Boletim Mensal * Ano VI * Janeiro de 2008 * Número 57

     

 

COLUNA DOS VINHOS

Ivo Amaral Junior

 

 

Compadres: como diria o filósofo Aristóteles, o homem é por natureza um animal político e, via de conseqüência, precisa viver em sociedade. Apesar do estilo de vida atual de auto-suficiência -- em grande parte devido às novas tecnologias, onde o ser humano está se isolando do convívio com amigos e familiares para se abstrair do mundo real e viver no mundo virtual -- não podemos deixar de lado o papel gregário exercido por nossa Academia desde a sua fundação. Esse artigo e um chamamento a todos aqueles que não puderam compartilhar momentos tão intensamente vividos em nossos encontros no ano de 2007. Participem, conviva, venha beber vinhos com seus compadres tão saudosos de suas presenças!

                A Academia do Bacalhau nasceu justamente com essa intenção de congregar pessoas em torno de um objetivo comum, comer um bom prato de bacalhau, sempre que possível regado a um bom vinho e, o que é primordial, ao lado de pessoas fraternas e queridas.

                Para iniciar o ano, portanto, o compadre editor me pediu para escrever um texto mais enxuto, uma vez que os assuntos mais importantes estão acumulados há dois meses, haja vista que nosso boletim informativo não tem circulação no mês de janeiro. (Esse artigo é puro deleite!)

                Passando ao vinho, objeto principal desse meu comentário mensal, e para ser bem objetivo, informo que foram selecionados os grandes vinhos de 2007. Na realidade os vinhos não foram produzidos em 2007, apenas foram tomados naquele ano. Muitos foram produzidos há alguns anos e alguns há mais de uma década, mas a seleção serve como referência de produtores e de marcas de vinhos.

                Antes de adentrar em tais vinhos, saliento apenas que não são raras as ‘seleções”, “grandes escolhas”, “concursos” realizados para escolher um sem número de vinhos “especiais”. Realmente, para os que desconhecem a reputação de certas revistas e jornalistas, fica difícil fazer uma escolha qual “júri’ seria o menos suscetível a influências externas ou pressões de produtores e negociantes, mas com o passar do tempo, experiência, leitura e empirismo,  é possível a nós, simples admiradores do mundo vitivinícola, separar o joio do trigo e fazer nós mesmos um rol de vinhos os quais admiramos e que merece ser degustado com amigos especiais.            

 

     Para não cometer muitos deslizes, os quais vemos nas publicações ditas vinícolas, fiz eu mesmo uma junção das principais revistas, jornais e leituras especializadas, além de só mostrar os vinhos que são mais acessíveis e negociáveis nas lojas do ramo. Espero que gostem. Não me ative tão somente a marcas, mas a Casas produtoras e muitas vezes só às uvas das quais o vinho é proveniente. Vamos ao Grande Prêmio!              

Na área de espumantes, evidente que os Champagnes estão liderando a corrida, mas logo atrás vem a produção brasileira e em terceiro lugar a surpresa italiana. Os franceses lideram com a Dom Perignon, Veuvet-clicquot, Pommery e Laurent-Perrier. Os brasileiros da Salton, Miolo, Casa Perini e Cave Geisse, além de outros menores estão lançado nova moda no verão e seguem muito próximos, principalmente com os roses. Os Proseccos italianos – os quais têm, inclusive, similares nacionais de excelente qualidade e custo-benefício – surpreenderam ao se consolidar como um dos espumantes mais consumidos no mundo. O produtor Bisol é exemplo dessa perseverança dos latinos em produzir essa borbulhante bebida.

 Em relação aos brancos, os vinhos argentinos da uva Torrontés e da Sauvignon Blanc são especiais nas terras de Mendonza. As marcas são muito prestigiadas e o custo é muito bom para nosso bolso. Os chilenos são verdadeiros craques na Chardonay. Tarapacá e Concha y Toro são as marcas com mais prestígio. O campeão, para mim, continua sendo o português Pêra Manca, já chegando aqui com um preço mais acessível.

                Por fim, mas não por derradeiro, vamos aos tintos. O português Quinta do Vale Meão e o Chryseia – este último produzido no Douro e tido na Europa e Estados Unidos como o melhor vinho português – estão sempre entre os escolhidos. A casa Herdade do Esporão é sempre citada em quase todos os seus vinhos – cada qual na sua faixa de preço respectiva. Não podemos esquecer os chilenos, que estão duas taças (perdoem o trocadilho) acima do resto do dito Novo Mundo vinícola, seja com a uva Cabernet Sauvignon, seja com a Carmenere.

                Seja de que maneira for, com qualquer vinho acima, de qualquer nacionalidade, vamos prestigiar nossa Academia, nossos amigos, nossos compadres... Afinal de contas, somos animais políticos. Animais que gostam de vinho. Venham confraternizar conosco nessa corrida, digo Academia. Até a próxima!

               

 

 

 

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