Boletim Mensal * Ano V * Maio de 2007 * N.º 50

           

COLUNA DOS VINHOS

Ivo Amaral Junior

 

            Caros e pacientes Compadres, no artigo pretérito, no afã de me fazer um colunista bem lido, escrevi sobre os prazeres da boa mesa, da degustação calma, ao lado de amigos, participando de banquetes pantagruélicos, além de discorrer sobre a origem da palavra sommelier. Talvez não tenha conseguido tal intento, mas pelo nível de perguntas que se achegaram, certamente aumentei em um ou dois os meus ínfimos, mas fiéis e regulares leitores.
            Nesse mês tenho a ressaltar um assunto que tem tudo a ver com o artigo anterior, que é a existência e a fundação de confrarias, associações, sociedades e outros congêneres, forjados no intuito de valorizar e propalar os conhecimentos em torno do vinho, sem contar efetivamente com o que interessa a nós, simples apreciadores: degustar essa dionisíaca bebida.
            Com essas palavras iniciais, lembro que o mundo do vinho só é tão misterioso, intenso, instigante e dialético, justamente porque os temas polêmicos são disseminados por essas entidades que reúne especialistas, apreciadores, estudiosos e curiosos em geral. Somente por causa dessas pessoas é que essa aura vínica paira em nossas mentes. Não podemos deixar isso acabar...
            Resolvi, por pura paixão ao vinho, participar de uma das instituições mais importantes do vinho no Brasil, a Associação Brasileira de Sommeliers, a fim de ampliar meus parcos conhecimentos sobre o tema. Realmente fiquei surpreso com a repercussão de tal associação, pois com menos de um mês de sua fundação em Pernambuco, a repercussão do coquetel onde cada bebida harmonizava com o respectivo acompanhamento foi estupenda.
            Tal associação, chamada nos meios apenas de ABS, inaugurou uma nova fase dos apreciadores pernambucanos de vinho, pois as demais associações, sociedades e confrarias, tinham apenas a intenção de reunir seus associados para degustarem vinhos, tomarem conhecimento das novidades do mercado e apresentar a ficha técnica das bebidas, ao passo que a ABS formatou um novo sistema onde os associados desmistificam o mundo do vinho sem os tecnicismos inerentes aos modelos ultrapassados. Desta feita, ela se propôs a reunir e formar amizades com o objetivo de apreciar o vinho por si só, sem firulas, plumas ou paetês. É disso que o simples apreciador estava precisando: degustações para reunir amigos e apreciar a bebida, aprendendo sobre ela de forma objetiva e direta, junto aos amigos, tendo prazer em absorver ensinamentos...
            Por outro lado, um dos objetivos da ABS, por sinal iniciativa muito louvável, foi a de formar sommeliers e seus auxiliares, através de cursos específicos, a fim de que os mesmos atuem nos restaurantes da nossa região, pois não raro encontramos um serviço horrível, um desconhecimento completo e, portanto, momentos nada agradáveis quando temos a iniciativa de tomar um vinhozinho com a família ou com amigos. Pode ser que doravante, ao adentrar no recinto de um restaurante, haja um especialista que diga qual vinho combina com tal alimento, se aquela ou essa safra está melhor para ser apreciada, etc.
            Nossa Academia do Bacalhau é uma Confraria das mais conhecidas internacionalmente e, certamente, muito contribui para que a cultura lusitana se propague mundialmente. Não podemos esquecer que o vinho é o melhor acompanhamento desse prato que traduz a cultura portuguesa de forma esplêndida.
            Apesar das Academias, das ABSs e de outras confrarias, as amizades reais estão sendo substituídas pelas amizades virtuais e as novas gerações simplesmente não conhecem e/ou não tem interesse em participar dessas maravilhosas reuniões, onde todos lidam com sentimentos, sensações e relacionamentos de verdade.
            Oxalá se possa obter desses neófitos confrades uma presença mais marcante nas reuniões e uma participação mais efetiva na melhoria do serviço do vinho e na qualidade destes.
            O presente artigo tem o intuito de fazer com que a velha guarda incentive os mais jovens a participar do mundo real, visando a manutenção de culturas e tradições que estão se exaurindo da nossa história. É triste o povo que não conhece a sua história...

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