A Poção

Capítulo 3
POÇÕES, BRIGAS E DETENÇÕES

         No dia seguinte amanheceu bem rápido. Carla se levantou cedo, tomou um longo banho e se dirigiu ao Salão Principal, pois receberia instruções da Professora McGonagall. A encontrou na mesa dos professores, e tentou ao máximo evitar o olhar do Professor Snape, que parecia determinado a lançar olhares impassíveis à garota.

         Logo Hermione chegou também, e McGonagall começou a dar os avisos. Primeiro disse que as aulas começariam hoje, e devido a um probleminha com a Profa. Sinistra, eles não teriam aula com ela essa semana. Depois passou as novas senhas para o Salão Comunal e por fim disse que na próxima semana haveria um baile, e as monitoras e os monitores teriam que dançar pelo menos três músicas – seguidas ou aleatórias – com algum professor. Carla abriu a boca para protestar, mas não conseguiu emitir nenhum som. A professora continuou.

         - Srtas, com qual professor gostariam de dividir a dança?

         - Hum... Posso dançar com o Hagrid. – disse Hermione dando de ombros.

         - Tem certeza Srta. Granger? Ele não é um pouco... grande para você? – perguntou a professora.

         - Não tem problema professora.

         - Bem, então Srta. Wetts, seu par será Severo Snape. – concluiu McGonagall.

         Parecia que Carla acabara de achar sua voz novamente, porque logo protestou:

         - Snape? Eu não poderia dançar com Flitwick, ou sei lá? Posso dividir o Hagrid!

         - Me desculpe Srta. o professor Flitwick não gosta de dançar, e é muito pequeno para a srta. Será Snape e ponto final.

         Ela parecia ainda protestar, mas não disse nenhuma palavra para a professora. Hermione deu um sorrisinho tímido, tentando animar a garota, mas isso parecia impossível.

         - Não fique assim Carla. Vão ser só três músicas, talvez nem seja não ruim assim. – comentou Hermione, tentando consolá-la.

         - Ah, quero ver se fosse com você. – disse desanimada. – Olha Hermione, me desculpe por ontem, realmente eu não sei o que deu em mim por ter sugerido aquele jogo...

         - Tudo bem, eu sabia que alguma coisa estava te incomodando ontem. Não fiquei chateada, mas quem pareceu não gostar muito foram Rony e Harry.

         - Aaahh, eu sei. Mas não tenho coragem de falar com eles, devem estar muito irritados mesmo.

         Hermione concordou com a cabeça. Harry e Rony a chamaram e ela foi sentar-se com eles. Carla caminhou solitária até a mesa da Grifinória, onde sentou-se um pouco afastada de todos, bem no final da mesa. Quando começaram a comer, muitas corujas começaram a voar sobre as cabeças dos alunos, entregando encomendas e os horários do novo semestre.

         - Ah não! – reclamou Harry. – Aula dupla de poções depois do almoço. E ainda a primeira aula de hoje é Adivinhação! Hoje o dia vai ser chato!

         - E não esqueça que ainda temos Feitiços e Transfiguração, que são realmente difíceis! – completou Rony, desgostoso.

         - Pelo menos não vamos ter Astronomia à meia-noite! É realmente muito chato ter que ficar acordado à noite. – comentou Hermione.

         - Que raro! Mione reclamando das aulas! – debochou Rony.

         - Quieto, Rony! – disse Hermione ligeiramente vermelha.

         As três primeiras aulas não tiveram grandes problemas, se for contar que em Transfiguração tiveram que transformar uma águia em um bule de chá não foi um grande problema, tudo correu muito bem. Todos os alunos se dirigiram ao Salão Principal para almoçarem, e tiveram uma grande surpresa ao verem Lupin na mesa dos professores. Harry quase cuspiu seu mingau quando viu Sirius se sentar quase no fim da mesa, e começando a conversar animadamente com Hagrid, que não parecia mais evitá-lo que nem fez nas férias de Natal. Dumbledore se levantou e comunicou a todos:

         - Caros alunos, tenho o orgulho de dizer que este semestre vocês terão uma nova aula, que será surpresa. Ela acontecerá sempre à noite, em horários que variam de acordo com casa e ano. Espero que todos apreciem muito esta nova matéria! – e se sentou. Começaram os comentários sobre qual matéria seria, e qual professor lecionaria ela. Harry teve a impressão que seriam Lupin e Sirius que fariam isso.

         Aos poucos todos foram se retirando do Salão e se dirigindo às suas aulas. Grifinórios e sonserinos do sexto ano se dirigiram às masmorras, onde dividiriam a aula de poções. Isso, de acordo com os comentários de Rony, faria com que a aula se tornasse um verdadeiro inferno. Snape e Malfoy juntos era muito ruim.

         O professor parecia mais carrancudo do que nunca, ralhando com os alunos sem motivo algum e tirando pontos do jeito que bem entendesse, isso é claro, tirando os alunos da Sonserina. Esta aula estava pedindo uma poção absurdamente complexa, que levaria uma hora para ficar pronta.

         - Então alunos, esta poção é chamada da poção da invisibilidade. É muito utilizada para invadir locais proibidos ou para se fazer coisas escondidos de todos. Tem a mesma função do que uma capa da invisibilidade, mas dura apenas 1 hora. – Snape lançou um olhar de desprezo a Harry. – Vocês devem se juntar em duplas...

         Mais do que instantaneamente, Harry se virou para Rony, mas Snape acabou com a felicidade deles.

         - Acho que hoje não, Potter. – disse com sua voz ultra letal. – Quero que formem duplas com alguém de casa diferente. – Harry quis matar Snape com o olhar. O professor sempre fazia questão de prejudicar Harry.

         Draco chamou Carla para trabalhar junto com ele, o que deixou quase todos espantados. Harry trabalhou com Goyle; Rony com Grabbe; e Hermione com Pansy Parkinson.

         - Antes que comecem quero dizer-lhes qual será a tarefa. – muitos xingaram baixinho o professor. – A dupla deverá ficar presa com algemas, que eu mesmo vou arrumar e um por vez deverá tomar a poção, que vocês terão que fazer usando metade dos ingredientes, assim ela durará somente meia hora. Cada um anotará como é estar falando com alguém invisível e como é estar invisível. Também anotarão os efeitos da poção e os possíveis efeitos colaterais. A primeira dupla que fizer tudo certo estará livre da outra tarefa que vou passar no fim da aula. – e olhando para todos os rostos da classe, completou: - PODEM COMEÇAR!

         Todos os alunos da Grifinória lançaram olhares carrancudos a Snape antes de começarem a pegar os ingredientes. O professor foi rondando as mesas e observando os trabalhos de todos, ocasionalmente falando alguma coisa:

         - Existem dois tipos de poções da invisibilidade. A que vocês estão preparando é para ser tomada, e só dura uma hora. Existe uma outra que você passa por todo o seu corpo, ou no caso, na parte que quer que fique invisível. Esta é mais potente, dura duas horas, mas é muito mais difícil se conseguir os ingredientes. – e lançou um olhar para a classe. – E por que é que ninguém copiou o que eu disse?

         Snape deu mais uma ronda pelas mesas e depois começou a colocar as algemas nos pares, conforme iam acabando de misturar os ingredientes. Ele conjurava pesadas algemas, que eram muito apertadas, e usou uma fórmula tão difícil que nem Hermione conseguiu decorar. Disse que elas só seriam abertas com ordem do professor, e ele era o único que conseguiria abri-las.

         - A poção precisa de meia hora para cozinhar. Se, quando ela estiver pronta, tiver uma aparência viscosa e uma cor de gel metálica, está prefeita para ser bebida, caso esteja muito diferente disso, a pessoa pode se envenenar, por isso, muito cuidado.

         A primeira dupla a terminar foi a de Carla e Draco. Os dois foram lavar as mãos na gárgula do lado de fora da classe e aproveitaram para conversar:

         - Draco, eu não sabia que você era tão bom em Poções! – exclamou Carla admirada, enquanto lavava as mãos, o que era um pouco incômodo, já que uma das suas mãos estava presa à de Draco.

         - É a única matéria que sou realmente bom. – disse dando de ombros. – Ela é minha salvação, pois se não tivesse ela, eu definitivamente seria reprovado, principalmente em transfiguração e em herbologia.

         - Acho que a professora McGonagall não gosta muito de você, não é? – perguntou timidamente.

         - Há, ela me odeia! É quase como o Snape e os alunos grifinórios... – respondeu quase dando um sorrisinho irônico.

         Eles acabaram de lavar as mãos sem falar mais nada. Quando foram secar suas mãos nas vestes, Carla notou algo em seu bolso que chamou a atenção dos dois. Era um pequeno frasco, que continha um líquido muito parecido com água.

         - O que é isso? – perguntou Draco se aproximando.

         - Isso pode ser nossa diversão nessa aula! – exclamou Carla, dando um largo sorriso. – É a poção dos olhos de águia, muito útil... – explicou a um Draco confuso.

         - Mas... – disse hesitante. – Ela é muito difícil de ser preparada, e seus ingredientes são raros! Como conseguiu?

         - Digamos que eu surrupiei de Snape outro dia desses. Mas você sabe o que ela faz? – perguntou em quase um sussurro.

         - Claro que sei! Mas como nós...?

         - Podemos pingar algumas gotas quando bebermos a poção da invisibilidade. Assim poderíamos ver as outras pessoas invisíveis! – disse com uma estranha expressão.

         - Mas Snape não vai perceber? – Draco não estava gostando muito da idéia.

         - Claro que não! Vai estar ocupado demais ralhando com os outros alunos! Não há como ele descobrir! – disse Carla quase rindo. – O que foi? Está com medo, Draco?

         - Não! Vamos colocar isso então! – disse se decidindo.

         Os dois voltaram para a sala, e puseram-se a esperar a poção cozinhar. Aos poucos todos os outros alunos acabaram de misturar os ingredientes, e foram lavar as mãos. Passada a meia hora, Snape começou a dar novas instruções:

         - Espero que todos tenham feito a poção direito. Agora é só pegar um cálice e colocar uma concha da poção. Não se esqueçam de anotar tudo, pois isso valerá como tarefa para todos, sem contar a tarefa extra para quem fizer algo errado. – e lançou um olhar ameaçador a Neville, que começou a mexer na poção suando frio. Deu um olhar geral na classe e completou: - Podem começar!

         Draco colocou um pouco da poção em um cálice, e notou que tinha a aparência de uma gelatina prateada, ou então com um pouco de sangue de unicórnio. Ofereceu o cálice à Carla e perguntou:

         - Servida?

         - Não quer ser o primeiro? – perguntou lançando um olhar desconfiado à poção.

         - Não obrigado. Primeiro as damas. – disse dando de ombros.

         - Tudo bem. Eu tomo. – e jogou duas gotinhas da outra poção no cálice, tomando-a em seguida.

         Draco olhou para ela espantado. Estava ficando transparente, e parecia um fantasma. Foi perdendo a cor aos poucos até que sumiu completamente. Ele soltou uma exclamação e perguntou, olhando para os lados à sua procura:

         - Carla, você ainda está aí? A poção funcionou? – e então ouviu uma voz que parecia um pouco distante:

         - Funcionou perfeitamente. E é tão engraçado ver a sua cara procurando que nem bobo onde eu estou! – completou abafando um riso.

         - E a outra? – perguntou somente movendo os lábios.

         - Ainda não sei... – respondeu pensativa. – Alguém já está invisível?

         - Granger e Weasley acabaram de beber a poção. – respondeu olhando a classe. – Pronto! Agora sumiram! Consegue vê-los?

         - Hahahaha! Rony está xingando Snape bem baixinho, e fica fazendo caretas e fazendo gestos feios com os dedos! – disse divertida.

         - E a Granger? – perguntou começando a se interessar.

         - Bem... – disse hesitante. – Ela está te admirando, e está com uma cara tão engraçada!

         - Como é? – exclamou Draco. – Está me observ... – Carla colocou a mão em sua boca, o impedindo de falar, e aproveitou e deu um belo pisão no seu pé.

         - Quieto! Se o professor nos ouve estamos ferrados! – disse no ouvido dele.

         - Desculpe! – disse massageando o pé. – Mas é uma revelação e tanto! A sangue-ruim Granger me admirando! – completou em um sussurro.

         - Não fale assim dela! – repreendeu Carla. – Ela é muito legal! Acho que a única aluna da Grifinória que não tem raiva de mim.

         - Então você devia ter entrado pra Sonserina. Muitos alunos te admiram por não gostar do Potter. – disse Draco.

         - Ah, mas não gosto mesmo! Mas infelizmente tenho que esconder do Remo e do Sirius porqu... – começou a dizer, mas parou abruptamente ao perceber o que falava.

         - O que você disse? – perguntou espantado. – Você é amiga daquele lobisomem e daquele... daquele cachorro?

         - Olha aqui Draco Malfoy. – disse com uma voz perigosa, apontando a varinha no nariz dele. – Não admito que fale mal deles assim, pois são como meus pais, e você não tem o direito de ofendê-los assim!

         - Só acho que alguém como você não devia ter amizades com eles. – disse com a voz um pouco arrastada, usando seu terrível tom de provocação.

         - Para o seu governo Remo é meu padrinho, e Sirius é como se fosse um também. Então tome cuidado, pois eles não vão muito com a sua cara, e se souberem disso podem te transformar em uma lesma. – advertiu a garota, olhando furiosamente para ele. – Está entendido?

         - Sim, sim, sim. – disse Draco. – Agora será que podia tirar essa varinha do meu nariz? Está fazendo cócegas! – pediu empurrando a varinha.

         - Tudo bem. – respondeu Carla um pouco mais calma.

         Algum tempo depois as pessoas estavam voltando a ficar visíveis, e seria a vez da outra pessoa da dupla ficar invisível. Draco já estava colocando o cálice na boca quando Carla segurou sua mão com força e o impediu. Ele lançou um olhar de questionamento e ela disse, tão baixo que só ele conseguiria ouvir.

         - Você está se esquecendo disse aqui. – e balançou o vidrinho. – Sem ele perderia toda a graça.

         - Desculpe, me esqueci. – disse entregando o cálice para Carla. Ela colocou duas gotinhas e Draco bebeu a poção.

         Carla pôde vê-lo fazer uma careta, e quase vomitar o conteúdo, antes de sumir completamente. Pegou uma pena e começou a escrever sobre a poção, até que ouviu uma voz brava ao seu lado.

         - Por que não disse que isso é tão ruim?

         - Ué, você não perguntou, Draquinho. – respondeu tocando no braço invisível dele, que conseguiu localizar graças às algemas.

         - E precisava? O mais estranho é que eu não vi você fazer uma cara de nojo quando bebeu – reclamou o garoto, tentando tirar a mão dela de seu braço.

         - Porque eu não achei ruim Draquinho... Pra mim parecia gelatina de gelo...

         - Gelatina de gelo? – perguntou confuso. – O que é gelatina? E pode parar de me chamar de Draquinho? – completou bravo.

         - Desculpa, mas é tão engraçado imaginar sua cara quando digo isso! E gelatina é uma comida de trouxas, você não conhece. – respondeu olhando divertida para Draco.

         - Você nasceu trouxa? Quer dizer... é sangue-ruim? – perguntou agora surpreso.

         - Claro que não, Draco! – exclamou impaciente. – Mas vivi em povoados mestiços desde pequena. Algumas casas tinham bruxos, outras trouxas... Sei quase tudo sobre eles. – e lançou um olhar à Draco. – Não vai dizer que só porque sabe disso vai começar a me chamar de sangue-ruim!

         - Não, claro que não. Continuo sendo sua amiga mesmo você sendo uma grifinória. – respondeu impaciente, e olhando para toda a classe. – Quem está invisível?

         - Hum... – e olhou à volta. – Potter, Grabbe, Parkinson... – e começou a dizer os nomes.

         - Grr... Se eu pudesse matar o Potter! – rosnou Draco.

         - O que ele está fazendo? – perguntou Carla curiosa.

         - Está fazendo gestos com a mão para você, para Snape e no lugar onde eu deveria estar. – disse com os punhos fechados. – A minha vontade era pular no pescoço daquele desgraçado!

         - Deixe ele, Draco. – disse Carla. – Ele não merece que você leve uma detenção.

         - Mas ele também está te xingando! – exclamou o garoto, perplexo. – Você deveria fazer alguma coisa!

         - Podemos ter nossa revanche no quadribol, basta você pegar o pomo antes dele.

         - E como você vai ajudar? É da mesma casa que ele!

         - Posso lançar um balaço na direção dos dois, você desvia e ele acerta Harry, é só dizer que o balaço saiu do meu controle. – respondeu dando de ombros.

         - Acho que isso não vai funcionar. E o time todo vai ficar de olho em você. – respondeu Draco com desaprovação. – Mas depois damos um jeito.

         Os alunos ainda ficaram alguns minutos invisíveis, até que foram voltando a aparecer. Snape foi caminhando entre as mesas dos alunos e olhando o que eles tinham escrito. Às vezes ralhava com algum aluno por não ter escrito nada, outras simplesmente descontava pontos. Depois da revisa, ele se posicionou ao lado da escrivaninha e disse:

         - Eu vou querer essas anotações na próxima aula, em forma de redação e com no mínimo dois rolos de pergaminho! Para a nota. Estão dispensados.

         Os alunos começaram a reclamar. Só podiam-se ouvir os murmúrios de vários alunos insatisfeitos, ou algum xingamento para o professor. Ele pegou sua varinha, apontou para todos e disse:

         - Acho que os senhores estão se esquecendo que estão presos com algemas. A não ser que queriam andar pelos corredores junto com um colega de outra classe, acho que deveriam esperar eu desfazer o feitiço.

         Os alunos voltaram imediatamente aos seus lugares. O professor agitou sua varinha e exclamou, fazendo-a passar por toda a classe:

         - Finite Incantaten!

         As algemas abriram-se com um estalo e desapareceram em seguida. Vários alunos mexeram em seus pulsos, tentando voltar a circulação, e saíram da sala reclamando, e no caso de Rony e Harry, lançando pragas no professor. Somente Carla e Draco continuaram parados em seus lugares, olhando para si mesmos e depois para as mãos, que continuavam presas pelas algemas.

         - Professor...? – disse Carla não conseguindo segurar a fúria.

         - O que foi senhorita Wetts? – perguntou Snape, sem ao menos olhar para a garota, enquanto arrumava seu material.

         - Acho que temos um probleminha com nossas algemas. Seu feitiço não funcionou. – disse a garota se segurando para não pular no professor e perguntar de outra maneira.

         - Ah, é claro. – disse o professor indiferente. – Wetts, Malfoy, me acompanhem.

         Carla lançou um olhar a Draco, que simplesmente balançou os ombros. Não estava acostumado a ser tratado com esse tom frio na voz, e desconfiava que tinha feito alguma coisa errada.

         Os dois acompanharam o professor, apreensivos. Ele os levou até a sua sala, que ficava em outra masmorra. Sentou-se em sua cadeira e disse, com sua voz mais letal possível:

         - Senhor Malfoy, senhorita Wetts, gostaria de saber o motivo dos dois terem usado uma poção ilegal nesta aula.

         - O quê? – perguntou Draco perplexo.

         - Sim, senhor Malfoy. Vocês usaram uma poção do olho de águia, que é controlada pelo Ministério da Magia e é proibida de ser usada sem autorização. Acho que terei que descontar pontos dos dois.

         - Draco não teve nada a ver com isso! – exclamou Carla, levantando-se. – Eu que coloquei a poção! Ele não fez nada! Não é justo descontar pontos dele.

         - Já que diz isso, senhorita Wetts – disse Snape lançando um olhar impassível a ela, – Menos cinqüenta pontos para a Grifinória, e detenção para os dois.

         - Detenção? – perguntou Draco, ficando vermelho de raiva. – Professor... mas não é justo! Os pontos já são mais do que o suficiente! E eu não fiz nada!

         - Não me venha dizer o que é justo ou não, Draco. – disse com sua voz fria e letal. – E você fez coisa sim, eu sei muito bem que o senhor concordou com isso, senhor Malfoy!

         - Mas... mas... – Draco estava sem argumentos para brigar com o professor.

         - A detenção dos dois durará até quarta-feira, às oito da noite. Vocês deverão ficar com as algemas até lá, e terão que se virar para assistirem às aulas, já que são de casas diferentes. – começou Snape, explicando com um sorriso cínico a detenção dos dois.

         - Ah, isso já é um absurdo! – exclamou Carla apanhando sua varinha e a apontando para Snape.

         - Abaixe essa varinha, senhorita Wetts, ou vou descontar cem pontos de sua casa.

         - Grande diferença. – murmurou baixinho, em seguida apontou a varinha para um local vazio perto da lareira e exclamou: - Transportiun! “Remo Lupin e Sirius Black!” – completou em seu pensamento.

         De sua varinha irrompeu um jorro de luz branca e azul, e logo Remo e Sirius apareceram na sala, com as varinhas apostas em posição de duelo. Eles olharam confusos para o local e saíram de suas posições, Sirius lançando um olhar de profundo nojo a Snape e Lupin analisando a situação rapidamente.

         - O que está acontecendo aqui? – perguntou Lupin calmamente.

         - Senhorita Wetts, menos trinta pontos para Grifinória, por usar Magia Avançada dentro da escola. – bufou Snape, lançando um olhar mortífero à garota.

         - Você usou um feitiço de teletransporte? – perguntou Remo com as sobrancelhas levemente franzidas. – Sabe que é proibido.

         - Mas o Snape está fazendo uma tremenda injustiça com nós dois! – exclamou a garota apontando para Draco e ela. – Vai nos dar detenção sem motivo nenhum!

         - Qual é a verdade, Snape? – disse Sirius com desdém, reforçando o nome do professor.

         - Eles utilizaram uma poção dos olhos de águia, o que é ilegal para bruxos de dezesseis anos. – disse Snape, com uma fúria nunca vista antes.

         - Mas essa poção não tem nada de mais, ou tem? – perguntou Remo calmamente.

         - Ah, quer saber? – reclamou Carla indo para o meio da sala, com Draco no seu encalço. – Eu vou cumprir a droga dessa detenção, e vou deixar esse professor com cara de idiota quando ver que conseguimos! – em seguida virou-se para Remo e Sirius e berrou: - Destransportiun! – os dois sumiram em um segundo. Virou a varinha para ela e Draco e disse, com a voz segurando a raiva: - Duplus Transportiun! – ela e Dracoo sumiram em um piscar de olhos, e Snape ficou olhando com raiva para os dois, bufando.

 

         Um segundo depois de Remo e Sirius aparecerem na sala de Defesa Contra as Artes das Trevas – sala agora dos dois professores, já que Snape também era professor de DCAT neste ano -, Carla e Draco apareceram logo depois, Draco com uma cara de profundo espanto e Carla bufando de raiva.

         - Será que vocês poderiam se explicar? – perguntou Remo cruzando os braços, enquanto Sirius olhava para Draco com uma cara de nojo.

         - Nós só usamos umas gotinhas da poção, não tem como prejudicar ninguém com isso! – protestou Carla, sacudindo as mãos.

         - Ele nos deu detenção, isso é injustiça! – reclamou Draco, tendo sua mão subindo e descendo graças às algemas.

         - Remo, Sirius, por favor, tirem essa droga de feitiço daqui! – reclamou Carla, brandindo as mãos com algemas para os dois.

         - Vou tentar, mas não posso garantir nada. Mas fiquem parados, não se mexam. – avisou Remo, enquanto pegava a varinha e apontava para as algemas. – Finite Incantaten!

         Nada aconteceu. As algemas continuavam ali, sem nenhum sinal de querer saírem do braço dos dois. Sirius se aproximou, pegou sua varinha e também tentou o feitiço. Elas continuavam intactas, e os dois tentaram mais algumas vezes até sentarem-se em duas cadeiras, lamentando silenciosamente.

         - O que aconteceu? Por que não funciona? – perguntou Draco começando a se desesperar.

         - Acho que Snape colocou um feitiço cadeado nessas algemas... – suspirou Remo.

         - Feitiço cadeado? – perguntou Carla. – O que é isso?

         - É um feitiço que bloqueia qualquer varinha a desfazer o feitiço, e também guarda a voz de quem o executou. – explicou Sirius, bufando. – Um truque sujo, na minha opinião. – continuou, agora andando de um lado para outro. – Mas é bem típico daquele seboso. Só para obrigar vocês a ficarem assim até quarta-feira.

         - Então quer dizer que Snape é o único que pode tirar isso daqui? – bufou Carla, não acreditando até onde o professor iria.

         - Infelizmente é isso. – respondeu Remo, girando a varinha entre os dedos.

         - Tem alguma coisa que possamos fazer? – perguntou Sirius, dando um olhar de desprezo para Draco, sem que ele percebesse.

         - Não sei... o maior problema vai ser entrarmos no salão comunal, com certeza vamos ter uma enorme confusão. – disse Carla pensativa.

         - Ora, use aquele feitiço que você usou! Trans não sei do que! – disse Draco. – Aí poderíamos entrar lá sem problemas!

         - Você é um gênio, Draco! – disse a grota dando um beijo na bochecha dele. – Remo, Sirius, manteremos vocês informados! – completou acenando para os dois, que os olhavam espantados. – Duplus Transportiun!

         E em um piscar de olhos os dois estavam no Salão Comunal da Grifinória, mais precisamente no dormitório feminino do 6º ano. Carla começou a revirar seu malão, enquanto Draco observava tudo muito curioso.

         - Aqui! Draco, pegue isso! – disse jogando uma enorme capa prateada sobre o garoto.

         - O que é isso? – perguntou o garoto confuso, observando a capa.

         - Uma capa de invisibilidade. Utilizaremos ela para conseguirmos entrar nos dormitórios sem sermos vistos, e é claro, para freqüentarmos as aulas sem todos nos olhando. – explicou a garota, com um contido sorriso nos lábios.

         - Ah, tá bom. – disse Draco dando de ombros.

         Ela começou a explicar como fariam, e Draco não gostou muito da idéia. Os dois se cobriram com a capa e rumaram ao retrato da mulher gorda, depois até a sala de Remo e Sirius, para contar-lhes sobre como resolveriam a situação.

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