Férias Malucas - Onde Tudo Pode Acontecer
Capítulo 77
- Rita, o que está fazendo aqui? – perguntou Kevin, cansado da perseguição da jornalista.
- Eu tinha dito que iria no mesmo vôo que você, querido, esqueceu-se? – perguntou inocente.
Kevin murmurou alguma coisa ininteligível, mas ela pareceu não se importar, ou sequer ouvir o que ele dissera.
- Posso? – ela perguntou, apontando para o assento do banco.
Ele deu de ombros. Aceitando aquilo como uma afirmação, ela se sentou, carregando uma grande bolsa, com o que Kevin supôs serem seus equipamentos de trabalho.
- Então... o que está fazendo em um vôo para São Paulo?
Enquanto perguntava, ela distraidamente mexera em sua bolsa e apertara algum botão, pois pôde-se ouvir um pequeno ‘click’.
- Isso te interessa? – perguntou friamente, não olhando na direção dela.
- Sim, gostaria de fazer uma entrevista particular, posso?
- Não – murmurou emburrado, mas ela fingiu não ouvir.
- Essa é uma viagem para resolver assuntos pessoais? Pois se não fosse, o resto da banda deveria estar por aqui, eu suponho?
- Como o nome já disse, é pessoal, ou seja, só diz respeito a uma pessoa – retrucou Kevin.
- Estou sentindo uma certa relutância da sua parte, Kevito... – ela disse, manhosa.
Kevin girou os olhos, exasperado. Não estava gostando nem um pouco do rumo que a conversa estava tomando, tampouco a companhia da escritora.
- Por favor Rita, gostaria que me deixasse sozinho, e não me chamasse de Kevito. Já não temos nenhum tipo de relacionamento.
- Nem nossa velha amizade? – ela fingiu assoar o nariz, abalada emocionalmente.
Ele não respondeu. Irritado, levantou-se de seu lugar e foi à procura de um novo assento, de preferência bem longe de Rita. Ela fungou, ofendida com a atitude do homem, e pegou o pequeno gravador, onde estivera gravando toda a conversa com Kevin.
---No Brasil---
Carla já havia contado tudo o que acontecera para seus pais, que estavam preocupados, principalmente com o estado emocional da filha. Mas ainda tinham muitas dúvidas que não haviam sido respondidas.
- Filha, afinal, de quem é o bebê?
- Não sei, mãe – respondeu pesarosa. – Desejaria que fosse de Kevin, mas há muita chance de ser daquele... daquele... bem, do outro – ela não queria tornar a repetir o nome daquele homem, que já a fizera sofrer tanto.
- Não importa quem seja o pai, você irá cuidar desse filho como se fosse de seu parceiro. E nós estaremos aqui, sempre dispostos a ajudá-la.
- Seremos avôs muito corujas! – disse Carlos, sorrindo levemente.
- Obrigada, pai, mãe – disse olhando para os dois -, vocês são mais do que eu poderia pedir! – e os três se abraçaram demoradamente.
Mais tarde, Carla estava em seu quarto, refletindo um pouco. Estava cogitando seriamente a tomar uma drástica decisão, mas não sabia se tinha coragem para tanto. Em meio aos seus pensamentos, teve uma sensação ruim, e decidiu ligar para sua irmã.
- Alô?
- Rolth, é a Carla, tudo bom?
- Oi Cá! – exclamou Carol animada. Em seguida comentou baixinho para quem estava presente na sala – É a Carla! – Mana, onde você tá?
- Eu estou em casa, e você?
- Acabamos de chegar em New York. Vamos descansar um pouco. Como você tá? E o baby, já contou para nossos pais?
- Sim, sim – confirmou levemente. – Eles vão dar suporte em tudo o que eu precisar. Mas não te liguei por causa disso – ela mudou bruscamente de assunto.
- O que houve?
- Estou com um mau pressentimento – Carla ouviu uma pequena exclamação do outro lado da linha. – Ei, o que está acontecendo? Eu estava certa?
- Q... que isso! O que poderia estar errado por aqui? – perguntou Carol em tom de hesitação.
- Eu sinto que algo não aconteceu como estava previsto – explicou calmamente. – Kevin está aí? – sua voz ficara ligeiramente melancólica.
- Kevin? Sim, Kevin está bem, maninha, não se preocupa!
- Sua voz não me convenceu – disse Carla suspeitando de alguma coisa. – Mas ok, vou acreditar em você. Manda um beijo e um abraço pros boys e pras girls.
- E um na boca para o Kevito? – perguntou uma voz sarcástica ao fundo.
- Não Brian, nada para Kevin – respondeu Carla séria. – E acho que para você apenas um ‘até logo’, você está muito engraçadinho!
- Não seja malvada, maninha! – exclamou Brian fazendo bico – Eu só estava brincando contigo, achei que fosse achar engraçado.
- Bem, eu gostaria que não brincasse mais com isso, priminho – disse com uma voz menos brava. – Um beijão para você e a Carol. Tchauzinho!
Ela desligou em seguida, seu sentimento ruim não diminuindo nem um pouco. Resolveu tomar sua decisão. Pulou de sua cama rapidamente e foi até o armário, onde começou a separar algumas roupas que julgava precisar.
---Em New York---
- Angel, ela suspeita de algo, não é? – perguntou Brian à namorada, no que mais parecia uma afirmação.
- Hum-hum – concordou Carol. – Tive de mentir, não poderia simplesmente dizer ‘Ei, Cá, seu namorado tá em um avião a caminho daí’, poderia? Sim, pois eles não terminaram definitivamente o namoro, terminaram?
- Querida, - especulou Brian a abraçando – do jeito que eles estão, obviamente o namoro terminou, você não acha? E, bem, acho que não tivemos muita escolha, afinal, contamos ao Kevin que ela estava partindo.
- Bri, quando será que eles vão se acertar e essa história vai acabar? – perguntou exasperada, como se ansiasse pela reconciliação dos dois.
- Qual é o papo? – perguntou Nick se aproximando dos dois.
- A Carla tá desconfiada que o Kevin está fazendo alguma coisa – respondeu Carol desanimada.
- Como é? – perguntou Dani parando ao lado de Nick.
- É verdade – confirmou Brian. – Ela não sabe o que está acontecendo realmente, mas não acreditou na desculpa que demos a ela.
- Oh God, espero que ela não faça nenhuma besteira quando o ver – disse Dani preocupada.
- Isso se ela chegar a vê-lo – disse uma outra voz se aproximando.
- Como é, Keka? – perguntaram todos os presentes.
- Se ela está com essa idéia de algo errado na cabeça, não me espanta nada se ela der uma sumidinha – explicou calmamente. – Vocês sabem, ela anda muito emotivo-impulsiva, faz tudo o que o momento manda, não seria novidade ela fugir.
- E ainda seria um motivo para abortar o bebê inconscientemente – completou Howie, se aproximando e abraçando Rebeca.
- Credo, que pessimismo! – exclamou Dani horrorizada.
- Mas é verdade – Carol teve de concordar. – Espero que ela não faça nada de perigoso, ela não pode simplesmente abortar o bebê, isso irá prejudicar seu emocional e sua saúde mais ainda!
- O que podemos fazer agora? – perguntou Nick preocupado.
- Temos de esperar, e torcer para que ela não faça nada de errado – disse Brian, finalizando aquela conversa com muita dúvida no ar.
---No avião com destino a São Paulo---
Kevin havia deitado em sue assento, tentando dormir. Era uma tarefa muito difícil, uma vez que seu pensamento parecia não querer pensar em outra coisa a não ser Carla. Ele estava cada vez mais nervoso, uma vez que não fazia idéia do que iria dizer a ela, e menos ainda qual seria sua reação ao vê-lo ali, em sua casa, num país completamente estranho. Sentia-se num campo de guerra, onde todos os ataque estavam concentrados nele mesmo. Era terrível.
Ficou ansioso de repente, querendo saber o quanto faltava para chegarem. Fez esta pergunta assim que a aeromoça se aproximou, oferecendo doces.
- Faltam cinco horas de vôo, senhor – ela respondeu de modo educado. – Poderia afirmar que o senhor ainda pode descansar um pouco – acrescentou, vendo o rosto cansado de Kevin, que lutava para não dormir.
- Obrigado, mas estou sem sono.
Ela fez um sinal com a cabeça, como se concordasse. Em seguida, dirigiu-se a outros assentos, visando atender a todos os passageiros.
---São Paulo, Brasil---
Carla já estava com todas as malas prontas. Duas apenas, mas que demoraram um longo tempo para serem arrumadas devidamente. Estava com uma idéia fixa em sua mente: esquecer Kevin definitivamente, e começar a viver sua vida novamente. Sabia que não seria nada fácil, talvez até mesmo impossível, mas não poderia se dar por vencida nem desistir de tentar.
Desceu as escadas com um pouco de dificuldade, e encontrou seus pais na sala, vendo a um filme abraçados. Lembrou vagamente dos mesmos momentos com Kevin, e sentiu seus olhos marejarem. Mas tratou de dispersar esse pensamento rapidamente; não queria chorar.
- Filha, o que são essas malas? – perguntou Cléia preocupada.
- Mãe, eu preciso ir embora, relaxar, ordenar as idéias... Preciso ir para um lugar muito longe, não vou conseguir arrumar minha vida aqui. Preciso ficar algum tempo sozinha – disse Carla em tom decidido.
- Você pretende ir embora assim, sem mais nem menos? – questionou Carlos – E para onde você vai, filha?
- Eu ainda não sei, pai. Mas preciso de um tempo para pensar. Só sei que não posso ficar mais aqui – desabafou a garota, sentando-se ao lado dos pais.
- O que está te fazendo tomar esta atitude, filha? – perguntou Cléia, acariciando o cabelo da filha.
- Quero esquecer o Kevin, parar de viver em função dele. Talvez eu vá continuar com o trabalho que consegui, ainda não sei.
- Pense um pouco, filha. Não tome atitudes precipitadas – pediu Cléia.
- Não mãe, já me decidi. E nada nem ninguém irá me fazer mudar de idéia – ela se levantara e caminhara até a porta. – A propósito, estou com um pressentimento ruim. Se por algum motivo maluco você chegar a conversar com o Kevin, nunca mencione nada que eu contei a vocês dois. Poderia morrer se isso acontecesse.
- Como assim? Nada mesmo? Nem sobre o bebê? – perguntou Cléia.
- Muito menos sobre o bebê. Posso imaginar o que ele faria se eu dissesse que ele não é o pai da criança. O teto desabaria em nossas cabeças – a simples menção desse assunto fazia Carla tremer.
- Tem certeza...
- Sim, eu tenho. Agora, eu preciso ir, ainda tenho de escolher para onde irei.
- Leve um pouco de dinheiro para a passagem, não sabemos quanto você tem – disse Carlos, abrindo a carteira e entregando um bocado de notas para a filha. – Tenha cuidado, ok?
- E nos ligue quando chegar. Não queremos que fique muito tempo sozinha – completou Cléia, indo abraçá-la. – E tome cuidado, não faça nada que possa prejudicar seu filho.
- Ok, ok, vou me cuidar – concordou Carla.
Ela se despediu longamente de seus pais, sentindo uma tristeza por ter de deixá-los, mas julgando aquela ser a única maneira de amadurecer e superar suas mágoas. E foi com esse pensamento que ela partiu rumo ao aeroporto, o sol nascendo timidamente no horizonte.
<Anterior Próximo>