Férias Malucas - Onde Tudo Pode Acontecer

Capítulo 75

         - Olhe Kevin, é o seguinte: Antes de qualquer coisa, saiba que não pudemos fazer nada, e tudo foi decisão dela, e que ela só nos disse depois de ter decidido tudo. – começou Brian, lançando olhares tensos para as meninas de vez em quando.

         Kevin não disse nada. Estava com muita raiva por seus amigos terem escondido algo grave que nem conseguiu dizer uma palavra. Howie continuou:

         - Há algumas horas, ela nos avisou que iria para o Brasil e...

         - COMO É QUE É? – gritou Kevin inesperadamente, interrompendo Howie.

         - Calma Train! – disseram AJ e Nick juntos, se levantando para impedir qualquer movimento brusco.

         - Kev, ela disse que estava muito perturbada, sabe... – e lançou um olhar de esgueira para Rebeca e Dany. – Depois que vocês dois... bem... você sabe...

         - E ela queria refletir sobre tudo, e não queria que ninguém a interrompesse... – completou Dany, vendo que Kevin abrira a boca para falar alguma coisa.

         Todos ficaram em silêncio por alguns minutos. Vendo que aquilo já estava ficando desagradável, Rebeca continuou, após um longo suspiro:

         - Sabe Kevy, nem devíamos ter te contado isso, mas não achamos justo esconder uma coisa dessas, e esperamos que você não faça nada de errado. Agora pode falar o que pensa.

         - Eu não acredito como vocês podem ter me escondido isso! – disse perplexo. Fez uma pequena pausa e continuou: - Para onde ela foi, exatamente?

         - Para São Paulo, mas você não pensa que vai... – ia dizendo Nick, mas nem conseguiu terminar a frase, pois Kevin saiu correndo do backstage.

         - Ai não, o que fomos fazer? – perguntou Carol com a mão na cabeça. – Será que foi certo?

         - Só o tempo dirá... – disse Nick misteriosamente.

         - Acho melhor voltarmos para o hotel... Não há mais nada a ser feito aqui. – concluiu Howie, se levantando. – Vamos.

         E aos poucos todos foram se levantando e indo para a van, que já os esperava.

 

---No aeroporto---

         Carla tinha acabado de embarcar, e agora olhava tristemente para a janela, na impossível esperança de ver alguém correndo pela plataforma gritando declarações de amor e desculpas. Mas logo tratou de varrer esse pensamento da cabeça, pois pensar nele ainda doía.

         Mexeu na sua bolsa, e acabou por encontrar seu discman, abandonado com o tempo. Pensou em escutá-lo, mas não tinha nenhum cd em sua mochila. Decidiu ouvir rádio, mas logo viu que foi uma péssima idéia, pois tocava justo aquela música... Back To Your Heart, a música que já a fizera chorar tanto... Desligou o rádio, aquilo já era demais.

         Em um movimento impulsivo, levantou-se e caminhou até a saída. Queria voltar para Kevin, esquecer de tudo que havia acontecido e somente poder abraçá-lo novamente... Seus sonhos foram bruscamente destruídos, pois a aeromoça informou que o avião acabara de decolar. Carla voltou para sua cadeira e deixou-se engolfar por novos sentimentos infelizes.

 

---Enquanto isso, não muito longe dali---

         Kevin dirigia na maior velocidade que podia. Queria chegar logo ao aeroporto, não podia deixar essa chance ir embora. Olhou aflito para o relógio. Eram quase meia noite, mas não sabia que horas era o vôo de Carla, então só pôde aumentar a velocidade.

         Chegou no aeroporto cambaleando, pois suas pernas se recusavam a correr em tamanha velocidade sem aquecerem. Correu para as bilheterias e nem se importou com as pessoas que o olhavam com caras desde espantadas até com raiva.

         Ele praticamente derrubou o balcão, tanta era sua pressa.

         - Hey senhor! Calma aí! Se quebrar tem que pagar! – reclamou o atendente, mal-humorado.

         - Não importa, eu quero o vôo para São Paulo, - e vendo a lentidão do atendente – AGORA!

         - Sinto muito senhor, o vôo acabou de sair. – disse o rapaz, temendo outro ataque.

         - Como é? – gritou desesperado. – Não pode ter saído! Eu não quero que ele tenha saído! – e deu um chute no balcão, que quase arrancou seu dedinho.

         - Temos um outro vôo amanhã às 10am, senhor, este serve?

         - Não, eu quero esse vôo! – disse mais para si mesmo do que para o rapaz, que o olhava confuso. – Certo, me dê logo essa passagem! – completou jogando seus três cartões de crédito na cara do rapaz.

         - Em que classe, senhor? – perguntou digitando algo no computador.

         - Ah, qualquer uma! – disse com desdém. – Ande logo se não eu te quebro!

         - Tudo bem... Aqui está senhor, uma passagem para São Paulo, Brazil (em inglês é com z...) na classe executiva e...

         - Ah, cala essa boca! – disse arrancando a passagem e os cartões da mão do atendente, que ficou o olhando perplexo.

         Kevin se sentou em uma cadeira, e colocou a cabeça entre as mãos. Lágrimas rolaram em seu rosto, contra sua vontade. Ficou fitando o chão por alguns segundos e disse, como e desabafasse com seu melhor amigo:

         - Por que eu sempre tenho que sofrer no amor? Por que tudo tem um jeito de me atrasar mais e mais?

         Foi como se uma mão tocasse seu ombro, em um gesto de consolo. Kevin deu uma risada cínica e murmurou, como se de repente não tivesse mais ninguém no aeroporto:

         - Agora só me faltava essa... Um consolo invisível... Realmente estou precisando de um médico, vou acabar endoidando!

         Continuou sem olhar para cima, mesmo sentindo a mão apertar seu ombro com um pouco de força, como se quisesse que ele virasse para trás. Continuou olhando para baixo, murmurando palavras sem sentido, até que ouviu chamarem seu nome.

         - Kevin!

         Finalmente ergueu a cabeça e olhou para trás. Quase levou um susto quando viu quem o chamava: Era Rita, uma grande escritora, com quem namorou por alguns meses há muito tempo.

         - Pensei que você nunca ia olhar para trás! – disse com um leve tom de sarcasmo.

         - Ah, olá Rita. – disse desanimado, pensando que era outra pessoa “mas só em seus sonhos doentios” pensou com amargura. – Se não se importa, eu gostaria de ficar sozinho.

         - Nossa, estou vendo que o senhor Kevin Richardson, o super cantor empresário anda muito ocupado, acho melhor não perturbar! – disse, agora sem disfarçar o aborrecimento.

         - Não é isso Rita, é só que eu não estou com ânimo para conversas.

         - Mas não é por isso que vai descontar em mim, não é? – e viu Kevin erguer uma sobrancelha, em profunda descrença. – Bom, só estou aqui para avisar que também vou para São Paulo, o carinha da bilheteria me informou agora a pouco. Mas vejo que não vai a negócios, não é? Onde está o resto da banda? – perguntou olhando em volta.

         - Rita, eu tô falando sério – ela fez uma cara de “eu também!” – e não estou nem um pouco afim de ficar ouvindo você conversar e ficar falando no meu ouvido. Se não se importa, estou indo! – completou se levantando visivelmente abalado, sem ao menos olhar para trás.

         - Hunf! Vai entender esses homens! – disse, e dando uma breve olhada em volta, viu que George Cloney estava a apenas alguns metros de distância.

 

---No hotel---

         Os oito estavam sentados na sala de estar do hotel, todos em profundo silêncio. Ninguém se atrevia a mostrar sua opinião, outros sequer mostravam interesse algum. Foi AJ que quebrou o silêncio:

         - Vamos gente, não podemos ficar acordados a noite toda, esperando que o idiota do Kevin apareça aqui. – todos viraram sua atenção para AJ. – Vocês não entendem? Acabou! O Kevin não volta mais!

         - Falando assim dá a entender que ele... glup! – Dany engoliu um soluço. – morreu!

         - Ele não está falando disso, quer dizer que Kevin não voltará até resolver o que deve ser resolvido. – disse Brian de repente.

         - Não podemos fazer nada por eles? – perguntou Carol triste.

         - Nada a não ser esperar... – respondeu Nick sabiamente.

         Todos deram um suspiro, que parecia que tinha sido combinado. Ficaram se encarando por um momento, ouvindo apenas o barulho das folhas balançando lá fora. Um barulho ensurdecedor invade o local, fazendo muitos tamparem os ouvidos.

         - O que é isso? – perguntou Dany quase gritando.

         - Esperem! É o meu celular! – disse Carol correndo até a bolsa.

         - Atende logo! – pediu Brian.

         - Alô?... Oi Cá!... Nossa, que susto que você nos deu!... Ah, estamos quase todos aqui... É, esperando alguma notícia... – disse um tanto mais aliviada.

         - Olha Carol, eu liguei porque estou com um mau pressentimento. Sinto que algo não saiu como planejado... Vocês estão escondendo algo de mim? – perguntou aflita.

         - Escondendo algo? – perguntou com uma voz meio ingênua, mas que escondia muita culpa. – Não maninha, acho que está enganada...

         - Certo... – disse não muito convicta. – Bom, era só isso, mande um beijo para o pessoal.

         - Claro que sim... Ligue quando chegar em casa, ok? Todos estamos preocupados com a saúde de vocês dois. – disse Carol.

         - Vocês dois? Do que está falando? – perguntou em um tom ligeiramente mais alto.

         - Ora, de quem mais? De você e do baby! – respondeu forçando uma risada.

         - Tudo bem, isso me deixa menos preocupada. Tive o delirante pensamento de que Kevin estaria aprontando alguma... – e parou de repente. Já tinha dito que não ia mais pensar nesse assunto. - Olha Rolth, vou desligando, certo? Qualquer urgência me liga, ok? Bye!

         - O que houve? – perguntaram assim que Carol colocou o celular na bolsa.

         - Ela está desconfiando que está para acontecer algo inesperado... como se o plano não tivesse saído como planejado... – suspirou Carol.

         - Isso não tem nada a ver com... – perguntou Nick.

         - Tudo a ver Nick... – completou Dany.

         - C’mon guys... Vamos dormir. Não há nada que possamos fazer hoje. – disse Brian se levantando.

         Todos se levantaram, deram boa-noite e estavam se encaminhando para seus quartos, quando outro barulho irritante irrompeu na sala.

         - Agora de quem é o bicho? – reclamou AJ.

         - É meu! – disse Brian pegando seu celular. – É o Kevin! – instantaneamente a classe fez silêncio novamente, e Brian atendeu: - Hey Kev! Onde está? Estávamos todos preocu...

         - Brian, sem gracinhas agora, right? Eu quero saber pra onde que a Carla vai necessariamente em São Paulo. – disse Kevin um tanto apressado.

         - Nossa, que gentileza!! – reclamou, mas logo perguntou para Carol: - Angel, para onde que a Carla vai?

         - Pra casa dos meus pais, por quê? – respondeu Carol.

         - Passa o endereço pra ele. – respondeu jogando o celular na mão de Carol, e indo para o quatro, murmurando algumas palavras, onde se pôde distinguir algo como: “falta de educação!” “será que ninguém nesse mundo pode ser gentil?“

         Carol passou o endereço, e Kevin logo desligou, sem ao menos dar explicações. Carol fuçou emburrada, desejou um boa-noite de qualquer jeito para todos e seguiu o mesmo rumo de Brian, direto para os dormitórios.

         Todos foram se retirando na sala, no que parecia ser uma noite que ainda tinha muito o que dar...

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