Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

Capitulo 14 – Os outros  - Parte 1

Fora de sintonia

 

Acordou sentindo-se desconfortável. O sol já começava a entrar pela janela. Bocejou e espichou-se demoradamente. Parecia que tinha dormido por dias. A cabeça estava um pouco dolorida. Sentou-se na cama e olhou ao redor. Estava sozinho. A namorada tinha ficado no seu próprio quarto. Espichou o olhar e tentou ver que horas eram. Assustou-se. Já era tarde. Quase dez horas! Como ele dormira tanto?

Saiu da cama num salto. Começou a trocar de roupa apressado. Ainda tinha que encontrar sua garota. Esperava que ela não tivesse desistido de tomar café da manhã com ele. Já tinha vestido as calças e começava a abotoar a camisa, quando seu telefone tocou.

Kevin por um momento pareceu perdido. Onde estava seu celular? Revirou as cobertas e descobriu o telefone, vibrando com o visor iluminado, escondido perto dos travesseiros. Apanhou-o prontamente.

- Alô? – atendeu sem nem averiguar quem estava ligando.

- Kev? – ouviu a voz doce da namorada.

- Lyn! – animou-se ao ouvir a voz dela.

- Desculpe-me por não ter ido tomar café com você... – ela começou a falar. – Tive uma pequena emergência...

- Hum... – então ela não tinha ido... Concluiu ele. – Aconteceu alguma coisa?

- Nada sério.

- Onde você está? – questionou ele curioso.

- Tomando café com a Jane! Você me perdoa? – perguntou ela.

- Claro... – pensativo. – Podemos almoçar?

- Ah! Sinto muito meu amor! Mas prometi para minha irmã que almoçaria com ela... – explicou.

- Certo! Então... – refletiu. – Nos falamos depois...

- Ok! Eu amo você! – desligou.

Kevin quedou-se na cama sem ação. O telefone ainda nas mãos. Perdera, subitamente, a vontade de tomar café. Olhou mais uma vez para o telefone. Por que Lynda sempre tinha alguém precisando dela? Sorriu, levantando devagar. Ia caminhar, fazer alguma coisa para passar o tempo. Sabia que todos tinham seus próprios compromissos.

Não era a primeira vez que aquilo acontecia. Volta e meia Lyn faltava a algum compromisso por estar ouvindo ou ajudando uma das irmãs ou das amigas. No inicio, ele achara tudo normal. Até ficava orgulhoso de saber como ela abria mão de suas próprias coisas pelos outros. Mas com o tempo, deu-se conta que entre as coisas dela, estava o relacionamento deles.

Parou de pensar naquilo. Terminou de vestir-se e saiu. Enquanto caminhava pelo corredor, avistou um casal sorridente que se dirigia para o elevador. Não queria dividir o mesmo espaço que eles... Não havia nenhum motivo especial para isso, apenas o fato de que olhar para eles fazia-o lembrar que queria estar com a namorada.

Resolveu descer pelas escadas. Estava aborrecido e cansado... Não estava com fome, ou com vontade fazer qualquer outra coisa. Quando alcançou o térreo, decidiu sair para rua, simplesmente andar por aí.

Por mais que tentasse, não conseguia impedir-se de pensar no que estava acontecendo. Era a primeira vez que aquilo lhe incomodava tanto. Não sabia se por que estava de folga e tinha muito tempo livre, ou se a repetição começava a desgastá-lo. De qualquer maneira, estava insatisfeito, contrariado, chateado.

Caminhou por horas, tentando convencer a si mesmo que não havia motivos para irritação e aborrecimentos. Mas, à medida que o tempo passava, parecia ficar mais e mais agastado. Quando percebeu, já era o inicio da tarde... Tinha andado demais, estava longe do hotel. Decidiu apanhar um táxi e retornar. Com sorte, Lynda já estaria disponível.

Antes que chegasse novamente ao hotel, porém, seu celular agitou-se dentro do bolso. Ele apanhou-o sem muito interesse. Antes mesmo de atender, teve a impressão de saber exatamente por que ele estava tocando. Era Lynda!

- Kev? – disse ela ao telefone, diante do silêncio de quem a atendera.

- Lyn? Está tudo bem? – perguntou sem muito entusiasmo.

- Sim! O caso é que recebi um telefonema de Suelen e... Bem, só poderei encontrar você a noite... – dizia ela apressada e ofegante. Parecia estar andando enquanto falava.

- Não é nada sério, eu espero... – disse em meio a um suspiro, enquanto passava a mão pelo rosto.

- Não... Problemas de mulher! – disse em um sorrisinho. – Peço que me desculpe mais uma vez.

- Não se preocupe! Vejo você à noite! – despediu-se ele.

- Certo! Obrigada! Amo você! Até a noite! – ela desligou.

Kevin desligou o telefone e enfiou-o no fundo do bolso. Afundou-se no banco devagar e olhou o teto do veiculo. Suspirou novamente. Parecia estar muito cansado agora. Ainda não tinha fome. Na verdade, não reconhecia ânimo para nada, sequer mexer-se.

O motorista parou em frente ao hotel, ele pagou a corrida e voltou lentamente para o quarto. Cruzou a recepção e lançou um olhar para o jovem que estava ali, na esperança que houvesse algum recado para ele. Mas nada aconteceu. Ele então, voltou ao quarto, novamente através das escadas. Também não estava com paciência para esperar o elevador.

Quando entrou no lugar, tudo lhe pareceu muito espaçoso e frio. Acabou sentando-se na cama e ficando lá, sem movimento  por longos minutos. Por fim, sem achar o que lhe despertasse interesse, acabou decidindo deitar-se e cochilar. Era a única coisa que se sentia capaz de fazer.

As horas pareceram passar muito depressa. Quando ele acordou, aos poucos despertando os sentidos, pôde ouvir um rumor vindo da porta do quarto. Não se agitou. Apenas desviou o olhar naquela direção, através da porta aberta do dormitório. Quando a porta de abriu, Lynda surgiu em meio à escuridão do quarto.

- Certo... certo... Pode deixar! – dizia ela ao telefone, ao mesmo tempo em que fechava a porta.  

Kevin levantou-se devagar. Sentou-se na cama e apenas observou-a. Parecia ainda estar envolvida com alguma coisa naquela ligação. Viu-a largar a bolsa num canto, tirar os sapatos e sentar-se na poltrona, sem parar de falar ao telefone.

Finalmente ela largou o aparelho e esticou-se onde estava. Só então ele se movimentou na direção dela. Sorriu. Enfim teria algum tempo juntos. Ela sorriu de volta para ele, de forma carinhosa e sincera. Mas antes que ele chegasse a ela, seu telefone voltou a vibrar, agitando-se em cima da mesa, onde ela o colocara.

- Desculpe... – sussurrou ela, antes de atender a chamada. – Sim?

Kevin sequer ouviu a conversa que ela travava ao telefone. Aquilo era demais! Consultou o relógio e percebeu o adiantado da hora. Um tanto irritado, olhou novamente para a namorada. Sentou-se próximo dela e aguardou impaciente, até que a ligação dela acabasse.

O joelho já estava inquieto, sacudindo sem parar. Esfregava as mãos uma na outra. Mal conseguia manter a atenção em um único ponto, os olhos iam e vinham pelas paredes do quarto de forma ansiosa. Parecia que os minutos escoavam lentamente.

Lynda não percebia a agitação do namorado. Continuava concentrada em sua ligação, com o olhar distraído sobre o carpete. Uma das mãos brincava com uma mecha de cabelo, enquanto a outra segurava o telefone.

- Certo! – disse ela antes de desligar. – Desculpe meu anjo... – disse ela. – Trabalho... – iniciou, levantando-se.

- Aonde você vai? – agitou-se Kevin, também ficando em pé.

- Tenho que resolver um problema de trabalho...

Enquanto ela falava a mente de Kevin divagava. O que estava acontecendo ali? Àquela hora e ela estava saindo mais uma vez? Todo o seu dia de folga havia se passado e ela andara correndo de um lado para outro, resolvendo os problemas dos outros. E quanto a ele? Tinham um relacionamento afinal, mas ao que parecia, ele não era uma das prioridades na vida dela.

- Tenho que ir a um jantar... – continuou, enquanto apanhava a bolsa e o casaco. – Mas prometo voltar logo... – aproximou-se dele e deu-lhe um beijo breve nos lábios. – Eu sinto mesmo meu amor... – saindo apressada.

Kevin viu a porta bater, sem que ele tivesse conseguido articular meia palavra. Permaneceu por mais alguns segundos, olhando para porta, nas esperança de que tudo não passasse de alucinação sua, ou um mero engano. Mas nada mudou. Lynda não retornou no mesmo passo como ele esperava.

Retornou devagar para a poltrona onde antes ela estivera sentada. Sentia-se completamente perdido. Antes que tivesse tempo de pensar em qualquer coisa, percebeu o telefone vibrando dentro do bolso. Suspirou. Era uma mensagem de texto. Apertou o botão...

“Não demoro! Amo você!”

Era mensagem de Lynda! Ele a excluiu assim que terminou de ler. Agora estava irritado! Largou o telefone sobre a cama e entrou no banheiro. Precisava esfriar a cabeça ou acabaria arrumando uma tremenda discussão com a namorada quando ela voltasse.

Tentou muito não pensar no quanto estava sentindo-se deixado de lado. Realmente sentia-se desprezado. Parecia que qualquer pessoa era mais importante para Lynda que ele.

O melhor que tinha a fazer era esperar... Esperar que ela retornasse para então esclarecer com ela toda aquela confusão de sentimentos que o invadiam.

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