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Capitulo 15 – Os outros - Parte 2 Dissonância
Estranhamente, quando estamos esperando por alguma coisa, o tempo parece não passar. Foi o que Kevin sentiu, nas poucas horas que aguardou o retorno da namorada. Ligou e desligou a TV uma sem conta de vezes. Sentou-se, levantou-se, deitou-se, andou pelo quarto. E os ponteiros do relógio pareciam sequer se mover. Depois de alguns momentos de impaciência e inquietação, ele finalmente ouvir o rumor de alguém abrindo a porta. Ajeitou os cabelos, a roupa e sentou-se, como se estivesse calmo, na poltrona do quarto. Lynda entrou trazendo uma expressão cansada no rosto. Ele levou algum tempo para dizer qualquer coisa. - Demorei? – perguntou com um sorriso. - Não... Desta vez não! – resmungou baixo. - Hã? Não ouvi você... – disse de costas para ele. - Ao menos você sabe que eu estou aqui? – perguntou ele enrugando a testa. - Desculpe meu amor... – disse com o sorriso nervoso. – Não entendi! - Consegue me ver? Percebe a minha presença? – continuou. - Que pergunta é essa? É claro que vejo você! Não sou cega! – ainda com o riso nervoso. - Verdade? Pois às vezes parece-me que sim... – afirmou encarando-a. -Kevin! – surpreendeu-se. – O que houve? Por que está dizendo essas coisas? – angustiada. - Não percebe? Vou dar-lhe um exemplo. Onde esteve ontem o dia inteiro? – perguntou ainda concentrado nela. - Com Apple e Julie elas queriam conversar e... – foi interrompida. - Certo! E no dia anterior? Onde esteve? – continuou inclinando-se na direção dela. - Antes? – levando a mão à boca. – Fui trabalhar, como sempre... – pensativa. – Fui ver minhas irmãs, pois estavam com problemas... Jantei com Amanda e... – confusa. - Percebeu agora? – insistiu, cruzando os braços. - Não... – sacudindo a cabeça lentamente. - Eu não ouvi “Kevin” entre as pessoas que você citou... – esclareceu, erguendo uma sobrancelha. - Oh! Eu realmente ando excessivamente atarefada... – suspirou aliviada, sentando-se próxima dele. - Não! Não é isso... – resmungou levantando-se. – Se você estivesse trabalhando, eu entenderia, mas passa o tempo resolvendo os problemas dos outros... - Eu... Eu... – ainda mais confusa. O que ele estava dizendo? Ela não conseguia compreender. Não fazia nada de errado. Apenas achava-se na obrigação de amparar quem quer que precisasse dela, em que hora fosse. Suspirou pesadamente, tentando encontrar as palavras certas. - Será que não percebe que se ocupa com todos, menos conosco? É essa a importância que tenho na sua vida? – perguntou com uma nota de mágoa na voz. - Não! Você é importante! Eu me preocupo com você... Oh! Kevin, não me acuse de deixá-lo de lado... Você é quem sempre está fora e... – iniciou sem saber direito como continuar. - Eu? Não jogue isso pra cima de mim! – rebateu, agitando os braços. – Isso é trabalho Lynda! Já disse que entendo quando está trabalhando, mas não é esse o caso... - Mas então? Qual é o problema? – retomou com voz trêmula. - Você é surda? – gritou ele. - Você coloca todos em primeiro lugar. Antes de mim, antes de nós, antes de você mesma... – alterado. - Precisam de mim... – tentou explicar. - E eu? Não preciso? Se fosse pra continuar assim, eu deveria ter continuado casado! – afirmou. - Oh! Não diga algo assim... – com lágrimas nos olhos. – Não me ama mais? - Isso nada tem a ver com amor... – andando pelo quarto. – Só amor não basta! Quer o que? Que eu ame sozinho? – voltando-se para ela. - Mas você não está sozinho, eu estou aqui! – levantando-se e indo na direção dele. - Agora! E no restante do tempo? – esquivando-se dela. - Mas meu amor... – sem encontrar argumentos. - Eu não sei Lyn... Sinceramente não sei como chegamos até aqui... – resmungou cansado. – Não vejo futuro possível para nós... - Do que você está falando? – disse levantando-se nervosamente. - Disso tudo! Não tem tempo para esse relacionamento... – riu nervoso. – Diz que eu também não tenho tempo... – refletiu. – Vamos acabar logo com isso... O que acha? - Não! Não diga uma coisa dessas! Eu amo você! Preciso de você! – as lágrimas escorriam por seu rosto. - Quando? – rebateu ele alterado. – Você está sempre ocupada demais para lembrar que eu existo! – afirmou magoado. Ele sentou-se com a cabeça baixa e ela ficou lá parada, olhando para ele. O que precisava dizer para que ele entendesse que aquilo não era verdade? Que ela o amava! Enxugou os olhos e procurou reorganizar as idéias. Precisava dizer a ele que nunca percebera o quanto estava sendo relapsa, que estava disposta a rever tudo que... Que sentia muito... As lágrimas voltaram a invadir seus olhos. - Kevin... – iniciou temerosa. – Eu sinto muito! - Sente? De verdade? – perguntou sem ergue a cabeça. – Ah! Imagina que eu vá dizer o que agora? Tudo bem, está tudo esquecido? Não mesmo! - Mas se eu fiz isso, se o deixei de lado, não foi de propósito! Eu apenas me preocupo! – justificou-se. - Sim! Preocupa-se com todos menos comigo! – rebateu. - Oh! Por favor! Não seja tão duro comigo! – suplicou. – Não me disse nada... Como eu saberia? –procurou defender-se. - Dizer? – retomou, erguendo os olhos e olhando-a com a testa enrugada. – Como? Mal consigo trocar duas palavras com você e logo está correndo ao auxilio de alguém. Já pensou em ser freira? – disse com ironia. - Eu não sabia! Eu não sabia! – repetia. – Como eu ia saber? – aos prantos. - Verdade! Como ia saber? Não perde meio minuto do seu precioso tempo olhando para mim, como vai perceber o que está acontecendo? – concordou. - Está sendo cruel demais Kevin! – queixou-se soluçando. - Crueldade? Sinto muito! Esqueci-me que é uma pobre bem feitora, frágil e indefesa. Mas que homem insensível eu sou! – disse levantando-se e indo até o armário. - Espere! O que está fazendo? – ela sobressaltou-se. - Vou embora! Não quero mais atrapalhar sua vida... – disse apanhando a mala e começando a enchê-la. - Oh! Não foi nada disso que eu quis dizer! Por favor... – abraçando-o. - Não se preocupe. Logo alguém vai precisar de você e vai esquecer de mim... – resmungou afastando-a dele. - Não pode fazer isso comigo! – protestou alterada. - Você é quem não pode me pedir para continuar nisso! – devolveu no mesmo tom. Ela sentou-se na cama com as mãos trêmulas e olhos angustiados, observando-o encher a mala rapidamente. Alguma coisa dentro dela parecia estar quebrando, estilhaçando. Não conseguia pensar em mais nada. Só conseguia chorar cada vez mais desesperadamente. Aos soluços. Quando o viu fechar a mala e sair, correu e abraçou-o mais uma vez. Kevin suspirou. Amava-a. Não tinha dúvidas quanto a isso. Mas estava magoado, machucado. Não podia simplesmente esquecer o que estava acontecendo com eles e fingir que tudo estava bem. Também não conseguia encontrar um modo mais fácil de resolver aquilo. Talvez fosse preciso que se afastassem. Não definitivamente. Não. Ele amava-a demais... - Oh! Lynda... – abraçando-a. - Diga que ainda me ama... Por favor! Diga que ainda me ama! – suplicou soluçante. - É claro que amo você! – disse com um nó na garganta. – Não disse nada ao contrário... Mas... Não podemos continuar assim... É impossível. - Não! Não diga isso! - Estamos apenas criando feridas. Se isso ficar grande demais vamos acabar nos odiando... – ponderou. - Eu jamais seria capaz de odiá-lo! – replicou desesperada. - Lynda! Por favor! Não dificulte mais as coisas... – pediu, afastando-a dele. - Eu não quero que vá! – gritou. - Mas é preciso! Veja a que ponto chegamos? Os dois se olharam por alguns instantes. Ela estava ofegante e quase completamente fora de si. Tudo o que queria era que ele ficasse. Não importava como. Precisava fazer com que ele a perdoasse. Ele não podia ir embora... Ele seguiu na direção da porta. Já não tinha tanta certeza se queria partir, mas devia. Suspirou, largando a mala no chão. Voltou-se e olhou a namorada. Ela chorava ainda. Soluçava, com as mãos no peito. Ele sentiu uma pontada no coração... Baixou a cabeça e deus uns dois passos na direção dela. - Se existe uma maneira de remediar as coisas, por favor, me diga? – disse com a voz embargada. - Oh! Meu amor! Eu faço qualquer coisa para você ficar! – disse ela caminhando na direção dele. - Talvez... – iniciou refletindo. - Diga... Qualquer coisa... – repetiu abraçando-o. - Se fossemos viajar... Ficar um tempo longe de tudo... – sugeriu acariciando os cabelos dela. - Mas... – titubeou ela nervosamente. - O que foi? – perguntou ansioso olhando-a. - Não posso deixar minha irmã e... – ela não terminou de falar. Ele já a soltava e voltava para junto da porta. – Não... Por favor... - Não adianta! Você continua colocando outras pessoas entre nós! Devíamos ser apenas nós dois... – disse abrindo a porta e saindo. - Kevin! – gritou, partindo logo atrás dele. Ele seguiu a passos apressados pelas escadas. Já não precisava esconder as lágrimas que escorriam por seu rosto. Não queria que nada daquilo tivesse acontecido. Mas não era possível continuarem daquela maneira. Havia coisas demais entre eles, gente demais naquele relacionamento. Suspirou apressando os passos na escada. Lynda seguia atrás dele, numa velocidade menor, tropeçando nas próprias pernas e com a visão borrada pelas lágrimas. Mal via os degraus sob os pés. Ia segurando-se a parede para que não caísse. Precisava alcançá-lo. Precisava impedi-lo. Era apenas isso o que pensava. Ele logo alcançou o saguão e atravessando-o a passos largos, chegou à porta. Ainda teve um ultimo momento de hesitação. Tudo estava pago, não havia o que o impedisse de cruzar aquela porta, a não ser sua garota. Sacudiu a cabeça. Não havia como recuperar as coisas agora. Saiu para a rua. Quando Lynda chegou ao saguão, só teve tempo de ver a porta se fechando e parte de um pé saindo para a rua. Correu o quanto pode pelo saguão vazio. Não havia tempo. Atirou-se contra a porta desesperadamente na ânsia que ela se abrisse logo. Estava na rua agora. Olhou angustiadamente para os dois lados da rua. Seu cérebro não estava funcionando racionalmente. Onde ele estava? Chovia. Seus olhos ainda estavam nebulosos. Não conseguia enxergar... Onde ele estava? - Kevin! – gritou sem saber mais que atitude tomar. Ele estava do outro lado da rua. O braço estendido a espera que um táxi parasse. Ao ouvir seu no sendo gritado, ergueu a mão diante dos olhos para afastar a chuva. Pode ver Lynda, desesperada em frente ao prédio. Manteve-se imóvel... Ela percebeu o corpo se movimentando na outra calçada. Era ele? Tinha que ser ele, só podia ser ele. Inspirou profundamente. Tinha mais opções. Correu na intenção de alcançá-lo. Mas sua cabeça estava confusa, o som do transito em seus ouvidos, as lágrimas nos olhos. Um clarão. O ônibus... - Lyn! Kevin correu, mas não conseguiu alcança-la. |
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Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version By Luh Moon |
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