Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

CAPÍTULO 02

RESPONSABILIDADES...

 

INGLATERRA – Há cinco anos atrás

CEMITÉRIO DA PROPRIEDADE HELLSING

 

Enquanto o padre proferia as palavras de discurso, ele esfregava os pés naquela terra escura. Ali, dentro daquele caixão de madeira estava a sua referencia de mundo, de autoridade. O que separava a sua vida das complicações diárias. O que mantinha a mansão distante do castelo. Ergueu seus olhos para o céu e deu um longo e profundo suspiro.

Ao redor dele uma série de autoridades, de seu país e estrangeiras. Semblantes sérios e concentrados. Nenhuma comoção genuína. Mas adiante, os soldados da organização e alguns membros da guarda real. A rainha estava ali... Muito segura, dentro do seu veiculo blindado. Talvez estivesse acompanhando a movimentação através de seus vidros escuros ou algum monitor de TV. Tornou a suspirar.

Bem mais distante, há alguns quilômetros, ele pode avistar o topo da torre principal do castelo. Anteriormente sua família já morara lá... Hoje ele era ocupado por outros. Não... Nenhum deles estava presente ali. Não podiam... Se estivessem, seria uma presença incômoda... Mas ele podia jurar que havia ao menos dois pares de olhos avermelhados dirigidos para o cemitério naquele momento.

 

NO CASTELO...

 

E não estava enganado... Do alto da torre, através da janela, ela observava a tudo atentamente. Os braços soltos ao longo do corpo, as mão repousadas suavemente sobre o veludo macio do vestido. O olhar fixo naquele ataúde de madeira... Havia alguma emoção nela, mas não sabia precisar bem qual era...

- Shannya? O que tanto a perturba? – ela voltou-se rapidamente.

- Mestre... Sinto como se... Acho que estou com medo... – baixando a cabeça.

- Medo? E o que a aterroriza? – ele tomou as mãos dela entre as dele.

- Nicholas... Ele é tão infantil e incapaz... – o homem metido num pesado sobretudo vermelho gargalhou sonoramente.

- Nicholas é uma criança minha cara... – ela voltou-se com uma expressão espantada.

- E então? Agora que o pai se foi... Quem irá tomar a frente de tudo?

- Nicholas, ora! – ela sacudiu a cabeça.

- Não compreendo... – ele sorriu.

- Há muito que não compreende e assim será ainda por algum tempo... Apenas precisa se preparar... O dia em que deixará o lugar de serva e passará a mestre, não está distante...

 

VATICANO -  ITÁLIA

 

- Oh... Ele morreu? – suspirou. – Pobre Edward Van Hellsing... Morreu deixando como único herdeiro de seu legado um estúpido menino de vinte e poucos anos. –resmungou.

- Padre... Não está levando em consideração as crianças do Sr. D.! – disse serenamente o homem de batina escura que se sentava em uma cadeira em frente ao padre.

- Dorough, meu caro…  Ainda acredita que estejam vivos?

- Padre Lancaster... Eu sei que estão vivos... Alexander e Elisabeta. E sei, além disso... O senhor sabe tanto quanto eu. Nicholas pode ser um néscio, mas tem como aliados pelo menos três vampiros poderosos e um deles, caro Lancaster, é o afamado Senhor D. – Lancaster sacudiu a mão.

- Se isso o preocupa tanto... – acendendo um charuto. – Vá para Londres... – apanhou um papel na gaveta da escrivaninha. – Procure por um padre chamado... – anotando no papel. – Richardson... Ele é o braço da nossa organização em Londres... – estendeu o papel rabiscado ao jovem a sua frente.

- Ainda assim... – olhou firmemente para o rosto do homem.

- O que mais tem a acrescentar? Você sente algum remorso? É isso? Ou teme reencontrar sua raça? – Dorough ergueu a cabeça e girando nos calcanhares saiu. – Estúpidos imortais... No fim, são tão humanos quanto quaisquer outros... – apanhou o telefone. – Ligue-me com Amateur... – disse secamente quando a assistente atendeu. – Agora que Nicholas está sozinho e perdido, podemos pensar em algumas coisas que andaram sendo... Impedidas pela organização Hellsing. – sorriu sordidamente.

 

NO MOSTEIRO...

 

Havia muita movimentação na cidade naquele dia. Brian preferia observar tudo da segurança de sua cela. Podia ver com certa clareza o cemitério, onde tantas pessoas estavam reunidas naquela tarde nublada. E se virasse a cabeça, avistaria as torres do castelo. Havia algo lá que o perturbava.

Em uma das raras oportunidades que tivera de deixar o mosteiro, encaminhara-se através das arvores, pelo denso bosque e aproximara-se de lá... Não vira ou ouvira qualquer coisa, mas podia jurar ter sentido algo muito poderoso. Uma presença tanto intensa que parecia fazer pressão sobre seu espírito. Saíra correndo de lá o mais rápido que pudera.

De volta ao seu refugio, ao contar sua história aos monges, ouvira a intrigante história de um casal de namorados que desapareceu em uma noite, durante batalhas ‘santas’ ocorridas naquelas paragens. Quando questionou sobre o que teria acontecido, ouviu os monges assombrados referindo-se a um homem do qual não se devia dizer o nome... E os gritos da jovem donzela que se arrastaram por anos e vinham da torre mais alta do castelo.

Quanta bobagem. Historias de terror como aquela apenas serviam para fazer com que jovens curiosos como ele não quisessem sair por ai explorando propriedade particular. Mesmo assim, olhando para lá novamente, o lugar parecia atraí-lo... Ouviu o arrastar da madeira no solo... Alguém entrava no lugar...

- Littrell... – ele voltou-se imediatamente.

- Pois não... – inclinando a cabeça.

- Eu não gostaria de pedir isso a alguém tão imaturo, mas... Recebemos um comunicado de Roma... Um comunicado que deve ser transmitido aos Hellsing o mais cedo possível... – Brian mantinha a cabeça baixa.

- Bispo eu...

- Cala-se. Ainda não terminei. Não estou lhe pedindo coisa alguma. Estou lhe ordenando que vista algo adequado e pegue um cavalo. Entregue isso ao jovem Nicholas... Aquele que não possui o sobrenome do pai... – resmungou o homem entre os dentes.- E volte em seguida. Sem conversas, sem paradas pelo caminho, sem distrações... Já é quase noite e mesmo você sendo um completo inútil, seria uma perda...

- Eu compreendo e cumprirei suas ordens...

 

CEMITÉRIO DA PROPRIEDADE HELLSING

 

Logo uma garoa fina começou a cair. As senhoras apressaram-se em proteger suas roupas e sapatos da água. Os homens agilmente cobriam as damas com seus casacos. Somente os dois coveiros pareciam indiferente aquele liquido gelado que as nuvens derramavam. E além deles, Nicholas que não moveu um só músculo...

- Temos que entrar Nicholas... – ele apenas ergueu os olhos.

- General... General Pollack... – ele olhava-o como um demente.

- Sei que tem uma grande dor a pratear, mas tem responsabilidades sérias a assumir meu senhor... – Nicholas olhou para o castelo mais uma vez.

- Posso me livrar deles? – Pollack voltou os olhos para o castelo.

- Shannya? D? Sabe que precisamos deles... Mesmo que não aprecie o auxilio que prestam... – Nicholas suspirou.

- Está ficando escuro... – disse olhando o céu.

- Sim está. – olhando ao redor. – Logo o lugar estará repleto daqueles a quem tanto hostiliza... um motivo a mais para voltarmos para a mansão. – Nicholas voltou a suspirar.

O céu já estava escuro. A noite já tomara conta de tudo. Mal era possível se enxergar o caminho de volta até a casa. Pollack estava preocupado com Nicholas, temia pela sanidade dele...

- Problemas com o garotinho? – a voz vinha do alto de uma arvore próxima.

- Alexander! – disse Pollack o censurando.

- Linda noite não concorda Nicholas? – ele simplesmente ergueu a cabeça. – Ora! Não vais me dizer que sentiu pela morte do seu pai? – saltando do alto da arvore. – Até onde eu sei... Não tinha muita estima pelo velho Hellsing... – Nicholas partiu para cima dele.

- Nicholas controle-se!- mas Pollack não conseguiu contê-lo.

- Não tenho remorsos... Está morto! Um estúpido que confiava em criaturas como você... – Alexander alteou as sobrancelhas.

- Criaturas  como eu promoveram a manutenção da vida da sua família... E isso já vem de alguns séculos. – apontou o castelo. – Vês? Lá... Ele ainda observa você... Não lhe deve obediência alguma, mas continua aqui, ao lado de lixo como você...

- Seu... – ameaçou avançar novamente, mas Alexander desviou do ataque e Nicholas tropeço na lama, causada pela chuva e acabou caindo.

- Hahaha... Leve o menino para lavar as calçar Pollack... E veja se lhe ensina boas maneiras... Creio que o mestre ira querer ter com ele mais tarde... – desaparecendo em seguida na escuridão.

- Nicholas... – estendendo a mão para ele. – Alexander está certo... Por mais arrogante que seja e isso faz parte de sua natureza, ele está certo. – Nicholas levantou-se esfregando a roupa.

- Vamos sair daqui... Antes que eu acaba encontrando outros desse seres imundos... – saiu pisando duro.

 

NO CASTELO...

 

- Shannya minha bela! Chegou o momento... – D caminhava lentamente na direção dos portões externos do castelo.

- Ainda não compreendo... – ele sorriu, deixando a mostra os pontiagudos caninos alvos.

- Sossegue minha menina... Saia e explore a noite... Quando retornar, vais compreender tudo... – os portões se escancararam e ela encarou o vampiro um tanto assombrada.

- Sozinha? Vais me mandar para lá... Sozinha? – apontando para fora.

- Vou... – cruzando os braços. – Vá... – empurrando-a levemente.

Shannya andou temerosamente pela escuridão, ouvindo risos e sussurros. Sabia de onde vinham. Eram os servos do seu mestre. Os outros moradores do castelo, com quem ela tivera sempre pouco ou nenhum contato. Orgulhosa, por considerar-se a preferida pelo mestre, ergueu a cabeça e marchou decididamente bosque adentro.

Tão decidida estava, que só percebeu o quanto havia se afastado do castelo quando se voltou e não avistou mais luz alguma. Por um momento perturbou-se. Apertou o tecido do vestido nas mãos. Teve vontade de voltar correndo por onde tinha vindo, mas algo a arrancou de seu desespero de uma vez.

Um cavalo assustado cruzou com ela correndo sem direção e relinchando nervosamente. O animal acabou derrubando-a no chão. Caiu sobre a relva molhada e impacientou-se, esquecendo-se do medo que ia apoderando-se dela ainda há pouco.

- Animal estúpido! – levantando-se e sacudindo as mãos e a roupa. Logo, porém um grito chamou-lhe atenção.

- Afaste-se! – ela apressou-se naquela direção.

Quando alcançou o local de onde vinha o grito, avistou um jovem de cabelos claros, encolhido junto a uma árvore, mais nada. Olhou em torno, esforçando-se para enxergar como sabia que deveria; apesar de não estar habituada a sua natureza. Foi quando pode divisar o contorno de outro ser ali presente. Franziu o cenho.

- O que fazes? – a criatura revelou-se uma linda jovem de longos cabelos avermelhados e dentes afiados.

- A inocente!- disse ironicamente. – Finalmente a donzela está fora de sua gaiola de ouro. – Shannya aproximou-se.

- O que este homem lhe fez? – a garota resmungou.

- É apenas ração... Da mais ordinária... E você nada tem a ver com isso... – avançou novamente na direção do jovem, mas a outra a impediu.

- Não! – abraçando o jovem e tirando-a de perto dela.

- Ah! Isso não é possível. O que quer menininha? O que tem você com esses mortais... – Shannya olhou o homem em seus braços.

- Não vejo qualquer motivo para matá-lo... – a vampira ruiva suspirou e olhou ao longe.

- Não posso bater-me contigo... Estaria arriscando minha existência... Tome o humano e faça dele o que melhor lhe agradar... – saiu resmungando.

Shannya suspirou e ajoelhou-se em frente aquela criatura que tremia muito, segurando nervosamente uma cruz prateada nas mãos. Ela sorriu, tentando acalma-lo, mas percebeu que isso só serviu para atormentá-lo ainda mais. Cobriu a boca com a mão.

- Não se assuste. Não lhe farei mal algum... Sim, eu sou uma imortal. Mas não somos todos animais irracionais como minha companheira o fez pensar...- ela levantou-se e estendeu-lhe a mão. – Qual o seu nome? – ele levantou-se ainda desconfiado.

- Brian... – ela tornou a sorrir.

- Chamo-me Shannya. – ela olhou-o seriamente. – Está ferido? – verificando que ele tinha uma extensa ferida no abdômen.

- Oh... – ela mordeu o lábio inferior.

- Acalme-se... – aproximou-se dele e depois de rasgar pele do braço com os próprios dentes derramou algumas gotas do seu sangue sobre o ferimento. – Para alguma coisa minha natureza serve... – sorrindo.

...

- Agora é a hora de assumir suas responsabilidades Elisabeta... – sussurrou o mestre, que observava tudo do alto da torre do castelo.

 

Hosted by www.Geocities.ws

1