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CAPÍTULO 01 RENASCER...
INGLATERRA – HÀ ALGUNS SÈCULOS... ARREDORES DE LONDRES
Havia dias que ela estava entediada. Como a filha mais velha, deveria se casar em breve, mas não desejava nenhum dos pretendentes apresentados por seu pai. Os Hellsing podiam ser muito seletivos quando queriam e esse era um traço da família muito presente nela. Mas havia outro motivo... Com o inicio das batalhas em nome de Deus, o ir e vir dos cavaleiros fazia seu coração disparar. Um deles em especial. Caminhava despreocupadamente pela colina, sem perceber que era observada. Ao longe, um homem alto e bastante sombrio a admirava. De todas as mulheres daquela casa, aquela era a única que despertava nele algo mais que gratidão... Não sabia ao certo o motivo daquilo, sabia apenas que sentia como se ela fosse diferente de todos. Embora carregasse consigo a maldição daquele sobrenome! Ainda tentava entender por que o pai dela a batizara daquela forma: Elisabeta. E pensar no quanto ela realmente se parecia com ela o perturbava... Lisa, como era chamada pelas irmãs, sentou-se sobre uma pedra, com o olhar perdido na direção da estrada. Logo os cavaleiros da ordem passariam por ali e ela finalmente reencontraria o rosto do amado. Abraçou as pernas e esperou pacientemente. - O que faz aí? - a irmã menor aproximou-se silenciosamente.. - Não me assuste assim Frida... Quer matar-me? -a menina riu, sentando ao lado dela.. - É perigoso, você sabe... Já é noite e o papai disse que... - Cala-te! É a noite que eles passam por aqui... Só à noite eu posso encontrá-lo... -Frida ergueu as sobrancelhas.. - Lisa... E quanto aos... -a outra vez um gesto de desdém com a mão.. - Vampiros? Por favor, Frida... Já chega o tanto que ouço isso em casa... Não agüento mais tanta baboseira... -suspirou.. - Não devia falar assim... -Lisa levantou-se num salto, conhecia bem aquela voz.. - Oh! Meu amor... -jogou-se nos braços dele.. - E a menina? -Frida encolheu os ombros.. - Ela sequer deveria estar aqui... Vai manter a boca fechada ou já sabe o que a espera... -olhando a irmã de esguelha.. - Mas eu falei sério... Já encontramos muitos seres da noite no campo de batalha... Não duvide minha vida... -passando a mão pelos cabelos dela. Ela suspirou..... - Andou conversando com meu pai? -ele riu.. - Não! E nem preciso... Eu vi! -encarando-a.. - Não discutirei contigo... -dando as costas a ele.. - Oh! Alexander, não me diga que crê nessa conversa sobre vampiros? -ele sorriu puxando-a por um braço.. - Elisabeta... -olhou-a com ar de reprovação.. Frida sentou-se sobre a relva, admirando o casal de namorados. Já sabia que a irmã se encontrava escondida com um dos cavaleiros da ordem, mas não conhecia sua identidade. Não pretendia contar a ninguém quem ele era... Apenas queria ver seu rosto. Era de fato um homem bonito e jovem. Não devia ser muito mais velho que Elisabeta. Elisabeta completara 19 anos naquela primavera, alguns dias depois, Frida completara 11 anos. Estava ansiosa em alcançar a idade da irmã mais velha. Ansiosa em ser uma bela mulher disputada por belos homens. Pensar nisso fazia seus olhos brilharem. De repente Alexander percebeu uma movimentação estranha próxima deles. Colocou-se a frente de Lisa e olhou ao redor. Vislumbrou vultos rodeando-os... Sobrassaltado puxou a namorada e tentou alcançar Frida, mas percebeu que já estavam encurralados... - Elisabeta! Já era tarde demais! Estavam cercados por estranhos cavaleiros montados em corcéis negros, que pareciam ter olhos de fogo. Cavaleiros que, ao invés de armadura, vestia túnicas púrpuras e capuzes negros. Seus cavalos estavam cobertos com um manto na mesma cor que suas túnicas. Relinchavam e erguiam as patas do chão ameaçadoramente. Elisabeta colocou-se atrás de Alexander e abraçou-o fortemente. Frida levantou-se do chão, tonta, sem saber direito para onde ir. Um dos seres sobre os cavalos, sorriu morbidamente e estendeu sua espada na direção da menina. A lâmina brilhou debilmente sob a fraca luz do luar. O aço frio alcançou a menina confusa à frente, atravessando seu peito. Um grito desesperado ecoou pela noite. Os olhos de Frida se arregalaram e suas pupilas se dilataram. O vestido cor de rosa logo se encharcou com aquele sangue escuro e viscoso. A jovem ainda encontrou forças para erguer os braços na direção da irmã. Expeliu uma grande quantidade de sangue, as pálpebras se cerraram lentamente, seu corpo curvou-se e o ânimo esvaiu-se... - Frida! -sussurrou o homem que os observava.. Assim que percebeu que Elisabeta corria risco de morrer da mesma forma... Perturbou-se. Seus olhos se converteram em duas esferas encarnadas... E sua expressão assemelhava-se a de um louco. Abandonou seu ponto de observação. Não permitiria que sua menina morresse. Quando se aproximou, porém, percebeu que aquilo não seria tarefa simples. - Corra Lisa! -gritou Alexander, sacando a espada e indo logo atrás dela.. O homem viu os dois afastarem-se... Elisabeta correndo desajeitadamente, procurando suster a barra do vestido nas mãos e chorando compulsivamente pela irmã menor... O rapaz corria logo atrás dela, com a atenção dividida entre a amada e seus perseguidores. Ele quis alcançá-los, mas percebeu alguém se interpondo a sua frente. Deteve-se. - Por que se importa com esses insetos? -perguntou o homem montado em um cavalo.. - Assuntos meus... Não me cabe explicar nada a lixo como você... - Então é mesmo verdade o que eu ouvi? Rendeu-se a eles? Submeteu-se aos imundos humanos? Um dos nossos? Aquele que poderia ter sido um rei? - O que fui ou o que sou é apenas de minha conta... Creio que esta conversa já se estendeu demais... -disse sumindo do campo de visão do outro.. - Hã? -Quando deu por si, tinha uma adaga posta contra o seu pescoço.. – Desgraçado! Não vai conseguir salva-los, estão perdidos... -o homem portando a arma sorriu.. - Decapitação... -puxando a adaga e cortando o pescoço do adversário.. – Morte! Aniquilação! -saiu na direção para onde os amantes haviam fugido.. – Elisabeta... Elisabeta não tinha mais forças para correr, sentiu a mão de Alexander empurrando-a para frente, mas era inútil. Suas sapatilhas estavam rasgadas, as pernas amolecidas. O coração aos saltos. Não conseguia pensar em nada... - Lisa, não pode parar... -mas ele mesmo mal tinha forças.. - Não entende o que são... -caiu de joelhos.. Não houve com escapar. Quando pensaram em voltarem a fugir, já havia quatro criaturas em torno deles. Alexander quis brandir sua espada, mas esta foi violentamente arrancada de sua mão. Estendeu o braço, segurando a mão de Elisabeta firmemente. Mas não por muito tempo. A garota foi bruscamente puxada para longe. Alexander sentiu o metal atravessando sua carne... O sangue quente espalhar-se por sua roupa... Fixou o olhar na lua que parecia avermelhada naquele momento. Morreria ali, sem conseguir cumprir sua missão e sem sequer conseguir proteger a sua amada. Elisabeta viu-se encurralada contra o tronco de uma árvore. Mãos e unhas percorriam seu corpo e seus olhos assombrados derramavam lágrimas graúdas. Estava tão horrorizada que sua voz não tinha mais som... Abria a boca como se quisesse gritar, mas nada se podia ouvir. Sentiu algo atravessar seu peito... Seus olhos iam se fechando, quando uma abissal figura negra surgiu atrás de seus algozes. Sem nenhuma palavra seus carrascos foram tirados de cima dela. Um a um. Ela ainda podia ouvir os bramidos desesperados daquelas criaturas e um rosnar furioso e rouco. Alexander já não suportava a dor e um frio intenso dominou-o. Era o seu fim... Morreria ali... Seus olhos já se turvavam. Pensou estar tendo uma alucinação quando divisou seus adversários sendo aniquilados um a um, como meros fantoches. Lançados no ar e destroçados como se fossem feitos de papel. Seguiu-se um profundo e imenso silêncio. O homem que ali estava, surgiu na frente de Alexander como um espectro, trazendo Elisabeta nos braços. Ajoelhando-se no chão, colocou a garota ao lado dele e observou-o demoradamente, com um sorriso ameaçador nos lábios. Assim que percebeu a presença dela, esticou-se para alcançá-la... Ela, com o fio de vida que ainda lhe restava, fez o mesmo. - Admiro os dois... Desejo-os... Por certo não me compreendem. Mas há muito tempo não sentia meu coração enternecido dessa forma... Não é justo um amor como este ser extinto por motivos torpes como os que impulsionam essa guerra... -pôs-se em pé. Sua silhueta era assombrosamente volumosa e distinta... E um tanto assustadora.. – Infelizmente, estão prestes a perderem suas vidas... Não posso permitir que isso aconteça... Um vento morno soprou fortemente. As folhas espalharam-se ruidosamente. Alexander e Elisabeta mal conseguiam manter os olhos abertos. Não sentiam mais dor, somente um frio que parecia vir de dentro de suas almas. Alcançaram as mãos um do outro... - Ofereço nova vida... Apenas pelo prazer de tê-los... -sorrindo.. – O que me dizem? Nenhum dos dois estava em condições de dar resposta, mas para ele bastava que não tivesse uma negação negativa. Sabiam o que ele era e sabiam o que estava oferecendo. Não que o fizesse por vontade, mas não tinha outro meio. E aquelas duas criaturas eram especiais demais para acabarem ali, daquela maneira...
INGLATERRA – VINTE ANOS DEPOIS MANSÃO HELLSING – CALABOUÇO
Alexander andava de um lado para outro ouvindo os gritos vindos da sala fechada. Não agüentava mais aquela agonia. Por mais que os anos se passassem aquilo não mudava. Ela continuava tendo sérias dificuldades para se adaptar a sua nova natureza. Passou as mãos pela nuca, cansado e encostou-se a parede de pedra. Quando o silêncio tomou conta do lugar, ele precipitou-se a frente. Viu seu mestre deixar a sala parecendo extremamente tranqüilo. - E então, Mestre? Como ela está? - Ainda descontrolada... Ela não pode ficar aqui... Suas lembranças a atormentam... É excessivamente passional e... -deteve-se olhando para Alexander.. - Vou levá-la daqui... -Alexander ergueu a cabeça com olhos inquietos e incrédulos.. - Levá-la? Como? Mas... -confuso.. - Ambos são meus pupilos, meus sucessores... Quis assim e não mudei meu pensamento quanto a isso... Mas ela ainda está despreparada... Não tem seu espírito e sua força... -Alexander tentava manter a atenção nas palavras que ouvia, mas tudo o que ia a sua mente era que seria separado de sua amada.. – Posso contê-la, mantê-la presa com uma barreira mental, mas... Preciso de você... - De mim? E para que? -o Mestre sorriu maliciosamente.. - Infelizmente, o laço que une os dois é mais forte que qualquer magia que eu seja capaz de criar... Preciso que faça isso comigo... - E o que vai acontecer com ela? -apreensivo.. - Esquecerá tudo até o dia de hoje... Assim poderei conter seus poderes e treiná-la de maneira satisfatória... -Alexander olhou-o seriamente.. - E quanto a mim? -novo sorriso malicioso surgiu no rosto do Mestre.. - Você assumira o meu lugar aqui, junto da jovem Seção 13... Sem alternativa, o ex-cavaleiro concordou com aquilo que o seu Mestre lhe propunha. Separando-se assim de sua amada, sem deixar rastro de sua existência em sua memória... O vampiro, seu mestre, partira levando Elisabeta com ele. Alexander tinha certo receio daquilo... Do futuro... Mas nada expressara... Antes de partir, porém, foi ter com seu Mestre, uma ultima vez. - O que deseja meu jovem? -o vampiro estava sentado em uma cadeira aveludada, parecia sossegado e satisfeito.. - Creio que o saibas melhor que eu... -um sorriso surgiu no sarcástico rosto pálido a sua frente.. - E tens razão... Mesmo assim, prefiro que formule a pergunta... -cruzando as mãos sob o queixo.. - Está apaixonado por ela, não está? Por isso quer que ela fique aqui... -o sorriso do vampiro a sua frente se desfez.. - Acaso é alguma novidade?? Havia outro motivo para que eu salvasse a vida de dois mortais perdidos em meio a uma batalha estúpida? Amo-os... Aos dois... -olhou-o seriamente.. - Isso não devia surpreendê-lo meu caro... Ainda assim preocupa-se... -coçando o queixo.. - Sabes que não desejo deixá-la sozinha... Jamais desejei isso... -depois de dizer isso e percebendo que o mestre dava a conversa por encerrada, Alexander deu as costas e saiu.. Daquele dia em diante não vira mais Elisabeta... Sabia que estavam por perto, mas sabia também que não devia procurá-los. Daquele momento em diante tornou-se parte daquela organização e procurou desvincular-se do passado, mesmo sabendo que isso seria impossível.
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Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version By Luh Moon |
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