O
dia 18 de janeiro de 2002 foi um dia especial para nós aqui da
Henshin e mais ainda para os milhares de fãs de Cavaleiros do Zodíaco
espalhados pelo Brasil. Nessa data, Arnaldo Massato Oka, o enviado especial
da Henshin no Japão, fez uma entrevista histórica com ninguém
mais, ninguém menos que Masami Kurumada, o criador das aventuras
de Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki. O desenhista o recebeu em seu estúdio,
o Kurumada Production, que fica na cidade de Yokohama, na Província
de Nakagawa, a uma hora de Tóquio. O autor falou sobre seus trabalhos
e, principalmente, contou absolutamente tudo sobre a produção
do anime e do mangá de Cavaleiros do Zodíaco. Ele contou
sobre a elaboração da obra, sua participação
na versão animada e, sobretudo, o porquê a Saga de Hades
nunca ter virado anime. E não foi só isso. A Saga dos Deuses,
que tantos fãs sonham, não é uma simples lenda. Kurumada
revala que ela está todinha em sua cabeça e que, um dia,
ele pretende publicá-la. Ou seja, é uma matéria jamais
vista no mundo inteiro. Tudo o que você sempre quis saber sobre
Cavaleiros do Zodíaco e seu criador está aqui.
Kurumada também mostrou ser uma pessoa bem diferente do que dizem
por aí. Ele está longe de ser chato. Pelo contrário,
foi superatencioso e simpático com nosso repórter e não
hesitou em responder a nenhuma pergunta - até mesmoa as mais polêmicas.
Em seu estúdio, ele até mostrou algumas artes originais
de seus trabalhos. Ao término da entrevista, todo tímido,
ele aceitou posar para uma inesquecível sessão de fotos
exclusivas para a Henshin.
Não dá para descrever o orgulho que nós da Henshin
estamos sentindo por publicar uma entrevista histórica como essa
e tão rica em informações. Alé disso, a sensação
de dever cumprido é ótima. Levamos quase um ano e meio negociando
com o agente de Msami Kurumada para realizar esta entrevista, e, finalmente,
cá está ela, especialmente para você, caro leitor
da Henshin.
Henshin:
O que o levou a fazer mangás?
Kurumada: Bom, eu sempre gostei
de mangás. Por exemplo, eu lia bastante os mangás de ninja
do Mitsuteru Yokoyama (autor do Robô Gigante) e do Sampei Shirato
(autor de A Adaga de Kamui). Antigamente existiam lojas que alugavam mangás
como se fossem videolocadoras dos dias de hoje, e eu alugava e lia mangás
nessas lojas por 5 ou 10 ienes. Era a época do gekigá (nome
do estilo de mangá para público adulto com conteúdo
dramático). Takao Saitô (autor de Golgo 13) é um grande
representante desse estilo. Quando se falava em mangá era mais
no estilo do Osamu Tezuka, que tinha um traço mais redondo. Enquanto
que o gekigá era mais violento, tinha um traço mais sério.
Eu tive influência dos dois. O resultado disso foi Cavaleiros do
Zodíaco.
Henshin:
Cavaleiros do Zodíaco estaria mais para o estilo GEKIGÁ?
Kurumada: Eu não desenho
pensando em seguir especificamente um estilo ou outro. A classificação
não importa para mim.
Henshin:
Na hora de criar Cavaleiros do Zodíaco, você foi influênciado
por algum outro mangá ou autor?
Kurumada: Hummm... Não tive
influência de nada. Foi tudo original. É inteiramente um
mangá "estilo Kurumada" (risos). Ler livros, assistir
a filmes e conhecer novas pessoas me ajudam a ter idéias, mas não
fui influenciado por nenhum outro mangá desde que virei profissional.
O meu estilo e inconfundível. Não é cópia
de ninguém.
Henshin:
Você gosta de séries live-action e animes?
Kurumada: Quando criança,
eu assistia, mas depois os meu interesses mudaram.
Henshin:
O que você assistia quando era criança?
Kurumada: São séries
tão velhas que nem sei se vale a pena ser citadas. Por exemplo,
o Gekkou Kamen ou o Nana-iro Kamen. São heróis mascarados
dos primórdios das séries de heróis do Japão.
Henshin:
O National Kid chegou a passar no Brasil e fez grande sucesso
Kurumada: Sério? (risos)
Eu adorava assistí-lo.
Henshin:
Ultraman também é muito famoso no Brasil
Kurumada: Na época que passava
o Ultraman, eu já havia parado de assistir essas séries.
Mas a anterior, Ultra Q, em que só apareciam os monstros, eu assistia
no primário. O Ultraman foi depois que eu entrei no ginásio,
e aí já não assistia mais.
Henshin:
Qual foi seu primeir título de mangá publicado? Do que se
tratava?
Kurumada: O primeiro? como irei
explicar... era um mangá de "banchôs" (chefe de
gangues). Era uma história de estudantes fora-da-lei, de delinqüêntes.
Foi um mangá nesse estilo. Você não encontra mais
à venda. Agora o título... tenho até vergonha de
citar... mas é Sukeban Arashi. É a história de uma
garota brigona.
Henshin:
E qual foi o seu primeiro grande sucesso?
Kurumada: Foi o Ring ni Kakero (1978~1983).
Agora estou fazendo o Ring ni Kakero 2, mas o original foi o meu segundo
trabalho regular. Eu virei profissional publicando o Sukeban Arashi. Logo
em seguido, este título foi um estouro de vendas. Rendeu 25 volumes
encadernados.
Hennshin:
Você tem alguma fórmula para fazer quadrinhos?
Um método para elaborar as histórias?
Kurumada: Se houver um método
para criar novas histórias, eu gostaria de aprender (risos). Se
existisse um know-how, uma fórmula pronta, acredito que ninguém
sofreria. Quando asissto a filmes ou leio livros, essas coisas trazem
idéias que fazem você exclamar: "Uau, que interessante".
Eu acho que essas idéias que vão surgindo que dão
a dica para desenvolver seus trabalhos. Mas uma idéia só
não dá uma história. Você precisa ir juntando
e guardando as idéias mais legais dentro da sua "gaveta"
na cabeça, e todo esse amontoado se tranforma num trabalho.
Henshin:
Quer dizer então que não basta ter inspiração?
Kurumada: A inspiração
também é superimportante. Mas é preciso juntar muita
inspiração, senão seria ímpossível
manter histórias tão loucas. Portanto, é importante
para o autor conseguir acumular o maior número possível
de material dentro de sua "gaveta" mental.
Henshin:
Dos seus trabalhos, qual o seu predileto?
Kurumada: Acho que são todos.
Afinal, sofri as dores do parto para trazer cada um deles ao mundo. Na
Shonen Jump, onde foi publicado Cavaleiros, você precisa fazer uma
história completa a cada semana. É um verdadeiro trabalho
de parto. Por isso, é difícil para mim escolher um deles
e dizer que este foi o meu melhor trabalho.
Henshin:
Como surgiu a idéia de criar os Cavaleiros? De onde veio a idéia
de usar a Mitologia Grega e a Astrologia como base?
Kurumada: Todas as histórias
que faço são de lutas. Essa essência não se
altera nos mundos que crio. A única diferença está
no tempero, no algo mais. Então em vez dos personagens se transformarem
como os super-heróis da TV, pensei neles vestindo armaduras. As
armaduras precisam ser bonitas e aproveitar a Mitologia Grega e a Astrologia
dava mais força e beleza à idéia. Portanto peguei
uma história de luta, adicionei um elemento mais “fashion”
– que são as armaduras – e como base para o desenho
delas adotei as constelações. O legal disso é que
também seria possível identificar o signo com a caracterização
dos personagens e fui desenvolvendo as idéias dessa maneira.
Henshin:
Você já gostava de astrologia antes de fazer cavaleiros?
Kurumada: Não chegava a gostar.
Eu só olhava o horóscopo de vez em quando. Antes dos Cavaleiros
do Zodíaco, eu não cheguei a estudar profundamente asobre
Astrologia e Constelações. Isso só fiz depois de
ter começado a desenhar os Cavaleiros. Com a mitologia Grega, foi
a mesma história - mebora eu já tivesse usado o tema em
Ring ni Kakero. Nele apareceram uns inimigos que se chamavam os 12 Deuses
do Olimpo (volume 17 do encadernado!). Mas nessa ocasião eu não
fui muito a fundo com a idéia. Quando fui conhecendo mais sobre
as lendas e as histórias da Mitologia Grega, eu senti que aquilo
era uma grande fonte de idéias. Me baseando nisso, foi possível
criar um monte de personagens.
Henshin:
Quanto tempo durou a série?
Kurumada: Acho que foram uns 5 anos.
Se não me engano. Cavaleiros começou a ser publicado pouco
depois de Dragon Ball. Mas o Dragon Ball ficou comprido demais (risos).
Henshin:
Dragon Ball Z está passando no Brasil e fazendo grande sucesso.
Já Cavaleiros foi exibido há alguns anos, mas ainda tem
fãs fervorosos.
Kurumada: Escutei falar na Editora
Shueisha que lá no México fizeram uma apresentação
dos Cavaleiros com atores reais numa peça em estilo musical. Aqui
no Japão também fizeram um musical, estrelado pelo SMAP.
Henshin:
Você ficou totalmente satisfeito com o resultado de
sua criação? Kurumada:
Falando sinceramente, depois de terminar o trabalho não é
satisfação o que eu sinto: é um grande abatimento.
Uma semana após a outra eu precisava descarregar mais e mais idéias
para surpreender o leitor e quando terminava eu ficava totalmente abatido.
A história que estou publicando agora é a mesma coisa. Mesmo
retomando o mangá depois de 20 anos. Acho que não existe
uma obra que fique perfeitamente encerrada. Cavaleiros, por exemplo, tenho
em minha cabeça a Saga dos Deuses onde Zeus irá aparecer,
mas ainda não trabalhei em cima.
Henshin:
Quando irá começar essa saga?
Kurumada: Acho que morrerei quando
fizer isso (risos). É que eu acho que vou precisar de muito trabalho
mental e físico para encarar esse desafio. Precisarei criar personagens
carismáticos para cada Deus do Olimpo. Tente só imaginar
as armaduras que cada um deles poderá usar. Existe material para
fazer coisas lindas. Fico imaginando o trabalho que dará para pensar
em todos os detalhes.
Henshin:
Quanto tempo se gasta para desenhar cada armadura?
Kurumada: Como a revista sai semanalmente,
é preciso fazer tudo nesse intervalo de tempo. Portanto, o prazo
para fazer tudoé de uma semana, no máximo.
Henshin:
Mas não existiu nenhuma armadura que você gastou mais tempo
para desenhar?
Kurumada: Eu não economizo
idéias. O que penso eu boto no papel e começo tudo do zero
na semana seguinte. Há bastante informação concentrada
naquelas páginas.
Henshin:
Aqueles detalhes da montagem da armadura são bem legais.
Aquilo também foi feito em uma semana?
Kurumada: Exatamente. Claro que,
na hora de transformar o mangá em anime ou nos brinquedos, o pessoal
foi obrigado a mudar alguns detalhes porque surgem algumas inconsistências.
Mas nunca ninguém havia pensado num objeto com o formato, por exemplo,
do signo de Sagitário, em que você desmontar as peças
para vesti-las como uma armadura. Foram essas idéias que tornaram
Cavaleiros do Zodíaco original.
Henshin:
Existe uma história de que cavaleiros teve dois finais. Um, publicado
na Shonen Junp, mostrando todos os Cavaleiros de Bronze e Atena se sacrificando
para vencer Hades, e outro, na encadernação do mangá,
em que apenas Seiya morria.
Kurumada: Não foi bem assim.
O último episódio dos Cavaleiros foi publicado numa outra
revista da Shueisha, A V Jump e não na Shonen Jump. Mas os volumes
encadernados juntaram tudo na mesma coleção, e isto deve
ter causado esta confusão.
Henshin:
Qual é o seu personagem predileto de cavaleiros?
Kurumada: São os cinco Cavaleiros
de Bronze: Seiya, Hyoga, Shiryu, Ikki e Shun.
Henshin:
E como foi o sucesso de Cavaleiros no Japão?
Kurumada: O trabalho de fazer mangás
obriga a gente a ficar preso num espaço pequeno, como neste estúdio,
e passar os dias pensando e desenhando. Por isso, não conseguimos
sentir o sucesso que nosso trabalho faz. Temos apenas alguns indícios
através das cartas dos leitores. Foi só quando fui à
pré-estréia no cinema que pude ver a reação
do público de perto. Quando Ikki ou o Seiya apareciam na tela,
o público vibrava como se estivesse vendo cantores de sucesso.
Aquilo foi surpreendente para mim porque eu nunca havia visto pessoas
manifestarem tanto entusiamo por mangás e animes. Saber que fiz
um trabalho tão querido no Japão e no mundo me deixa imensamente
feliz e orgulhoso.
Henshin:
Então você nem imaginava que pudesse conquistar fãs
de todo o mundo?
Kurumada: Nem um pouco. Acho que
a coisa começou na França. Depois veio o sucesso na venda
dos brinquedos. Na América do Sul, creio que teve um problema com
produtos piratas. Mas, com o passar do tempo, isso foi corrigido. Há
um ano, me encontrei com um autor de mangá da China, e ele comentou
comigo que posso ter perdido bilhões de ienes em direitos lá.
Parece que, quando o mangá japonês foi introduzido na China,
e isso foi a dez anos atrás, os títulos lançados
foram Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, mas ambos piratas. Pense
só no tamanho da população chinesa (risos). Mas nada
dissoe veio para mim.
Henshin:
O que você achou do título mundial de sua obra: Cavaleiros
do Zodíaco (Zodiac Knights)?
Kurumada: Não vejo problemas.
Acho que Cavaleiros do Zodíaco deve ser mais fácil de compreender
para o público de fora. Saint Seiya, o título original,
é muito difícil de entender. No início, até
os leitores japoneses tinham dificuldades de ler o título corretamente.
Henshin:
Mas Cavaleiros do Zodíaco não dá a impressão
de que os verdadeiros heróis sejam os Cavaleiros de Ouro?
Kurumada: Você acha? Mas achei
legal não terem mudado o nome dos personagens. Seiya continuou
sendo Seiya. Só em alguns países mudaram os nomes dos personagens.
Henshin:
Você se envolveu na produção do anime?
Kurumada: Sim, claro. Por exemplo,
no primeiro movie, pensei no desenho e no nome dos inimigos. Os golpes
já não me lembro se foram idéia minha. Nos filmes
seguintes, eu deixei por conta da equipe de produção. Mas
ajudei um pouco no roteiro e no deseno de alguns personagens.
Henshin:
História foi levemente alterada por conta de novos personagens,
como o caso do Hyoga, que acabou ficando com dois mestres. O Cavaleiro
de Cristal e Camus de Aquário. Você gostou do modo como a
história ficou?
Kurumada: É que o anime sempre
acaba alcançandp a cronologia do mangá. Nessas horas, a
equipe de prdução da animação precisa criar
suas próprias histórias para preencher o buraco e esperar
até o mangá ter volumes suficientes para poder rettornar
a linha. Dai acontecem esses casos. Mais tarde, aparece o Camus de Aquário
e ... "Opa! O que está acontecendo aqui?" (risos)
Henshin:
Você não se envolveu na elaboração do Cavaleiro
de Cristal?
Kurumada: Não. Aquele foi
um personagem que nada teve a ver comigo.
Henshin:
No anime, as amarduras da saga santuário ficaram diferentes do
mangá. O que achou disso?
Kurumada: Por causa da natureza
do anime que exige uma quantidade maior de desenhos, os detalhes são
sacrificados. Portanto, eu deixo a equipe de produção do
anime fazer do jeito que eles acharem conveniente, porque são trabalhos
diferentes. Não me importo com isso. Prefiro assistir ao anime
de uma forma mais ampla. Por exemplo, a música, o traço
do desenho. Tem episódios bem desenhados e outros não -
acredito que todos percebam isso. Por isso, para mim, o que importa no
anime é o desenho e a música. A música para mim é
fundamental. Ela pode emocionar as pessoas, independentemente da imagem.
Henshin:
A Henshin já entrevistou Seiji Yokoyama, o compositor da trilha
de cavaleiros, uma vez, você gostou do trabalho dele?
Kurumada: Adorei! É maravilhoso.
Veja a minha parede (aponto para os pôsteres dos CDs dos Cavaleiros
do Zodíaco pendurados). Continuo a escutar esses CDs até
hoje.
Henshin: A saga de Asgard não
existe. Você teve alguma participação evetiva no desenvolvimento
dessa história e de seus personagens?
Kurumada: No máximo, dei
uma olhada no roteiro, mas não participei dela. Só achei
que a Saga de Asgard ficou comprida demais e que a de Poseidon acabou
ficando curta por causa disso.
Henshin:
Depois disso, a saga de Hades acabou não sendo produzida, e o anime
acabou. Existiu algum motivo especial para o cancelamento da série?
Kurumada: Acho que foi porque, depois
de três anos de TV, o anime alcançou a cronologia do mangá
e não tinha mais história para ser animada.
Henshin:
Então foi isso? A saga de Hades no mangá começou
depois do fim da de Poseidon no anime?
Kurumada: Foi isso.
Henshin:
E depois do Mangá, só fizeram o CD Drama da Saga de Hades...
Kurumada: É mais fácil
viabilizar a produção do CD Drama. Exige menos esforço.
O anime precisa o esforço conuunto de um monte de empresas, como
a rede de TV, a produtora, os patrocinadores, a editora e o autor. Ele
só é viabilizado quando
todos se reunem e dizem juntos: "Vamos fazer!". Por exemplo,
de repente, alguém diz para fazer a Saga de Hades. Daí o
outro quer a Saga dos Deuses em conjunto, mas, nesse caso, não
há previsão da minha parte para comela-la. É complicado.
Henshin:
Nenhuma chancezinha da Saga de Hades virar anime? (risos)
Kurumada: Eu acho mque isso depende
dos fãs do mundo inteiro. Se pressionarem, acredito que o projeto
deve andar.
Henshin:
Recentemente, na França, um fã produziu uma pequena animação
da saga de Hades. Você assistiu a ela?
Kurumada: Não sabia disso.
Mas já vi trabalhos de fãs franceses na Internet e fiquei
surpreso com a qualidade dels. Tem gente que desenha muito bem.
Henshin:
No mundo inteiro, o assunto sobre a possível produção
da Saga de Hades em anime é discutido. Alguns fãs são
contra a produção, pois acham que a história original
do mangá seria estragada. Outros aguardam ansiosamente a hora de
vê-la na TV. Qual a sua opinião a respeito?
Kurumada: Bom, aí já
é uma coisa que depende unicamente dos fãs. O negócio
é respeitar a opinião de cada um. Mas, nos dias de hoje,
eu vejo as últimas criações em computação
gráfica e fico imaginando as possibilidades que essa técnica
dos dá. Tente imaginar só como ficariam os golpes dos Cavaleiros
feitos com CG daqui a 5 anos. Poderá ser uma coisa surpreendente.
Henshin:
Isso pode ser encarado como uma promessa de que teremos uma continuação
de Cavaleiros para daqui a 5 anos?
Kurumada: (risos) Prometer, eu não
posso prometer. Só estava querendo dizer que, se for para fazer,
quero que seja numa qualidade que surpreenda todos com tudo aquilo que
as novas técnicas podem oferecer dee melhor. Mas, no final, tudo
depende se os fãs vão querer ou não.
Henshin:
E quanto tempo os fãs precissarão esperar para ver a saga
dos deuses?
Kurumada: No momento, ainda estou
trabalhando em Ring ni Kakero 2.
Henshin:
Quantos anos você acha que irá durar o Ring ni Kakero 2?
Kurumada: Também não
tenho previsão. Acho que quero continuar até o dia em que
os leitores me peçam para parar. Na pior das hipóteses,
cortam a série na metade. Acredito que, no mundo do entretenimento,
são rearos os trabalhos em que o autor consegue desenvolver tudo
o que imagina. Nas revistas comerciais, essa é a lei. Por mais
que o escritor quira desenvolver bem uma história, se os leitores
não a quiserem, ela é cortada. Num meio desses, aquele autor
que consegue cativar os leitores e manter o sucesso estará conseguindo
um grande feio.
Henshin:
Outra obra famosa de sua autoria é B´T X. Poderia nos falar
um pouco sobre ela?
Kurumada: Acho que foi cedo demais
para trabalhar nela.
Henshin:
Há quem diga que B´T X seja uma cópia dos Cavaleiros
do Zodíaco...
Kurumada: Eu discordo. Mas talvez
eu devesse ter dado um tempo maior entre os dois trabalhos. Agora... foi
a primeira vez que escutei essa opinião. Já me disseram
bastante que sou muito repetitivo (risos), mas nunca me disseram especificamente
que B´t X fosse uma cópia de Cavaleiros. No Brasil, publicaram
o mangá B´t X? Precisam ler o mangá. É lá
que está a essência do trabalho.
Henshin: Cavaleiros do Zodíaco
foi lanaçado em pararelo com o Dragon Ball de Akira Toriyama, e
na mesma revista, a shonen jump. Vocês se conhecem bem?
Kurumada: Não tenho muito
contato com ele. Ele mora longe de Tóquio. Já bati um papo
com ele em alguns eventos da revista, mas não somos amigos íntimos.
Henshin:
Existe alguma rivalidade entre autores famosos que trabalham
numa mesma revista? Por exemplo, entre você e o Toriyama?
Kurumada: Imagine. Ele é
um gênio e eu sou esforçado. Se ele for um ovo de ouro, eu
sou um ovo de ferro. Preciso ficar sempre polindo a superfície
senão enferrujo e perco o brilho. Mas com esforço e dedicação,
posso brilhar tanto quanto ele.
Henshin:
Para finalizar, você poderia enviar uma mensagem para os seus fãs
no Brasil?
Kurumada: Dizem que o Brasil é
o país mais distante do Japão na face da Terra. Saber que
meus trabalhos são conhecidos lá do outro lado do planeta
e, além disso, recebendo o apoio dos fãs me deixa muito
feliz. Espero que continuem gostando dos meus trabalhos. |