Capitulo 16 – Superproteção - Parte 1

Muito barulho por nada

 

Brian acordou sentindo o sol tocar sua pele. Tinha dormido bem afinal. O quarto estivera silencioso durante a noite inteira. Só depois de sentar-se na cama e olhar demoradamente em redor, percebeu por que tudo estava tão quieto. Baylle não estava ali! Sobressaltou-se no primeiro instante para em seguida lembrar-se que o menino tinha ficado com Cibele, sua namorada.

Ela sempre demonstrara um imenso carinho com ele. Era atenciosa e gentil, às vezes, ele pensava, até exagerava um pouco! Havia ocasiões que ela realmente dava tanta atenção ao garoto que ficava difícil lembrar que ele não era filho dela de fato. Sorriu ao pensar nisso. Ao menos encontrara alguém que gostava de Baylle o bastante.

Deixou a cama e vestiu-se com calma. Não tinha por que apressar-se, afinal, tudo estava sob controle. Depois de alguns minutos, decidiu ir até o quarto da garota, apanharia ela e o filho e tomariam café da manhã juntos! Olhou o relógio antes de sair. Esperava que não estivessem dormindo ainda... Não queria acordá-los.

Enquanto encaminhava-se até o quarto de Cibele, sentiu-se um privilegiado. Não era todo o homem que enfrentava uma separação complicada e ainda tinha a sorte de encontrar uma mulher tão maravilhosa e que além de tudo, dava tanto carinho e atenção ao seu filho.

Tocou a porta levemente. Não obteve resposta. Esperou mais alguns instantes, olhou o relógio... Teriam saído? Voltou a bater na porta com um pouco mais de vigor. Mas, de novo, não teve nenhuma resposta. Suspirou e entendeu que já tinham acordado e deixado o quarto. Saiu a fim de encontrá-los.

Naquele momento, lembrou-se que volta e meia era “esquecido” pela namorada... “Trocado” pelo filho! Riu de si mesmo. Estava com ciúmes de Baylle? Ah! Como era ridículo! Sacudiu a cabeça sorrindo e resolver ir até o restaurante, quem sabe os encontrava tomando café.

Passava pela recepção, distraído, imaginando a que horas Cibele e Baylle teriam acordado, quando percebeu um rapaz loiro e franzino se agitando atrás do balcão. Deteve-se e voltou-se para ele.

- Senhor! Senhor! – chamou o moço. – Tenho um recado para o senhor! – disse sorridente.

- Para mim? – surpreendeu-se Brian.

- Sim! – afirmou o jovem apanhando um bloco de notas. – A senhorita Cibele pediu que avisasse que ela e o seu filho foram tomar café em uma confeitaria aqui perto. Pediu que não se preocupassem que logo estariam de volta! – disse sem pausa para respirar.

-Ahn... Obrigado! – Brian então tomou o caminho para a saída.

Que idéia aquela de Cibele! Ir tomar café em uma confeitaria! O que havia de errado com o café da manhã oferecido pelo hotel? Apressou-se pela calçada até avistar a fachada colorida do lugar. Parecia ter muito movimento. Possivelmente havia mesmo um bom motivo para fazer com que Cibele tivesse deixado o hotel e ido até lá...

Quando chegou a porta do lugar, impressionou-se com a quantidade de gente que ali havia. Espichou o pescoço como pode para ver se enxergava Cibele e Baylle no meio daquela confusão de pessoas, pratos e doces. Logo viu uma jovem se aproximar dele com um sorriso.

- Posso ajudá-lo? – perguntou sorrindo.

- Uhn... – olhando em volta ainda. – Estou procurando uma garota com um menininho loirinho... Disseram-me que viriam para cá... – disse em tom de dúvida.

- Ah! Sim! Mas já saíram... – disse ainda com o mesmo sorriso.

- Saíram? – devolveu confuso.

- Sim! – confirmou a garota se afastando.

Agora estava de fato confuso! Não haviam voltado ao hotel, ou os teria encontrado no caminho. Onde estavam? O que Cibele andava fazendo com seu filho? Suspirou e deixou a confeitaria. Por onde andariam? Saiu caminhando, observando os pedestres na calçada. Não tinha uma direção ou rumo...

À medida que os minutos passavam-se, Brian sentia-se mais e mais desconfortável. Era, uma vez mais, aquela sensação de  ciúmes que não o deixava nenhum pouco a vontade. Começou a somar mentalmente às vezes em que acabava assim, sozinho, enquanto Cibele se convertia numa excelente mãe substituta! Suspirou.

Cerca de uns trinta minutos depois, avistou um parque, alguns metros adiante. Sacudiu os ombros e pensou que poderiam realmente ter ido para lá. Apressou-se naquela direção. Não havia muitas crianças lá e não foi difícil ver Baylle pendurado em um dos brinquedos, Cibele estava próxima... Sorrindo  satisfeita.

- Enfim encontrei vocês... – resmungou.

- Brian! – disse ela alegremente. – Fomos tomar café naquela confeitaria nova e... – olhou o menino por um instante. – Bem... Como comemos muito açúcar, decidi que devíamos queimar energias... – rindo.

- Sei... – olhando para o filho que parecia divertir-se.

- E você? – perguntou ela, prestando atenção ao menino.

- Estava procurando vocês. – sentenciou.

- Oh! Desculpe... – voltando-se para ele. – Não devia ter vindo para cá sem lhe dizer nada.

- Não... – abraçando-a. – Não tem problemas... – sussurrou, mesmo não sendo exatamente o que ia a sua mente.

Permaneceram mais alguns minutos observando as brincadeiras de Baylle, para então decidirem que já era hora de voltarem. Não conversaram muito. E somente quando saíram dali, e Brian consultou o relógio de pulso, percebeu que já passava da hora do almoço e ele ainda estava em jejum!

Durante todo o caminho para o hotel, cada vez que Brian tentava conversar com a namorada, a frase ficava incompleta. Ou ela precisava contar alguma coisa sobre Baylle, ou chamar a atenção do menino. Quando chegaram, ele se viu deixado para trás: Cibele e Baylle simplesmente partiram na frente dele e alcançar o elevador antes, partindo em seguida.

Estava tão aborrecido, que preferiu seguir escadas acima. Devagar... Tentando reorganizar a mente, sem pressa. Cada degrau que subia parecia cansá-lo de modo mais intenso. Alguma coisa estava incomodando-o mais que o normal. Quando finalmente alcançou o andar onde estavam, sentiu como se tivesse caminhado por quilômetros.

A porta do seu quarto estava aberta,  ele entrou e fechou-a devagar. Quando viu Baylle e a namorada, os dois pareciam envolvidos com alguma discussão muito séria. O menino estava de braços cruzados em pé, em frente a outra que parecia querer convence-lo de algo.

- O que houve? – perguntou aproximando-se.

- Nada. Ele não quer vestir isso! – disse mostrando a Brian a roupa que escolherá para o garoto usar.

- Não quero banho! – queixou-se o menino.

- Mas você está todo sujo! – disse Cibele sorrindo. – Na verdade... – olhando-se. – Eu também não estou muito apresentável...

- Cibele eu... – iniciou Brian.

- Que tal se fizermos assim: eu tomo banho com você! O que acha? – sugeriu a garota ao menino, ignorando a tentativa de Brian de iniciar uma conversa.

- Humm... – respondeu Baylle pensativo. - Certo! – correndo para o banheiro.

- Hei! – gritou Cibele, indo partindo atrás dele.

Brian apenas observou, com um meio sorriso no rosto. Não estava zangado de verdade, mas também não estava contente. Realmente, a cena era engraçada, divertida, mas parecia que alguém estava sobrando naquilo tudo: ele! Suspirou e sentou-se na cama. Esperaria pacientemente.

Os minutos passavam-se como um filme antigo em câmera lenta. Lentos, morosos, arrastados. Brian apanhou uma revista qualquer e folheou sem muita atenção. Mas pareceu-lhe que aquilo não levou mais que alguns segundos. Então se deteve na leitura de um extenso artigo. Mesmo assim, tinha a impressão de estar vivendo numa brecha temporal, onde os minutos haviam se congelado.

Quase uma hora mais tarde, que para Brian pareceu muito mais longa, a porta do banheiro se abriu. Ele pôde ouvir as risadas que partiam de lá e logo, divisou Baylle correr para dentro do quarto abraçado em uma toalha branca. Cibele vinha logo atrás, também enrolada em uma toalha.

- Espere! Ainda não terminamos! – disse ela apanhando o menino em plena corrida.

Voltaram para dentro do banheiro. E Brian teve certeza que nenhum dos dois tinha sequer percebido a sua presença. Apanhou mais uma vez a revista. Tinha que haver mais alguma coisa interessante que pudesse ler enquanto esperava mais alguns minutos.

E depois de alguma espera impaciente, Brian viu a namorada deixar o banheiro com Baylle pendurado nas costas. Mas uma vez, sentiu que deveria achar a cena cômica e rir, mas alguma o impediu. Ficou em pé e olhou Cibele colocar o garoto sobre o sofá.

- Cibele... – iniciou se aproximando.

- Que horas são? – disparou a garota ansiosa.

- Ahn... – olhou o relógio. – Quase cinco horas... – disse. – E eu ainda não comi nada... – pensou desanimado.

- Nossa! – espantou-se. – Não está com fome Baylle? Nós nem almoçamos... – disse calçando os sapatos.

- Por que não vamos ao restaurante e... – tentou Brian mais uma vez.

- Não, meu amor! Melhor pedirmos alguma coisa aqui mesmo. Estou muito cansada! – ela disse apanhando o telefone.

Brian concordou com um aceno e sentou-se numa poltrona próxima. Baylle foi sentar-se sobre as pernas dele com um sorriso gracioso nos lábios, mas Brian não estava com disposição para sorrir. Apenas observou Cibele pedir alguma coisa ao serviço de quarto, tinha alguma coisa apertando sua garganta, mas ele não conseguia precisar o que era.

- Pronto! Já, já iremos jantar... – sorrindo.

O menino apressou-se em descer do colo do pai e correr para os braços de Cibele que o recebeu com um sorriso e os braços abertos. Pareciam se entender muito bem, pensou Brian se esforçando para sorrir.

Quando o serviço de quarto chegou e o jantar estava disposto, brian percebeu que apesar de não ter se alimentado o dia todo, não estava com apetite nenhum. Permaneceu sentado onde estava, enquanto Cibele e Baylle jantavam e conversavam animadamente. Ele estava sentindo-se cansado e pesado. Suspirou silenciosamente.

Quando os dois terminaram o jantar, ele inclinou-se levemente para frente. Quem sabe seria o momento que estava esperando, o espaço que necessitava para se inserir junto dos dois. Levantou-se devagar e aproximou-se.

- Estava bom? – perguntou, num esforço para ser gentil.

- Ah! Sim! Comi feito uma porca! – disse Cibele rindo. – Oh! Perdoe-me!

- Porca! – repetiu Baylle.

- Bay! – repreendeu Brian.

- Não! Deixe-o! Fui eu mesma quem disse... – ainda rindo. – Bem... Acho que já é hora de descansar rapazinho... São mais de sete! – olhando o relógio.

- É cedo... – resmungo o menino.

- Eu sei! – apanhando-o nos braços. – Mas amanhã o senhor tem que acordar muito cedo também... E se for dormir agora, eu lhe conto uma historia... – sorrindo.

- Qual? – perguntou o menino sendo colocado na cama.

- João e o pé de feijão! – disse ela sentando-se ao lado dele.

- Conte! – pediu sorrindo.

- Feche os olhos e eu conto! – ele obedeceu e ela iniciou a narração.

Brian suspirou. Ela sabia que ele ainda estava ali em pé no meio do quarto? Voltou para a poltrona e esperou que o filho dormisse. Quando isso acontecesse, certamente teriam tempo para conversar e ficarem juntos. Somente pensar nisso devolvia algum ânimo ao seu espírito.

Assim que Cibele parou de falar, Brian alertou-se e espichou o olhar para a cama. Baylle tinha adormecido. Cibele sorriu e cobriu-o, afastando-se. Ele sorriu e observou-a. Ela sentou-se na poltrona em frente a ele. Parecia cansada, mas contente. Ele levantou-se e foi abraçá-la.

Já não se importava em conversar com ela, bastava que ficassem juntos por algum tempo. Que pudesse abraçá-la, beija-la... Simplesmente tê-la com ele. Mas quando tencionou beija-la, percebeu que ela recuava. Enrugou a testa e encarou-a seriamente.

- O que houve? – perguntou confuso.

- O menino... – disse sorrindo.

- O que tem o menino? – devolveu espichando o olhar. – Está dormindo!

- Brian! – exclamou, escapando por baixo dos braços dele.

- Espera! – pediu, segurando-a pelo braço. – Aonde vai?

- Lugar algum! Só vou me afastar de você... Está estranho... – disse em tom de brincadeira.

- Estranho? – tentando controlar o tom de voz. – Cibele, o que está acontecendo? – sério.

- Como assim? Nada! – replicou ela com duvida.

- Então por que está fugindo de mim? – perguntou cruzando os braços.

- Eu... O quê? – confusa.

- Fez isso o dia inteiro... – suspirando.

- Mas Brian... Eu estava com o Baylle e... – justificou gesticulando.

- Mas você não precisa! O hotel tem babás para isso! – disse jogando-se novamente na poltrona.

- Hã? Não entendo... – resmungou.

- Mas eu entendo... Isso chegou ao limite... – levantando-se.

- Isso? Do que está falando? – perguntou nervosa.

- Disso... Nós dois... – dando as costas. – Acho que chegamos ao limite... – saindo.

- B- brian... – murmurou incrédula.

 

 

Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

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