A Poção

Capítulo 9
UMA SURPRESA DESAGRADÁVEL

         Carla ficou absorta em seu livro até umas sete horas, sem ao menos perceber o tempo passar. O livro era realmente interessante, e falava de tudo e mais um pouco sobre as Artes das Trevas. Decididamente era proibido, pois explicava detalhadamente todos os feitiços e maldições proibidos, dizendo como executá-los e quais os possíveis efeitos na vítima.

         Nem se deu conta quando Grase invadiu o dormitório feminino, e a coruja teve que dar três bicadas no braço da dona, para ela finalmente se dar conta da entrega. Ela olhou assustada para a coruja, e ao ver um pergaminho preso à sua pata, sentiu-se intimamente mais feliz.

         - Obrigada Grase, pode ir ao corujal, deve estar cansada – disse tirando a carga da coruja e acariciando-lhe o bico.

         A carta era muito curta e mal-humorada.

 

“Srta. Wetts,

         Realmente fiquei muito ofendido com a sua falta de palavra. Esperei pela senhorita a noite inteira e realmente não sei se te perdoaria tão rápido.

         Não sei se vou comparecer ao seu encontro. Vai depender muito do meu humor.

 

Severo Snape”

 

         Carla ficou púrpura de raiva. “Como pode ser tão vil? Eu me desculpei, ele não pode ser tão insensível assim!” pensou jogando a carta para o lado. Ficou emburrada, e esperou até a hora do jantar, um plano se formando na mente da garota.

 

         Às oito horas Carla desceu para o jantar. No caminho era olhada por algumas pessoas, mas nem se importou em descobrir o que era. Sentou-se no fim da mesa da Grifinória, como de costume, e começou a comer seu jantar.

         Algum tempo depois sentiu um olhar sobre si. Olhou para a mesa dos professores e descobriu que era olhada por Snape. Assim que percebeu que o olhar era retribuído, ele deu um sorrisinho cínico, somente para provocá-la. Ela se enfureceu completamente. Lançou um olhar mortífero para o professor e se retirou da mesa, pensando em como podia ser tão irritante.

         Ela ficou em seu dormitório contando os minutos para as onze da noite. Mesmo morrendo de raiva do professor, resolveu ir ao encontro, mas tendo uma pequena tolerância quanto o horário.

 

         E finalmente estava chegando a hora. Às dez ela começou a se arrumar, já que as companheiras de dormitório ainda conversavam no Salão Comunal. Vestiu um vestidinho azul-escuro de alças, bem simples. Calçou uma sandália de salto baixo e prendeu o cabelo com uma fita. Não se esqueceu de colocar o colar que ganhara, que ficava bem visível. Pegou sua capa e colocou o presente dentro dela.

         Acabou de se arrumar eram dez e quarenta. Pegou sua capa de invisibilidade e saiu do dormitório, rumo aos jardins da escola.

         Chegou ao local combinado faltando cinco minutos para as onze. Ficou esperando por Severo por um tempo em pé, mas sentou-se no banco depois, sentindo cansaço nas pernas.

         “Ele não vai demorar muito, tenho certeza que vai vir” pensou, vendo o relógio mostrar onze e meia.

         “Ele tem que vir, não pode fazer isso comigo” pensou olhando novamente para o relógio, que marcava meia-noite e dez.

         “Só vou esperar mais um pouquinho, ele deve estar atrasado” pensou em um bocejo, deitando-se no banco, o cansaço batendo mais forte que nunca, à uma da manhã.

         “Só mais dez minutos...” disse baixinho, se acomodando melhor no banco, à uma e meia da manhã.

         Não demorou muito e ela acabou adormecendo ali no banco mesmo, com as mãos apoiando a cabeça.

 

         Severo Snape estava sentado em sua poltrona, de frente para a fogueira, uma expressão pensativa tomando conta de seu rosto. Lutava contra seu orgulho para ver se Carla ainda esperava por ele no jardim. Seu coração dizia para ir, mas sua mente o obrigava o contrário. Ficou nesse conflito mental por alguns minutos até que seu coração falou mais alto. Decidiu só dar uma passada, para o caso dela ainda estar lá.

         Colocou sua capa e caminhou sorrateiramente até o jardim, sem fazer nenhum barulho. Olhou de longe e aparentemente não viu ninguém. Pensou em voltar, mas algo lhe dizia para checar mais de perto.

         E assim o fez.

         Chegou perto o bastante e viu que Carla estava dormindo profundamente, provavelmente esperando por ele. Sentiu-se a pior das criaturas; deixar alguém tão frágil dormindo no frio e em um banco duro.

         Severo sentou perto dela e acariciou levemente seu rosto. Não queria acordá-la, e sentia-se na obrigação de levá-la em segurança até o dormitório feminino.

         Foi cuidadosamente colocando sua mão por debaixo das costas dela, mas com um simples toque ela acordou, assustada. Olhou para os lados abobalhada, e deu um breve sorriso ao vê-lo ali.

         - É, pelo visto pontualidade não é uma das suas virtudes – comentou Carla zombeteira enquanto se sentava no banco.

         - Realmente pensei em não vir, mas acabei cedendo à curiosidade e ver se era tão otimista ao ponto de me esperar até as duas da manhã – respondeu Snape sendo ofendido com a brincadeira.

         - É, estou vendo. E pelo visto concluiu que eu sou sim muito otimista e paciente, não? – a garota continuou alfinetando.

         Ele não respondeu. Carla ficou o olhando de modo cínico, e Snape estava pensando em alguma resposta à altura que nem notou. Ficaram em silêncio por um tempo, somente esperando o outro dar alguma iniciativa, nem que fosse para mais provocação.

         Foi Carla quem começou.

         - Bom, já que veio suponho que queira saber o que é, não? – perguntou hesitante, mas com a voz firme.

         - Sim, estava somente esperando a srta. começar – respondeu ele formalmente.

         Aquela frase provocou uma zombaria engraçada mas ao mesmo tempo irritante nos ouvidos de Carla. Severo nunca a tratara assim, somente quando eram somente a relação aluna/professor. O impacto foi grande, e ela só conseguiu se recuperar depois de um pequeno silêncio constrangedor.

         - Bem, eu gostaria de pedir desculpas pela minha falta de responsabilidade e palavra ontem, realmente não estava conseguindo coordenar as idéias. Gostaria que o senhor aceitasse meu humilde presente em forma de perdão.

         Desta vez fora Snape que recebera um grande impacto. Nunca imaginara que a garota fosse tratá-lo tão friamente e cordialmente, tampouco esperava que ela se desculpasse. Ficou encarando a garota por algum tempo, até que ela se incomodou com o olhar e disse:

         - O sr. vai aceitar o meu presente ou não? – sua voz tinha um leve trejeito de impaciência.

         Ele não disse nada. Carla deu um suspiro e pegou a caixinha do bolso da capa. Entregou para Snape. Este estava ainda em estado de choque, e pegou a caixinha sem hesitar.

         Quando a abriu, olhou estupefato para Carla. Era um anel muito bonito, mas ao mesmo tempo misterioso, e provavelmente teria custado uma pequena fortuna.

         - Eu não posso aceitar isso srta., não posso mesmo. É muito caro para somente um pedido de desculpas – disse Snape fechando a caixinha e devolvendo para ela.

         - Aaa, me desculpe Severo, mas se não aceitar vou encarar como uma ofensa pessoal e nunca mais olharei na sua cara! – disse Carla um pouco mais alto. Nem reparara que o tratara como ‘Severo’, e não ‘Sr’ ou ‘Snape’.

         Ele ficou calado, segurando o presente ainda um pouco surpreso. Carla olhou arrependida para ele e pegou a caixinha, tocando, sem querer, na mão dele. Os dois se olharam nos olhos por alguns segundos.

         Carla desviou o olhar e abriu a caixinha, pegou o anel e o colocou carinhosamente no dedo anular esquerdo de Severo. O anel se encaixou perfeitamente, e ela ainda ficou olhando para as mãos dele, brincando com os dedos.

         - Sabe Severo - comentou ela ainda olhando para a mão dele -, o presente não é somente um pedido de desculpas, queria deixar registrado o quanto eu gosto de você – a última parte foi quase inaudível, e se Severo não tivesse tão boa audição não teria ouvido.

         - Eu não sabia que gostava de mim – comentou ficando rubro, ao mesmo tempo que entrelaçava sua mão na dela.

         - Eu também não, fiquei sabendo enquanto teimava comigo mesma que você iria comparecer ao compromisso – disse Carla de cabeça baixa, olhando agora para as duas mãos entrelaçadas.

         - Realmente não sou muito pontual – ele disse dando de ombros. – Mas é muito bom ser correspondido em alguma coisa, para variar um pouco...

         O último comentário fez Carla levantar a cabeça, surpresa. Os dois ficaram se encarando, pareciam ligados pelo olhar. Severo aproximou-se de Carla, segurando levemente o seu queixo. Ela fechou os olhos, nervosa. Ainda não estava pronta para ser envolvida novamente por aqueles lábios, já tinha sido um enorme sacrifício dizer que o gostava, e não queria começar um relacionamento antes de se localizar novamente.

         Ela pedia com todas as forças para ele não beijá-la, mas pareceu que seu pedido não foi atendido. Ele a beijou ternamente. Ela não correspondeu, mas também não parou o beijo.

         Severo a soltou rapidamente. Pareceu perceber que algo não a agradava. Fitou-a demoradamente, disposto a descobrir pelo olhar alguma pista. Os olhos de Carla marejaram rapidamente. Alguma coisa a incomodava, e embora não saber o quê, sabia que era muito ruim, e perigoso.

         - O que aconteceu Carla? Fiz algo que não devia? – perguntou Severo preocupado.

         - Não sei... – respondeu contendo o choro – Me sinto tão estranha, não sei o que é...

         E ela se jogou nos braços de Severo. Ele levou um susto, mas a acolheu em um abraço, afagando de leve seus cabelos. Ela ficou acomodada em seu peito por algum tempo, chorando silenciosamente.

 

         Já estavam há algum tempo naquele acordo mútuo. Severo não falaria nada, nem questionaria os atos de Carla. Somente a aconchegava em seu peito, fazendo cafuné em sua cabeça e encostando seu queixo na cabeça dela. Carla, por sua vez, decidiria se estava pronta ou não para contar, e enquanto pensava brincava levemente com as mãos de Severo, vez ou outra deixando sem querer uma lágrima escorrer pelo rosto.

         - Acho que é melhor você ir deitar – comentou Severo depois de mais algum tempo em silêncio.

         - Ah, estava tão bom aqui... Temos mesmo que voltar? – disse ela em voz magoada, mas sem deixar despercebido um traço de preocupação.

         - Eu acho melhor sim, está tarde e amanhã você tem aula, não devia ficar acordada a noite toda – contrapôs ele, percebendo que ela agora começava a esfregar as mãos muito rápido.

         Ela concordou com a cabeça. Então, lentamente, como se quisesse que aquilo demorasse a eternidade, ela desencostou a cabeça do peito de Severo, e ficou novamente sentada. Severo lhe tirou algumas mexas de cabelo que ficaram em seu rosto e a levantou graciosamente.

         - Venha. Sei um caminho muito agradável até o castelo.

         Carla olhou confusa para ele. Não sabia que existia algum outro caminho até o castelo, e ficou levemente intrigada, esquecendo por um momento sua preocupação.

         Severo a conduziu por um caminho na orla da floresta proibida que ela nunca vira antes. Era cheio de flores, cada uma de uma cor diferente, e tinha um ou outro passarinho tirando um cochilo em um galho de árvore. Parecia um caminho para o céu. Ela ficou maravilhada, e agora, mais do que nunca, queria que aquele momento fosse eterno.

         Mas como tudo o que é bom dura pouco...

         Eles estavam caminhando de mãos dadas, e começavam a avistar uma entrada minúscula que ia crescendo conforme andavam: era uma porta secreta para entrar em Hogwarts. Mas um brilho estranho entre as árvores chamou a atenção dos dois.

         Parecia um brilho prateado, e lembrava vagamente uma espada reluzente, com alguma coisa muito chamativa na ponta.

         E então, sem aviso, aquela luz estranha se moveu. Mas foi em uma velocidade surpreendente que nenhum dos dois viu para onde. No instante seguinte Severo ouviu um grito de dor, um grito que lembrava muito a voz de Carla...

         Ele olhou para o lado. Carla estava quase ajoelhada, segurando firmemente alguma coisa na altura do coração. E foi nesse momento que ele viu. O brilho que eles viram naquela moita se revelara; era uma fecha pontuda, de mais ou menos trinta centímetros, com uma cobre preta desenhada na ponta. A flecha parecia entrar em uma velocidade incrível, pois no momento seguinte ele não viu mais nada.

         - Carla, Carla, você está bem? – perguntou ele, se agachando ao lado dela.

         - Voldemort... cobra... animago... Hogwarts... você... perigo... – gemeu ela com dificuldade, parando a cada palavra para tomar ar.

         Severo não esperou uma luz lhe mostrar o significado daquilo. Pegou Carla nos braços, e com um movimento brusco da varinha, lançou um feitiço estuporante na direção das árvores.

         Nada aconteceu. Ouviu às suas costas um feitiço ser berrado, e no céu se produziu uma enorme caveira verde, com a língua em forma de cobras: a Marca Negra. Severo sentiu uma tremida em seu corpo, mas pegou sua varinha com mais força e berrou:

         - Dispersium!

         Aos poucos a Marca Negra foi se dissolvendo, como se um vento leve a empurrasse para longe. Com Carla ainda respirando com dificuldade em seus braços, correu o mais rápido que pôde até o castelo, mais precisamente para a enfermaria.

 

         Severo chegou à enfermaria dez minutos depois, completamente estupefato. Colocou Carla na cama cuidadosamente, enquanto Madame Pomfrey chegava apressada ao local onde os dois estavam.

         - Oh, por Merlin, Severo! – disse ela alarmada – O que fez com essa garota.

         - Eu não fiz nada! – exclamou ele em resposta – Ela foi atacada por uma flecha-das-trevas! Só a trouxe até aqui!

         - Oh céus! – exclamou ela – Uma flexa-das-trevas! Isso não é coisa com que se brinque! Por favor, vá chamar Dumbledore, eu preciso ver o que vou fazer! – e ela saiu em seguida, procurando algum remédio nas inúmeras prateleiras.

         Severo saiu da enfermaria, completamente fora de órbita. Gostaria de saber quem tivera a falta de juízo para usar uma arma poderosa e mortífera como essa. A primeira pessoa que pensara foi Voldemort – mas ele não conseguiria entrar nos terrenos da escola, não depois de tanta proteção do ministério. A segunda hipótese lhe pareceu mais verdadeira. Talvez ele tivesse agido por intermédio de algum servo – qual outro motivo para projetar a Marca Negra no céu? – e o único que conhecia em Hogwarts era Draco Malfoy. Era bem típico dele fazer uma coisa dessas...

         Ele nem sabia por onde ia, e só voltou à realidade – com um forte tranco – quando Dumbledore lhe chamou a atenção.

         - Não é prudente ficar andando sem atenção pelos corredores, Severo...

         - Alvo, você precisa ir à enfermaria... Carla... ela está mal, recebeu uma flexa-das-trevas e... – começou Severo afobado, mas o diretor o interrompeu.

         - Está bem, vamos!

         Os dois caminharam em passos largos até a enfermaria, quase correndo. Chegaram lá quase na mesma hora, e Madame Pomfrey estava despejando uma poção branco-borbulhante em uma grande bacia.

         - Papoula, o que aconteceu? – perguntou Dumbledore energicamente.

         - Essa garota! Como se não bastasse o que aconteceu ano passado ela ainda me apronta essa! Por Merlin, Alvo, o que uma garota estava fazendo sozinha às três da manhã na floresta! – dizia Madame Pomfrey em explícita desaprovação.

         - Ela não estava na floresta, e sim na orla dela... – retrucou Severo como se tivesse sido profundamente ofendido.

         - Que seja, que seja... – murmurou ela agora despejando uma garrafa de poção na garganta de Carla, inconsciente.

         - Quais são as chances dela? – perguntou Dumbledore sério, sem o costumeiro brilho nos olhos azuis.

         - Ora Alvo, o senhor sabe muito melhor do que eu quais as chances dela! São mínimas, é claro, e a única chance é... – ela disse emburrada, pegando uma coberta e cobrindo Carla.

         - O que é? – perguntou Severo preocupado.

         - Entendo... – concordou Dumbledore – Mas, e se...

         - Nada de e se’s Alvo. Se estiver pensando em Remo ou Sirius, pode esquecer... Não é forte o bastante, não para a cura dela – contrapôs a enfermeira.

         - O que está acontecendo? – perguntou Severo mais uma vez.

         - Então quem seria? Ela não pode morrer, e os pais... – insistiu Dumbledore.

         - Eu não sei... – disse Madame Pomfrey pensativa.

         - O QUE ESTÁ ACONTECENDO? – berrou Severo, na esperança de ser ouvido.

         - Acalme-se Severo – disse Dumbledore pacificamente. – Eu lhe explico. O problema todo é que a única cura conhecível para alguém que recebeu uma flecha-das-trevas é alguma pessoa demonstrar um profundo sentimento pela pessoa em questão, e é claro que somente um sentimento muito bom.

         “É claro que o sentimento precisa ser muito intenso e profundo, e se a pessoa enferma sentir o mesmo pelo ajudante, melhor ainda. O curador, como é chamado quem ajuda, precisa dedicar muito tempo para a cura, e nem sempre consegue-se salvar o atingido”

         - E por que não falaram isso antes? – perguntou Severo irritado – Eu posso fazer isso!

         - Ora Severo, francamente! Que sentimento poderia oferecer à garota? – disse Madame Pomfrey em voz de descrença.

         - Alvo, se não se importa, preciso conversar com você... – disse Severo de repente pouco à vontade.

         - Certo. Papoula, pode me emprestar sua sala um minuto? – disse Dumbledore.

         - Claro, claro... – respondeu ela ainda não acreditando.

         Os dois caminharam até a sala. Severo explicou ao diretor tudo o que aconteceu entre os dois – ou melhor, quase tudo, já que algumas coisas consistiam em desrespeitar o regulamento – e que a amava.

         - Amar, Severo? Você nunca amou ninguém depois de... – questionou o diretor.

         - Não me lembre disso, Alvo. – retorquiu Severo com azedume – O passado já se foi, e não quero ficar vivendo-o se posso viver o presente.

         - Não estou lhe questionando sua vida, Severo – disse Dumbledore calmamente. – Só pergunto para saber se você não brincaria com ela sabe, é uma garota de ouro e...

         - Eu não brincaria com os sentimentos dela, já que brincaria com os meus também – interrompeu Severo rancoroso. – Só estou querendo mantê-la a salvo. Ela pode não retribuir o meu sentimento, mas pelo menos saberei que fiz a minha parte, que foi ajudá-la.

         - Severo, tem certeza do que está fazendo? – insistiu Dumbledore, relutando contra a atitude de Severo.

         - Absoluta Alvo. Nunca tive tanta certeza do que fazer na minha vida toda – disse ele prontamente.

         - Certo então – concordou o diretor. – Madame Pomfrey irá lhe dizer os procedimentos necessários, mas será preciso passar aquela poção branca que vimos na cabeceira da Srta. Wetts. Você sabe que poção é, não sabe?

         - Claro que sei – respondeu com uma expressão impassível, mas muito estranha, no rosto. – É uma poção de transferência.

         - Exato. Por isso, tenha muito cuidado Severo, ela pode ser perigosa – alertou.

         - Sim Alvo, eu terei – disse Severo, se levantando em seguida.

         Ele se levantou da cadeira onde estava e entrou na enfermaria. Madame Pomfrey esperava com uma bacia enorme com o líquido branco – a Poção de Transferência. Ela fez um questionamento com a cabeça e ele concordou.

         Madame Pomfrey entregou a bacia para Severo, e saiu sem fazer nenhum comentário. Severo deu um longo suspiro e começou a tocar a poção com os dedos, que instantaneamente mudou para vermelho-sangue.

         - Só espero que isso dê certo – disse para si mesmo, sentando-se ao lado da cama de Carla.

<Anterior    Próximo>

Voltar para A Poção

1