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Compadres, mais uma vez fui brindado
com críticas favoráveis acerca do último artigo, sendo bastante
parabenizado pelo formato que tentei imprimir ao texto. Confesso
que fiquei feliz com o reconhecimento de um trabalho que venho
me desvelando há anos. Infelizmente não pude receber as críticas
pessoalmente, no dia do nosso tradicional jantar, mas somente
alguns dias após, em um outro encontro da comunidade portuguesa,
qual seja, a sardinhada do Clube Barrozo, comandada com maestria
por nosso compadre Eduardo Pinto e realizada sempre nos últimos
sábados de cada mês.

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Pude perceber a alegria dos membros
em conversar sobre vinho, harmonização e gastronomia, num
ambiente especialmente montado para isso, sem conversas sérias e
chatas, só diversão e confraternização. Nesses
colóquios, pude adentrar em dois assuntos que me chamaram
bastante a atenção: o primeiro sobre um presente por mim
recebido, a Revista História Viva, especial Grandes Temas (nº
17), versando sobre os sete mil anos do vinho, desde sua
utilização nos cultos religiosos da antiguidade, passando pela
resistência nas adegas durante a segunda guerra mundial, até o
mercado mundial e a globalização dos dias de hoje.
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Pude ter o prazer de ler essa edição
especial, a qual é publicada em Portugal e no Brasil, graças à
lembrança do Desembargador Jones Figueiredo Alves, jornalista,
jurista, enófilo e apreciador das boas coisas da vida, de quem
recebi graciosamente esse verdadeiro compêndio sobre “a
trajetória da bebida que impulsionou o comércio, moldou
economias, provocou guerras e está mais presente do que nunca
nas mesas de todo o mundo”. Degustei-a de uma talagada só,
tomando um bom vinho, é claro!
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Em linhas pretéritas eu já tinha
demonstrado que o conhecimento sobre vinhos se adquire da
leitura, do empirismo e da troca de idéias com os amigos, mas
hei de confessar que quando lemos a história da forma como ela
deveria ser contada nas salas de aula (com ardor, paixão e
empolgação), a vontade de conhecer mais a fundo os fatos que
deram origem a todo esse glamour que circunda o mundo do
vinho cresce vertiginosamente.
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Portanto, imbuído nesse espírito de
conhecer um pouco mais da história do por que os vinhos causam
tanto impacto positivo na vida das pessoas, acatei de pronto o
convite do meu amigo advogado criminalista, Eduardo Trindade,
para juntamente com nossas esposas degustarmos uma nova receita
de bacalhau, acompanhado do vinho pêra manca e debatermos, sem a
petulância dos “enochatos” sobre tal vinho.
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Preciso confessar que saí da
pré-falada sardinhada quase diretamente para a residência do
casal amigo, a fim de acompanhar a confecção do prato, executada
com maestria em menos de vinte minutos. Alho e cebolas no azeite
extra virgem após uma leve dourada eram misturados com azeitonas
verdes e escuras, cogumelo shitake, tomates cerejas e
salsa picada; tudo arrumado em torno de um pedaço limpo e sem
pele do Gadus mohrua (o bom e velho bacalhau tipo Porto),
que trazia sobrepostas batatas prussianas.
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Para harmonizar, como já tinha
informado aos compadres Miranda e Manoel Tavares no encontro
mais cedo, levei meu Pêra Manca Branco que casou perfeitamente
(o melhor branco que tomei na vida). Mas não foi só! Estava tão
bom que abrimos imediatamente uma garrafa de Pêra Manca Tinto,
que também combinou de forma extraordinária com o prato.
Regalamo-nos até dizer basta. Até porque foi o vinho servido por
Cabral aos índios quando cá chegou! Estávamos tentando “ver”
a história, pelo menos até a quarta taça...
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Para finalizar, como não poderia
deixar de ser, um queijo brie – até que tentamos um
queijo da Serra da Estrela, mas nosso último portador ainda não
havia tornado de viagem – junto a um Chateau Pomerol de Sales,
extraordinário!
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Pois bem caros compadres, são esses
momentos maravilhosos que quero compartilhar com todos, seja
lendo uma revista sobre vinhos que ganhei, seja jantando da
Academia, seja na sardinhada do Barrozo, seja na residência de
amigos. São os momentos que marcarão a nossa história, a
história de cada um.
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A cultura e a história portuguesa é uma constante
imensurável em nossas vidas. Não deixem as tradições morrerem, a
história não pode se apagar. É um apelo que já fiz há pouco, mas
repito o quanto for necessário, pois é uma causa que vale à pena
batalhar. Contem comigo nessa guerra. Minha arma será a caneta
e meu manifesto essas acanhadas linhas. Estarei sempre ao lado
dos amigos, e do vinho!