Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

Capitulo 12 – Nós dois  - Parte 1

Suspeita

 

Quando o sol  iluminou o quarto por completo, Nick já estava desperto, lavado e sentado numa poltrona próximo da janela. Procurava se convencer de que não deveria descer para encontrar a namorada. Afinal, tinha menos de sete horas que tinha estado com ela. Mas alguma coisa dentro dele pedia por aquele encontro.

Repetia para si mesmo que era um exagero ficar “pegando no pé” da garota daquele jeito. Eleanor certamente devia estar dormindo ainda há essa hora. Seria ridículo que ele fosse bater em sua porta! Ela pensaria que ele não confiava nela... Suspirou pesadamente.

Apanhou um jornal que descansava sobre a mesinha próxima. Precisava distrair-se. Em meio a outro suspiro abriu o periódico. Havia uma matéria sobre musica que chamou sua atenção, mas não estava com paciência para leitura. Continuou folheando, sem se deter demoradamente em nenhum artigo em especial. Até que uma foto em especial o fez parar, quase se afogando com o ar que respirava.

Era uma matéria sobre a ultima exposição das peças que sua namorada produzia. Todos os eventos que ela promovia eram sucesso! Atraiam muitos compradores interessados em esculturas, especialmente homens! Essa era a parte que lhe desagradava um pouco. Mas a foto realmente tinha chamado sua atenção.

Lá estava Eleanor rodeada por uns quatro homens, e devia admitir, eram bonitos. Ela sorria animada, enquanto se apoiava aos ombros deles. Respirou fundo antes de pensar em qualquer coisa e apressou-se em ver a legenda que completava aquela imagem.

“A ninfa escultora” Era o que estava escrito. Não que a referência à beleza da namorada lhe incomodasse, mas para garantir que não havia nada ofensivo ou abusivo na matéria, correu os olhos pela folha. Leu o texto apressadamente, como se  as palavras fossem fugir a qualquer momento.

“... nada disse sobre o namorado...” Apenas isso. Uma frase solta no meio da reportagem sobre ele, sem sequer fazer uma referência ao seu nome. Fechou apressadamente o jornal e jogou-o novamente sobre a mesinha. Ficou fitando aquele pedaço de papel, como se ele pudesse atacá-lo a qualquer momento. Logo, cansou de ficar sentado.

Levantou e começou a andar de um lado para outro sobre o carpete escuro do quarto. Não adiantava, não conseguia pensar em outra coisa que não fosse ir até o quarto de Elle. Sentou-se na cama, apanhou os sapatos e calçou-os ansiosamente. Pegou sua jaqueta e em seguida disparou através da porta.

Ainda teria que esperar pelo elevador e descer quatros andares para encontrá-la. Parecia que o caminho ficara mais longo naquele dia. O tempo de espera pareceu ser de horas... quando finalmente desembarcou no andar dela, precipitou-se corredor afora apressado. Mas ao ver uma das camareiras deixando o quarto para onde se dirigia, diminuiu o ritmo um tanto surpreso.

- Procurando pela senhorita que está neste quarto? – perguntou sorridente a morena que empurrava um carrinho com roupas de cama e banho.

- Sim... – respondeu ele hesitante.

- Ela saiu faz algum tempo! – esclareceu a jovem, afastando-se em seguida.

- Obrigado... – agradeceu, enquanto tentava assimilar o que ouvira.

“Faz algum tempo...” Repetiu ele mentalmente, enquanto procurava entender o sentido daquelas palavras. Sim! Aquilo queria dizer que ela não estava ali. Não estava dormindo como ele pensara. E talvez estivesse acordada até mesmo dele! A cada nova constatação o rosto de Nick ficava mais e mais quente e vermelho.

Com a mesma pressa com a qual se dirigiu até ali, ele conduziu-se até recepção em busca de uma direção a tomar. A atitude já tinha bem clara em mente. Teria uma conversa muito séria com ela. Aquela não era a primeira vez  que ele dava de cara com a foto dela no jornal com outros homens, sem que nada fosse dito sobre ele, deixando assim margem a especulações. Também não era a primeira vez que se desencontravam daquela maneira.

O mais importante era resolver aquilo sem mais um rompimento. Não seria bom. Fazia pouco tempo que tinham voltado. Suspirou quando se lembrou disso. Gostava dela sinceramente, mas algo simplesmente não funcionava como deveria. Havia sempre alguma insinuação, sempre alguma indicação da impressa e ele se incomodava com aquilo.

Assim que avistou o balcão da recepção, ainda mais ansioso, apressou-se em alcançá-lo. Embora não soubesse o que dizer ou perguntar. Mal havia se aproximado, percebeu a jovem que ali estava sorrindo para ele e se abaixando para apanhar algo. Franziu a testa por um instante e continuou seu caminho, até debruçar-se no balcão de madeira.

- Bom dia, eu... – iniciou para ser interrompido em seguida.

- Bom dia senhor Carter! Sua namorada deixou isso para o senhor a algumas horas! – disse a menina entregando-lhe uma folha que se parecia com a dos blocos de anotações existentes nos quartos e em quase cada canto daquele hotel.

- Obrigado! – gaguejou, apanhando o papel, incapaz de outra reação.

Horas? Ela dissera horas? Como isso era possível? Onde Eleanor estava afinal? O que estava fazendo? E, o mais importante, com quem ela estava? Respirou fundou antes de abriu o bilhete dobrado. Os dedos tremiam.

“Nick querido! Ligaram-me e tive que sair. Que tal jantarmos? Encontro você a noite! Beijos! Elle!”

À noite? Onde ela iria estar até lá? Por que não ligara ao invés de escrever um bilhete numa página ordinária de um bloco qualquer? Amassou o bilhete violentamente na mão e saiu apressado para o estacionamento. Apanhou seu carro e foi para o único lugar que imaginou que ela pudesse estar: a galeria de artes.

Enquanto dirigia, uma série de possibilidade dançava em sua mente. Cenas distorcidas de Eleanor com outras pessoas, outros homens. Sacudiu a cabeça violentamente espantando aquele tipo de pensamento. Não queria e nem podia pensar naquele tipo de coisas. Assim que entrou na rua onde ficava a galeria, diminuiu a velocidade.

Passou em frente ao lugar bem devagar. Procurou perceber o movimento no interior, ao mesmo tempo em que se encolhia no banco, buscando ocultar-se. Havia luzes, mas ele não conseguiu certificar-se da presença de ninguém. Seguiu até a esquina, onde fez um retorno e tornou a passar pela frente do lugar, desta vez, parando o carro na calçada oposta.

Mais uma vez, espichou o olhar através da porta de vidro escuro, tentando vislumbrar se Eleanor ali se encontrava. Mas parecia um esforço inútil. Tudo o que via era luzes e sombras brincando nas paredes. Suspirou. Decidiu que ficaria ali, parado, até ver a garota, ou até ter certeza que ela não estava ali. O que viesse primeiro.

Retirou o celular do bolso e consultou o horário. Em seguida deixou-a a vista, para o caso de ela ligar... Escorregou um pouco mais no banco, para que não fosse visto tão facilmente, e esperou...

Naquele momento, as horas pareciam transcorrer com imensa lentidão. Não importava quantas vezes ele ligasse e desligasse o rádio, ou quantos minutos passasse concentrado na porta... o tempo simplesmente parecia não passar. Chegou a cochilar por alguns minutos, acordando sobressaltado, em seguida. Precisava manter-se alerta.

Depois de algumas horas de vigília, percebeu uma pessoa através da porta. Um homem. Agitou-se ainda mais e espichou a cabeça pelo vidro da janela fechada. Quem era aquele? Demorou-se algum tempo especulando e voltou a se concentrar. Logo, viu Elle ser puxada pela pessoa que avistara primeiro. Puxada e abraçada.

Chegou a pôr a mão na porta para abri-la, mas acabou por desistir. Não ia protagonizar um escândalo. Não! Não ia dar um show para a imprensa. Com muito custo deteve-se e voltou a observar o que acontecia no interior do prédio. Mas quando o fez, percebeu que eles não estavam mais em seu campo de visão.

Onde estavam? Para onde tinham ido? Percorreu o tanto que pode com os olhos. Cada janela que seus olhos alcançavam. Mas nada. Nenhum sinal da namorada ou do homem misterioso. Suspirou pesadamente e escorregou mais uma vez no banco. Esperaria mais.

Precisava ter certeza do que tinha visto e afastar qualquer  suspeita vã que pudesse ter.

O sol começava a se esconder e Nick começava a sentir o estomago doer. Percebeu só aí que havia passado o dia inteiro ali, encolhido no banco da frente do seu carro, espreitando a namorada. Coçou os olhos por um momento, o sono também começava a incomodar, e voltou sua atenção para o prédio da galeria.

Percebeu um movimento diferente então. As luzes pareciam estar se apagando. Será que iam sair? Empertigou-se apressado e ansioso. Apurou a visão e percebeu que Eleanor deixava o edifício. Mas onde estaria o homem? Aquele que ele vira abraçá-la? Enrugou duramente a testa, concentrado nesse pensamento, mas sem deixar de prestar atenção nos movimentos da garota.

Eleanor fechou a porta à chave e afastou-se devagar na direção de seu carro. Nick endireitou-se no banco e ligou o carro. Lá se ia ela pela rua que começava a ficar escura e logo atrás dela, partiu Nick. Ainda não sabia direito por que a estava seguindo, mas tinha para si que era o que precisava fazer.

Enquanto perseguia a garota, com os faróis apagados, Nick, devidamente oculto pelo escuro da noite que começava a intensificar-se, continuava curioso com o desaparecimento do desconhecido. Ainda tinha o rosto contraído, concentrado na busca por alguma resposta. Preferencialmente uma que não o magoasse...

Ao ter um breve momento de lucidez, ele olhou pela janela e reconheceu o caminho que estavam tomando. Eleanor parecia estar voltando para o hotel. Por um momento temeu o que ela pensaria se soubesse que ele andara vigiando-a durante todo o dia. Hesitou  sobre como se comportar quando chegassem ao hotel. Mas acabou por decidir-se a nada dizer, não era necessário e também, ele começara a chegar à conclusão que tinha exagerado em suas conclusões preliminares.

Certamente o homem na galeria deveria ser algum amigo... Talvez um agente ou cliente importante. Talvez até fosse gay! Alguns dos clientes dela realmente eram gays! Cogitou, aliviado. Chegou mesmo a esboçar um sorriso, ao entrar com o carro no estacionamento do hotel, mas logo seu sorriso se desfez.

Logo a frente via o carro de Elle parado e ao lado dele um outro carro, que ele não conhecia. A garota estava parada entre os dois veículos e próximo dela estava ele! O homem misterioso da galeria. Nick estremeceu. Não esperava ver algo como aquilo. Diminuiu a velocidade ainda mais e estacionou um pouco mais distante.

Precisou de alguns segundos para retomar o controle, antes de decidir qualquer coisa. Respirou lenta e pausadamente, procurando não pensar em nada, não ser precipitado. Devagar, abriu a porta e pôs as pernas para fora, mas ainda não se sentia seguro em sair e ir ao encontro de Eleanor.

Acabou agindo de forma quase mecânica. Tirou a chave da ignição, guardando-a no bolso. Apoiou os pés no chão, do lado de fora do carro, e ficou em pé. Empurrou a porta, fechando-a sem ruído. Saiu caminhando lentamente.

Quando se aproximou de onde estava a namorada, percebeu que ela conversava animadamente com aquela pessoa, fosse quem fosse. Suspirou uma vez , erguendo a cabeça e finalmente encarando a garota e o desconhecido.

- Nick? – admirou-se Eleanor ao vê-lo.

O homem girou o pescoço, exibindo um sorriso largo e olhou para o loiro amistosamente. Nick cerrou o punho duramente, mas não esboçou nenhuma reação, apenas desviou o olhar na direção do rosto da namorada que ainda parecia surpresa.

- Eleanor... – foi tudo o que ele disse.

- Bem... Esse é Joshua! – com o braço ela indicou o jovem próximo dela. – E esse é Nick... – disse invertendo o gesto, olhando para Joshua e apontando Nick.

- Oh! Claro! O Carter! – concluiu o jovem sorridente.

- Sim... – concordou Nick com um ar sombrio.

- Bem... Tenho que ir agora... – disse aproximando-se de Eleanor, abraçando-a pela cintura e beijando-lhe o rosto. – Nos vemos amanhã... – disse, entrando no carro em seguida e saindo.

- Certo! – concordou ela sorrindo enquanto ele partia. Em seguida, voltou-se para Nick. – E então? – esperou que ele dissesse qualquer coisa, mas ele permaneceu mudo. – Ainda é cedo, mas podemos jantar se você quiser! – disse sorrindo.

- Elle... – iniciou num tom de voz estranho.

- Diga... – respondeu ela, sem perder a animação, dando as costas na intenção de seguir para o interior do hotel.

- Ouça... – disse ele estendendo o braço e apanhando o braço dela. – Precisamos conversar...

- Ai! – ela reclamou, pois ele segurava seu braço com força. Quando olhou no rosto dele, assustou-se. – Nick?

- Precisamos conversar a sério! Sobre nós! – advertiu ele, colocando uma expressão espantada no rosto dela.

 

 

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