Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

CAPÍTULO 03

SOB A ESCURIDÃO DA NOITE...PARTE 01

 

INGLATERRA –  Alguns dias após a morte de Edward Van Hellsing.

EM ALGUM LUGAR NO SUBURBIO DE LONDRES...

 

Um jovem usando um longo sobretudo negro aproximava-se de um prédio abandonado. Um cheiro forte e acre o fez cobrir o nariz. Era ali certamente. Antes de entrar, voltou-se por um momento. Afastou-se uns passos e olhou para o alto. Eles estavam ali. Ele a estava treinando, finalmente. Abaixou a cabeça, sabendo que apesar de estar ali para apoiá-los e lutar ao lado deles, não podia aparecer diante dela.

- Alexander? – a voz grave veio de trás dele.

- Mestre... – voltando-se lentamente.

- Vejo que ainda não esqueceste tua menina... – dando um meio sorriso que deixava à mostra a afiada ponta dos caninos.

- Elisabeta... Ou Shannya como a chama agora... Não... Nem por meio segundo... – olhando novamente para o alto do prédio. – O que houve aqui?

- Algumas crianças malcriadas... Um vampiro rude e mal educado... E bastante confusão... – aproximando-se.

- Tem se tornado excessivamente comum esse tipo de incidente... Logo teremos companhia... – caminhando para a entrada.

- Tu também sentes a presença de Howard? – sorrindo. Alexander voltou-se.

- E como não o sentiria? Eu o criei! – dando as costas novamente.

- Certamente um erro que gostarias de corrigir... – acompanhando Alexander para dentro do lugar.

- Não... Sou tal qual ela... – apontando para cima. – Não tenho a sua sede de sangue meu mestre! – fazendo uma reverência curta e apressando-se escadas acima.

- Por enquanto meu caro... – observando-o sumir nas trevas. – Por enquanto... - desaparecendo na penumbra em seguida.

Dentro do prédio, Shannya atravessava um largo corredor com uma espada prateada na mão arrancando algumas cabeças pelo caminho. Aprendera com seu mestre que apenas uma pessoa pura podia se tornar um vampiro quando tinha seu sangue misturado por um... Caso contrário, tudo o que aconteceria seria a criação de um ser sem alma, um zumbi com fome e sede.

Era o que havia ali. Dezenas de vampiros-zumbis. Bastava que lhe arrancasse a cabeça e viravam pó instantaneamente. Não havia outro modo. Embora relutasse a principio, descobrira que não se podia salvar um humano depois que se tornava um daqueles zumbis... Por isso, já não sentia remorso algum em  empunhar sua espada e arrancar as cabeças deles.

Atrás de Shannya, o general Pollack caminhava decididamente, trazendo nas mãos uma Casul 454, especialmente modificada para aquele trabalho. No interior da arma, projéteis de 13 mm, banhados com a pura prata extraída da cruz da catedral de Lanchester. Dentro dos projéteis uma carga de urânio enfraquecido. Eficaz contra os zumbi e boa o bastante para os vampiros também.

- Onde ele está? – olhando ao redor.

- Acalme-se Senhorita! Com a sua presença, ele possivelmente se escondeu... – Pollack mantinha a arma em frente ao corpo.

- Com tantos zumbis, o mestre deles não pode estar muito distante daqui... - inquieta.

- Nossa outra equipe vai alcançá-lo... A senhorita ainda está em treinamento e... – Pollack viu-a parar e voltar-se.

- General Pollack? Posso pedir-te um obséquio?- olhando-o.

- S-sim... – por mais que estivesse acostumado com Alexander, a menina ainda assustava-o. Talvez por trazer nos olhos o mesmo brilho que seu mestre...

- Podes, por gentileza, chamar-me apenas de Shannya? – sorrindo.

- Oh! – aliviado. – É claro! Como a senho... – um vulto surgiu entre eles.

Agilmente a garota empunhou a espada e de um só golpe sua lâmina atravessou o pescoço do zumbi em questão. Ela ainda teve tempo de ver seu rosto. Seria apenas uma garota comum... Uma linda garota de olhos azuis... Suspirou embainhando novamente a espada. Deu as costas para Pollack e seguiu novamente corredor afora.

Dois andares acima, Alexander caminhava lentamente pelo corredor. Suas botas pesadas faziam o piso antigo de madeira estalar. Seus olhos esquadrinhavam cada palmo do lugar. As paredes estavam tingidas de sangue... O chão repleto de dejetos e sujeira... Em cada uma das mãos trazia uma arma. Uma Casul 454, diferente daquela que Pollack possuía, ainda mais modificada, maior e mais pesada... Coisa que somente alguém com uma força sobre-humana poderia manipular. E na outra mão, uma Jackall 13 mm de 16 quilos e 39 cm de espessura, com capacidade para 6  balas, com projéteis feitos de um amálgama bento, com carga de pólvora de uma formula da NNGA da CIA da Macedônia, especialmente preparada para vampiros... Eram as armas do seu mestre antes de serem suas...

Deteve-se ao ver uma sombra num canto encostada a parede. Chegou a erguer suas armas, mas abaixou-as em meio a um suspiro assim que percebeu que se precipitava.

- Ele está no piso superior... – disse o vampiro de braços cruzados e cabeça inclinada e um indicador que apontava pra cima.

- E o que fazes aí que ainda não o fostes apanhar? – perguntou Alexander impaciente.

- Eu? – apontando para si mesmo. – Aposentei-me meu caro! – sacudindo uma mão. – Por que teria criado você e sua alma gêmea se ainda fosse caçar essas baratas? – olhando-o por isso dos óculos de lentes alaranjadas. – Ademais, és tu quem traz as armas... – sorrindo.

Alexander suspirou e seguiu escadas acima, não sem antes passar os olhos novamente por aquela figura de chapéu  e sobretudo vermelhos para ali. Como ele podia ser sempre assim? Não tinha como ser diferente... Ele era superior a qualquer imortal existente na terra. Voltou-se e olhou-o mais uma vez. Era sádico, psicótico, irônico... Mas ainda assim era o vampiro mais poderoso que já existira...

 

CENTRO DE LONDRES...

 

- Então você existe realmente... – disse o padre cruzando as mãos sobre o peito.

- Não! Em verdade se por existir refere-se a viver... Não! Mas estou aqui e sou real! – apanhando uma maça do cesto e mordendo-a.

- Howard Dwaine Dorough! – o padre viu o vampiro fazer uma extensão reverencia.

- Ao seu dispor, padre Kevin Scott Richardson! Ou devo chamá-lo apenas de padre paladino?

- Vejo que és tão bem informado quanto eu... – sorrindo. – Sabes acaso, o que veio fazerdes aqui?

- Eliminar da face da terra qualquer vestígio, traço ou pequeno pedaço de carne dos inimigos do Senhor! – vigorosamente.

- Humm... Isso é deveras muita agradável de ouvir! Mesmo partindo de um ser da noite... - erguendo as densas sobrancelhas.

- Se sou o que sou isso se deve a um deles... Aquele que serve aos Hellsing, tal qual seu mestre e sua parceira... – contraindo o cenho.

- Sim! Alexander! Um cavaleiro da ordem real que por desvelo do destino foi envolver-se justamente com Elisabeta Hellsing... A protegida do rei dos mortos...

- E que por ainda maior desgraça veio a bater-se com tais seres imundos e ser apanhado na teia de sedução daquele monstro sem alma... – cerrando o punho.

- D? Receio que ele realmente não possua algo como uma alma... Mas asseguro-te que os sentimentos dele por Alexander e Elisabeta são os mais sinceros e profundos...- olhando o jovem vampiro seriamente. – Embora eu desconheça a origem disso...

- D... Por que tu o chamas assim? Parece que tens medo até de pronunciar-lhe o nome.

- Bem... De fato, assombra-me o fato de que ele seja quem é... O conde... O rei de todos eles... Os Hellsing o tratam por um apelido bastante apropriado... – sorrindo.

- Sim... Conheço-o! Seja qual for sua denominação, sua existência terá fim quando eu encontrar-me com ele...

- O fato, meu caro Howard... – levantando-se. – É que para aproximar-se dele terás que transpor sua proteção: Alexander e Shannya! Está a ultima a própria Elisabeta... – Howard baixou a cabeça e sorrindo.

- Sim... E o farei com imenso prazer!

 

NO PRÉDIO ABANDONADO

 

-Hei!

- Hã? O quê? – Brian estava escondido em um canto, abraçado a uma mochila de tecido grosso, onde trazia as outras armas usadas por Shannya.

- Monge? – aquela voz grave e açucarada sacudiu-lhe o espírito.

- Oh! Meu senhor! – curvando-se.

- Ponha-te ereto homem!- disse o vampiro rindo. – Escuta... Parece-me que será parte do castelo... – estreitando o olhar.

- C-creio que sim senhor... – com a voz trêmula.

- Devo contar-te algumas coisas por certo... – coçando o queixo. – Queres a explicação mais extensa e detalhada, ou um resumo instrutivo? – sorrindo maldosamente.

- O que lhe parecer mais correto meu senhor... – assustado.

- Certo! – apoiando uma perna no corrimão da escada e as mãos sobre os joelhos. – Vamos ao resumo. Shannya não parece ter a intenção de transformá-lo em um de nós... Mesmo sabendo possível, pois sendo tu um monge, certamente és puro... Ou não? – olhando maliciosamente.

- S-sim, s-sou sim!- trêmulo.

- Em breve entenderá melhor o que somos e como vivemos. No momento basta que saiba que somos cavalheiros da ordem real sacristã, servindo a Deus e a rainha. Eu mesmo já exerci o posto que hoje pertence a Alexander e Shannya. O lixeiro, o assassino, a arma secreta da Organização Hellsing! – olhando para um ponto qualquer na parede.

- Ordem real sacristã? – com uma ruga entre os olhos.

- Exatamente! O que fazemos? Varremos a terra de vermes que acreditam ser vampiros... – riu ironicamente. – Apenas lixo! É o que fazemos!

- Mas também são... – gaguejando.

- Sim! Nós somos... Somos vampiros. – sorrindo. – Eles são meras criaturas fracas e imperfeitas... – olhando ao redor.

- S-sim...

- Ouça! Qual é o teu nome? – já saindo na direção das escadas.

- B-brian Thomas... – não conseguiu dizer o resto.

- Uhn! Tenho muitos nomes... Há algum tempo passaram a chamar-me de... D! Mas não se surpreenda se ouvires outras denominações...

- Sim! Mestre... – o vampiro deteve-se.

- Hei! Ela é sua mestra... É a ela que você serve! – saindo escadas acima. - Particularmente acostumei-me com o nome que meu antigo mestre me chamou... - olhou para cima, ainda de costas. – Alucard!

 

 

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