Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

Capítulo 05 - Preceptora

 

Entrou no quarto sentindo a cabeça e os braços pesados. Sua coluna parecia que ia se desfazer a qualquer momento. Olhou o namorado e tencionou abrir a boca umas mil vezes, mas sempre desistia. Ele parecia tão cansado quanto ela afinal. Viu-o largar as suas coisas sobre o sofá e seguir para o banheiro em absoluto silêncio, fechando a porta atrás de si.

- Está tudo bem? – perguntou tentando manter o tom de voz baixo.

- Hã? – respondeu a voz abafada de dentro do banheiro. – Oh! Sim...

Ela caminhou lentamente até a cama e deixou lá o menino que trazia nos braços. Já tinha algumas horas que a criança tinha adormecido. Ficou imaginando o que se passava pela cabeça de um adulto ajuizado para levar em um evento longo e cansativo como aquele uma criança pequena... Suspirou. Ouviu a porta do banheiro se abrir e agitou-se.

- Tudo bem? – perguntou ele cruzando com ela e passando a mão em seu ombro.

- Sim... – mais uma vez, teve vontade de dizer mais, mas calou-se.

Já fazia cerca de seis meses que Brian e Cibele tinham oficializado publicamente o namoro. O que tinha começado como uma série de encontros ao acaso nos arredores do museu onde ela trabalhava se tornara uma relação forte e bastante bonita. Mas agora... Ela sentia-se estranha, deslocada, desconfortável. E eram esses sentimentos que estavam presos em sua garganta naquele dia e que ela teimava em não deixarem sair.

Enquanto Brian trocava de roupa, Cibele tirava os sapatos e ajoelhava em frente à cama para tirar o excesso de roupa de Baylle para que ele pudesse dormir mais a vontade. Volta e meia se apanhava entreabrindo os lábios e dirigindo o olhar para Brian. Mas em seguida olhava Baylle e desistia. Alguma coisa lhe dizia que se começasse a falar as coisas não permaneceriam tão calmas.

- Vai dar banho nele? – perguntou Brian sentando-se na cama e enfiando os chinelos.

- Não! Não quero acordá-lo... – sem olhar para ele.

Sentiu alguma coisa comprimindo o seu peito. De uns tempos para cá era sempre assim. Quando ela deixava seu trabalho, seus compromissos para estar com o namorado, sempre que conversavam era para falar sobre o menino ou sobre os compromissos do grupo. As coisas não estavam saindo exatamente como ela esperava e isso começava a entristecê-la.

Tirou os sapatos e o casaco do garoto e ajeitou-o melhor na cama. Sempre buscava o namorado com os olhos, mas ele sempre estava com a atenção voltada para outra coisa. Suspirou silenciosamente uma dúzia de vezes. Apanhou um lençol e cobriu Baylle. Ele parecia um anjo dormindo! Suspirou uma vez mais, dessa vez ruidosamente.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Brian voltando-se.

- Não... Nada... – levantando-se do chão e sentando-se na cama para tirar o resto das roupas de festa.

Ele voltou a dar as costas e entrar no banheiro. Ela permaneceu imóvel olhando para ele. Então era isso? Ele simplesmente não percebia nada? Bastava que ela dissesse que tudo estava bem e ele continuava fazendo o que quer que estivesse fazendo? Viu a porta do banheiro se fechando. Como ele podia ser tão insensível?

- Vou tomar banho... – disse ele de trás da porta fechada.

- Certo... – voltando à realidade.

Trocou a roupa devagar. Volta e meia voltava o olhar para o menino adormecido e logo olhava para a porta do banheiro fechada. Tinha a sensação de que se não abrisse a boca logo, sufocaria a qualquer minuto. Soterrada por tanta angustia. Será que realmente ele não notava que ela estava diferente? Que não era mais a mesma? Terminava de vestir suas roupas quando o viu sair do banheiro.

- Não vai tomar banho? – passando por ela sem olhá-la e apanhando as roupas para vestir.

- Não eu... – não conseguia falar.

Permaneceu sentada, com as mãos juntas, presas entre as pernas. Ele vestiu-se rapidamente e caminhou até o outro cômodo. Ela sentiu o corpo inteiro estremeceu e chegou mesmo a inclinar-se na intenção de levantar, mas deteve-se. O que diria a ele? Viu-o andar de um lado para o outro apanhando algumas coisas. Suspirou profundamente e finalmente pôs-se em pé e andou na direção da porta, passando para o outro cômodo e fechando a porta cuidadosamente atrás de si.

- Brian... – olhando para o carpete marrom.

- Hã? – voltando-se. – Ele está dormindo? – olhando para a porta fechada.

- Ah... Sim... – olhando rapidamente para a porta também. – Você está bem? – olhando para ele.

- Como? Sim!!! Estou... Digo... – baixando a cabeça e passando a mão pelos cabelos. – Cansado, mas bem sim... – com um sorriso sem ânimo nos lábios.

- Tem certeza? – aproximando-se dele e franzindo a testa. – Certeza que se sente bem de verdade? Completamente satisfeito e feliz? – inclinando levemente o pescoço e olhando-o nos olhos.

- Claro que sim! Que tipo de pergunta é essa agora Cibele? – confuso.

- Bem... – em meio a um suspiro. – Sendo assim temos um  problema... – jogando-se pesadamente na poltrona.

- O quê? Que tipo de problema? De que você está falando? – aproximando-se dela ainda mais confuso.

- Um problema sério de percepção da realidade... – olhando-o seriamente.

- Percepção da realidade??? – franzindo intensamente a testa. – Mas do que você está falando?

- Bem... – cruzando as mãos sobre as pernas. – Se você está sentindo-se pleno e feliz, é certo que vivemos e sentimos realidades diferentes e isso não me parece bom... – torcendo os lábios e olhando-o inquiridoramente.

- Por quê? Por que está dizendo isso? – imóvel em frente a ela, parecendo atordoado.

- Por um único motivo: eu não estou feliz! – disse lenta e pausadamente.

- O quê? Você... O quê? – sacudindo a cabeça sem entender o que estava acontecendo.

- É isso... Simplesmente. Estou cansada... Sem ânimo... Sem coragem... Sem vontade sequer para levantar dessa poltrona e ir embora. Sinto-me muito parecida com aquelas esculturas inanimadas no museu... Fria, vazia... Sem graça... – desenhando formas no ar com as mãos.

Brian quedou-se sem forças na poltrona ao lado dela. Surpreendido, tonto e confuso. Não conseguia assimilar as palavras que estava ouvindo. Parecia um enorme pesadelo, uma enorme massa de concreto sobre sua fonte. Passou a mão demoradamente pela nuca e olhou longamente para Cibele que permanecia olhando-o seriamente, sem mover nenhum músculo. Do que ela estava falando afinal?

Ela analisava cada curva do rosto dele... Cada ruga em sua testa, cada minúscula gota de suor que se formava sobre sua pele. E aquele conjunto de sinais lhe dizia apenas que ele não estava conseguindo enxergar. Conteve-se por mais alguns instantes. Como podia que ele não visse o que estava acontecendo ali? Como era possível que ele ignorasse o modo como ela estava se sentido?

- Não entendo... – sacudindo levemente a cabeça. – Tudo estava tão bem...

- Bem? Onde? Quando? – inclinando-se ligeiramente à frente. – Há muito tempo nada está bem, meu querido, não percebe?

O olhar dela parecia uma mão pesada comprimindo sua garganta. Ela não está feliz! Repetia-se mentalmente, como se a qualquer minuto as palavras fossem se decifrar automaticamente ou acabar por devorá-lo, tal qual uma esfinge. Mal conseguia encará-la... Havia algo errado... Errado... Mas o que podia ser? E por que ela não falava o que era?

- O que há? Diga-me! O que eu fiz? – sentindo uma dor estranha espalhar-se por seu corpo.

- É mesmo necessário que eu diga? Não consegue perceber? – enrugando intensamente a testa. – Não percebe que sou para você como uma “ama seca” do seu filho? É tudo para que sirvo... Cuidar do Baylle, olhá-lo, acompanhá-lo...

- Isso não é verdade. – protestou ele vivamente.

- Não? Não mesmo? Onde eu estava durante todo o evento do qual acabamos de voltar? – erguendo as sobrancelhas desafiadoramente.

- Com o Bay... Mas... Mas isso foi hoje, apenas hoje... – nervoso e agitado.

- Não Brian! Onde você estava no evento anterior? E o que veio antes desse? – sorrindo ironicamente. - Sempre que estamos juntos, ou estamos em algum compromisso estúpido rodeados de impressa e dos outros rapazes, sozinhos com Baylle! – estreitando os olhos.

- Ele é meu filho! – sem saber mais o que dizer.

- Sei disso... E eu? O que sou? Uma babá? Se for isso me diga logo para que eu possa lhe cobrar devidamente meus horários...

- Não fale assim... – levantando-se e andando de um lado para outro.

- Se não for assim, quem ficaria com ele Brian? Você? A mãe dele?

- Espera! Está queixando-se por que passamos muito tempo com ele, é isso? – bastante confuso.

- Não! Estou reclamando do escasso tempo que você dedica a mim! Preciso explicar isso com equações, fórmulas e tabelas? É tudo muito simples Brian... – levantando-se e na andando pelo cômodo lentamente.

- O que? O que você está vendo aqui que não consigo enxergar? – acompanhando-a com os olhos.

- Oh! Meu Deus! – voltando-se para ele e levando as mãos ao rosto. – Você ficou cego Brian? Só pode ser isso! – fazendo uma careta trágica.

- Não vejo... Não consigo ver... - - sacudindo a cabeça.

- Vamos acender as luzes então...

Ele pôs-se então a dar voltas pelo cômodo de braços cruzados e feições concentradas. Como aquele homem atencioso e sensível podia ser tão néscio para perceber uma coisa simples e clara, que saltava a vista de qualquer idiota? Suspirou. Mas não seria ela a manter aquela venda tão cômoda nos olhos dele. Bastava de agir como se tudo estivesse na mais perfeita harmonia. Bastava de teatro e fingimento.

Brian procurava concentrar-se nela, em seus movimentos, em seu olhar. Mas ainda lhe escapava o motivo daquele súbito rompante. Cibele sempre fora ponderada e calma, e assim, aparentemente, sem nenhum motivo, simplesmente descobrira uma série de problemas num relacionamento que aparentava ser quase perfeito.

- Bem, então, vejamos... – disse ela levando o indicador aos lábios. – Eu passo o tempo todo que estou junto com você às voltas com o seu filho, ou  esperando que você me note. Quase não nos falamos... Namorar então é algo que certamente eu já esqueci...

- Não pode estar assim tão crítico... – ponderou.

- Não? Brian sabe quantas palavras trocamos hoje, antes de entrarmos nesse quarto? – olhando-o com uma interrogação no olhar. – Bom dia e um beijo no rosto em frente a este mesmo hotel, e ‘olhe ele pra mim sim?’... E foi só você quem falou, eu me limitei a sacudir a cabeça, mas você também não viu isso, por que já tinha me dado às costas. – com uma leve irritação na voz.

- Então eu realmente estou sendo negligente com você... – conclui baixando a cabeça.

- “Eu vejo” disse o cego!!!! – exclamou ironicamente. -Não comigo querido! Conosco! Esse relacionamento é nosso! Somos dois aqui!

- Como eu não percebi nada disso antes? – coçando o queixo.

- Simples! – sorrindo sarcasticamente. – Apesar de toda sua postura madura, bem resolvida e gentil, é igual a qualquer ser humano de sangue quente. Adora a si próprio e a atenção que recebe dos outros, ou seja, simplesmente é fascinado pelo fato de fazer o mundo girar em torno de si, de seu umbigo famoso e talentoso.

- Não pode falar assim comigo! Eu me esforço por nós... Eu... – buscando as palavras certas.

- Você ser esforça por Brian Littrell, ama Brian Littrell e vive em função desse ente fomentado pela histeria das multidões e pela ambição das gravadoras ensandecidas... – estreitando os olhos e aproximando o seu rosto do rosto dele. – Mas tenho uma má notícia para você... Eu não vivo nesse conto de fadas! E pretendo retornar ao mundo real... Imediatamente. – dando as costas para ele e indo na direção de onde estava sua bolsa.

- O quê? – assustado. – Aonde vai? – seguindo atrás dela.

- Precisa de tradução? Ok! E-u  v-o-u  e-m-b-o-r-a! Entendeu agora? – debochadamente.

- Embora? Como? por quê? – segurando-a pelo braço.

- Minha nossa! Além de cego, também é surdo??? Pense sobre isso, talvez daqui há algumas horas você consiga entender... – soltando-se e apanhando sua bolsa. – Ou não! E sinceramente, agora isso pouco me importa! – saiu na direção da porta.

Brian sentiu o peito queimar. Precisava fazer alguma coisa, estava a ponto de perder a mulher que amava. Ainda não conseguia compreender bem o porquê, mas sabia com certeza que devia fazer alguma coisa, gesto ou palavra, para impedir que ela prosseguisse com aquilo.

- Não se importa comigo? Não sente mais nada por mim? Eu sinto muito Cibele, mas eu ainda amo você...

Ela sentiu cada fibra do seu corpo se retesar... Em meio a todo aquele protesto, a única coisa da qual não se lembrara, era do único motivo que ainda a mantinha ali... Ela amava-o com toda a energia de seu ser. Não foi capaz de dar nem mais um passo. Por mais que tentasse, tudo o que conseguia era provocar um estranho tremor que se espalhava por seus membros.

- Lembrou disso somente agora? – disse desanimadamente enquanto se voltava para ele, com os olhos voltados para o chão.

- Nunca me esqueci! Eu amo você... E isso é tudo! – aproximando-se dela e abraçando-a.

- Você sabe que dizer “eu sinto muito” não apaga magoas, não é? – sem conseguir recuar daqueles braços.

- Cibele... Olhe para mim... – erguendo o queixo dela. – Eu estou fazendo uma promessa! Eu... – soltou o queixo dela de repente e contraiu o rosto.

- O que foi? O que houve? – olhando-o curiosamente.

- É que... – soltando-a e afastando-se lentamente. – Eu... – coçando a cabeça, sem saber bem como falar.- Podemos falar sobre isso mais tarde? – receoso.

- O quê? – atônita, disparando a rir em seguida. - Eu sabia! O que houve agora? – debochadamente.

- Tenho compromisso e... – baixando a cabeça.

- Sinto muito! Vai precisar arrumar uma babá... – indo novamente na direção da porta. – Tchau.

- Espera... Você não pode ir assim, desse jeito... – segurando-a pelo braço.

- Se não me soltar, vou gritar tão alto que todos nesse hotel virão até aqui para saber o que está acontecendo. – fitando-o duramente.

- Mas... – soltando-a.

- Obrigada! Pense a respeito, se amanhã você tiver uma visão diferente sobre o assunto... – saindo e batendo a porta.

Brian ficou imóvel por alguns segundos. A porta fechada a sua frente lhe pareceu ilusória, aquilo tudo parecia ter sido um terrível pesadelo, daquele que se fica tentando acordar e mesmo assim o persegue pelo restante do dia. Suspirou profundamente. Precisava encontrar alguém para ficar com Baylle e sair para seu compromisso, veria o que fazer depois. Suspirou longamente apanhando o telefone. 

Cibele andou lentamente através do corredor. Apanhou o elevador, sem ter muita certeza de para onde iria ou o que exatamente faria. A única coisa que tinha em mente era que precisava pensar sobre tudo. Enquanto o elevador andava aleatoriamente entre os andares, ela recostou-se a parede e deteve-se a olhar para o teto, como se ele contivesse todas as respostas das quais ela necessitava.

Entre um suspiro e outro ela sentia as lágrimas descendo por seu rosto. O que faria agora? Iria embora... De volta para a vida real, como ela mesma dissera... Mas como fazer isso quando considerava que grande parte de sua vida se resumia ao que ela sentia por ele e ao relacionamento que tinha? Não sabia... Na realidade, não sabia de nada naquele momento.

As portas do elevador se abriram e ela pode ver o extenso corredor a sua frente. Tudo o que ela sabia era que na podia voltar atrás na decisão que havia tomado, mesmo quisesse muito fazê-lo... Restava apenas continuar em frente... Ainda assim, era impossível evitar as lágrimas.

 

 

 

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