A Poção

Capítulo 4
CUMPRINDO A DETENÇÃO

         Carla começou a explicar o plano que tinha bolado e Remo e Sirius ficaram bastante surpresos com a criatividade da garota. Draco ouvia atentamente as palavras dela, e ficou espantado com algumas partes.

         - Bem... – disse Sirius pensativo. – É um plano arriscado, e complicado... Mas é o único que têm...

         - Aposto que vão estar desrespeitando umas vinte regras do colégio, fora as que já desrespeitou, com a poção e o feitiço. – completou Remo, não concordando completamente. – E o que podemos fazer para ajudar?

         - Vocês poderiam preparar uma poção da invisibilidade? Mas aquela que nós passamos no corpo, para desaparecer só algumas partes do corpo, sabem... – disse Carla com a mão no queixo. - Aí usamos nas algemas e no braço, não teremos problemas de manusearmos a mão.

         - Tudo bem... Voltem daqui a duas horas. Deve ser o suficiente para fazermos bastante poção. – decidiu Remo. – Agora vão, alguém deve ter notado a falta dos dois.

         Carla e Draco saíram da sala, discutindo os últimos detalhes do plano. Na primeira noite, dormiriam no Salão Comunal da Sonserina, e no dia seguinte teriam as aulas dos alunos sonserinos. Depois das aulas, tomariam a identidade de um grifinório, dormiriam no seu dormitório e as aulas da quarta-feira fariam com os alunos da Grifinória. No final do dia iriam até a sala de Snape para ele desfazer o feitiço.

         Carla colocou a capa de invisibilidade, mas estava muito incômodo pois Draco ainda era visto com as algemas e a mão de Carla ainda era vista também. Não andaram nem dois corredores até que Carla parou, retirou a capa de invisibilidade e falou a Draco:

         - Não podemos ficar andando por aí com essas algemas aparecendo. Vamos ajudar Remo e Sirius a terminar a poção, acho que acabaremos mais rápido.

         - Tudo bem. Mas vamos escondidos na capa, não suportaria ver os alunos, principalmente o Potter, caçoando de mim. – disse Draco fazendo uma careta.

         Carla concordou com a cabeça, e em seguida cobriu os dois com a capa. Ela era grande o suficiente para os dois, mas ainda assim tiveram que andar devagar, para não tropeçarem na capa nem fazerem barulho. Logo estavam de volta à sala, e bateram na porta, mas se esqueceram de tirar a capa, então Remo ficou procurando que nem bobo por alguém, até que Carla sussurrou:

         - Remo, somos nós. Estamos na capa de invisibilidade.

         - Não deviam ter feito isso. – disse em desaprovação, mas abrindo espaço para entrarem.

         - Estamos preparando a poção, o que querem aqui? Já dissemos para voltarem depois. – reclamou Sirius, que mexia um enorme caldeirão.

         - Sirius, é que não podemos andar por aí sem a poção, dá para ver completamente as algemas, então resolvemos ajudar. – desculpou-se Carla.

         - Você tudo bem, mas esse Malfoy não vai nem tocar aqui, se não pode explodir ou algo parecido. – disse Sirius lançando um olhar de desprezo a Draco.

         - Ele é bom em poções, Sirius! Pode ajudar! – pediu Carla, quase na ponta dos pés.

         - Eu ainda acho melhor não. – disse virando a cara.

         - Tudo bem vocês dois. Podem ajudar, mas se alguém bater à porta, terão que ir para a capa de invisibilidade. – preveniu Remo.

         Eles começaram a “fazer” a poção propriamente dita. Colocavam os ingredientes, mexiam o caldeirão, e estava indo tudo bem. Até que ouve-se uma batida na porta, e Sirius corre para esconder o caldeirão em uma sala próxima, enquanto Carla e Draco entravam às pressas na capa. Remo foi abrir a porta calmamente, como se nada tivesse acontecido. Então deparou-se com um Snape que bufava de raiva e estava disposto a descobrir algo muito perigoso.

         - Onde estão, Lupin? Onde estão Malfoy e aquela infratorazinha de primeiro grau? – perguntou, os olhos ardendo de raiva.

         - Acalme-se Severo. Sente-se. Não sei onde eles estão. Não os vejo desde o incidente na sua sala. – respondeu Remo calmamente, certificando-se que eles estavam bem escondidos com a capa.

         - Eu sei que eles estão aqui! Eu sei! – bufava Snape, sem se sentar. Agitava os braços nervosamente, e parecia prestes a lançar um Avada Kedavra no primeiro que o atormentasse.

         - O que quer aqui, Snape? Eles não estão aqui, provavelmente estão inventando um jeito de desfazerem seu feitiço ou de passarem esses dias acorrentados. – disse Sirius com um olhar letal que lançou em Snape.

         - Eles nunca conseguirão desfazer o feitiço-cadeado! Podem tentar a vida toda, nunca conseguirão! – berrou Snape, os olhos saltando das órbitas.

         - Severo, acho que você deveria se acalmar. Provavelmente eles devem aparecer na hora do jantar. – disse Remo, começando a ficar incomodado com o ataque do professor.

         - Olhem aqui, Black, Lupin – disse apontando para cada um. – Se eu ficar sabendo que vocês ajudaram aqueles dois... Eu juro que falo com Dumbledore! – e saiu rodopiando, as vestes esvoaçando à sua volta.

         - Vocês dois estão enrascados. Melhor tomarem cuidado com ele. – advertiu Remo olhando os dois, que acabaram de tirar a capa.

         - Eu não acredito que o professor Snape falou daquele jeito sobre mim! – reclamou Draco, inconformado. – Ele nunca falou daquele jeito...

         - O que queria, Malfoy? Você desrespeitou uma das regras que ele mais preza, não é prudente que ele ficasse te chamando de Draquinho ou algo do tipo. – disse Sirius com aspereza.

         Em meia hora eles terminaram a poção. Colocaram grandes conchas do líquido viscoso em frascos maiores que a palma da mão, para ficarem prevenidos. Carla passou o líquido sobre as algemas, e viu-as desaparecer quase instantaneamente. Depois passou pela sua mão e braço, e sentiu um enorme gelo, como se um balde d’água com temperatura inferior a –30º penetrasse na sua pele. Aos poucos sua pele foi desaparecendo, na proporção que perdia a sensibilidade dos dedos, e em seguida, do braço.

         - Você está bem, Carla? Funcionou? – perguntou Draco um pouco ansioso.

         - Ah, claro! – disse irônica. – Meu braço está congelado, perdi a sensibilidade no mesmo, a única coisa que funcionou foi o desaparecimento.

         - Acho que já sei o que é. – disse Remo pegando um livro de poções e abrindo na página da poção. – Veja só: “A poção, quando usada em seres humanos, provoca a perda de sensibilidade na superfície utilizada por um período aproximado de meia hora. Depois disso, começa a voltar aos poucos, até o efeito passar, e só quando isso acontece que o membro passa a ter total sensibilidade”. Acho que é isso. Eis um contra de fazer essa poção. – concluiu Remo, olhando pensativo para o buraco entre Draco e Carla.

         - Há, que maravilha! Meia hora sem sentir o meu braço! – comemorou Carla, irônica.

         - É melhor vocês irem logo. Estão perdendo seu tempo. Já devem ter demorado muito a aparecer. Alguém deve estar preocupado. – preveniu Sirius, empurrando os dois. – Carlinha, coloque a capa, e cuidado com ele.

         - Podeixar Sirius. E eu não sou mais criança. Sei me cuidar. – respondeu mostrando a língua e colocando a capa, sumindo em seguida.

         - O que você acha disso, Almofadinhas? – perguntou Remo sério quando a porta bateu, avisando que eles já saíram.

         - Se eu bem conheço o Malfoy, ele vai tentar alguma indecência, principalmente quando eles estiverem dormindo – disse em um rosnado. – E você, Aluado, o que acha?

         - A hora de dormir é q que mais me preocupa... não por ela, sei que nunca faria nada, mas o Malfoy... Definitivamente é para se desconfiar. Ainda mais se for parecido com o pai dele... – comentou Remo, pensativo.

         - É, mas infelizmente teremos que confiar... – suspirou Sirius, a contragosto – Mas se ele sair um dedinho da linha, eu mesmo cuido de lançar um Avada Kedavra bem no peito dele! – emendou, um brilho estranho nos olhos.

 

         -Ai, você pisou no meu pé! – reclamou Carla, que estava em baixo da capa.

         - Desculpe! – disse Draco em um sussurro. – E fique quieta! Alguém pode te ouvir!

         - Sim senhor! – disse com uma voz de riso contido.

         Draco e Carla estavam caminhando até o Salão Principal, onde teriam o jantar. Os dois estavam com caras muito suspeitas e cautelosas, mas não encontraram ninguém no caminho, para sorte deles. Quando chegaram no Salão, viram que muitos já estavam comendo, e Draco teve o cuidado de não olhar diretamente para Snape, que o mirava com um olhar assassino.

         - Você pode olhar para ele? – perguntou Draco com o canto da boca.

         - Poder eu posso, só não sei se ele está usando a poção para me ver também... – disse pensativa. Deu uma olhadinha a Snape, que fulminava os dois com o olhar, e pelo que parecia ele estava usando sim a poção do olho da águia, pois parecia desafiá-la a fazer algo já que estava invisível.

         - E aí? – perguntou Draco baixinho, se sentando afastado de todos na mesa da Sonserina.

         - Pelo olhar tá dizendo que lançaria um Avada Kedavra em nós dois sem pestanejar, e parece que está te encarando o tempo todo. – cochichou Carla, bem próximo ao ouvido de Draco, o que lhe causou calafrios.

         Draco ia dizer mais alguma coisa, mas foi surpreendido por Crabbe e Goyle, que o miravam abobadamente. Draco deu um suspiro e disse para os dois se sentarem à frente dele, para prevenir que nenhum esmagasse Carla.

         - Chefe, onde estava? Não batemos em ninguém essa tarde. – comentou Goyle.

         - É, e não encontramos você em lugar nenhum! – completou Crabbe.

         - Eu... eu estava tendo uma aula extra com o professor Snape, assunto de monitores! – Draco falou a primeira mentira que lhe veio à cabeça, e pôde ouvir Carla murmurar algo que parecia muito com “idiota!”. Ele abafou uma risadinha.

         - Grabbe, Goyle, eu quero que vocês dois ouçam o que os grifinórios estão falando sobre mim e Carla Wetts. – disse em um tom de voz bastante sério.

         - Vocês estão namorando? – perguntou Grabbe.

         - É isso que está ouvindo? – perguntou Draco voltando à sua voz irritante e arrastada.

         - Todos estão dizendo isso, Draco. Mas não achamos que vá namorar com uma sangue-ruim da Grifinória. – disse Goyle, em um tom de voz que Carla não achava normal dele, mas queria pular no pescoço dele pelo comentário. Se limitou apenas a chutar o pé dele com muita força.

         - Ela não é sangue-ruim! – exclamou Draco, que percebeu que se levantara.

         Crabbe e Goyle olharam confusos para Draco, que pareceu agir por impulso, depois se arrependeu. Carla ficou com os olhos marejados, sentiu algo estranho no seu peito, algo muito estranho.

         Aos poucos os outros alunos foram levantando a cabeça para observar a súbita mudança de Draco. Ele ficou completamente corado, e se sentou o mais rápido que pôde, olhando furiosamente para Grabbe e Goyle, que se encolheram nas cadeiras. Ele comeu tudo muito rápido, nem esperou a sobremesa e colocou umas mãos de salgadinhos e outras coisas no bolso, para levar para Carla. Saiu apressadamente, e não disse nada até chegar no andar das masmorras, em uma parede suja e áspera.

         - Comensais – disse em quase um sussurro, para Carla não ouvir.

         A parede começou a se abrir, para dar espaço ao Salão Comunal da Sonserina, que tinha uma decoração verde e cinza, e tinha uma aparência fria. Draco caminhou lentamente até os dormitórios, mas ao invés de entrar na porta de dizia 6º ano, virou à esquerda em um porta escondida, disse uma senha que Carla não conseguiu ouvir e entrou. Era um enorme aposento, com uma igualmente enorme cama de casal, tudo com a decoração fria e sombria.

         - Draco, o que é...? – ia perguntando Carla, mas Draco a interrompeu.

         - Este é o quarto do diretor da casa, mas como Snape mora nas masmorras ele cedeu gentilmente a mim. Ele também pode ser usado como quarto para o chefe dos monitores, mas como ele é um completo inútil, esse quarto é meu desde o 1º ano. – respondeu com uma expressão muito séria, que ela já tinha se esquecido que ele a possuía.

         - Draco, por que está assim? – perguntou com a voz contida, tirando a capa com um movimento brusco com a mão – Foi muito legal da sua parte me defender lá, sabe...

         - Tome, você pode comer isso. – respondeu entregando os salgadinhos, mas sem olhar para ela.

         - Draco... – disse Carla, com os olhos se enchendo de lágrimas. Sentou-se no chão e começou a comer tristemente, sem ter coragem de olhar nos olhos de Draco.

         Ele se sentou ao lado dela, mas encostou a cabeça na parede e começou a olhar o céu, que estava limpo e cheio de estrelas. Carla logo acabou de comer tudo, e começou a soluçar, de tanto que tentou prender o choro. Até que não agüentou: começou a chorar silenciosamente, soluçando algumas vezes. Draco a olhou espantado, e ameaçou dar um abraço, mas logo parou, hesitante. Fraquejou por um momento, e logo perdeu sua pose de inatingível.

         - Draco...? – perguntou soluçando – Por que faz isso?

         - Isso o quê? – perguntou de volta, completamente atônico e confuso.

         - Por que começou a me tratar assim, tão frio? O que eu te fiz? – perguntou chorando agora abertamente, sem se importar com o barulho.

         - Eu... eu... – disse o garoto completamente desconcertado. – Ora, pare com isso, não chore... Está tudo bem.

         Carla soltou mais um soluço e pulou nos braços de Draco, o abraçando calorosamente. Ele se assustou um pouco, mas logo a abraçou também, e notou como ela era tão frágil, tão pequena diante dele, e ele nem se tocava. Sentiu pela primeira vez que seu abraço poderia fazer algo de bom, algo que nunca tinha feito antes.

         - Por favor Draco... não faz mais isso... não quero perder você, é o único amigo que tenho agora... – pedia descontroladamente, o abraçando o mais forte que podia.

         - Desculpa Carla, eu não queria fazer isso, juro. Me desculpe. – pedia Draco desesperado, aquela cena era de cortar o seu coração, queria que ela melhorasse logo. Nunca pediu tanto para uma pessoa parar de sofrer como agora.

         Carla parou de chorar abruptamente. Olhou assustada para Draco, que parecia bastante preocupado com ela. Ela soltou uma exclamação silenciosa, e Draco deu um pequeno sorriso, acompanhado de um olhar astuto e tentador. Ela sorriu aliviada. Era bom que ele ainda pudesse mostrar um sorriso sincero, e o abraçou novamente, agora chorando e rindo ao mesmo tempo.

         Draco se assustou, e a soltou do abraço. Começaram a se fitar incontrolavelmente, e Carla começou a olhar para os lábios dele, e Draco entendeu que ela queria o mesmo que ele, e começou a aproximar seu rosto ao dela. Ela continuou olhando para os lábios dele, até que os dele se tocaram ao dela. Carla nem tentou resistir, se entregou ao beijo, que era carinhoso e tinha uma espécie de medo. Começou a se tornar cada vez mais quente, e os dois estavam mais colados do que nunca.

         O clima começou a chegar até um ponto que os dois estavam começando a passar a mão por partes nunca tocadas antes, e os dois pararam. Com o olhar decidiram parar por ali.

         Carla encostou a cabeça no peito de Draco, e ambos se deitaram na enorme cama, Draco fazendo carinho no cabelo dela, e Carla se aconchegando no peito dele. Ficaram em silêncio por um tempo, até que Carla começou a falar:

         - Draco, eu...

         - Ssshhhhh... – pediu ele, com os olhos fechados, mas colocando dois dedos sobre os lábios dela. – Eu sei que não vai se repetir, então me deixa aproveitar esse momento, por favor. Só por hoje, só por agora.

         Carla sentiu os olhos se encherem d’água novamente. Não queria estragar a felicidade de Draco, então não disse nada, somente se aconchegou mais. Depois de ficarem um bom tempo curtindo o momento mágico que se formara, deram mais um longo beijo para finalizarem aquele momento e deitaram-se para dormir, Carla ainda abraçada a Draco.

         Passaram uma noite milagrosamente feliz, sem nenhum problema, a não ser uma visita muito estranha no meio da noite. Carla dormia profundamente, e nem percebeu nada. Mas Draco, que possuía um sonho muito leve, logo despertou. Estava parado à beira da cama um homem encapuzado, que assim que tirou o capuz, Draco pôde ver que era o professor Snape.

         - Professor...? O que faz aqui? – perguntou espantado.

         - Olha aqui, Draco, não quero se aproxime nem um dedinho a mais dela, ou vai sofrer as conseqüências – disse com um olhar diabólico e mortífero.

         - Professor...? Você está apaix...?

         - Não te interessa, só não se aproxime dela. – disse com rispidez.

         Snape não esperou resposta de Draco, nem nenhuma argumentação, sumiu tão inexplicavelmente quanto aparecera. Draco ficou olhando para o vazio intrigado, e não conseguiu dormir por um bom tempo, só pensando no que o professor sentia por Carla. Decidiu perguntar no dia seguinte, e olhando mais uma vez para o rosto sereno dela, se acomodou e dormiu novamente.

 

         O Salão Principal estava bastante vazio esta manhã. Muitos alunos se sentiram estimulados a continuar na cama pelo tempo nublado e o sol escondido. Alguns dos poucos que já estavam de pé era Harry, Rony e Hermione, da mesa da Grifinória, e alguns alunos novos de outras casas. Da Sonserina só tinham Grabbe e Goyle, e uns alunos do primeiro ano. Como não podia deixar de ser, o trio percebeu a falta de Malfoy na mesa.

         - O que será que aconteceu com ele? – perguntou Hermione.

         - Espero que tenha se machucado a ponto de ter que voltar para casa. – torceu Rony, olhando esperançoso para a entrada.

         - Vocês também repararam que aquela sonserina que era da Grifinória também sumiu? – perguntou Harry.

         - É mesmo, desde aquela aula de poções ontem que ela sumiu. O Malfoy ainda vimos no jantar, mas ela... – disse Hermione levemente preocupada.

         - Eu acho que os dois estão namorando. – disse Rony comendo mingau.

         - Mesmo? – perguntou Hermione – Eu acho que ouvi ela falar com outra garota que já estava gostando de outro.

         - Ah, deixem esses dois se amarem sozinhos! Pra que precisamos ficar comentando? – perguntou Harry jogando o seu bacon a três metros de distância.

 

         Na suíte principal do dormitório sonserirno, os seus dois habitantes acabam de acordar. Carla tinha uma cara de sono, mas parecia feliz. Draco estava com pequenas orelhas, por não ter dormido direito a noite anterior. Ela levantou-se, acariciou de leve o rosto de Draco e deu um selinho, até se levantar e esquecer que estava presa por algemas com ele.

         - Ai, que droga! Draquinho, eu preciso ir ao banheiro... – disse com voz manhosa.

         - Como você vai ao banheiro? – perguntou levantando sobressaltado.

         - Bem, eu confio que você não vá olhar, mas para prevenir, vou usar a capa de invisibilidade. – e deu uma pausa. – Isso vai ser realmente constrangedor!

         - Eu viro para o outro lado, não se preocupe – disse corando loucamente.

         - Tá bom. – concordou Carla. Ela pegou a capa que estava no chão e foi até o banheiro. Encontrou uma enorme banheira que parecia caber muitas pessoas nela. – Draco, que banheira enorme! Pena que não podemos aproveitar essa maravilha!

         - Se quando acabar essa detenção você quiser, podemos aproveitá-la... – comentou corando mais uma vez.

         Carla concordou. Colocou a capa e foi ao banheiro, totalmente corada. Por mais que tentasse, Draco não conseguiu deixar de olhar. Era estranho aquilo tudo, e ele se sentia completamente burro em alguns assuntos.

         Depois Draco também foi ao banheiro, e os dois escovaram os dentes. Arrumaram todas as vestes que estavam espalhadas – tinham colocado alguns pijamas, e deixaram a roupa toda bagunçada. Arrumaram tudo e se prepararam para as aulas.

         - Que aulas você tem hoje? – perguntou Carla tentando olhar o horário dele.

         - Tenho História da Magia, Herbologia, Aritmancia e depois do almoço Transfiguração e Defesa Contra as Artes das Trevas. – respondeu corando.

         - Aritmancia? – perguntou surpresa – Não sabia que você tinha essa matéria!

         - Na verdade eu escolhi como extra. Também escolhi Trato das Criaturas Mágicas e Estudo das Runas Antigas – disse totalmente sem graça.

         - Não fica assim, Draco. Não precisa se envergonhar das matérias que cursa. – disse fazendo carinho no cabelo dele – A única aula que vai ser um grande problema será a com Snape... Ele vai ficar furioso por não me ver com você.

         - Ah! Falando no Snape... Posso te fazer uma pergunta?

         - Ãhn... Pode ué! – disse meio insegura.

         - Você e ele já tiveram algum caso... quer dizer... – Draco parecia não encontrar as palavras corretas para se expressar.

         - Uau, que pergunta! – disse surpresa – Não que eu me lembre, mas por que pergunta? – mentiu.

         - Não, não é nada! – disse balançando a cabeça. Estava louco em pensar que algum dia os dois pudessem se envolver.

         Carla ficou receosa quanto à pergunta. Com certeza ela não tinha saído do nada, Draco tinha algum motivo para fazê-la, e ela precisava descobrir o porquê. Eles estavam quase saindo do quarto, Carla ainda encucada com a pergunta, até que Draco a bloqueou:

         - Você se esqueceu de usar a poção... – disse apontando para as algemas.

         - Ah é, a droga da poção... – resmungou fazendo uma careta.

         Ela pegou a poção, e passou nas algemas, que logo desapareceram. Depois fechou os olhos e passou no braço e na mão, sentindo aquela grande onda de frio a invadindo, e cambaleou um pouco. Foi uma sorte Draco estar ali para segurá-la, se não ela desmaiaria.

         - Você está pálida. É melhor irmos para o Salão Principal. Você precisa comer. – disse Draco preocupado, levanto Carla até a entrada.

         - Draco? – disse Carla hesitante. Ele parou e a olhou – Eu gosto muito de você.

         - Eu também. Gosto muito mesmo. Você foi a única que me mostrou o meu verdadeiro eu – disse Draco a beijando de leve. – Agora vamos, se não chegamos atrasados na aula.

         - Eu não me importaria de perder História da Magia, essa aula definitivamente dá sono – resmungou colocando a capa.

         - Eu tenho sorte de estarmos presos, se não eu não saberia onde você está. Se bem que eu não sei onde está exatamente, mas posso ter uma idéia. – reclamou Draco enquanto desciam as escadas e saíam do Salão Comunal.

         - Ah... Draco...? – chamou Carla, pensando se perguntava ou não.

         - Fala – disse Draco parando e tentando encará-la.

         - Por que a senha da sua casa é Comensais? – perguntou corando, o que foi uma sorte, pois Draco não podia vê-la.

         - Ah... isso. – respondeu desanimado – É que como Voldemort está de volta, os pais de alunos decidiram colocar essa senha – depois se arrependeu de ter dito. Isso denunciava o seu pai também, que era um Comensal, e como Carla era muito esperta, descobriria logo.

         Carla olhou para ele com pena. Ela já sabia que Lúcio Malfoy era um Comensal da Morte, Remo e Sirius haviam contado várias vezes, mas viu o desânimo do garoto e decidiu não comentar nada. Foram caminhando até o Salão Principal, que estava quase vazio, somente com alunos que acordaram tarde demais. Draco se sentou à mesa da Sonserina e começou a comer, guardando algumas coisas nos bolsos das vestes ou passando por baixo da capa, para Carla comer.

         Acabaram e já estavam cinco minutos atrasados. Draco começou a correr pelos corredores com pressa, sendo seguido de perto por Carla, que tentava segurar toda a comida que tinha recebido. Chegou na sala com dez minutos de atraso, mas o Prof. Binns não disse nada, só falou para se apressar para não atrapalhar a explicação.

         Como sempre a aula estava um tédio. Os alunos quase dormiam em sua carteiras, ocasionalmente acordando e escrevendo alguma coisa, para depois voltar à dormir. Com Draco não era diferente, ele estava pendurando a cabeça nos braços enquanto lutava para não dormir.

         Carla estranhamente estava bem acordada. Enquanto comia alguns doces do Salão Principal, anotava o que o professor falava com sua voz monótona. Quando a aula acabou, Draco deu um suspiro de alívio. Carla passou por debaixo da capa as anotações caprichosamente escritas, com uma letra calma e bem-feita. O garoto se espantou:

         - Nossa, como conseguiu prestar atenção na aula daquele chato?

         - É simples: os docinhos que você me deu para comer me despertaram, e eu consegui prestar atenção na aula, o que é uma sorte, pois eu não estava entendendo nada essa matéria – respondeu com um sorriso.

         - Sorte a sua – disse Draco bocejando.

         - E sua também – respondeu empurrando o caderno na barriga dele. – Eu vou anotar tudo sobre as aulas de hoje, depois te dou esse caderno. Eu sei que você não gosta das aulas de hoje, então vou te ajudar.

         - Obrigado! – disse um pouco surpreso com a boa vontade dela.

         Os dois seguiram até a estufa cinco de Herbologia. Tiveram uma aula relativamente calma, pois ficaram envasando salgueiros lutadores recém-nascidos, e era uma tarefa fácil, pois eles ainda não golpeavam tão forte. Depois seguiram para Aritmancia e Transfiguração, que foram bastante calmas e normais.

         - Ai, eu não sei se quero ir para Defesa Contra as Artes das Trevas... – disse Carla nervosa, pulando na ponta dos pés.

         - Calma, teremos que ter essa aula, se não o Snape vai desconfiar de alguma coisa – retrucou Draco olhando sério para o local que vinha sua voz.

         - Aaaa, mas vai ser perigoso, ele pode estar bravo e... e... Ah, tudo bem! Vamos logo! – desistiu a garota, puxando Draco até a sala.

         - Bom, seja o que o Snape quiser – suspirou Draco antes de abrir a porta.

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