Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

Capitulo 04 – Eu, você e eles!

 

Assim que entrou no quarto, caminhou decididamente na direção do banheiro. Se abrisse a boca seria para despejar uma série de ofensas e imprecações. Não! Não queria iniciar uma briga naquela noite. Tinha sido um logo e cansativo dia, sua cabeça estava pesada... Ouviu-o fechando a porta e suspirou pesadamente.

- Está brava? – disse ele olhando-a caminhar pesadamente na direção do banheiro.

- Estou cansada... – entrando no banheiro.

-Algum problema? – seguindo-a.

-Não! – disse  ela lavando o rosto.

- Então por que está com essa cara? – olhando-a , parado na porta do banheiro.

- Sinto muito se não gosta da minha cara... – secando o rosto e as mãos.

- Hei! Por que agindo assim? O que houve? – aproximou-se dela e deteve-se.

- Quer saber? Quer mesmo saber? Estou cansada demais... – olhando-o nos olhos.

- Ah... Claro! O evento estendeu-se bem mais do que esperávamos e... – indo até ela na intenção de abraçá-la.

- Não! Não é nada disso! Diga-me o que fez durante todo o evento, além de tirar fotos e sorrir? – colocando as mãos na cintura.

- E-eu... – confuso.

- Passou parte do seu tempo com seus amigos e o restante do tempo segurando a mão da Apple!! – irritada.

- Está com ciúmes da Apple? – enrugando a testa, ainda mais confuso.

- Não! Mas eu sou sua namorada... EU! – apontando para si mesma e passando por ele em seguida, indo na direção do quarto.

- Lyn! Somos amigos e ela me pareceu tão triste sentada lá, sozinha... Pensei que... – indo lentamente atrás dela.

- Esse é o seu problema Kevin... Você pensa demais... – apanhando a mala e jogando sobre a cama. – Passou por sua mente, por um instante que eu também estivesse triste, sentada em um canto naquele mesmo instante?

Kevin e Lynda estavam juntos desde pouco depois da separação dele. Ela era amiga da advogada que executara o processo e apoiara-o durante todo desenrolar do litígio. Nunca insinuara nada, nunca tentara se aproximar mais, apenas depois que tudo tinha sido resolvido, ela revelou a ele como se sentia. Desde então estavam juntos.

Tinham um relacionamento estável e bastante tranqüilo. Ela sabia das rotinas e do modo de vida dele desde o principio. Sabia mais que isso. Pouco antes do divórcio, ele tinha sido pressionado pela ex-esposa e outras pessoas que a apoiavam a deixar o grupo. Ela assumira para si um papel de apoiadora... Mas pouco a pouco aquela posição havia se tornado mais e mais complicada e difícil.

- O que você está fazendo? – confuso, ao ver a mala sobre a cama.

- Sabe Kev... Eu realmente me esforcei... Mas tudo o que consegui é me tornar muito parecida com ela... – dizia ela calmamente.

- Ela? – bastante confuso.

- Sim... Kristin. – ela sequer olhou para ele. – Pensei que seria fácil dividi-lo com as fãs, a imprensa e realmente... Essa não é a parte difícil... – ela andava lentamente até onde suas roupas estavam. – Mas eu não posso competir com eles... – suspirou.

- Eles?? – sacudindo a cabeça, ainda atento aos movimentos dela.

- Sim! Os Backstreet Boys!

- Lyn... – apressando-se na direção dela. – O que está fazendo?

- Está me ouvindo Kevin? Por acaso ouviu o que eu disse? – suspirou apanhando suas roupas nos braços.

- Isso tudo é por causa da Apple?? – confuso.

- É sim... Apple, Alex, Julie, Howie, Elle, Nick, Cibele, Brian... – suspirou profundamente. – Antes eram eles... Agora são eles e elas... – jogando as roupas na mala.

- Hã? O quê? – segurando o braço dela. – Do que você está falando afinal?

- Precisa de um mapa e uma lanterna? – voltando-se para ele com a testa franzida. – Eles vêm em primeiro lugar em sua vida! -  alterada.

- Lynda! Eu...

- Se Nick tem um problema, você larga tudo e sai correndo... Se Apple está triste, você fica ao lado dela o tempo inteiro; se Julie tem uma crise, lá está você para ajudar... Se Alex liga com um tom de voz diferente, você corre até ele, se Baylee tem febre você corre e apanha um pediatra no caminho... – impaciente.

- Está com ciúmes? – incrédulo. – Ciúmes dos meus amigos?

- Não são ciúmes puro e simples... – fechando a mala. – Estou cansada de ficar em segundo plano, não... – voltando-se para ele. – Em ultimo plano em sua vida. Tudo e todos vêm antes de mim, da nossa relação... – quase gritando.

- Calma Lyn! As coisas não são assim... Mas eles são minha família... Mesmo as garotas... E... – tentando afasta-la da mala fechada.

- Você não é o pai deles Kev! – irritada.

- Hã? São meus irmãos... Meu mundo e... – gesticulando nervosamente.

- Ótimo! Eu é que sou a intrusa aqui... Vou embora! – segurando a alça da mala.

- Não vai não! – puxando a mala da mão dela.

- Me deixa em paz Kevin! O que mais você quer de mim? – puxando a mala de volta.

- Você não pode tomar uma decisão dessas assim... Precisamos sentar e conversar... Deixe-me entender você...

- Agora? Quer fazer isso agora? – olhando-o seriamente. - Ah sim... Por que lhe convém...

- Mas Lyn... O que houve afinal? Não pode ser apenas por causa desse evento idiota! – irritando-se.

- Não! Não é por esse evento... É pelo grupo, os shows, as entrevistas, você... Tudo enfim. – suspirando cansada. – Sabe quantas propostas de trabalho eu recusei para seguir você e os Backstreet Boys? Eu sou uma arquiteta e tinha uma agenda concorrida até conhecer você e virar isso... – apontando para si mesma.

- Isso? Você quer dizer minha namorada?- franzindo a testa.

- Exato! Eu deixei de ser Lynda Elisabeth Foster para seu apenas a sua namorada.

- E quando foi que pedi para você fazer algo assim? – confuso.

- O que esperava que acontecesse? Queria que eu ficasse em Vancouver, sentada em meu escritório confortável e refrigerado e ver você a cada seis ou oito meses??? Você só pode estar brincando!!!- puxando a mala para junto de si e saindo.

- Espera Lynda! Por que está tão nervosa? – segurando o braço dela.

- Kevin... Eu estou cansada de tudo isso... – largando a mala e sentando no sofá. – Eu sei que sabia como seria, mas... Achei que podia agüentar, achei que ela estivesse errada, que fosse tudo um imenso exagero... Mas não é... Não é... – sacudindo a cabeça com os olhos cheios de lágrimas.

Desde que eles haviam começado a namorar, jamais tinham tido uma só discussão. A única coisa eram briguinhas bobas, comuns a qualquer casal. Mas nunca algo como aquilo. Kevin estava realmente assustado. Jamais imaginara que ela se sentisse tão deslocada, tão irritada. Observou-a atentamente. Ela parecia triste e abatida... E isso fez com que ele se sentisse imensamente triste.

- Ouça Lynda eu acredito que possamos resolver isso... Conversando... Não pode simplesmente encher uma mala e sair... – olhando-a apreensivamente.

- O que mais quer que eu faça? – olhando-o com os olhos úmidos.

- Por que não me contou como se sentia antes? – sentando-se junto dela.

- De que adiantaria? Tudo o que eu conseguiria seria pressioná-lo... Eu sei o quanto o seu trabalho é importante... – suspirou. – Achei que conseguiria, mas sinto muito, é demais pra mim...

- Diga-me o que incomoda você... – carinhosamente.

- Você é surdo por acaso? – levantando-se irritada. – Eu já disse! TUDO está me incomodando... Até o som da sua voz... - andando de um lado para outro.

- Você não acha que está exagerando um pouco? – erguendo as sobrancelhas enquanto acompanhava-a andando de um lado para outro.

- Ah sim... Eu sou exagerada... Passei o ultimo ano de boca fechada, seguindo você e sorrindo feito uma idiota, ao lado de garotinhas feito Elle e Apple Luanne! – gritando.

- Hei! Por que isso com elas agora?

- Por que até elas merecem mais sua atenção que eu! – aos b erros.

- Por favor Lyn! Pare de gritar! Por que isso agora??? – segurando-a.

- Estou farta... Você não me entende, não me ouve, não me dá atenção... – soltando-se dos braços dele. – Cansei... – apanhando a mala novamente.

- Você não quer sequer me ouvir! – levantando a voz.

- Pra que??? Eu conheço o discurso... É meu trabalho, são meus amigos... Só nunca ouvi  você dizer “é minha namorada”. – olhando-o seriamente.

Kevin suspirou e permaneceu concentrado nela por alguns instantes. Será que ela tinha razão? Kristin tinha razão? Mas o que ele podia fazer?  Achava que se esforçava o bastante, às vezes, achava que fazia esforço demais até... Agora estava confuso, ainda mais do que quando a ex-mulher o pressionava para que fizesse algo a respeito daquilo.

Lynda tinha noção de que talvez estivesse exagerando, estivesse indo longe demais, mas estava agindo assim simplesmente por que não agüentava mais aquilo. E passar o dia vendo Kevin dispensar atenção a pequena Apple despertara toda a sua indignação. Não que a garota tivesse alguma culpa. Adorava-a, assim como as outras, mas aquilo vinha se acumulando nela dia a dia e acabara explodindo naquele dia, naquela noite, daquele jeito.

- Sinto muito Kev... – levantou-se pegando a mala.

- Calma, espera! Eu entendo o seu protesto e prometo que farei algo a respeito, mas não vá... Não assim... – levantando-se e abraçando-a.

- Por que insistir? Para que? Para que nos casemos e sua vida se torne um novo inferno, desta vez, protagonizado por mim? Não quero fazer isso com você. – baixando a cabeça.

- Não! Você não pode estar falando sério... Não pode estar me deixando desse jeito... – olhando-a nos olhos.

- O que quer? Você sabe no que isso vai dar... Brigas e mais brigar... – tentando afasta-lo.

- Mas eu amo você! – olhando-a afastar-se.

Ela deteve-se e suspirou. De costas para ele. Como fazê-lo entender aquilo? Simplesmente não era possível. Ela não suportaria aquilo nem mais um dia.  Iria enlouquecer se continuasse ali, com ele... Se o amava?  Sim! Mito! Mas aquilo tudo parecia maior que todo o amor que ela sentia. Sentiu todos os seus músculos se retesarem quando o ouviu dizer que a amava.  Como podia dar as costas e ir depois daquilo? Mas precisava fazer isso...

- Oh! Kev! – voltando-se e abraçando-o – Eu também amo você! Mas... Mas...

- Vê? – abraçando-a carinhosamente. – Nos amamos... Não há por que continuarmos brigando desse jeito. Eu prometo... Vou me esforçar mais e... – foi interrompido pelo alarme do celular. – Espera... – afastando-a e apanhando o aparelho no bolso. – Ah droga!

- Já sei! – afastando-se irritada. – Trabalho! – sorrindo debilmente.

- Sinto muito Lyn, eu... – indo na direção dela.

- Não sinta... E não tente se explicar... – apanhando a mala mais uma vez.

- Lyn...

- Oh! Kev! Você diz que vai se esforçar e a primeira coisa que faz é sair correndo??? – resmungo. – Grande esforço o seu!

- Mas é um compromisso e... – gesticulando nervosamente.

- Nem em meio a uma crise, você afasta o maldito trabalho da mente... Por que não casa com um deles? – ironicamente.

- Por Deus Lyn! O que quer que eu faça? Ligue para eles e diga que não irei por que minha namorada está pondo à prova meus sentimentos por ela por eu ser um Backstreet Boy e ter compromissos demais? – alterado.

- Não! Vê como não entende? Não duvido do que você sente ou do que eu sinto, mas essa situação é insustentável... Não dá Kevin... Simplesmente não dá? – pegou a mala e caminhou devagar até a porta.

- Covarde! – disse ele olhando-a firmemente.

- O que? – largando a mala e voltando-se.

- Está fugindo por que não pode lidar com a situação! Isso é covardia! Todos os dias eu ouço que as coisas são impossíveis... Nem por isso desisto delas... – estreitando o olhar.

- Oh! Desculpe! Esqueci que estava falando com o “todo poderoso” Kevin Richardson, que se divorciou da esposa por não conseguir dar meio minuto de atenção a sua vida conjugal, por não conseguir dar um filho a ela... Que se jogou no primeiro relacionamento seguro que se ofereceu a ele e se escondeu atrás de uma arquiteta desconhecida para não precisar mais dar explicações sobre sua vida amorosa... – gritando.

- Oh... – ele chegou a erguer o braço. Sentiu-se profundamente ofendido com as palavras dela. Mas deteve-se.

- Vai me bater agora?  Era tudo o que faltava... – dando as costas.

- Lyn... Por favor... Não vá... – precisava insistir. – Eu a amo muito...

- Vou ficar no hotel... – baixando a cabeça. – Mas só até amanhã... – levantando a mala e apressando-se.

- Lyn... – precipitou-se na direção dela, mas ela foi mais rápida e cruzou a porta.

Ele deteve-se olhando a porta fechada sem ação. O corpo inteiro parecia estar adormecido, a cabeça doía e estava pesada. Um medo formidável percorreu cada célula de seu corpo. Sentiu os olhos encherem rapidamente. Levou as mãos ao rosto enxugando-o. Não podia ficar parado ali... Mas, e se ela não voltasse atrás? E se realmente fosse embora??? Precisava pensar... Olhou o relógio mais uma vez... Assim que terminasse o que tinha a fazer, resolveria aquilo, não podia perder a mulher que amava daquele modo. Saiu a passos lentos e pesados.

Lynda atravessou o corredor na direção do elevador o mais rápido que pode. Como elevador demorava demais, apressou-se na direção das escadas. Desceu o mais rápido de pode, equilibrando a mala nos braços e tentando driblar as lágrimas que turvavam sua visão. Por que estava fazendo aquilo?? Por que tinha que ser daquele jeito? As lágrimas pareciam aumentar mais e mais. Por que parecia sentir-se ainda mais infeliz abandonando-o? Havia outra saída? Havia outro modo? Se houvesse ela desconhecia.

Quando deu por si, havia tomado o corredor de um dos andares abaixo... Uma das meninas estava hospedada ali, ela apenas na lembrava qual delas. Tentou conter as lagrimas e encostou-se a parede do corredor deixando o corpo escorregar dolorosamente. Não podia alugar um quarto naquele hotel, não tinha se preparado para aquilo. Suspirou profundamente. Todo o seu corpo parecia moído.

Encolheu-se, abraçando os joelhos fortemente. Chorou dolorosamente. Queria voltar e dizer a ele que tinha cometido um erro e era capaz sim de suportar tudo por ele. Mas era mentira! Era mentira! Ela não tinha mais forças ou coragem. Mesmo assim, não se imaginava pegando um avião e partindo... Mas teria de fazer isso... No dia seguinte... Não podia mais adiar aquilo. Adiar apenas traria mais dor e mais sofrimento a ambos. Por que tivera de se envolver com ele? Justamente ele que já vinha de uma historia complicada, marcada pelos mesmos problemas...

Estava arrependida? Nem mesmo compreendia o que estava sentindo. Medo, rejeição... Tudo se misturava dentro dela. Por que parecia ser tão difícil? Não podia ser assim tão difícil... Sentiu o coração doendo... O que ela podia fazer? Não agüentava aquilo. Precisava de atenção e era muito difícil ter isso quando o namorado queria ser gentil e bom com todos ao redor dele. Suspirou mais uma vem e chorou, dolorosa e copiosamente, cós a cabeça curvada sobre os braços apoiados nos joelhos.

 

 

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