Férias Malucas - Onde Tudo Pode Acontecer
Capítulo 76
Já havia amanhecido, e o sol entrava timidamente pelas janelas de todos os lares. Mostravam descontração, e o conforto de quem tivera uma boa noite de sono. Mas não para todos, como para Kevin, por exemplo.
Ele passara a noite toda sentada em um banco frio do aeroporto, com a passagem ainda em mãos, e a cabeça levemente encostada na parede. Tinha profundas olheiras que revelaram que não dormira muito a noite toda.
Passou a mão pelos cabelos, que não estavam mais macios e brilhantes como sempre estavam, pareciam que estavam duros, e estava um pouco oleoso. Esfregou os olhos e olhou em volta. O aeroporto estava praticamente vazio, a não ser pelos funcionários e alguns passageiros que estavam prestes a embarcar.
- Uah, que droga... – disse em um bocejo. – Onde tem uma lanchonete por aqui? – continuou perguntando ao mesmo tempo em que se levantava.
Caminhou vagamente pela direita, sem saber ao certo aonde estava indo. Trombou com um faxineiro, que depois de se levantar resmungando, disse, olhando o estado de Kevin:
- Me desculpe senhor, mais acho que deveria procurar a enfermaria, não está com uma aparência muito boa, sabe...
- Não, eu só quero saber onde fica a lanchonete... – respondeu desligado.
- É por ali, senhor; só seguindo a direita até a primeira entrada. Que Deus lhe ajude. – completou vendo Kevin se afastar.
Kevin foi caminhando pelo caminho, e finalmente chegou à lanchonete. Pediu um hambúrguer e um guaraná. Deu o primeiro gole e percebeu o quanto estava com sede. Tomou um segundo, desta vez mais longo, e se lembrou que esse era o refrigerante favorito de Carla. Deu um suspiro e começou a comer o hambúrguer. Não adiantava ficar se lamentando, afinal, tivera uma parcela de culpa nisso tudo.
Olhou para o relógio. Ainda eram oito da manhã. Continuou comendo sem se importar com nada a sua volta, como se estivesse em outro mundo de espírito, e só seu corpo vagasse pela Terra.
A alguns (muitos) quilômetros de distância, Carla acabava de acordar de um sono perturbado e cheio de mágoas. Deu um bocejo e olhou para a janela. Não via nada além de uma grande faixa de água que ocupava toda sua visão. Olhou para o relógio. Dali a algumas horas estaria chegando no Brasil, onde não pensaria mais em Backstreet Boys nem em Kevin. Sentiu um aperto no coração. Será que estava fazendo a coisa certa? Só o tempo iria dizer.
Se perdeu por alguns momentos em seus pensamentos, até que a aeromoça chegou com o café da manhã. Ela aceitou e começou a comer sem muito ânimo. Parecia que todo seu corpo se recusava a fazer alguma coisa que não fosse pensar em Kevin. Deu uma forte balançada na cabeça, a fim de se livrar desse pensamento infeliz.
Pensou em ligar para a irmã, talvez ela tivesse um conselho, mas logo desistiu, pois sabia que do jeito que a irmã era, tivera uma noite muito agitada e precisava dormir. Novo aperto no coração, nova sacudidela na cabeça.
- Já chega! – disse. – Pare de pensar nisso, Carla! Acabou, ou você não percebeu isso? – disse bruscamente.
A afundou novamente em profundo desânimo.
---Algumas horas depois, no aeroporto---
Kevin andava apressado pelos corredores, agora com muito mais gente do que anteriormente. Procurava a plataforma 9 e meia (ops, assunto errado!). Procurava a plataforma 254, onde embarcaria em vinte minutos. Não conseguia se conformar em ter perdido a hora.
Depois de virar duas vezes à esquerda, encontrou a tão procurada plataforma. Tratou logo de embarcar e procurar um bom lugar. Acomodou-se e pôs-se a mirar o nada, através da janela.
Ficou algum momento em silêncio, até que seu celular começa a tocar. Sem a mínima vontade de atender, olha na bina e vê que era alguém do hotel Deixa o aparelho de lado e põe um fone de ouvido, tentando abafar o som. Mas percebendo que quem ligava não desistiria tão cedo, atendeu mal-humorado:
- Que é?
- Hey! Que educação! Da próxima eu nem ligo mais!
- Seria melhor... – disse para si mesmo. – Fale Nick, o que você quer?
- Todos estamos preocupados com você! Queremos saber agora onde você está e o que decidiu fazer! – disse Nick em alto e bom som.
- Não é óbvio? Estou em um avião, indo para o Brasil encontrar o amor da minha vida! – disse como se fosse o mesmo que um mais um fosse dois.
- Você não pode estar fazendo isso! – berrou Nick. – Digo, quando você chega no Brasil? Está no mesmo vôo que ela? – perguntou, um pouco mais controlado.
- Não se preocupe, não estamos no mesmo vôo... Devo chegar lá só amanhã. Meu vôo sai às 10am. – respondeu calmamente.
- Ah, certo. – disse, parecendo levemente desconcertado. – Bom, no que der isso tudo, ligue para algum de nós. Vamos embarcar no fim da tarde para Nova York, e espero que já tenha uma decisão. Bye! – completou desligando em seguida.
- Hunf, crianção! – resmungou desligando o telefone.
E antes que pudesse pensar em qualquer coisa, o avião deu um tranco, avisando que estava prestes a decolar.
---Minutos depois, de volta ao hotel---
Pouco tempo depois de Nick ligar para Kevin, ele resolveu dar uma nadada na piscina afinal, não podia esquecer de viver sua vida por causa do Kevin, nas palavras dele. Depois de dar alguns autógrafos e tirar fotos (sim, ainda há fãs que ficam no hotel esperando por eles!), finalmente pôde nadar.
A essa altura todos os outros já haviam acordado, e lendo o bilhete de Nick (“fui nadar um pouco, me encontrem lá! E não esqueçam d reservar o local só para nós! Nick”), resolveram ocupar suas mentes com outras atividades.
- Chegamos! – gritou Rebeca pulando na água, quase caindo em cima de Nick.
- Hey, cuidado! – reclamou Nick, mas logo em seguida começou a jogar água em Rebeca.
- Não arranja briga com a minha noiva não! – disse Howie enciumado pulando também e enchendo Nick de água.
- Oba! Confusão! – disse AJ sorridente, que pulou também, ajudando a deixar um Nick completamente ensopado mais molhado ainda.
- Isso é covardia! Três contra um! – disse Dany, em defesa de Nick, e pulando para ajudar o namorado.
- Angel, vamos ficar brincando de água que nem crianças? – perguntou Brian.
- Pára de reclamar, Bri! Vem logo! – diz Carol puxando a mão do namorado e pulando junto com ele na água.
Começou uma guerra, onde ninguém mais sabia de que lado estava, ou em quem jogava água. Depois de quase meia hora, finalmente cansados, eles saíram da água e sugeriram fazer um churrasco, para comemorar esse dia de farra, antes de terem que viajar de novo.
- Vejamos: eu, o Nick e o AJ vamos cuidar das carnes, e comprá-las, claro. – completou, sob um olhar de Rebeca. – Meninas, vocês podem ir comprar refrigerante e preparar a mesa. Combinado?
- Vamos logo, antes que todo o hotel venha reclamar de não deixarmos mais ninguém usar a piscina! – diz Nick dando um empurrando em AJ (de propósito) na piscina, fazendo-o xingar muito.
- Hahahahahahahahahaha! – riram Carol, Rebeca, Dany e Nick.
- Nick... – disse Howie reprovando. – Quer parar com isso? – e antes que pudesse reclamar mais, foi jogado pelo mesmo na água, junto com AJ.
- Hahahahahahahahahahahahahahahaha! – mais risadas foram ouvidas, agora de AJ também. Rebeca não ficou muito contente, e foi correndo ajudar o noivo.
Depois desse momento de farra, cada um foi para um mercado comprar o que deviam.
---No final do dia, no Brasil---
O megafone informava que um vôo de Los Angeles havia acabado de pousar em terras brasileiras. Várias pessoas foram correndo para o portão de desembarque ver seus familiares. E nesse monte de pessoas estavam Carlos e Cléia, os pais de Carla.
Ela desceu as escadas um tanto cabisbaixa, e segurando a pesada mala na mão direita. Quando ouviu gritarem o seu nome, olhou para cima e deu um enorme sorriso ao ver quem era. Seus pais acenavam freneticamente, e ela correu na direção deles, dando um abraço apertado em cada um. Pelo seu rosto rolavam lágrimas, mas não lágrimas de tristeza, como costumavam rolar, mas lágrimas de alegria, algo que fazia tempo que ela não tinha.
- Que saudades filhinha! Venha, vamos para casa, temos muito o que contar! – disse Cléia, sua mãe, alegremente.
- Vamos filha, acho que tem muito que nos contar, não é? – perguntou Carlos, e logo o sorriso de Carla diminuiu. – O que foi? Não devia ter dito alguma coisa?
- Não pai, só que aconteceram muitas coisas nesses meses, e dói lembrar de algumas delas. – disse forçando outro sorriso.
- Venha filha, depois você nos conta tudo. – diz Cléia a confortando com um abraço, e ela logo se sentiu mais confiante.
---No hotel---
O churrasco tinha sido muito divertido, e até alguns fãs sortudos participaram. Agora os oito estavam em seus quartos, arrumando as malas. Estariam viajando para Nova York em poucas horas, e podiam-se ouvir comentários do tipo:
- Ai, não sei como vocês conseguem viajar sempre! Essa rotina está me matando! – essa era a reclamação de Carol, tentando fechar uma mala lotada.
- Já estamos acostumados... – disse Brian em resposta, pegando seus cds do rádio. – Nem tanto, mas já temos consciência do nosso trabalho.
- Eu odeio aviões! Eles são barulhentos, e eu não consigo dormir neles! – reclamava Dany, fazendo biquinho.
- Eu também não sou muito fã deles, mas juntos podemos superar isso, certo? – diz Nick dando beijos no pescoço dela.
- Certo baby! – diz ela se rendendo aos encantos do loiro.
Uma hora depois, todos já estavam de malas prontas, no hall do hotel, esperando o microbus ir buscá-los.
Tiveram uma viagem longa, com muitas paradas por causa dos fans, que não desistiam de ver pelo menos um fio de cabelo de seus ídolos. Depois de uma tumultuada maia hora, eles chegaram ao aeroporto, onde outra legião de fãs os esperavam.
Eles acenaram e pousaram para fotos, e se tivessem oportunidade, dariam um ou outro autógrafo rapidamente. Muitas garotas repararam que Kevin não estava com eles, e ficaram muitíssimo desapontadas. Os boys dariam uma entrevista ao TRL no dia seguinte, e provavelmente dariam uma explicação a isso.
Finalmente embarcaram. Mal puderam se acomodar nos assentos que o avião decolou, os deixando na calmaria de novo.
---Em outro avião, com destino a São Paulo---
Kevin já estava ficando impaciente. Olhava de um lado para outro procurando algum sinal de terra e de São Paulo. Estava ficando muito agitado, e uma enfermeira de plantão teve que aplicar uma leve anestesia para ele se aquietar um pouco.
Ele estava quase dormindo depois da anestesia quando alguém lhe tocou o ombro. Já que não conseguia ficar bravo, virou-se calmamente, mas se espantou quando viu quem era.
Quem será que reconheceu Kevin? O que essa fuga ao Brasil pode causar? E a turnê? Será cancelada pela falta de um membro do grupo?