Caminhos

 

XVI

 

Ainda sinto em meus ombros

a suave pressão de tuas mãos,

e a umidade de teus lábios

em minha face.

Ainda sinto o perfume de teus cabelos

à minha volta

e a alva maciez de teu corpo

em meus braços.

Ainda teus olhos iluminam

meus olhos

e a tua imagem fecunda

minhas lembranças.

Não adivinhei em teus gestos

as palavras do iminente adeus,

estava absorto a contemplar-te...

Agora, o passado corre em minhas veias

e a semente que deixaste em meu coração

rompe minhas entranhas com suas raízes,

teus cabelos se confundem em minha mente,

teus risos ecoam tuas palavras

e teus olhos, distantes,

iluminam meus passos.

Perdoa-me, te peço,

por te amar assim.

 

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