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O ar fresco e puro circulava e envolvia-me, entranhando-me pelas narinas e concedendo-me uma vitalidade e energia, de há muito esquecidas. Sentia-me, de novo, pronto a levantar e partir para uma nova vida, plena em consciência, afecto e motricidade. Fora apenas uma terceira pêdráda, certeira como as anteriores, a provocar, desta vez, uma circulação de ar de tal ordem que me fazia relembrar o tempo imemorial em que o homem vivia em liberdade e plenitude totais. Seria a última pêdráda, pelo menos na sua concepção original, nesse ano de várias despedidas: do século XXI, do ano 3000, do presidente da maior potência Mundial- a Monilândia-, do MEIH1, e infelizmente, do quarteto chefe do NAPIH2. Todo o quarteto, Rivu Moita, Ruverino Robis, Valdis Petris e Zilo Pólis, iria partir para outras galáxias à procura de desafios maiores que lhes dessem mais consistência e profundidade mental, características indispensáveis para uma carreira em qualquer dos centros urbanos das ilhas Helidéres. Os ERTPLA3 ficariam com ar suficiente para anular a sua função, pelo menos durante uns meses. Até lá as pessoas, já libertas, seriam capazes de mudar a situação e promover uma maior dinâmica à Cidade do Perfil. Nunca me esqueceria das pêdrádas anteriores, todas elas criativas, revitalizantes e cheias de energia catalisadora, e das esperanças que fizeram eclodir em todos os que se encontravam nos ERTPLA, principalmente na secção do I4ACER4, onde por sorte, decidiram me deixar. Digo por sorte, pois as potencialidades duma função formadora, dinamizadora, esclarecedora e promotora de desenvolvimento, do Instituto, no seio da comunidade, eram muito grandes e não convinha desperdiçá-las. Para isso era necessário uma maior dinâmica e cuidado, a todos os níveis, no Instituto. Nos últimos tempos, algumas greves e convulsões internas, agravadas publicamente por um artigo escrito por um tal
Magni Eli, onde se expôs a toda a gente o diagnóstico do estado do Instituto, tinham abalado algum do prestígio que o mesmo Instituto tinha construído ao longo dos seus quase 200 anos de existência. Oxalá esta terceira pêdráda, e toda a informação nela depositada pelos NAPIHs, aliada à nova conjectura do país, trouxessem algum benefício, e uma nova dinâmica ao I4ACER, para bem de nós todos e do país, que sem recursos notáveis deveria apostar no mais seguro e precioso dos bens: o conhecimento.
Algures, numa galáxia distante, Gulis As Marnis
1 Movimento para a emancipação das Ilhas Helidéres 2 Núcleo dos atiradores de pedras das ilhas Helidéres 3 Edifícios redutores de todas as pulsões libertadoras ou autorealizadoras 4 Instituto Aonde Ainda se Aprende Alguma Coisa neste Edifício de Reduções
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