Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

Capitulo 13 – Nós dois  - Parte 2

Acidente

 

Ela permaneceu olhando-o por um longo momento. Não estava entendo o motivo daquela zanga repentina. Tudo o que podia fazer naquele momento era esperar que ele começasse a falar e só então saberia como agir. Foi o que fez. Deteve-se em frente a ele olhando-o, aguardando que algo acontecesse.

- Isso não está certo... – resmungou ele, andando de um lado para outro.

- O quê? – perguntou Eleanor.

- Não se faça de inocente! – ralhou Nick irritado.

- Nick! Eu não sei do que você está falando? Por que está tão irritado?- questionou abrindo os braços.

- Ah! Por favor! Como era mesmo o nome dele? John? – disse com desdém.

- Joshua? Está com ciúmes? – rindo. – Nick! Não acredito nisso! – sacudindo a cabeça.

- Qual mentira vai contar? – disse sem pensar.

- Não preciso mentir. Ele é um amigo, colega de escola... Amigo de infância! Está me ajudando com um projeto ambicioso e... – Nick deu meia volta bruscamente e saiu pisando duro. – Hei! Nick?

- Eu vi vocês! – disse entre dentes. – Vi vocês na galeria! – caminhando na direção do seu carro.

- Você o quê? – ela paralisou-se. – Estava me seguindo? – estupefata.

- Isso pouco importa! – declarou ele.

- Como assim? – disse ela disparando na direção dele. – Eu pensei que confiava em mim?

- Como? Como vou confiar em você, se toda a vez que abro um jornal ou revista, tudo o que vejo são fotos suas rodeada de homens... – ele estava com raiva e deixava isso claro em sua voz.

- E isso o que importa? Alguma vez eu lhe dei motivos para tanto? – reivindicou magoada.

- Um milhão deles! – afirmou alterado.

- O quê? – incrédula. – Quando?

- Você sai e fica horas nessas festas intelectuais, com esse bando de caras “engravatados”, cheios de si. Volta no meio da madrugada, sem ao menos dizer onde esteve ou o que esteve fazendo... - ele estava indignado.

- Nick! Olhe para mim! – fazendo com que ele se virasse para ela. – Você sabe o que acontece lá. É sempre a mesma coisa! Gente admirando peças de arte e discutindo coisas que você não entende... – tentou explicar ela.

- Então agora eu sou um idiota? – rebateu ele.

Eleanor não conseguia acreditar no que estava acontecendo ali. Era certo que era admirada não só por seu talento, como também por sua beleza. Mas nunca misturava as coisas. Não via motivo nenhum para Nick estar pensando aquele monte de besteiras. E,  fosse como fosse, amava-o.

Tudo o que ele conseguia sentir era mágoa. Raiva. Não acreditava em uma palavra que ela estava dizendo. Tudo o que lembrava era da cena que observara de dentro do seu carro. Aquele homem e ela abraçados, trocando beijos, escondidos dele, naquela galeria. Ela o havia enganado. Não havia explicação possível.

- Não é nada disso Nick! Não é o seu mundo! Você sabe! – argumentou ela. – Se você quiser, pode me acompanhar, eu sempre disse isso...

- Oh! Elle! Pare de mentir! Vamos! Admita! Você estava lá com aquele cara... Eu vi! – insistiu.

- O que você pensa que viu afinal? – retrucou alterando a voz.

- Agora você quer gritar? – reclamou ele.

- É você quem está gritando! – gritou ela nervosa. – Nick! Você sequer está me dando chances para que eu me explique! – tentando dominar o tom de voz.

- Não há explicação! Eu vi! – assegurou. – Vocês dois, naquele lugar, aos beijos! – disse finalmente, aos gritos.

- Você viu? – Eleanor não resistiu e começou a rir. – Sinto muito Nick... – ainda rindo.

- Você está rindo? – aproximando-se dela e segurando-a pelos braços.

- Nick! – um tanto assustada. – Acalme-se. O que você viu não foi nada do que você está pensando. Eu...

- Ah! É claro! De certo estavam comemorando o seu êxito nos negócios... Eu devo ter visto demais... – debochadamente.

- Não é bem isso! Você viu exatamente o que disse que viu, mas... – iniciou, para ser interrompida por uma tapa no rosto.

- Maldita! Como pode ser tão cara-de-pau? – segurando-a novamente pelos braços.

- Nick! Você está louco? Deixe-me falar... – disse assustada.

Ela realmente estava assombrada. Jamais vira Nick com aquela expressão nos olhos. Parecia mesmo estar insano, fora de si. Já não sabia se adiantaria dar alguma explicação. Ele não estava ouvindo-a. Mas ela também não podia deixá-lo ficar pensando aquilo.

- Nick... – insistiu.

- Não! Não quero mais ouvir nada... – soltando-a.

- Mas você não ouviu nada do que eu disse! Eu não disse nada! – começando a desesperar-se.

- O que mais você tem a me dizer? – voltou-se ele com o olhar faiscante.

- Você está sendo extremamente injusto Nick!- ela queixou-se.

- Não me diga? – disse de modo escarninho. – E o que você faz comigo? O que é? Justo?

- O que eu faço com você? – repetiu sem entender.

- Não atende ao telefone, sai do meu quarto deixando um bilhete idiota que nada explica... – começando a sentir o rosto aquecer.

- Eu mal tive tempo de me trocar quando me ligaram... – enfiando as mãos nos bolsos. – E o meu telefone... – apanhando o aparelho no fundo do bolso. – Essa droga está encrencando já tem dias... – mostrando o telefone desligado a ele.

- Besteira! – dando uma tapa na mão dela e lançando o celular ao chão. – Tudo isso é muito conveniente agora, não acha?

- Mas é a verdade meu amor! – disse com certa doçura.

- Vai usar chantagem agora? – perguntou, lançando um olhar que parecia uma lança contundente para ela.

- Não é chantagem... – enxugando os olhos.

- Oh! Pelo amor de Deus! Não comece a chorar como uma idiota... – resmungou, revirando os olhos.

- Sinto muito! Mas eu amo você! E o que você está fazendo me magoa muito... – chorando.

- Oh! Que grande atriz!- aplaudindo-a.

- Nick! Pare! Já chega! – exigiu acertando o braço dele.

- Se você não tivesse sido uma vagabunda, não precisaria ouvir isso! – disse conclusivo.

- Oh! – levando as mãos à boca.

Aquilo foi como uma bofetada no rosto dela. Preferia mesmo que ele tivesse batido nela, com toda a sua força. Teria doido menos que aquela afirmação. Como ele podia pensar aquilo a respeito dela? Seu peito doía intensamente. Agora só conseguia chorar. Não importava o que aconteceria. Não tinha mais meios de tentar convencê-lo de coisa alguma. Estava ferida demais para levar adiante aquela discussão.

- Terminou sua brilhante atuação? – questionou Nick friamente.

- Se quiser ir, vá... Podemos conversar quando estiver mais calmo e... – entre lágrimas.

- Não! Isso acaba aqui! Não pense que vai continuar me fazendo de idiota! – disse ele, dando as costas mais uma vez e partindo na direção do carro.

- Não! – agitou-se. – Não pode fazer isso! Não por causa de um engano! – apressou-se em alcançá-lo.

- Não há engano! Você é igual a toda elas! Uma vadia barata! – resmungou sacudindo a mão em sinal de desprezo.

Eleanor deteve-se sem ação. Aquele não era o homem que ela amava. Estava agindo como um adolescente. Tudo por quê? Uma suspeita? Nick não podia fazer aquilo com ela. Não podia simplesmente destruir seu mundo daquela forma. Sem nenhum motivo, sem nenhuma razão.

Nick abriu a porta do carro, enquanto procurava respirar normalmente. Seu coração ainda batia de forma acelerada. Amava-a afinal, mas não podia continuar sendo enganado daquela forma. Ouvia-a soluçando e sentia como se um punhal lhe atravessasse o peito. Culpa! Era isso que a fazia chorar. Convencera-se. Não ia se comover com meia dúzia de lágrimas e soluços.

Entrou no carro e preparou-se para sair. Ajeitou o espelho, apanhou o cinto. Olhou para onde estava a garota com o canto dos olhos. Era mais difícil do que ele imaginara.  Por um breve instante, realmente levou em consideração a possibilidade de estar errado. Mas afastou em seguida, sacudindo a cabeça. Ele havia visto! Seus olhos não podiam ter se enganado.

Eleanor agitou-se, percebendo que ele hesitava. Talvez ainda houvesse um meio de sanar tudo aquilo. Seu corpo inteiro formigava e as lágrimas escorriam sem pausa dos olhos. Mesmo assim, fez um esforço para concentrar-se e tentar uma última ação. Ele estava enganado e ela precisava dizer isso a ele, de algum modo.

- Nick... – aproximando-se lentamente da porta do carro.

- Deixe-me em paz! – disse ele batendo a porta.

Não. Não iria ficar discutindo por horas algo que ela mesma já confirmara. Quem ela pensava que ele era? Fechou o vidro rapidamente, vendo através dele o rosto vermelho e molhado da garota. Seu coração se comprimiu dentro do peito. Mas ele devia ser forte. Tinha que parar de agir com a emoção e ouvir a razão.

Colocou a chave na ignição. O corpo inteiro estava retesado, como se estivesse tentando impedi-lo de ir embora. Mas ele estava firme em sua decisão. Não havia mais nada para se fazer naquele lugar. Girou a chave, dando partida no motor, colocou as mãos no volante e olhou de soslaio para a janela. Não viu mais Eleanor. Suspirou e pisou no acelerador dando ré.

- Não era eu! – gritou ela.

Ao ouvir isso Nick soltou o volante. Concentrou-se por meio segundo e procurou mentalizar o que tinha visto. Uma garota de cabelos claros... Mas agora, pensando melhor, parecia mais alta que Eleanor, diferente. Seu queixo desceu lentamente diante da constatação. Ela estava certa! Não era ela quem ele tinha visto!

Como fora estúpido! Estava tão enciumado e irritado por ter sido deixado de lado que praticamente imaginara uma cena. Talvez apenas para estar com a razão no final. Talvez para chamar a atenção. Não entendia ao certo por que. O fato é que tinha cometido um erro imenso.

Arrependido, sentiu uma lágrima escorrer de seus olhos. Como pudera ser tão rude com ela? Sacudiu a cabeça, percebendo que não tinha nada em sua defesa. Respirou fundo, decidido a consertar tudo. Só então percebeu que não havia tirado o pé do acelerador, durante aquele meio segundo de reflexão. Antes que atinasse a fazê-lo, sentiu um impacto na traseira do carro.

Apressou-se em pisar no freio. Com os dois pés. Uma onda de pavor percorreu seu corpo. Estremeceu. Desligou o carro e manteve-se imóvel. Simplesmente não conseguia se mover. Ficou gelado de repente. Suava frio. Sua respiração parecia estar em suspenso.

Voltou a cabeça lentamente na direção da porta. Estendeu o braço trêmulo para abri-la. Assim que ela abriu-se, demorou-se uns segundos olhando para fora. Precisava fazer as pernas se moverem, mas pareciam feitas de concreto. Inspirou profundamente e colocou uma perna para fora. Sentiu o chão firme sob o pé. Repetiu o esforço com a outra perna. Faltava a força para ficar em pé.

Sentia-se como um boneco de trapos, sem nenhuma sustentação. Segurou-se na lateral do carro e puxou o corpo para fora, apoiando-se para manter-se em pé. Girou a cabeça lentamente. Engoliu em seco. Um novo arrepio gelado dominou-o. Fez um novo esforço para poder andar uns passos. Um depois outro. Seguiu na direção da traseira do carro.

Parou, sem ter mais forças. Agora, tudo o que precisava fazer era esticar o pescoço. Mas parecia que era feito de aço, inflexível. Respirou longa e profundamente. Apoiou a palma da mão no carro. Inclinou-se devagar...

Quando seus olhos finalmente alcançaram a parte de trás do carro, sentiu uma convulsão violenta. Seu estômago se contraiu de forma intensa. Rapidamente ele jogou-se de costas contra a lateral do carro, com os braços sobre o abdômen. Escorregou rapidamente, quedando-se sentado, de pernas aberta. Estava tonto e enjoado. Colocou as mãos na cabeça e sentiu algo dentro dele se mover. Inclinou-se e vomitou. O que ele tinha feito? Começou a chorar compulsivamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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