XV
Não somos mais os mesmos
neste crepúsculo sem cor;
estamos sós,
em outro mundo,
em outro tempo,
em meio a pessoas que não
conhecemos.
Não quero ser mais o mesmo
que, na fria madrugada dos
sentimentos,
olhou em teus olhos e te disse
te amo.
Não quero ser o louco, o desvairado
sonhador
andando trôpego pelas ruas,
procurando, em sonhos, por aquela que
perdeu.
Não quero te procurar na tristeza da
noite,
na nudez escura das que não dizem
nada,
em meio à covarde palidez dos lençóis.
Quero ouvir teu riso no vento,
ver teus olhos no mar,
teus cabelos nos cirros.
Quero esquecer que te vi um dia,
humana, sentada ao meu lado.
Quero apenas levar-te em meu
pensamento,
qual diáfana criatura, presença
divina
guiando meus passos.