até
acabar tudo, se dirigindo novamente à mesa do professor.
- Sua detenção, Srta. Wetts, – começou o professor, um sorrisinho irônico
estampado no rosto – será na quinta-feira, após o jantar. Será sobre você-sabe-o-que
na sala você-sabe-qual. Pode ir.