Boletim Mensal * Ano V * Maio de 2007 * N.º 50

           
     

O que resta do Forte de Orange: fundação, porta e poço, enterrado nas areias da Ilha de Itamaracá

 

Fortaleza de Santa Cruz ou Santa Cruz do Mar

 

    Logo após o mar ter destruído, completamente, em 1672,  o Forte de Orange construído pelos holandeses em 1631 com areia, barro e faxina e dada a necessidade de se proteger o canal de Santa Cruz por onde embarcava para a Europa toda a produção de açúcar da Capitania de Itamaracá dos ataques dos piratas foi, entre 1686 e 1688 construído, por ordem régia de D. Pedro II, Rei de Portugal, cerca de 50 a 100 metros mais a norte de onde se situava o forte destruído pelo mar que tinha sido construído numa pequena ilhota e a que só se chegava a pé na maré baixa. O que resta do Forte de Orange são pequenos pedaços de fundações de areia, madeira e pregos, um arco de porta feito com cantarias portuguesas levadas de Olinda, um poço feito com barris de madeira e outras ruínas arqueológicas encontradas enterradas nas areias fora do forte do lado do mar e alguns restos, dentro da atual Fortaleza de Santa Cruz que não tem uma só pedra colocada pelos invasores holandeses que tinham sido expulsos do Brasil 32 anos antes de sua construção.
Fonte – Consultar “Anais de Pernambuco”, de Pereira da Costa.

 

  Ex. Sr. Governador do Estado de Pernambuco, Dr. Eduardo Campos

 

 
 
         Em Março de 1998 e em finais de 2003 alguns membros do então Governo de Pernambuco, cometeram as maiores “gafes” diplomáticas a que eu, nos meus mais de 70 anos de vida, assisti.
            Em 1998 levaram o Príncipe Herdeiro da Holanda a visitar a Fortaleza de Santa Cruz, construída pelos portugueses entre 1686 e 1688 e que, apesar de precisar ser urgentemente restaurada, ainda lá está para durar muitos anos na Ilha de Itamaracá, dizendo-lhe que era o Forte de Orange construído pelos holandeses em 1631 e destruído pelo mar em 1672.
            No final de 2003, fizeram o mesmo com a Rainha Beatriz da Holanda.
            Uma vergonha.
            Sr. Governador Eduardo Campos eu sei que V. Exa. é uma pessoa séria, honesta e que jamais colaboraria com fantasias do gênero que só envergonham a gloriosa e heróica história de Pernambuco.
            Assim Sr. Governador estou plenamente convencido de que V. Exa. de certo não teve conhecimento de que um Deputado Estadual, o Presidente de uma Empresa Estatal, um Prefeito da Região Metropolitana do Recife e sua Câmara de Vereadores, levaram, no passado dia 27 de Abril, o Embaixador da Holanda no Brasil a visitar a Fortaleza de Santa Cruz dizendo-lhe que era o Forte de Orange que não existe há mais de 300 anos.
            Não contentes com isso Sr. Governador levaram-no a visitar as fundações que foram encontradas no Bairro do Recife dizendo que eram as fundações da muralha holandesa de defesa do porto que foi construída de barro, areia e faxina e o local onde foram encontradas era mar no tempo dos holandeses.
            As fundações encontradas somente podem ser do forte da Madre de Deus e São Pedro (Fonte:-Mapa do livro “Um Mascate e o Recife”, de José António Gonsalves de Mello, Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 1981), também conhecido por Forte do Matos, por ter sido construído num aterro feito pelo mascate António Fernandes de Matos e destruído entre finais de 1727 e princípios de 1728 por não fazer falta para a defesa da cidade e estar a assorear o Porto
            Sr. Governador pensamos que já é tempo de corrigir essas fantasias e V. Exa. acionar os seus Secretários de  Cultura e de Turismo para que seja colocada uma placa, junto do Forte de Itamaracá, dizendo que aquela construção é a “Fortaleza de Santa Cruz, construída pelos portugueses, por ordem do Rei de Portugal D. Pedro II, entre 1686 e 1688, um pouco a norte do local onde existiu o Forte de Orange, construído pelos holandeses em areia, barro, madeira e faxina em 1631 e destruído pelo mar em 1672.”

 

 

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