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Capitulo 17 – Superproteção - Parte 2 Subtração...
Brian saiu e Cibele ficou sem ação, sentada na poltrona, olhando a porta se fechar. Uma série de coisas passou por sua cabeça e por fim. Levantou-se e voltou a sentar-se umas três vezes. Olhou o menino que continuava dormindo. Precisava mover-se, ir atrás dele... precisava fazer alguma coisa. Levantou-se num salto e deixou o quarto, olhando mais uma vez o menino que continuava dormindo. Não haveria problemas em deixá-lo ali... Certamente resolveriam tudo em alguns minutos e voltariam para observar o sono dele. Saiu apressada. Brian tinha voltado para o seu quarto, e embora ela não tivesse entendido direito o que acontecera, iria resolver aquilo. Atravessou o correr quase correndo e respirou fundo antes de bater na porta dele. Não demorou a que ele a abrisse. - Entre... – disse dando as costas. - Brian... – iniciou sem jeito. – O que aconteceu? – perguntou confusa. - Não... Na verdade nada que não venha acontecendo há muito tempo... – disse caminhando em direção ao dormitório. - Do que você está falando? – retomou indo atrás dele. - De nós... Nós três... – explicou apanhando uma mala. - Nós... Três? – repetiu sem entender. - Sim! – confirmou. – Eu, você e Baylle! Por que esse relacionamento é a três, não é? Ou pelo menos era assim... - Era? – repetiu ansiosa. – Por que está falando assim? - Ah! Minha querida! Você passa mais tempo com Bay que comigo! Certamente há algo errado aqui... Eu certamente estava imaginando alguma coisa que não existe... – colocando algumas roupas na mala. - Hã? – chocada. – Mas Brian... Eu amo você! - São palavras bonitas, mas precisava demonstrar isso melhor... – comentou com desinteresse. - Oh! – levando a mão à boca. – Você... Não me ama? –questionou ameaçando chorar. - Não é isso... – disse detendo-se e voltando-se para ela em meio a um suspiro. – Você não vê? - Ver? O que quer que eu veja? Tudo o que vejo é que amo você e parece ignorar isso... – chorando. - Ignorar? – rindo nervosamente. – Se alguém está ignorando algo aqui, este alguém é você... - Eu? – surpresa. - Ah! Por favor! Diga-me, o que fizemos nesses quatro dias? – perguntou encarando-a. - Bem... – pensativa. - Deixe-me ajuda-la. Eu estive correndo atrás de você e Baylle... – enfatizou. - O quê? – ainda mais surpresa que antes. - Por que está espantada? Não tem feito nada além de tomar conta de Baylle, brincar com ele, cuidar dele... Não sobra muito espaço pra mim... – voltando a arrumar a mala. - Está com ciúmes do Baylle? – questionou boquiaberta. - Por deus! – jogando uma roupa dentro da mala. – Não é nada disso! - Então... – sem compreender ainda. - Cibele... – disse lentamente. – Achava que estávamos juntos por que nos amávamos... - Mas eu amo você! – precipitando-se na direção dela. - Mas passa mais tempo cuidado do meu filho! Preciso lembrá-la que não é mãe dele? – disse encarando-a. Cibele sentiu o corpo se petrificar. Jamais imaginaria Brian dizendo-lhe nada semelhante. Sentiu-se estranha, sem reação. Não via nada de errado em suas atitudes, mas... Não conseguia pensar em nada também. Sentia a garganta ardendo e uma vontade quase incontrolável de gritar. - Mas ele é só uma criança... – resmungou entre lágrimas. - Sei disso Cibele! Não estou questionando seu amor por ele... Estou apenas dizendo que você dispensa muito mais atenção a ele que a nosso relacionamento... Devo pagar serviços de “baby sitter” a você? - Oh! Brian! Que horror! – com as mãos no peito. - Mas está se parecendo muito mais com uma babá que com minha namorada... – disse de costas. - Não diga isso! – abraçando-o. – Eu amo você! - Você já disse isso... – disse soltando os braços dela. – E eu realmente acredito em você... Mas... – voltando-se para ela. – Acho que dizer “eu amo você” é muito pouco pra mim... Sinto muito! – afastando-a. - Sinto muito? – repetiu gaguejando. – O que está fazendo? – percebendo então a mala sobre a cama. – Não pode ir... Vai me deixar? – aumentando as lágrimas. - Você já fez isso... Estou apenas indo embora... – disse colocando mais coisas na mala. - Não! Brian! – gritou. – O que quer que eu faça? Diga! Eu faço! - Você já fez meu amor! Já demonstrou o quanto sou importante para você! – fechando a mala. - Mas você é importante... É tudo para mim! – avançando sobre a mala. – Não pode ir! Não pode! – chorando. - Mas preciso... Estamos perdendo tempo nisso... – disse olhando-a. - Não faça isso comigo! – abraçando-o fortemente. - Oh! Não dificulte as coisas! – disse suspirando. - Eu amo você, preciso de você, eu quero que fique! – chorando compulsivamente. - Cibele! – alterou-se. – Quando percebeu isso? Não fez a menor questão de demonstrar nada disso até agora. Simplesmente me ignora... Toda a vez. Não consigo trocar duas palavras com você sem que você me interrompa preocupada com o Baylle... – apanhando a mala e tentando caminhar. - Oh! Eu sinto tanto meu amor! – escorregando, sem solta-lo. – Por favor, me perdoe! – caindo de joelhos e abraçando as pernas dele. - Não faça isso! Deixe um pouco de dignidade desse relacionamento... – resmungou olhando-a. - Deixar? – repetiu olhando-o confusa. – Não pretendo deixar nada. Não vamos nos separar... - Por que insiste nisso? O que vai mudar? – questionou torcendo os lábios. - Eu prometo me esforçar... Prometo! – garantiu soluçando. - Ah! Você sequer consegue me ver ou me ouvir. Não fosse por hoje, jamais perceberia o modo como me trata! – abaixando-se e fazendo-a levantar-se. – Não entende que é inútil? Os dois se olharam nos olhos. Brian realmente a amava, mas não acreditava mais que aquilo podia dar certo. Parecia mesmo que ela ignorava as necessidades dele, agia como se ele fosse peça de decoração na maior parte do tempo. Mas, olhando os olhos úmidos dela, sentiu uma imensa vontade de desistir de tudo e ficar... Os olhos dela ardiam e doíam imensamente. Seus pensamentos estavam confusos e emaranhados como um novelo velho de lã. Não conseguia entender mais nada. Ela tinha sido assim tão negligente? Por que ele nunca dissera nada antes? Quanto mais tentava se concentrar, mais chorava e mais confusa sentia-se. Brian afastou Cibele e caminhou lentamente até o sofá no outro cômodo. Não tinha coragem de simplesmente sair e deixa-la ali, chorando daquele modo. Mas também, não tinham mais animo para lutar. Suspirou pesadamente. Ela apenas fez segui-lo, de olhos molhados e baixos. Não sabia mais que argumentos usar para que ele desistisse de ir embora e deixa-la. Já tinha dito que o amava e mesmo assim nada mudara... - Não pode ser definitivo... Não pode... – repetia ela ajoelhando-se em frente a ele. - Por favor... Eu tentei! – suspirou. - Eu contrato uma babá e... – apoiando as mãos sobre as pernas dele. - Não é sobre o Baylle. Cibele, você simplesmente não me vê! Agora é por causa dele, mas e depois? Certamente vai haver outra coisa e não estou disposto a ficar correndo atrás de você e disputando sua atenção... – disse calmamente. - Brigue comigo! – gritou. – Grite! Não fique tão calmo... Assim me assusta! Parece que não faz diferença... – esfregando os olhos. - Não adianta nada nos desgastarmos agora! Devíamos ter nos esforçado mais antes... – disse olhando-a com pesar. – Por favor, levante-se! - Não! Ainda não é tarde demais! Por favor! – voltando a chorar de forma compulsiva. - Eu sinto muito! Fiz todo o esforço que podia para que você me visse, me notasse, mas... – olhou-a nos olhos. – Estou cansado demais meu anjo! Perdão! – suspirando. - Eu fui uma tola! Admito! Por favor, me perdoe! – pediu olhando-o nos olhos. - Cibele! Por favor! Eu não quero vê-la chorando... Nem quero que se sinta mal... No fim, vai ver que não era para ficarmos juntos mesmo... – afagando os cabelos dela. - Não é justo... – resmungou ela. - Não vamos discutir justiça... Muitas vezes eu precisei de você e sequer pude lhe falar de minhas preocupações... Você simplesmente não me ouvia... Exatamente como fez hoje! – ressaltou magoado. - Oh! – disse ela levando as mãos à boca. - Melhor eu ir embora logo... – levantando-se. – Pode trazer o Baylle? – perguntou carinhosamente. - Mas... Mas... – insistiu. – Eu não quero que você vá! – abraçando-o. - Coisas como querer não fazem mais diferença agora meu bem... – disse acariciando o rosto dela. Por um instante, ela manteve-se imóvel. Os dois continuaram se olhando. Brian ainda mantinha a mão junto ao rosto dela, de forma carinhosa, mas ao mesmo tempo, num gesto de despedida. Ela entendeu que estava acabado. Não havia mais nenhum esforço que fizesse que fosse trazê-lo de volta para ela. Brian pensava no quanto estava sendo duro e intransigente, mas também recordava o tanto que estava sentindo-se sozinho, mesmo estando ao lado dela. Aquilo não devia continuar daquele modo, não podia. Se quem devia tomar a atitude dolorosa era ele, assim seria. Não adiaria o inevitável. Seria melhor que fosse sem que brigasse e acabassem se odiando. - Você tem mesmo certeza do que quer fazer? – perguntou entre lágrimas. - Tenho! – garantiu Brian, mesmo sentindo seu coração comprimir-se. - Está certo... – disse afastando-se e enxugando as lágrimas. – Eu irei trazê-lo... – saindo com a cabeça baixa. Ele voltou a sentar-se pesadamente na poltrona. Refletiu por um momento, para ter certeza que estava de fato tomando a atitude certa. Mas, mesmo que tivesse uma série de duvidas, era inútil prosseguir com aquilo. Seria ainda mais doloroso, para ambos. Recostou-se e procurou relaxar até que ela retornasse com o menino. Fechou os olhos cansados. Os minutos se passavam, desta vez, rápido feito às águas de uma correnteza. Quando Brian abriu os olhos novamente e consultou o relógio, constatou que Cibele já estava demorando um bocado. Levantou-se, na intenção de ir encontrá-la no quarto, mas decidiu a meio caminho que devia esperar um pouco mais. Quinze minutos depois, foi tomado de uma apreensão incrível. Já estava demorando demais! Esqueceu-se da mala e de qualquer outra coisa e partiu para encontrar com ela em seu quarto. Atravessou o corredor a pessoa apressados e nervosos. Ouço antes de alcançar a porta dela, sentiu como se seu coração estivesse entrando em colapso. A porta estava escancarada! Ele, então, correu a fim de descobrir o que estava acontecendo. Encontrou apenas um quarto vazio. A cama ainda estava desarrumada. Olhou ao redor, procurando por vestígios que lhe indicassem o que ocorria ali. Não via nem as roupas, nem as malas. Sentiu como se fosse perder os sentidos, como se o chão lhe fugisse sob os pés. Correu para fora quase em desespero. Alcançou a recepção, ofegante e angustiado. Não havia sinal deles. Deteve-se olhando para a porta de saída por alguns instantes. Apressou-se até lá, na esperança de ainda conseguir apanhar o rastro dela e do filho, o que se desfez assim que cruzou a porta e encontrou a rua quase deserta. Quando voltou para o interior do hotel, sentia que começaria a chorar a qualquer momento. Sentou-se em um dos sofás da recepção sem ter certeza em que pensar. Estava tão desorientado que sequer percebeu a aproximação de uma jovem com um pedaço de papel nas mãos. - Com licença senhor... – disse. - Sim? – respondeu ele um tanto sobressaltado. - Seu nome é Brian? – perguntou a moça, segurando papel junto do peito. - Sim... – respondeu gaguejando. - Deixaram isso para o senhor na recepção... – entregando o papel e saindo em seguida. Brian apanhou o pedaço de papel com as mãos trêmulas. Abriu-o devagar, num misto de ansiedade e medo. Evitou olhar o que havia escrito no primeiro momento. Só depois de um longo suspiro, baixou os olhos... Seus olhos rapidamente se encheram de lágrimas e ele levou as mãos, ainda segurando o papel e chorou dolorosamente. “Adeus” era tudo o que dizia o bilhete...
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