Estabilidade nunca foi imprescind�vel ao crescimento
Francisco de Oliveira
�ltima parte

Que previsibilidade � essa?
Como gostam de dizer os economistas conservadores, Mr. Greenspan � frente, �n�o h� almo�o gr�tis�. Portanto, seu sucesso � seu fracasso.
Somos n�s que pagamos esta forma da estabilidade monet�ria. Da� os aparentes paradoxos: a previsibilidade da economia brasileira, assim como a das demais grandes periferias do capitalismo � falar da Argentina hoje j� � covardia � tende a zero, exatamente quando se logrou a estabilidade monet�ria que, segundo os manuais, deveria aumentar a previsibilidade dos agentes econ�micos e do Estado. Veja-se: o governo n�o consegue sustentar uma proje��o qualquer das mais importantes vari�veis econ�micas por mais de algumas semanas. V�o me dizer que a pr�pria infla��o n�o passar� de 6% a 7% neste ano, o que provaria a volta da previsibilidade. Mas qual � a previsibilidade da expans�o da d�vida p�blica, interna, e da d�vida externa, por exemplo? E por que novos US$ 15 bilh�es do FMI, quando est� tudo sob controle? O claro enigma � este: a previs�o da infla��o que n�o estourar� a promessa ao FMI sustenta-se no pr�prio FMI, � claro, no enorme arrocho salarial sobre todos os trabalhadores e, no que se refere ao super�vit prim�rio do Governo, �s custas do funcionalismo civil. No ano passado, essa fal�ncia ficou exposta: o governo come�ou o ano prevendo um razo�vel super�vit na balan�a comercial; a meio caminho, refez sua previs�o para um d�ficit suport�vel e fechou o ano com um d�ficit formid�vel. Claro, dir� toda a m�dia, inclusive a acad�mica: as conjunturas internacionais n�o podem ser previstas e foram a causa da formid�vel diferen�a. Com uma previsibilidade destas, quem vai para o espa�o � o governo. A� � que mora a quest�o que os lucros dos dois maiores bancos nacionais indicam. A �financeiriza��o� das economias perif�ricas torna a estabilidade monet�ria uma quimera perigosa, que arrasta o Estado a uma permanente subordina��o. Iludidos com a exist�ncia de trilh�es de d�lares circulando entre as pra�as principais, as pol�ticas orientam-se todas para capturar uma parte dessa ilus�o: a estabilidade parece ser o requisito principal. Ela se transforma no seu contr�rio, pois necessita ser financiada, e ent�o � o cachorro mordendo o pr�prio rabo.Quem examinar atentamente a forma��o do lucro dos citados bancos nacionais, encontrar� que s�o as opera��es ligadas �s d�vidas externas e suas transforma��es internas, defesa e prote��o contra varia��es cambiais e contra o risco-pa�s, as fontes principais do lucro banc�rio. Por aqui se fecha a interroga��o de Clovis Rossi: n�o d� para fazer pol�ticas sociais com uma estabilidade lograda gra�as ao financiamento externo, � �depend�ncia�, �noblesse oblige M. Le Pr�sident�. Ela mina as pr�prias bases fiscais do Estado e da gest�o governamental.Como lembra o professor Alfredo Saad Filho em correspond�ncia eletr�nica, � o or�amento da Uni�o, e de quebra os dos Estados, quem sustenta a estabilidade monet�ria. E quem cobra do Banco Central a responsabilidade fiscal por essa aventura? E ent�o, gangues controlando bairros inteiros e favelas, a fratura da mis�ria exposta nas ruas, as pol�cias civis e militares em greve transformando-se de prote��o em amea�a. Estabilidade?
*Francisco de Oliveira � professor-titular aposentado do Depto. de Sociologia da USP e coordenador do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da FFLCH-U
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