Harry Potter e a Luz Sagrada

Capítulo 14
A ORDEM DA FÊNIX

         Harry estava com as mãos trêmulas, e não parava de apertar os nós dos dedos. Dumbledore o olhava analisador, como se tentasse descobrir alguma coisa. O diretor deu um grande suspiro e começou a falar.

         - Harry, o que tenho que lhe dizer é muito importante, e preciso que preste total atenção ao que vou falar – Harry concordou com a cabeça. – Você ainda tem a capa que Sirius te deu?

         - Tenho, está guardada no malão... – respondeu imaginando o que veria a seguir.

         - Ótimo. Harry, eu preciso que você venha ao meu escritório amanhã, depois do jantar, com a capa bem guardada. Gostaria que não contasse nada a Rony e Hermione – disse o diretor com um olhar sério.

         - Sim senhor – disse Harry sentindo um aperto no coração. Já não gostava de esconder sobre a capa, agora ainda tinha que esconder dessa tal reunião.

         - E fique vigilante, Harry. Voldemort está nos terrenos da escola, e ao que parece está atrás de você – advertiu o diretor. Em seguida pegou um pedaço de pergaminho e entregando ao garoto. – Esta é a profecia que Voldemort procurava. Diz respeito a você também, então acho melhor você ficar com ela e dar uma lida.

         - Mas, Dumbledore...? – perguntou Harry confuso – Aqui fala filhote do leão. O que isso quer dizer?

         - Bem – suspirou o diretor. – Você, Harry, é o herdeiro de Godric Griffindor.

         Harry ficou pasmo, sem palavras. Olhou abobadamente para Dumbledore, exigindo uma explicação melhor. O diretor observou a reação do garoto por detrás dos oclinhos de meia-lua.

         - Vou te explicar melhor. Seu pai era o herdeiro de Griffindor. Ele já sabia disso, por isso se escondeu. Voldemort já ouvira falar da profecia, mas nunca deu muita importância. Somente sabia que tinha que acabar com os Potter, herdeiros diretos de Griffindor. E ele, como herdeiro de Slytherin tinha que acabar com todos que lhe atrapalharam no passado. Ele contava em destruir todos os Potter naquela noite, e quase conseguiu, mas sua mãe o salvou.

         “Ela sabia que o que ia fazer era loucura, mas era um contra-feitiço poderoso, por isso ele não pôde te matar. Voldemort não se deu conta disso, então caiu. Por muitos anos todos achavam que ele não voltaria mais. E infelizmente estavam errados. Já que ele utilizou o seu sangue para ressurgir, ele pode te tocar novamente”

         - Então eu sou herdeiro de Griffindor? Por isso que Voldemort matou meus pais? E por que ninguém me contou? – perguntou desesperado.

         - Muitas coisas Harry, você nunca ficará sabendo, e outras, saberá na medida do possível. – Agora é melhor você ir, os outros podem estar preocupados – completou o diretor.

         Harry se levantou, inconformado com a situação. Estava muito abalado para comentar alguma coisa, então deu um pequeno aceno com a cabeça e saiu. Dumbledore continuou em sua sala, pensativo, analisando se devia mesmo ter contado a história a Harry.

 

         A manhã do dia seguinte estava tensa. Muitos alunos estavam temerosos, nervosos com a perspectiva de um novo ataque. Poucos sabiam qual aluno tinha sido atacado, e quando Simas levantou essa questão na mesa do café da manhã, os únicos que responderam foram Fred e Jorge.

         - Como ninguém conseguiu perceber? – perguntou Fred indignado.

         - Se vocês são tão desligados assim, não vamos ser nós que vamos contar – completou Jorge com rispidez. Os dois se levantaram bruscamente e saíram da mesa furiosos, sem ao menos tocarem nos pratos.

         - O que deu neles? – perguntou Neville confuso.

         - Carla Wetts – respondeu Rony dando de ombros. – Ficaram furiosos ao saber que ninguém percebeu que ela que foi atacada.

         - Eles ficaram ontem a noite toda na enfermaria, ouvi eles dizerem a Lino que o estado dela estava péssimo – completou Hermione. Harry deu uma risadinha. – O que foi, Harry?

         - É que vocês falaram tão igual que parece que combinaram! Estavam pior que os gêmeos! – disse Harry entre risos. Embora estivesse com mil e uma preocupações na cabeça, não perdeu a oportunidade de zoar os amigos.

         - Harry! – exclamou Rony vermelho. Hermione abaixou a cabeça, com o rosto da cor do cabelo dos Weasley.

         Harry deu uma risada enquanto os dois continuavam vermelhos.

 

         Aquele dia foi um dos piores da vida de Harry. Estava difícil se concentrar nas aulas daquele dia, e ele não via a hora de chegar a noite, para finalmente ter a tão esperada reunião com Dumbledore. Pensara muito sobre o assunto, e decidira não contar nada aos amigos, não até saber direito o que estava acontecendo. Na hora do jantar, inventou uma desculpa para sair mais cedo, e se preparar para a reunião.

         - Harry, você está bem? Andou estranho o dia todo... – comentou Rony quando o amigo alegou estar com dor de barriga.

         - Estou ótimo. Só vou na enfermaria tomar um remédio. Essa dor de barriga está me matando! – respondeu fingindo uma expressão de dor.

         - Eu não acho que você esteja bem – comentou Hermione displicentemente; mas já era tarde, Harry saíra do Salão Principal sem esperar resposta.

         - Ele está escondendo algo de nós – deduziu Rony olhando para as portas onde Harry saíra. Hermione concordou com a cabeça.

         Harry foi até o dormitório masculino, pegou sua capa de invisibilidade e a capa negra, e seguiu até a sala de Dumbledore. Quando chegou viu a professora McGonagall o esperando e ele levou um susto quando ela o chamou, mesmo estando na capa de invisibilidade.

         - Harry, pode sair. Já está seguro.

         Ele tirou a capa, olhando desconfiado para a professora. Ela sorriu e disse:

         - Alvo me contou que provavelmente estaria usando a capa do seu pai, para despistar seus amigos. Já me deixou de sobreaviso.

         Harry concordou com a cabeça, mas achou muito ruim que o diretor tivesse contado, já que não poderia fazer nada escondido sem deixar suspeitas. A professora disse a senha, e a gárgula deu espaço para uma grande escada de caracol, que parecia não ter fim. Os dois subiram até o escritório de Dumbledore, e o que Harry viu ali o deixou completamente sem fala.

         Mais de vinte pessoas estavam no aposento, em uma mesa que o garoto não se lembrava de estar ali. A sala também parecia magicamente amplificada, para caber tantas pessoas. McGonagall pediu para Harry ficar ali enquanto falava com Dumbledore.

         - Finalmente podemos começar nossa reunião – exclamou ele aliviado. – Harry, pode sentar ali, ao lado de Sirius.

         Harry sentiu uma zombaria engraçada nos ouvidos. Estava ficando surdo, pois ouvira o nome “Sirius”. Confirmou o contrário quando um homem adulto, com os cabelos aparados e limpos, o rosto novamente na forma normal, sem sinais de fome, com vestes bruxas limpas, levantou-se do seu lugar e acenou para o garoto. Ele sentiu seu estômago afundar dois metros, e sentiu-se caminhando até o local indicado.

         Viu que muitos rostos o olhavam curiosos, interrogativos ou simplesmente por olhar. Muitos eram conhecidos, como Remo Lupin, Severo Snape, Arthur Weasley, Olho-Tonto Moody e outros completamente desconhecidos.

         - Então comecemos mais uma reunião da Ordem da Fênix – suspirou Dumbledore, levantando do seu lugar. – Eu desejaria nunca mais ter que reativar esta ordem, mas devido aos acontecimentos atuais eu não vi escolha. Acho que todos sabem que a aluna Carla Wetts foi atacada por Voldemort, não é?

         Muitos concordaram com a cabeça; outros, pareciam surpresos e estupefatos. Alguns somente olhavam esperando o que viria a seguir.

         - É verdade. Ainda não temos detalhes, temos que esperar que ela acorde, mas enquanto isso, preciso de todo o apoio de vocês. Precisamos reforçar a segurança da escola, e preciso que os aurores cuidem disso para mim. É de extrema urgência que todos procurem sinais de Voldemort, e que me informem o mais rápido possível, já que não podemos perder tempo. Peço também, que todos andem sempre com suas capas, para o caso de alguma emboscada.

         Dumbledore continuou dando recados e instruções por um bom tempo, até que todos, ou quase todos, se retiraram do aposento em um estalo – provavelmente aparataram, pensou Harry.

         - Harry, agora acho que você quer nos fazer muitas perguntas, estou certo? – perguntou Dumbledore calmamente depois de todos saírem da sala.

         - Sim – respondeu Harry pensativo. Dumbledore o encorajou a continuar. – O que é a Ordem da Fênix?

         - Ordem da Fênix é uma aliança entre os bruxos do bem para combater o domínio das Trevas, principalmente contra Voldemort. Você está aqui substituindo o seu pai, e também por ser de grande importância para a queda do mal – explicou o diretor.

         - Meu pai fez parte da Ordem? – perguntou surpreso.

         - Fez sim. Eu, Remo e ele éramos os mais novos, lutamos um bocado para impedir Voldemort de tomar a escola – respondeu Sirius colocando uma mão no ombro do afilhado.

         - O que está fazendo aqui, Sirius?

         - Como faço parte da Ordem, Dumbledore contou toda a história para os membros, e eles acreditaram na verdade, menos, é claro, algumas pessoas – a última parte Sirius falou com amargura, o que despertou a curiosidade de Harry.

         - E para que serve essa capa? – indagou Harry, fugindo daquele assunto.

         - Essa capa é uma peça rara, que somente os membros da Ordem possuem. Ela possuiu vários poderes, que variam de acordo com quem a usa. Ela era de seu pai, e como os dois têm o mesmo sangue, a capa não lhe privará das vantagens. A maioria dos poderes são ocultos, e somente o dono terá informação sobre todos os poderes – explicou Dumbledore.

         - Todos nós temos uma – completou Lupin, se aproximando dos três. – E a cor dos brilhos depende muito de que pessoa é. Espero que quando você a tocou viu algum brilho, não?

         - Vi, tinham alguns brilhos prateados, mas depois eles sumiram – respondeu Harry sentindo-se de repente muito burro.

         - É que a capa ainda não reconheceu o novo dono – disse Dumbledore pensativo. – Bem Harry, acho que tem muito o que falar com seu padrinho, então vou deixá-los a sós.

         Ele e Lupin saíram da sala, discutindo alguma coisa que Harry não se importou em descobrir o que era. Estava muito feliz para se preocupar. Abraçou Sirius bem forte, e este retribuiu na mesma intensidade.

         - Sirius, você ficou longe tanto tempo! Senti saudades! – disse Harry com os olhos marejados.

         - Eu também Harry. Mas agora vou ficar muito tempo aqui. Pelo menos até isso tudo passar – respondeu Sirius preocupando-se. – Você sentiu sua cicatriz doer na noite do ataque?

         Harry resolveu contar o que acontecera na noite do ataque, e como sabia que o padrinho não brigaria por estarem fora da cama, ele já fizera isso um milhão de vezes, contou tudo, ou quase tudo...

         - E o que estavam fazendo fora da cama? – perguntou desconfiado.

         - Bem... desde que me deu aquele livro, nós temos começado a estudar, já que queremos ser animagos... – respondeu Harry com voz de inocente.

         - Harry, eu não quero que você fique treinando para animagia. É muito arriscado, e pode sair errado. Se vocês não têm um motivo forte para o fazerem, como nós tínhamos, aconselho que parem com isso – alertou Sirius severamente.

         Harry fez uma careta, mas concordou. Sabia que o padrinho nunca o privaria de alguma coisa se fosse realmente perigosa. Depois passaram para assuntos mais leves, como o que o padrinho andara fazendo nesse tempo todo. O garoto só saiu da sala de Dumbledore às duas da manhã, bocejando constantemente. Cubriu-se com a capa e seguiu até o Salão Comunal da Grifinória, sem nem saber aonde ia.

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