Na maioria  dos países industrializados, os meios que a investigação científica e tecnológica tornou possível e os avanços que trouxeram são realidades palpáveis para a maioria dos cidadãos. Todos os habitantes destes países  sabem que a maioria dos produtos sofisticados usados no dia a dia derivam de descobertas científicas fundamentais e que o nível  geral de bem estar e segurança gozados pela população são resultado de actividades científicas e tecnológicas que são constantemente desenvolvidas.

Para os países em desenvolvimento tem sido feito um esforço de explorar os resultados já atingidos pelos países avançados, por um lado, e por outro dar relevo a questões de índole cultural e social de cada país. Estas questões são muito importantes para o sucesso e a aplicação dos resultados do desenvolvimento científico e tecnológico  endógeno. Este é o objecto das políticas de ciência e tecnologia, que se relaciona, em particular, com a organização dos meios necessários para a produção e uso  do conhecimento tecnológico e científico e para a afectação de recursos destinados a esse fim.

Como resultado das vastas repercussões da actividade científica e tecnológica e dos recursos consideráveis necessários a alimentar o sistema, os Estados estudam todos os problemas associados ao seu desenvolvimento e com as aplicações das descobertas e invenções resultantes. A ciência e tecnologia tornaram-se indissoluvelmente ligadas e, à medida como se pode ver do aumento das políticas governamentais, as suas relações com a sociedade foram institucionalizadas.

3 - Os Tipos e Fontes de Informação Científica

A informação sobre ciência e tecnologia pode hoje ser colhida ou produzida. Para além da produção de informação resultante da investigação, aplicação ou adaptação de tecnologias existem as revistas científicas especializadas de organizações diversas e empresas. As Associações ou sociedades internacionais são interessantes fontes de informação. A presença em congressos e conferências da especialidade é uma outra fonte preciosa e segura de informação científica. A Internet é hoje uma poderosa fonte mas que deve ser tríada de todo o tipo de interferências pois, para além da dispersão há ainda a questão da autenticidade da informação.

Para que o circuito se feche e se reproduza, na base de qualquer sistema científico e tecnológico deve estar o ensino das ciências básicas. A sociedade do futuro será essencialmente uma sociedade cognitiva, onde cada cidadão terá que construir as suas próprias qualificações, com o objectivo próximo de criar condições de adaptação às flutuações da estrutura da economia e do emprego e o objectivo último de desenvolver a sua  capacidade de assimilar mais conhecimento e mais cultura, factores essenciais na dignificação do ser humano.

Quando detivermos os meios que possibilitem este fenómeno de alfabetização científica podemos afirmar que existe um ambiente germinador que se autoalimenta e que o sistema educativo está apto a fabricar cidadãos que raciocinam.

Torna-se assim evidente que a Formação constitui o factor decisivo do processo produtivo, assumindo-se, por outro lado, como a plataforma que permite a absorção da inovação tecnológica e, consequentemente, o instrumento privilegiado para o estabelecimento de uma base de investigação e desenvolvimento devidamente sólida.

Sendo a informação, por seu turno, a matéria prima fundamental da

Economia, então o binómio Informação-Formação constituirá a chave do desenvolvimento, seja qual for a forma de que o conceito se revista ou o nível em que for entendido.

4 - O Ambiente da Inovação

Nos países com tradição em criatividade e inovação tecnológica, é criado um ambiente que, por um lado proporciona os instrumentos físicos necessários mas também alivia o investigador de determinadas preocupações básicas organizacionais ou burocráticas, ficando este com o tempo a disponibilidade  para o seu trabalho.

Nos países em desenvolvimento, em geral, é difícil reunir estas condições quer físicas quer de ambiente legislativo e laboral, para que a inovação se possa fazer e dar resultados. O investigador vê diluída a sua capacidade criativa por inúmeras actividades que se prendem com a subsistência quotidiana, com problemas de falta de equipamentos, etc. Esta dispersão é nefasta não permitindo haver os resultados desejáveis em tempo útil.

Com a criação do estatuto do investigador em Cabo Verde, pretende-se, por um lado agregar as capacidades dispersas e, por outro lado, dotar o investigador de um ambiente que o desligue das preocupações quotidianas acima referidas.

A existência de um SCT em Cabo Verde tem grandes implicações no desenvolvimento, quer do ponto de vista externo, quer do interno.

Quanto ao primeiro as condicionantes são:

A permanente revolução científica e tecnológica;
As novas formas organizacionais;
A internacionalização das economias;
A globalização dos mercados;
O meio ambiente;
As alterações nos quadros de referência nas relações Empresa-Estado; e
O papel decisivo do capital humano.

Quanto ao ponto de vista interno há que definir uma orientação programática assente em:

Levantamento do potencial científico e tecnológico;
Recursos naturais (Ecossistema, energia, ambiente, resíduos, ....);
Biotecnologia animal e vegetal:
Estratégias para a inovação e transferência de tecnologia;
Criação de instrumentos para a execução de projectos autónomos ou em cooperação;
Acções concertadas;
Redes de cooperação;
Avaliação.

Neste contexto teremos de referir essencialmente, de forma qualitativa, os  encargos decorrentes da criação de elementos tais como:

Sistema nacional de normalização e controlo de qualidade;
Sistema nacional de protecção da propriedade industrial e intelectual;

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