| Estabilidade nunca foi imprescind�vel ao crescimento Francisco de Oliveira 3� parte Ap�s a Revolu��o de Trinta, a correla��o seria desmentida. Em 1942, Vargas realiza uma reforma monet�ria que implantou o cruzeiro, opera��o real de desvaloriza��o do mil-r�is, e o pa�s entrou num dos per�odos de mais intenso crescimento industrial, com m�dia de 7% ao ano sob Kubistchek, que se encerrou nos anos setenta, fechando o ciclo secular de crescimento. Goulart foi deposto em 1964 porque a infla��o havia atingido a casa dos 100%; hoje, FHC seria deposto tamb�m porque sob ele a dita cuja j� se aproxima da mesma taxa: como troco, ele d� 3,5% de corre��o aos servidores p�blicos civis federais, enquanto a sustentabilidade de seu governo repousa nos R$ 2,5 bilh�es de lucro do Bradesco e do Ita�, no primeiro semestre deste ano da (des)gra�a de 2001. Para ter uma id�ia do que isso significa: uns 0,34% do PIB brasileiro, apenas para dois bancos. Campos realizou um duro ajuste fiscal e uma formid�vel compress�o salarial, e se instituiu a corre��o monet�ria, uma forma disfar�ada de permanente e atualizada desvaloriza��o, logrando a aparente estabilidade, sem crescimento, que apenas Delfim Netto aproveitou nos anos do �milagre�, com taxas m�dias de 8% ao ano, utilizando a mesma corre��o monet�ria e, logo, desvalorizando permanentemente. Mesmo assim, teve de reconhecer que entre 72 e 73 ela j� havia sobrepassado os 15% anuais, quando ent�o teve de enfrentar-se com a rea��o do sindicalismo reorganizado a partir do ABC paulista. Ap�s os oitenta, qualquer correla��o n�o pode sequer ser suposta, pois n�o h�, propriamente, um claro ciclo de crescimento. Teve-se crescimento com Sarney, mesmo com 80% de infla��o ao m�s. Teve-se quase uma parada card�aca com o �maraj� superkitsch� Collor de Mello, mesmo com a estabilidade lograda gra�as ao seq�estro dos ativos financeiros. Voltou braba a infla��o � j� havia voltado com Collor � na �poca de Itamar, que, quase sem ele saber, presidiu com crescimento econ�mico. FHC festejou o crescimento das dentaduras posti�as e do consumo de frango, enquanto a anula��o do �imposto infla��o� funcionou; desde ent�o, a economia voltou ao �stop and go�. A Folha de S. Paulo publicou tamb�m em 20/8 mat�ria sobre a piora do desempenho de 10 entre 11 indicadores da vulnerabilidade externa � o presidente chamaria de �depend�ncia� nos seus dias de soci�logo � sob o governo FHC. � preciso, ent�o, reduzir a vulnerabilidade externa. At� o PT pensa assim, a julgar pelo documento subscrito pelos seus mais conhecidos economistas, sob os ausp�cios do Instituto Cidadania. Acontece que n�o � o rabo que balan�a o cachorro, mas o contr�rio: n�o � a vulnerabilidade externa que produz a instabilidade, mas � a estabilidade monet�ria que produz a instabilidade financeira e a vulnerabilidade externa. Esta n�o � sen�o a forma da �desregula��o� financeira provocada pelo movimento global do capital.Pois a forma de processamento da estabilidade monet�ria � financeira e seu financiamento em �ltima inst�ncia se d� pela via or�ament�ria/fiscal. continua |