XVIII
Jamais serei amado por aquela que
amo,
meus lábios jamais tocarão os seus,
e meus olhos não mais verão os seus
escondendo-se
sob as pálpebras pesadas.
Não mais serei poeta,
meus dedos não voltarão a traçar
sobre o papel
nem meu rosto tornará a sentir a carícia
do vento
ou o calor de um novo sol.
Aqui, finalmente deponho a pena e o
papel,
negando-me a escrever novas palavras;
que sejam estas minhas últimas
palavras,
o epílogo de minha obra.
Agora, só, como sempre desejei
ficar,
torno a face a oeste, para contemplar
o último pôr-de-sol.
Aqui, contemplando o mundo do alto de
uma rocha,
fecho os olhos para descansar.