Harry Potter e a Luz Sagrada

Capítulo 13
UMA NOVA AMEAÇA

         A semana seguinte foi só alegria. Rony estava com o humor lá em cima, nem as provocações de Malfoy nem a voz letal de Snape puderam desanimá-lo. E essa felicidade acabava contagiando todos os que estavam perto, e já tinha tempos que Rony e Hermione não discutiam, nem que Harry tratava Carla com frieza.

         A próxima preocupação dos grifinórios era quem seria o capitão do time. Precisavam de alguém que soubesse comandar as coisas, que entendesse os companheiros do time e que tivesse uma incansável vontade de vencer. Muitos alunos diziam que somente os gêmeos Weasley poderiam dar conta do recado. Outros, como Dênis e Colin Creevey queriam que fosse Harry o escolhido. Mas ninguém sabia ao certo quem seria o capitão, não até o time ter uma reunião séria com a diretora da casa, a professora Minerva McGonagall, naquela mesma manhã.

         - Vamos Rony! Estamos atrasados para a reunião com a Profª. McGonagall! – berrava Harry enquanto sacudia um sonolento Rony.

         - Ah Harry, me deixa dormir... – gemeu Rony se virando para o outro lado.

         - VAMOS RONY! – berravam outras duas vozes invadindo o dormitório.

         Fred e Jorge ultimamente estavam muito responsáveis, sonhando com este dia, onde finalmente saberiam quem seria o capitão do time. Sempre ralhavam com alguém que não estivesse pronto para os compromissos do time.

         - Que droga! Não precisam gritar! Já estou indo! – resmungou Rony saindo de um emaranhado de cobertas.

         - Então vem logo! – retrucou Jorge dando um tapa na cabeça do irmão.

         - Vamos te esperar lá embaixo, trate de ir logo! – completou Fred saindo e fechando a porta do quarto.

         - Aqueles dois estão obcecados, parecem até o Wood – resmungou Rony enquanto se vestia.

         Olívio Wood era o ex-capitão do time da Grifinória, e também o goleiro. Se formara no terceiro ano de Harry, e era realmente obcecado por quadribol, fazendo de tudo para o time ganhar a Taça.

         - Vamos logo Rony! Eu também quero saber quem vai ser o capitão! – apressou Harry jogando a capa no rosto do amigo.

         Rony desceu correndo as escadas circulares do Salão Comunal, com Harry nos seus calcanhares. Os dois levaram uma bronca do resto do time, que já esperavam os dois há vinte minutos.

         O time seguiu até a sala de Transfiguração, onde McGonagall esperava-os pacientemente. Ralhou com eles, para variar, e depois deixou todos se sentarem, para o que prometia ser uma longa reunião.

         - Vamos começar – disse a professora McGonagall. – O voto é algo muito importante. Em quem vocês votam para ser o capitão?

         - Fred ou Jorge – respondeu Angelina.

         - Também – concordou Katie.

         - Eu também acho – emendou Alícia.

         - Eu prefiro que seja o Harry – cortou Rony.

         - Eu não tenho preferência – responderam Fred e Jorge em um uníssono, o que era mentira, já que os dois queriam ser capitão mais do que qualquer outra coisa.

         - Eu não quero ser capitão! – protestou Harry – Pra mim é um dos gêmeos.

         - Já vi que Fred e Jorge Weasley ganharam a votação – anunciou a professora. – Eu também acho que os dois são uma boa opção, embora sejam muito bagunceiros.

         - Mas professora? – perguntou Angelina – Qual dos dois vai ser o capitão?

         - Isso vai ser difícil escolher... – lamentou Katie.

         - Acho que podiam ser os dois! – sugeriu Harry. Todos olharam para ele pasmos – É mesmo, não faria diferença ser um ou outro, todos sabemos que eles trabalham juntos, e fazem isso muito melhor do que sozinhos.

         - É isso aí! – concordou Rony.

         - Todos estão de acordo? – perguntou Minerva.

         - Sim! – responderam todos ao mesmo tempo.

         - Então, este ano, teremos Fred e Jorge Weasley como capitães do time da Grifinória! – exclamou a professora em um tom feliz.

         Todos ali presentes comemoraram. A professora caminhou com todos até o Salão Comunal, onde deu a notícia e todos começaram a fazer barulho. Os gêmeos eram muito queridos por todos, e sua nomeação para capitão tinha sido ótima. Como era sábado, todos ficaram comemorando, comendo doces e bebendo cervejas amanteigadas, que Harry, Rony e Hermione foram buscar no Três Vassouras.

         A festa só acabou às duas da madrugada, quando a professora Minerva foi dar uma bronca em todos por ficarem festejando até tarde.

 

         Era uma noite de quarta-feira. Rony, Hermione e Harry caminhavam lentamente envoltos na capa de invisibilidade, rumo à uma sala deserta no sétimo andar. Já fazia um tempo que estavam visitando aquela sala, onde começaram a estudar uma matéria proibida e super complicada: animagia. Duas semanas depois do teste de goleiro, Harry recebeu um livro de Sirius com tudo para se tornarem animagos, mas somente para o afilhado se divertir um pouquinho. Nunca pensara que ele iria tentar se tornar um animago, e mesmo com todas as reclamações de Hermione eles estavam começando a treinar.

         Só que era algo muito perigoso. A princípio eles estavam testando alguns feitiços de transfigurar animais, e depois começariam as providências necessárias para se tornarem animagos, e esta noite estavam indo praticar um pouco, e também ler o livro, já que Hermione disse que “não vamos tentar nada antes de termos lido todo o livro”.

         Viraram um corredor no sétimo andar. Estavam próximos da sala onde estudavam, mas um barulho os distraiu. Ouviram páginas serem viradas, e passos dentro da sala. Pararam abruptamente, com a respiração controlada, e foram o mais lentamente possível até a sala. Não podiam negar que queriam ver quem estava na sala em um horário proibido, então abriram a porta.

         Não tinha ninguém, mas visivelmente alguém estivera ali. As carteiras estavam dispostas de maneira diferente, e a janela estava aberta.

         - Não, ela não está aberta! – exclamou Hermione saindo debaixo da capa.

         - Mione! – chamaram Rony e Harry, obrigando-a a voltar para dentro da capa.

         - A janela está quebrada! Sem os vidros! Olhem! – continuou Hermione, apontando para a janela sem vidros.

         - O que será que aconteceu? – perguntou Rony também saindo da capa.

         - Não sei... – disse Harry balançando os ombros.

         Então eles ouviram um grito. Um grito agonizante, e extremamente alto. Harry gemeu, e instintivamente colocou a mão na cicatriz, que parecia arder em brasa.

         - Harry, o que foi? – perguntou Hermione aflita.

         - Minha cicatriz... Está doendo... – respondeu com a voz falha. E então lhe ocorreu. Provavelmente Voldemort estava por perto, e o grito foi de uma pessoa que estava sendo atacada por ele – Temos que sair daqui.

         - Por quê? – perguntaram Rony e Hermione juntos.

         - TEMOS QUE SAIR DAQUI! – gritou Harry, jogando a capa sobre os três – Depois eu explico – completou entre dentes.

         Os três saíram rápida e sorrateiramente dali, rumando ao retrato da Mulher Gorda sem falar nada. Estavam na metade do caminho quando ouviram passos apressados, e a voz de Dumbledore, ligeiramente preocupada.

         - O que aconteceu? Severo, Minerva, alguma coisa?

         Mas eles não tiveram tempo de ouvir o que acontecera. Viraram em um corredor e perderam a visão dos professores. Chegaram ao retrato da Mulher Gorda, que deu uma bronca por estarem andando pelo castelo à noite, mas deixou-os entrarem.

         - Harry, o que aconteceu? – perguntou Rony assim que adentraram o Salão Comunal, no momento deserto.

         - Minha cicatriz – respondeu Harry. – O grito. Voldemort está aqui no castelo!

         - Quer parar de dizer esse nome?! – reclamou Rony.

         - Como assim? Harry, não vai dizer que... – hesitou Hermione.

         - É! O grito é de alguém que foi atacado por Voldemort! – exclamou Harry, completamente preocupado.

         - Harry! Se Você-Sabe-Quem está em Hogwarts, o que vai acontecer? Quer dizer... ele está atrás de você... – disse Rony hesitante.

         - Eu sei Rony! E é por isso que devíamos sair dali rápido! – concordou Harry.

         - Vamos parar de pensar nisso. Temos que ir dormir, com certeza Dumbledore irá dizer alguma coisa amanhã – disse Hermione com severidade, subindo a escada circular. – O que foi? Não vão vir?

         - Sim, sim... já vamos – respondeu Rony lançando um olhar de esgueira para Harry, que retribuiu.

         Os três subiram aos seus dormitórios, mas nem de longe conseguiram dormir. Principalmente Harry, que teve um terrível sonho em que Voldemort matava, da pior maneira possível, um aluno indefeso. Isso fez com que Harry não pregasse o olho o resto da manhã, e na hora do café os três estavam com caras suspeitas, olhando para todos os lugares desconfiados.

         Isso não passou despercebido pelos gêmeos, que começaram a provocar.

         - Cuidado Harry, o herdeiro de Slytherin vai te pegar!! Buuuuu – disse Jorge pulando na frente de Harry, que levou um susto.

         - Ou quem sabe é o Você-sabe-quem, querendo lhe dar mais uma cicatriz! – completou Fred, também pulando na frente de Harry.

         - Vocês não crescem não? – perguntou Rony rispidamente.

         - Já somos crescidos, você é que é criança! – disse Fred dando um tapa na cabeça de Rony.

         - Mas falando sério, – disse Jorge se sentando ao lado de Hermione – pra quê essa desconfiança toda?

         - Não é nada... – respondeu Harry. Em seguida pensou na coisa mais banal para se dizer – Onde está Carla?

         - É uma boa pergunta... Hermione, ela não estava no seu dormitório? – disse Fred franzindo as sobrancelhas.

         - Eu não a vejo desde a hora do jantar... – respondeu Hermione preocupada.

         - O que será que aconteceu agora? – perguntou Rony.

         - Não sabemos... – respondeu Fred dando de ombros.

         - Espero que ela apareça, como fez ontem... – comentou Harry, mas só para não deixar que Fred e Jorge percebessem que ele não gostava dela.

         Mas Carla não apareceu em nenhuma das aulas matinais, e tampouco para as do fim da tarde. Já era hora do jantar e nada dela aparecer. Os professores estavam muito sérios, e em certo ponto do jantar, Dumbledore se levantou, fazendo todos pararem de conversar.

         - Caros alunos, é com muitos pêsames que venho informar que Hogwarts não é mais totalmente segura – muitos alunos soltaram exclamações de descrença, outros ficaram apavorados. – Venho informar aos senhores que ontem um aluno foi atacado por nada mais, nada menos que Voldemort – a maioria dos alunos tremeram em seus lugares, incluindo os Weasley.

         - De algum jeito ele conseguiu entrar em nossa escola, e gostaria de reforçar as proteções. Os treinos de quadribol estão cancelados indeterminadamente – Fred e Jorge começaram a reclamar completamente indignados. – no período da noite, somente sendo permitidos nos fim de semanas e com acompanhamento de um professor. Qualquer atividade noturna está cancelada, incluindo as aulas de astronomia – vários alunos comemoraram, e Hermione soltou um suspiro. – Peço que tomem o dobro de cuidado. E é só – e se sentou novamente.

         Os cochichos redobraram. A grande maioria dos alunos estavam temerosos, e isso incluía Harry, Rony e Hermione.

         - Harry, você tinha razão! Você-sabe-quem está em Hogwarts! – exclamou Rony estupefato.

         - E agora? Cancelaram o quadribol! Vamos ter muito menos tempo para treinar! – exclamou Fred desolado.

         - E podemos perder para Sonserina! – completou Jorge fazendo uma careta.

         - Não vamos poder sair depois que anoitecer – disse Hermione severamente para Rony e Harry.

         Eles acabaram o jantar e foram caminhando até a saída do Salão Principal, mas uma voz os barrou.

         - Sr. Potter, me acompanhe – era a voz severa da professora McGonagall.

         Harry engoliu em seco. Deu um olhar de esgueira para os amigos, que lhe deram olhares encorajadores. Ele acompanhou a professora até a sala do diretor, que o esperava com um olhar que nem de longe parecia o sereno de Dumbledore.

         - Sente-se Harry. Precisamos conversar – disse Dumbledore apontando uma cadeira para Harry, com uma expressão séria no rosto. Harry obedeceu.

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