- Quem é você?- Rayne virou-se na direção da loira, tentando reconhece-la, mas jamais vira ela antes.
- Ninguém que lhe interesse- Sherry preferiu ficar “inidentificável” dessa vez. Segurava firmemente sua arma apontada- Mas eu lhe reconheci da primeira vez que a vi.
- Então sabe que deve ficar fora do meu caminho…
- Você é aquela dhampir chamada “Rayne”. Eu deveria imaginar que você estaria aqui. O meu chefe tem um interesse especial em você. Ele soube sobre a sua pequena aventura com aquele vampiro á alguns anos atrás…
- Seu chefe?
- Albert Wesker. Reconhece o nome?
Albert Wesker. Sim, Rayne já ouvira esse nome. Já conhecera o sujeito. Esse era uma das pessoas que Rayne esperava jamais encontrar novamente. Sujeito cruel, um criminoso, insano… um dos poucos que fugiram de Rayne.
Rayne e Wesker haviam se encontrado á alguns anos atrás, em Londres… alguns vampiros estavam tentando encontrar uma antiga relíquia, Rayne os impediu, mas foi então que o misterioso loiro de óculos escuros surgiu da escuridão. Os dois lutaram, mas ele acabou levando a relíquia.
- E como vai o bom e velho Wesker?- Rayne fez isso parecer quase irônico- Ele está por aqui?- Por favor, garota, diga que sim, Rayne pensou em dez maneiras diferentes de matar Wesker.
- O Sr. Wesker está á salvo, protegido em sua base de operações. Mas isso não vem ao caso agora. E não se mova, pois eu não quero errar o meu tiro…
- Nem ao menos sei o seu nome, menina.
- Não me chame de MENINA!- Sherry disse isso com uma certa raiva. Embora ela tivesse idade suficiente para ser considerada adulta, se comparada á Rayne, sim, ela era uma menina.
- Se você está aqui á mando de Wesker, então isso quer dizer que está aqui atrás de alguma coisa. Klaus Wulf? Dos daemites?
- Ele também é seu alvo, não é? Ambas estamos aqui para eliminar ele. Mas você será eliminada antes…
A frase de Sherry foi interrompida por um barulho. Pareciam passos, correndo. Alguém ou alguma coisa muito grande, vindo na direção delas.
Sherry ficou preocupada, olhando em volta.
De repente, a porta que estava entre Rayne e Sherry estourou. Por ela, surgiu o Comandante Hyde Schmidt, aquele contra qual Rayne lutara na Catedral. Mas ele parecia mais monstruoso, e sua cabeça era de forma daemite. De sua boca saiam tentáculos, seu uniforme militar nazista agora estava totalmente sujo de sangue.
Sherry começou a correr na direção da porta pela qual entrou, e quando percebeu que o Comandante voltara os olhos para Rayne, Sherry disse:
- Vejo você mais tarde- Sherry saiu pela porta, trancando-a atrás de si.
Agora era Rayne e o Comandante Daemite Hyde Schmidt. A ruiva pegou rapidamente as suas lâminas nas mãos, analisando o inimigo.
A situação para Rayne estava desvantajosa: ela estava num longo corredor largo, e só havia duas opções: lutar ou correr.
- EU VOU… TE MATAR… SUA VADIA!- a frase do daemite saiu atrapalhada pelos tentáculos que saiam da boca- WULF QUER RUIVA MORTA. SCHMIDT MATA RUIVA.
- Segundo “round”…
O Comandante tentou pegar Rayne com suas mãos, mas a ruiva desviou, pouco antes de golpeá- lo, nas costas, o que pareceu não ter efeito. Ele tentou novamente ataca- la, com alguns socos, mas novamente ela jogou-se no chão, desviando. Foi então que Rayne pegou suas Carpathian Dragons e começou a atirar na direção dele, mas a pele dele parecia tão grossa que nem as balas de sangue atravessavam.
Ela tentou ganhar alguma distancia, correndo para o fim daquele estreito corredor. Os dois vieram correndo de encontro um ao outro, quando Rayne enfiou suas lâminas pelas costelas dele.
O inimigo soltou um berro estridente, e os tentáculos em sua boca ficaram visíveis. Anormalmente visíveis.
Quando Rayne percebeu, os tentáculos haviam aumentado de tamanho, parecendo três línguas que saiam da boca dele.
O Comandante Schmidt- daemite fez um movimento com a cabeça que lançou os tentáculos na direção de Rayne, que desviou do ataque. Ele novamente lançou os tentáculos, mas dessa vez Rayne cortou- lhe as línguas usando as lâminas gêmeas. Soltando um outro grito cheio de sangue, o Comandante daemite exclamou:
- AHHHHH!! AINDA NÃO ACABOU!!!
Rayne achava que tinha visto muitas coisas grotescas na sua vida. Mas nada como aquilo: a cabeça de Hyde Schmidt rachou- se, e dentro dela saiu um liquido branco, pastoso, e por alí, surgiram várias garras. Nas mãos dele, surgiram mais garras esbranquiçadas, quase como dedos sobre os dedos dele. O uniforme sujo de sangue dele rasgou- se no peito e sua carne abriu- se, e pela abertura saíram três tentáculos.
- Garoto, você é feio que dói!- disse Rayne, com nojo, preocupação e repulsa.
Rayne saltou e em pleno ar golpeou a criatura, cortando um dos tentáculos em seu peito. Antes que ela pudesse reagir, os outros dois tentáculos agarraram- na, aproximando seu corpo perigosamente próximo demais do daemite. O rosto dela estava quase colado no rosto nojento dele.
- Urgh- Rayne estava com nojo. Aquela que bebera sangue a vida inteira, estava realmente enojada.
Ela se debateu o máximo que pode, até finalmente conseguir pegar as lâminas e cortar os tentáculos, livrando- se deles.
Novamente, o daemite soltou um grito, provavelmente tentando intimida- la.
Rayne segurou firmemente as lâminas, suas mãos pressionando o cabo das espadas, olhando fixamente o Comandante Hyde Schmidt e suas mutações grotescas. Ela aplicou apenas três golpes com as lâminas… três únicos e rápidos golpes.
E antes que ele percebesse, seus braços foram arrancados. E quando ele tentou gritar, não conseguiu…
Sua cabeça desprendeu- se do corpo.
Logo depois que o corpo de Hyde Schmidt desabou no chão, Rayne ainda aplicou- lhe um ultimo golpe na espinha, para ter certeza que ele estava morto dessa vez.
Ela verificou o frasco do antídoto entre seus seios. Era incrível, ele estava inteiro, mesmo depois daquela luta.
- Ok, Rayne- disse á si mesma- Hora de correr!
A dhampir ruiva começou a correr o máximo que pode, passando pelas portas, corredores e salas. Ela precisava encontrar logo aquele agente federal, antes que fosse tarde… isso é, se já não fosse tarde. Ela tentou afastar esse pensamento da cabeça, enquanto jogava- se contra uma porta para abri- la.
Apenas ouvia- se o som do salto alto de metal das botas de Rayne, chocando- se contra o chão, o impacto, sua respiração pesada enquanto corria, a exaustão. Ela deveria fazer todo o percurso de volta, em muito menos tempo que ela levara para vir.
Finalmente, a última porta. Leon deveria estar do outro lado, Rayne esperava.
Quando a ruiva chegou á plataforma de metal onde deixara Leon, percebera que não havia nem sinal dele.
- Oh, Céus!- Rayne ficou impaciente.
A Ruiva começou a olhar, desesperadamente por todos os lados, até que viu uma porta aberta no fim da ponte. Correndo até a direção da porta, Rayne então chegou á uma sala…
Um corpo no chão. Um homem louro.
- Leon!- Rayne jogou- se no chão, ao lado dele.
O agente federal estava numa situação péssima. Seu rosto estava todo suado, sua pele pálida, seus olhos fechados, pressionando as pálpebras, como se estivesse tendo um pesadelo.
Rayne afastou do rosto dele os cabelos da franja, que estavam ensopados pelo suor. Por um instante, a dhampir achou que era tarde demais. Ela moveu seus olhos na direção do rosto dele, que mesmo naquela situação parecia calmo, quase numa serenidade… fúnebre.
Ela pegou o antídoto, do local onde ele estava, e aplicou o liquido- com uma seringa que levara junto do laboratório- no braço do loiro, esperando que fizesse algum efeito.
- Leon… por favor- disse ela, afastando novamente uma mecha de cabelo do rosto dele- Não morra ainda… Leon…
Antes que ela pudesse perceber, a ruiva sensual estava segurando entre as suas mãos, a mão direita de Leon, sentindo a temperatura do corpo dele em contato com á sua. Acabou, pensou ela, é simplesmente tarde demais.
Rayne encostou a sua cabeça no peito de Leon, esquecendo ali toda a situação em que ela estava agora. Ela queria que tudo fosse para o inferno, os daemites, Wulf, a Matriarca… era ela e um cadáver agora.
Lembrou- se de repente de todas as pessoas que perdera, sua mãe, a família dela, o homem que fora um pai adotivo, sua melhor amiga e mentora… Uma lágrima saiu dos olhos esverdeados dela. Não qualquer verde, um verde translúcido, quase anormal.
Com a cabeça encostada no peito dele, Rayne ouviu algo. Talvez fosse… sim, Rayne começou a sentir o sangue dele começar a bombear novamente, o coração pulsando… sua respiração pesada. A boca de Leon abriu- se devagar, e dela saiu uma única palavra:
- R… Rayne…
- Leon!- Rayne não se conteve e abraçou o loiro, a cabeça fraca dele no ombro dela, seus braços quase imóveis nas costas de Rayne.
O que ela estava fazendo? Ela não podia estar abraçando o sujeito… não! Ela era uma assassina, ela não podia fazer uma coisa dessas… ela caminhava sozinha e não podia sentir…
Amor?
Rayne tentou afastar de sua cabeça esse sentimento, julgando ser apenas uma coisa para atrapalhar a sua vida. Ela matava, caçava ameaças sobrenaturais de todo o tipo, e isso era a ultima coisa que ela precisava. Ela era meio vampira, tinha sangue vampiro, e vampiros não deveriam ter sentimentos de afeto… Mas ela também era meio humana…
- Achei que você tinha morrido!- Rayne voltou á sua natureza fria- Eu não disse para ficar onde eu…
- Pelo… visto… você não me conhece- disse ele, passando a mão sobre o rosto, tirando o suor da frente de seus olhos- Não consigo ficar muito longe de… problemas.
Leon tossiu, um pouco de sangue saiu de sua boca.
- Como se sente, garoto?- Perguntou Rayne.
- Tonto… fraco… encontrou Klaus Wulf?- Rayne teve de soltar um pequeno riso, até alguns minutos ele estava morrendo e agora estava falando de trabalho.
- Não, mas eu suspeito que ele foi para o subterrâneo. Há algumas cavernas e um templo, a outra metade do coração da Matriarca deve estar por lá. Preciso chegar lá. E temos pouco tempo…
- Espere… eu… só vou descansar um pouco e vou com você…
- Você deve estar brincando, não é?