Boletim Mensal * Ano V * Agosto de 2007 * Número 53

           

 

         

COLUNA DOS VINHOS

Ivo Amaral Junior

 

           
            Compadres, mais uma vez fui brindado com críticas favoráveis acerca do último artigo, sendo bastante parabenizado pelo formato que tentei imprimir ao texto. Confesso que fiquei feliz com o reconhecimento de um trabalho que venho me desvelando há anos. Infelizmente não pude receber as críticas pessoalmente, no dia do nosso tradicional jantar, mas somente alguns dias após, em um outro encontro da comunidade portuguesa, qual seja, a sardinhada do Clube Barrozo, comandada com maestria por nosso compadre Eduardo Pinto e realizada sempre nos últimos sábados de cada mês.
            Pude perceber a alegria dos membros em conversar sobre vinho, harmonização e gastronomia, num ambiente especialmente montado para isso, sem conversas sérias e chatas, só diversão e confraternização.         Nesses colóquios, pude adentrar em dois assuntos que me chamaram bastante a atenção: o primeiro sobre um presente por mim recebido, a Revista História Viva, especial Grandes Temas (nº 17), versando sobre os sete mil anos do vinho, desde sua utilização nos cultos religiosos da antiguidade, passando pela resistência nas adegas durante a segunda guerra mundial, até o mercado mundial e a globalização dos dias de hoje.
            Pude ter o prazer de ler essa edição especial, a qual é publicada em Portugal e no Brasil, graças à lembrança do Desembargador Jones Figueiredo Alves, jornalista, jurista, enófilo e apreciador das boas coisas da vida, de quem recebi graciosamente esse verdadeiro compêndio sobre “a trajetória da bebida que impulsionou o comércio, moldou economias, provocou guerras e está mais presente do que nunca nas mesas de todo o mundo”. Degustei-a de uma talagada só, tomando um bom vinho, é claro!
            Em linhas pretéritas eu já tinha demonstrado que o conhecimento sobre vinhos se adquire da leitura, do empirismo e da troca de idéias com os amigos, mas hei de confessar que quando lemos a história da forma como ela deveria ser contada nas salas de aula (com ardor, paixão e empolgação), a vontade de conhecer mais a fundo os fatos que deram origem a todo esse glamour que circunda o mundo do vinho cresce vertiginosamente.
            Portanto, imbuído nesse espírito de conhecer um pouco mais da história do por que os vinhos causam tanto impacto positivo na vida das pessoas, acatei de pronto o convite do meu amigo advogado criminalista, Eduardo Trindade, para juntamente com nossas esposas degustarmos uma nova receita de bacalhau, acompanhado do vinho pêra manca e debatermos, sem a petulância dos “enochatos” sobre tal vinho.
            Preciso confessar que saí da pré-falada sardinhada quase diretamente para a residência do casal amigo, a fim de acompanhar a confecção do prato, executada com maestria em menos de vinte minutos. Alho e cebolas no azeite extra virgem após uma leve dourada eram misturados com azeitonas verdes e escuras, cogumelo shitake, tomates cerejas e salsa picada; tudo arrumado em torno de um pedaço limpo e sem pele do Gadus mohrua (o bom e velho bacalhau tipo Porto), que trazia sobrepostas batatas prussianas.
            Para harmonizar, como já tinha informado aos compadres Miranda e Manoel Tavares no encontro mais cedo, levei meu Pêra Manca Branco que casou perfeitamente (o melhor branco que tomei na vida). Mas não foi só! Estava tão bom que abrimos imediatamente uma garrafa de Pêra Manca Tinto, que também combinou de forma extraordinária com o prato. Regalamo-nos até dizer basta. Até porque foi o vinho servido por Cabral aos índios quando cá chegou!     Estávamos tentando “ver” a história, pelo menos até a quarta taça...
            Para finalizar, como não poderia deixar de ser, um queijo brie – até que tentamos um queijo da Serra da Estrela, mas nosso último portador ainda não havia tornado de viagem – junto a um Chateau Pomerol de Sales, extraordinário!
            Pois bem caros compadres, são esses momentos maravilhosos que quero compartilhar com todos, seja lendo uma revista sobre vinhos que ganhei, seja jantando da Academia, seja na sardinhada do Barrozo, seja na residência de amigos. São os momentos que marcarão a nossa história, a história de cada um.
         A cultura e a história portuguesa é uma constante imensurável em nossas vidas. Não deixem as tradições morrerem, a história não pode se apagar. É um apelo que já fiz há pouco, mas repito o quanto for necessário, pois é uma causa que vale à pena batalhar. Contem comigo nessa guerra.  Minha arma será a caneta e meu manifesto essas acanhadas linhas. Estarei sempre ao lado dos amigos, e do vinho!
     
 
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