Harry Potter e a Luz Sagrada
Capítulo 15
LORD VOLDEMORT E DISCUSSÕES
Era uma noite fria. A lua estava em sua fase minguante, levemente
escondida por nuvens. Não tinha quase nenhuma estrela. Em uma ampla sala de
algum esconderijo secreto, encontravam-se várias pessoas, todas encobertas por
capuzes e máscaras. A pessoa no centro da mesa onde estavam dispostos era alta,
magra e com uma aparência debilitada. Uma enorme cobra estava aninhada perto da
cadeira deste homem. Ele levantou-se e disse aos presentes:
- É com enorme orgulho que venho informar a todos vocês, Comensais –
disse o homem, e pôde se perceber que sua voz era fria e autoritária, sem
contestamento -, que conseguimos deixar uma grande peça da profecia
completamente fora de combate – vários soltaram exclamações surpresas,
outros, que provavelmente já sabiam, continuaram em silêncio.
- O domínio das Trevas deu um grande passo para a frente! – continuou
o homem, com contido triunfo na voz – Esta reunião é para informar-lhes que
iremos atacar com mais afinco agora, e não vou admitir nenhuma tolice nos
combates. Sabemos agora que aquele velho caduca vai estar preocupado com a
garotinha, então estaremos livres para invadir o castelo novamente!
- Mas, mas... Milorde, e o Ministério? Deve estar alerta, não é? –
perguntou uma vozinha insegura no fundo da mesa. O homem magro e pálido o
encarou. O segundo homem era gorducho, e tinha o corocuto da cabeça careca.
- Rabicho... Rabicho... – disse o homem com uma leve zombaria embutida
na voz – Ainda não aprendeu nada, não é? Aquele Ministro da Magia teme tudo
que está a dois metros de distância dele... Não acredita que eu ressurgi,
somente alguns aurores que estão do lado do velho que estão alerta. E eles
nunca conseguiriam conter um ataque nosso...
- E onde e quando seria esse ataque? – perguntou uma outra voz, desta
vez fria e com um ar de arrogância.
- Onde e quando, Lúcio? Bem, não sei onde ainda, mas quando
já sei. Será daqui a dois dias, no meio da noite – respondeu o homem. –
Agora, podem ir. Serão chamados quando eu decidir os detalhes. – os homens
foram se levantando aos poucos, mas o homem continuou – Menos vocês, Lúcio,
Rabicho, Severo e Igor. Ainda preciso falar com vocês.
Os quatro nomeados continuaram na sala, enquanto os outros aparatavam o
mais rápido possível, temendo algum castigo pela demora.
- Então Comensais – ele enfatizou a segunda palavra -, creio
que todos saibam por que estão aqui, não sabem? – eles confirmaram com a
cabeça – Ótimo. Vamos aos negócios, é o que interessa...
Harry acordou com a sua cicatriz doendo, uma semana depois da reunião da
Ordem da Fênix. Levantou-se assustado e percebeu que suava frio. Procurou na
mesa-de-cabeceira seus óculos e os colocou, apressado. Olhou à sua volta. Seus
companheiros de quarto dormiam profundamente, e Harry não viu motivo para acordá-los.
Levantou afobado e procurou por alguma pena e pergaminho. Decidiu anotar o mais
rápido possível, para informar a Dumbledore sobre os detalhes, e sobre o
ataque. Entendeu quase tudo, menos a parte de Carla ter alguma importância na
queda das Trevas, de acordo com a profecia.
Anotou tudo diretinho e deitou-se, sentindo um pequeno alívio por se
livrar da responsabilidade. Deitou-se em sua cama de colunas, tentando não
pensar mais naquele sonho.
Carla acordou afobada na enfermaria. Respirava rápido, quase em
arquejos. No momento seguinte ao do susto, sentiu seu corpo completamente
dolorido, e não conseguia sentir algumas partes com certeza. Olhou para os
lados. Não viu nada além de várias camas que povoavam o local.
Tentou se sentar. A dor que se seguiu foi tão intensa e terrível que
ela desistiu da idéia. Olhou para os lados preocupada, à procura de alguma
ajuda. Por sorte viu Madame Pomfrey entrar apressada na enfermaria, carregando
alguma poção borbulhante. Assim que viu a garota com os olhos abertos, largou
a poção em uma mesinha ao lado de alguém deitado e se aproximou da garota.
- Ah, finalmente acordou! Estávamos preocupadas, senhorita! – disse a
enfermeira – E não se mexa! Recebeu ferimentos muito graves! Agora –
completou pegando um líquido azul-esmeralda de dentro do armário -, beba isso,
vou chamar o diretor. Ele queria ser avisado quando você acordasse.
Madame Pomfrey despejou o líquido na garganta de Carla. No momento
seguinte ela não sentiu mais nada, nem as dores cruciantes por todo o corpo nem
o movimento de membro nenhum. Parecia também não conseguir raciocinar direto,
sentia-se estranhamente leve. Não demorou muito até sentir as pálpebras
demasiado pesadas para continuar de olhos abertos, e cedeu. Adormeceu novamente,
sem pensar em nada.
A manhã seguinte foi bastante tumultuada para Harry. Ele acordou cedo, e
sem nem esperar Rony acordar, se dirigiu à sala do diretor. Nem pensou se ele
estaria dormindo ou não. Chegando na gárgula, disse a senha e subiu para a já
conhecida sala circular, agora do tamanho normal. Se arrependeu levemente ao ver
o diretor com roupas de dormir, mas o motivo de estar ali era mais forte.
- O que aconteceu Harry? – perguntou Dumbledore serenamente – Alguma
coisa urgente? Ao ponto de nem esperar o sol nascer direito? – brincou ele.
- Diretor, é... que... – disse levemente desconcertado – Ontem à
noite eu tive um sonho com Voldemort, e parecia bem grave.
- Já era de se esperar... – murmurou baixinho – Sua cicatriz doeu,
Harry?
- Sim – respondeu Harry sem entender a primeira frase dele. –
Aconteceu alguma coisa, diretor?
- Sim Harry – concordou ele tristemente. – Carla Wetts também deu um
sinal de Voldemort.
- Quê? – perguntou Harry estupefato. O que agora Carla teria a ver
nessa história?
- Me desculpe Harry, mas não posso te contar. Ninguém sabe disso, então
é melhor esperarmos a hora certa – disse Dumbledore em tom que não permitia
contestamento. – Muito obrigado Harry, e gostaria que andasse sempre com a
capa da Ordem. Lembre-se: vigilância constante. Pode ir.
Harry saiu da sala mais confuso do que quando entrara. Agora queria saber
mais do que nunca sobre a importância de Carla na profecia, e agora ainda tinha
que andar com sua capa para todos os lugares... Aquilo estava ficando muito
estranho...
Caminhou em passos lentos até o Salão Comunal. Estava vazio, e Harry
olhou para o pulso à procura das horas, mas se esqueceu que não tinha mais relógio.
Deu um suspiro e resolveu adiantar alguns deveres de Adivinhação, enquanto
esperava a hora do café.
Rony e Hermione desceram ao Salão Comunal quase na hora do café.
Estranhamente estavam de mãos entrelaçadas, mas eles logo as soltaram ao verem
o olhar de Harry sobre si.
- E aí Harry, o que foi? Não te encontrei no dormitório! – disse
Rony se aproximando, com um sorriso no rosto.
- Ah, perdi o sono. Estou aqui fazendo o dever de Adivinhação, onde vocês
estavam? – disse ele desconversando.
- No dormitório. Acabamos de levantar – disse Hermione também
desconversando.
- Vamos tomar café? – perguntou Rony.
- Vamos – respondeu Harry desanimado, pegando seu dever e colocando
dentro do livro de qualquer jeito. – Vou guardar isso aqui, vá volto.
Harry subiu as escadas para o dormitório desanimado, ao mesmo tempo que
ouviu Rony cochichando alguma coisa com Hermione, que deu uma risadinha. Ele
guardou o material e desceu, e juntos, os três foram até o Salão Principal.
- Harry, você está bem? – perguntou Hermione preocupada, no finzinho
do café da manhã, vendo que Harry nem tocara em seus ovos com bacon.
- Sim, estou – respondeu desligado.
- Aconteceu alguma coisa, Harry? Nós já percebemos que você está
estranho... – comentou Rony se preocupando também.
- Que bom que perceberam! – disse Harry irônico – Descobriram
sozinhos ou alguém lhes contou?
- Por que está dizendo isso, Harry? É claro que nos preocupamos com você!
– disse Hermione ofendida.
- Mas não é o que parece! – respondeu aumentando o tom de voz – Vocês
têm estado um pouco distantes, quase não falam comigo! E quando falam é muito
pouco!
- O pior é que não é só a gente! – retrucou Rony levantando a voz
também – Você também tem estado cheio de segredos, indo para a sala de
Dumbledore toda hora! Se você acha que consegue nos enganar está muito
enganado!
Harry levantou bruscamente de seu lugar, quase derrubando Neville que
acabara de chegar. Saiu do Salão Comunal aos pisões, sob uma onda de risos dos
alunos da Sonserina, chefiados por Draco Malfoy. Rony e Hermione ficaram
sentados, olhando bravos para Harry.
Harry ficou sem falar com os amigos o dia todo, e nas aulas se sentava
com Neville, já que Dino e Simas estavam juntos. Hermione e Rony também não
deram atenção, achavam que Harry era culpado por esconder coisas antes. Até o
professor Snape notou que o trio estava brigado, e não deixou de fazer uma
brincadeirinha ao final da aula, quando todos já estavam saindo:
- O que foi, Potter? A Ordem está te deixando muito ocupado? Vejo que
nem tem tempo para seus... amigos – disse com sua voz cortante.
- Não é da sua conta – respondeu Harry entre dentes. Saiu da sala o
mais rápido de pôde, e nem ouviu o chamado desesperado de Neville nem as
piadinhas de Lilá sobre ele.
Correu para o Salão Comunal. Desde que tive o sonho com Voldemort na
noite anterior, não parava de pensar sobre os quatro Comensais que Voldemort
chamara para uma conversa particular. Rabicho... este sempre seria um Comensal
apegado à sua própria vida..., Karakaroff... este Harry não sabia o motivo de
estar de volta ao Círculo das Trevas... Ao que sabia ele fugira assim que
sentiu a Marca queimar..., Malfoy... este simplesmente não tinha comentários...
Harry sempre soube que ele não era um bruxo bom, ao julgar pelo seu filho,
Draco. Mas Snape... Harry não acreditava que ele pudesse estar traindo
Dumbledore... Pelo visto estava desperdiçando a segunda chance, e não teria
outra...
Harry ficou um grande tempo pensando sobre isso, até que a porta do
dormitório se abriu com estrépito. Nela estavam parados Rony e Hermione, com
expressões muito sérias no rosto.
- Harry, precisamos conversar – disse Hermione séria.
- Estou ocupado – respondeu secamente.
- É importante Harry. Se não for agora não será nunca mais –
completou Rony.