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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
O feriado em Hogwarts foi bastante interessante para Harry e Ametista. Após um breve encontro confuso com Sirius Black, Ametista decide, na noite de véspera de Natal, fazer uma dança e um feitiço onde Harry ficara hipnotizado - e apaixonado por ela. Foi muito engraçado, já que Ametista parecia não ter nenhum conhecimento de que havia um feitiço desencadeado pela dança.
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CAPÍTULO
DEZESSEIS – A CARTA DE LÍLIAN POTTER
O professor Snape estava mudado. Trajava vestes rasgadas e mal cuidadas como um mendigo. Estava mais pálido do que de costume e tinha a expressão apavorada. Uma das mangas estava com um grande furo na região do antebraço. Ali se mostrava uma grande marca, um crânio. Harry sabia que o mestre de Poções fora um dia Comensal da Morte. Ametista, ao ver o homem, correu ao seu encontro e o abraçou. Apesar de toda a história contada por Harry no começo do ano letivo, Ametista parecia desmemoriada ao abraçar o professor. Harry percebeu bem a face contorcida de dor de Snape. Em seguida, o homem macilento se soltou e disse:
- Eu disse que voltaria, não disse? – em seu tom seco e cortante.
Ametista sorriu. Dumbledore lançou um olhar de reprovação ao mestre e
ordenou:
- Ametista, Severo acabou de chegar, então é melhor que ele descanse um
pouco. Você e Harry podem ir para a torre agora. Amanhã vocês poderão
conversar melhor.
A garota concordou com a cabeça, apesar de querer permanecer muito mais
ali. Antes de tomar seu caminho, Snape olhou para Ametista e depois para Harry e
bufou.
Os dois seguiram para a torre da Grifinória. Ametista tinha um sorriso tímido
no rosto. Harry, ao contrário, estava muito aborrecido. Na sala comunal, os
dois sentaram-se no sofá em frente à lareira e ficaram calados. Harry resolveu
quebrar o gelo:
- Você gostou da noite? – perguntou sem jeito.
- Muito. – respondeu.
Harry olhou para o chão e depois continuou:
- Eu queria que ela durasse mais.
Ametista virou-se para o garoto que estava visivelmente corado. Era
estranho ter aquele tipo de conversa com Harry Potter. Provavelmente, o ser mais
odiado da face da Terra para ela.
- Mas Lupin interrompeu a visão, não é? – disse ela referindo-se aos
fogos de artifício.
- Se dependesse de mim, não teria interrompido. – afirmou Harry
aproximando-se do rosto da garota.
Ametista imediatamente levantou do sofá e engoliu seco. Estava bem
vermelha nesse ponto. Harry permaneceu sentado. Ela defendeu-se de uma nova
maneira.
- Eu vou me deitar. Estou muito cansada. Boa noite, Potter. – e subiu
correndo as escadas.
O garoto esperava pelo menos outro beijo de boa noite, mas Ametista não
deu chance. Ficou mal humorado e subiu para o quarto.
Enquanto isso, no salão principal, reunidos estavam Lupin, Sirius,
Arabella, Dumbledore e Snape. O professor de Poções respirava rápido enquanto
Sirius estava inquieto.
- Não adiantará nós discutirmos isso hoje. Vamos todos dormir e amanhã
teremos tempo o bastante para conversar. Para ouvirmos a sua explicação por
tal demora, Severo. – disse Dumbledore em tom austero.
- Concordo. Vamos deitar e amanhã bem cedo nós nos reuniremos na sala
de Dumbledore. – propôs Lupin cansado.
Todos se despediram e Dumbledore acompanhou Snape até o seu quarto. Não
trocaram sequer uma palavra. Apenas um “boa noite” antes do diretor deixar o
quarto do professor.
Snape tinha um grande espelho em frente a sua cama. O quarto escuro
estava bem mais triste com a volta do homem. Olhou-se pálido e desesperado. Não
queria encarar a verdade, por mais dura que ela fosse. Mas aquilo deveria ser
feito. Era o mundo ou seu amor. Afundou o rosto macilento nas mãos
entristecido.
Sirius e Lupin acompanharam Arabella até seu quarto e seguiram para os
deles. Remo reparara que Sirius não dissera nada quando notou que Harry e
Ametista haviam sumido. Pior foi sua expressão quando viu os dois chegando
juntos com ele. Antes de Lupin entrar em seu quarto, Sirius segurou seu braço.
- Onde eles estavam? – perguntou aflito.
Lupin permaneceu calado. Ficou durante algum tempo mediando alguma
explicação.
- Por que quer saber? Quer pressionar Harry mais uma vez? Nada que você
faça vai impedir que algo aconteça. – disse Lupin de uma vez só.
- Eu só quero que ele não cometa o mesmo erro. – repetiu Sirius duas
vezes.
- Não havia erro nenhum Sirius! – enfrentou Lupin.
- Remo, ele estava sob o efeito da música ainda? – indagou Sirius.
- Eu acho que metade é a música, metade é vontade própria. –
respondeu Lupin entrando no quarto.
Quando o mestre foi fechar a porta, Sirius bloqueou com o pé esquerdo,
impedindo que o amigo a fechasse para uma última pergunta.
- Eles estavam fazendo algo?
Lupin ficou durante um tempo medindo o amigo.
- Não, eles não estavam.
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No dia seguinte, Harry levantou
com uma forte dor de cabeça. Mas não era a sua cicatriz. Era como se tivesse
escutado uma música muito alta durante dois dias sem parar. Mas era engraçado,
pois não se lembrava do que aconteceu. Desceu para a sala comunal e encontrou
Ametista se espreguiçando. Cumprimentou normalmente e de repente foi como se um
balde de água fria caísse na cabeça. Lembrou-se de tudo que havia feito na
noite passada. Queria esconder-se embaixo da mesa. Como podia ter sido tão
direto e cara de pau? Sem contar que nunca havia sentido algo por Ametista como
sentia, por exemplo, por Cho. E claro, as típicas declarações de ódio de
ambos. Voltou o rotineiro desconforto entre os dois. Ametista havia ficado bem
irritada com as atitudes de Harry. Ele, para quebrar o gelo, disse que estava
com muita fome e então desceram para tomar café. Não havia ninguém no salão
principal. Foi como se um vendaval tivesse passado por ali e levado tudo e
todos. Entreolharam-se e sentaram-se à mesa. Rapidamente, elfos entraram
trazendo comida. Nada falaram até a chegada de duas corujas. Caíram duas
cartas para cada um. Harry abriu primeiro as suas.
Harry,
Apesar de Percy e a namorada, tudo esta correndo muito bem aqui. A Escócia
é um país bem diferente, comparando com a Inglaterra. É bem mais frio, posso
te garantir! E aí? Como estão indo as coisas? Já fez alguma coisa a respeito
dos cantos? Eu posso dizer que espero muitas novidades quando voltar. Estou com
muitas saudades de você, de Ametista e de Hermione. Andei sonhando com ela
esses dias. Mas não fale nada a ela, por favor! Até daqui três dias.
Rony
Harry deu muita risada ao ler sobre os cantos e principalmente sobre os
sonhos que Rony mencionou ter com Hermione. Ainda não sabia ao certo porque o
amigo não assumia que tinha um certo carinho pela amiga. Resolveu abrir a de
Hermione.
Querido Harry,
Estou bem entediada. Briguei com meus pais umas três vezes. Para que
ficar em casa estudando?! Aqui eu não tenho uma biblioteca como tem aí. Estou
realmente nervosa! Mas, tirando isso, andei estudando bastante para os testes no
final do ano. Não agüento mais esperar! Como vai a convivência com Ametista?
Espero que tudo esteja correndo bem. Estou morrendo de saudades e te vejo em três
dias. Beijos.
Hermione
Era cômico imaginar Hermione brigando com os pais. Era como se Voldemort
convidasse Harry para um chá. Depois de ler suas cartas, reparou que Ametista
lia as suas com muita atenção. Ficou curioso, mas sabia que antes de ter um
novo diálogo com ela, deveria se desculpar.
- Ah... Ametista, eu queria conversar com você. – disse bem calmo.
Ela levantou os olhos e viu que o garoto agitava-se no banco. Franziu a
testa, já que a cena era bem engraçada. “Tomara que ele não fale mais
nada”, pensou ela em relação às indiretas.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou, voltando os olhos a carta.
- Aconteceu – respondeu Harry imediatamente. Ametista ficou
desconfiada. – Eu fiz uma coisa muito chata.
- Como o quê, Potter? – indagou arrogante.
- Eu... Eu não sei porque... Porque eu falei aquelas coisas. –
gaguejou em resposta.
Ametista cerrou os olhos. Aquilo era bem inesperado depois do que ouviu
sair daquela boca.
- Que coisas? – provocou-o para ouvir mais uma vez.
- Ah! – resmungou. – Você sabe bem do que eu estou falando! Eu nunca
tive a intenção de dar em cima de você. E nem sei porque eu te levei para
passear no Natal, nem na torre de Astronomia! – respondeu Harry engolindo
algumas palavras.
Ametista ficara aliviada por um lado, mas por outro, ficou um pouco
decepcionada. Afinal, não é agradável ouvir de alguém que nunca se
interessaria por você. Ela, no fundo, se sentia bem mal. Mas não deixaria
transparecer.
- Eu me sinto bem melhor com você dizendo estas coisas, Potter – agora
foi ele que se decepcionou. – Não quero que fique uma situação chata entre
nós, não é verdade? Afinal, conseguimos melhorar um pouco...
- Claro... Claro. – concordou Harry.
Em seguida, o garoto até se esqueceu das cartas e foi para o quarto
tomar um banho. Quando chegou no dormitório, olhou-se no espelho e viu-se
arrependido. Só não entendia bem o porquê de estar assim.
Ametista permaneceu no salão principal lendo as cartas dos amigos.
Querida Ametista,
Eu agradeço muito seu presente! Adorei mesmo a coleção de livros sobre
Hogwarts desde sua fundação. Deve ter sido muito caro! Passei todos estes dias
lendo-os como uma louca! São maravilhosos! Agora, mudando de assunto, como foi
seu Natal? E a convivência com Harry? Quando voltar, quero saber de tudo que
aconteceu! Estou com muitas saudades e espero te ver bem daqui três dias. Não
vejo a hora de voltar! Beijos.
Hermione
Ametista ficou imaginando qual seria a reação de Hermione quando
contasse sobre seus dias com Harry. Não via a hora de contar para a amiga tudo
o que havia acontecido. Apesar da conversa da manhã com o garoto, ainda queria
contar tudo com detalhes. Pegou a carta de Rony.
Minha melhor amiga Ametista,
Ametista caiu na risada ao ler isto. Havia subido no posto.
Eu amei o presente! Foi a melhor
coisa que alguém poderia me dar em algum dia da minha vida! Os meus irmãos
morreram de inveja! Você realmente nos surpreendeu! E ainda deve ter saído
milhares de galeões! Muito obrigado mesmo! Gina também está agradecendo os
presentes, assim como Fred e Jorge. Minha mãe está louca para te conhecer
agora! Mas, como está indo? Espero que o Natal tenha sido muito bom. Nos vemos
daqui três dias e estou com saudades de todos. Ah! Mais uma vez, MUITO
OBRIGADO!
Rony
Ametista ficou satisfeita de saber que todos da família Weasley haviam
gostado de seus presentes. Guardou as cartas no bolso do casaco e seguiu para as
masmorras. Havia esperado muito tempo para conversar com Snape. Sabia que
provavelmente, naquela hora, o professor estaria em sua sala de aula. Porém, ao
chegar lá, nada encontrou. A sala estava trancada e não se ouvia nenhum
barulho. Decepcionou-se e voltou para o quarto.
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O quê Ametista ou Harry não
sabiam, era que Severo Snape sofria uma espécie de interrogatório naquele
momento. Dumbledore, Lupin, Sirius e Minerva estavam sentados numa grande mesa,
em que no centro havia uma cadeira, onde se encontrava o mestre de Poções.
Snape tinha olheiras fundas de quem não dormia há dias. Apresentava-se mais
indisposto do que na noite anterior. Havia trocado as vestes, mas ainda assim,
mostravam-se alguns cortes, principalmente na face.
- Comece logo, queremos o relatório completo, afinal, chegou com duas
semanas de atraso! – ordenou Sirius raivoso.
Snape respirou fundo e tomou coragem. Relembrar os momentos cruéis que
passara recentemente ardiam seu cérebro e corroíam seu coração.
- Saí de Hogwarts e imediatamente aparatei para o Caldeirão Furado como
havia sido combinado – explicava lentamente. – Disfarcei-me da melhor forma
possível. O velho Tom nem percebeu.
- Quanto tempo permaneceu lá? – indagou Dumbledore.
- Fiquei três dias para aprontar todo o meu plano e o disfarce perfeito.
Em seguida, aparatei na porta da casa de Lúcio Malfoy...
- Aquele rato ainda está solto! – vociferou Sirius.
Dumbledore lançou um olhar impaciente ao padrinho de Harry, que se
calou. Snape prosseguiu.
- Nenhum daqueles obstáculos colocados na velha Mansão Malfoy poderiam
me impedir de entrar lá. Eu conhecia bem os segredos e códigos que permitiam a
minha entrada dentro do casarão. O mordomo da casa me recebeu. Pediu meu nome e
eu mencionei que era Tom Riddle – Lupin franziu a testa. – No instante
seguinte, Lúcio apareceu na porta. E claro, nem olhou em meu rosto. Já fez uma
referência, esperando que eu fosse o seu mestre. Porém, quando levantou o
rosto, percebeu que era o antigo amigo Severo. – ironizou o mestre.
- E qual foi a reação dele diante da sua presença? – perguntou
Lupin.
- A pior possível! – respondeu Snape nervoso. – Lúcio Malfoy sempre
teve uma certa inveja. Em meus tempos de Comensal, fui muitas vezes agraciado
por Voldemort pelos meus serviços prestados... – contava com orgulho.
- E que tipos de serviços! – ironizou Sirius.
Snape, ao ouvir isso, levantou-se de sua cadeira em postura ameaçadora.
- Não fui eu que abandonei o afilhado e muito menos... – dizia o
mestre em seu tom cortante quando Dumbledore interrompeu.
- POR MERLIN! SILÊNCIO! Já havia dito que estamos em novos tempos e que
devemos, mais do que nunca, nos unir contra o inimigo comum! As desavenças que
existem entre vocês serão resolvidas em outra oportunidade!
Lupin observava Snape atentamente. Permaneceu calado quando os dois
sentaram e o mestre de Poções continuou.
- Lúcio me expulsou de sua casa. Jogou um feitiço qualquer de primeiro
ano e fechou a porta em meu rosto – Sirius riu baixinho. – Mas eu toquei
novamente. Ninguém atendeu e eu derrubei a porta. Lúcio ficou enfurecido e eu
apenas vinha para servir ao mesmo mestre que ele, trazendo algumas informações
precisas sobre os seus bens mais preciosos. Lúcio deixou-me prisioneiro durante
cerca de quase dois meses em sua casa até que comunicasse a minha volta.
- Você não mencionou nada, não é Severo? – perguntou Lupin calmo e
desconfiado.
- Bom, eu tinha de dar alguma garantia... – respondia Snape devagar.
- VOCÊ NÃO DISSE NADA SOBRE HARRY, NÃO É?! – exaltou-se Sirius
preocupado.
- Talvez seria a coisa mais sensata a se fazer, mas não! Eu não disse
nada sobre o seu afilhado ou qualquer outra pessoa. – respondeu nervoso.
- Continue Severo. – pediu Dumbledore cansado.
- Como dizia, ou tentava dizer – insinuava sarcasticamente. – Dois
dias depois, o mestre apareceu. Voldemort em carne e osso novamente apareceu
diante de meus olhos.
Daí em diante, até o final da conversa, Snape mudara sua postura.
Agora, parecia encurralado, medroso e tinha a voz ligeiramente trêmula. Contou
que Voldemort usou a poção da Verdade, feitiços de todos os gêneros, em
busca de verdade, mas nada atingiu o professor. A poção fora criada pelo próprio
mestre e todos os professores de Hogwarts haviam feito uma série de feitiços
para proteger Snape de qualquer tipo de encantamentos. A conversa já estava
perto de seu fim, quando Snape contava que fora obrigado a demonstrar sua
tamanha devoção ao mestre, ajudando a matar um antigo conhecido: Igor
Karkaroff, no dia das Bruxas.
- Eu e Lúcio fomos chamados na tarde do dia das Bruxas para uma missão
especial, assim disse Nott, um dos Comensais da Morte. Seguimos para a Travessa
do Tranco, onde Voldemort estava refugiado por alguns dias. Disse que seguiríamos
para a Godric´s Hollow. – disse Snape cauteloso.
Sirius rapidamente sentiu um aperto enorme no coração. Ele e Lupin
abaixaram a cabeça rapidamente. Aquele lugar havia sido muito importante
durante alguns anos em suas vidas. Um lugar agora amaldiçoado com todas as suas
forças. Especialmente por Sirius Black.
-
Esperamos até dar onze horas da noite e seguimos em nossa missão. Pettigrew,
aquele verme que se acha um comensal importante e decente, nos levou até o
lugar onde Voldemort estava escondido. Lá, ele nos disse que um velho conhecido
estaria no píer da Godric´s Hollow à meia noite pontualmente. Seguimos até o
lugar combinado e surgiu das sombras um homem, parecendo um mendigo, envolvido
em algumas vestes negras rasgadas. Tinha olhos cansados e parecia nervoso.
Quando percebemos que se tratava de Karkaroff, ele tentou fugir, mas assim que
deu um passo para trás, Voldemort apareceu e o encurralou em um dos pilares do
píer. Apenas disse “Matem-no” – e Snape de uma breve pausa. – E assim
foi feito.
Dumbledore engoliu em seco imaginando como a morte de Igor deve ter sido
dolorosa. Enquanto Snape contava tamanha crueldade, os quatro que ouviam se
arrepiavam.
- Lúcio conjurou cordas que envolveram os pulsos e tornozelos de
Karkaroff. O pescoço e a cintura também. Eu não sabia bem o quê fazer. Havia
deixado Igor escapar, como vocês sabem, e agora estava ali, prestes a matá-lo
– contava Snape trêmulo. – Eu ansiava não fazer nada, mas Voldemort
decidiu testar minha lealdade. Em seguida, disse para mim que teria o imenso
prazer de me ver à ativa novamente. Não havia nada que eu pudesse fazer! Lúcio
ainda me auxiliou, usando Crucio por
alguns segundos, mas logo em seguida eu tive de usar a pior das Imperdoáveis
– lamentou-se o mestre. – Depois de verificada a morte do traidor, assim
dizia Lúcio, Voldemort deu o trabalho mais sujo a Pettigrew. Ele teve de cortar
Karkaroff em pedacinhos e, finalmente, mandar a caixa com sua cabeça e restos,
diremos assim, para o Ministério da Magia.
Todos ficaram impressionados com a história. Minerva, que havia passado
todo o tempo quieta, perguntou austeramente ao final.
- Mas você esqueceu de contar-nos uma coisa, Severo. Você disse que
mencionou a Lúcio Malfoy que possuía informações preciosas sobre os
“bens” de Voldemort. Ele não o questionou sobre isso?
Snape engoliu seco e bufou. Apresentou certo nervosismo ao ouvir o comentário
de McGonagall.
- Bom, eu disse que Harry Potter encontrava-se em seu quinto ano em
Hogwarts e que estava sempre de olho no garoto, vigiando seus passos e tornando
sua vida um inferno particularmente cruel – dizia Snape com brilho em seus
olhos, deixando Sirius bem enfurecido. – Disse também que ele não
apresentava qualquer perigo a ele e que sempre estaria bem atento aos seus atos
suspeitos.
- E ele nem precisava ter pedido que você fizesse isso, não é? –
insinuou Sirius.
Snape não respondeu. Dumbledore tomou sua posição agora.
- E não questionou sobre o paradeiro...
- Sequer mencionou algo sobre isso a alguém – explicava Snape. –
Parecia misterioso e disse que convocaria uma nova reunião com o intuito de
abrir aos seus melhores servos o plano de dominação.
- Plano de dominação? –
estranhou Lupin curioso.
- Sim, o plano feito por ele durante todos estes anos em que reuniria
seus maiores inimigos e aliados. Foi apenas isso que ele disse. E então voltei.
– finalizou Snape cansado.
Sirius levantou-se e perguntou:
- Apenas mais uma coisa Snape, você conseguiu o quê havíamos pedido a
você?
Snape, que já estava de pé, abriu um lado do casaco negro e retirou um
pergaminho dobrado, velho e enrugado. Jogou em cima da mesa e disse seco e
raivoso, retirando-se da sala:
- Se você fala sobre isso – e apontou para o papel. – Aqui está
ele! E não precisa me agradecer.
Sirius jogou-se por cima da mesa para alcançar o pergaminho o mais rápido
que pudesse. Pegou-o e abriu cuidadosamente. Sentou-se e leu calmamente. Depois,
via-se ligeiras lágrimas correndo em seu rosto. Ao final, apenas disse feliz:
- A prova que eu precisava! A carta de Lílian!
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Snape permaneceu em sua sala pelo
resto do dia. Evitou contato de todas as maneiras com quem quer que fosse.
Calculou o horário do jantar e deixou a sala após o término da refeição
para não cruzar com ninguém no caminho. Entrando, em seu dormitório, deixou
alguns vidros que havia recolhido de sua sala e sentou-se em frente da lareira
que iluminava fracamente o cômodo. De repente, ouviu uma voz familiar dizer:
- Quer dizer então que você desaparece por mais de três meses e sequer
dará uma explicação a mim?
Severo sorriu levemente, porém via-se um pesar em sua face.
- E o que a senhorita está fazendo à uma hora dessas fora de sua torre?
Logo o professor pode ver as fagulhas de fogo sendo projetadas nos fios
castanhos do cabelo de Ametista. Ela acomodou-se em sua frente e sentou no chão,
ao lado da lareira para esquentar-se.
- Parece que fugiu de mim o dia todo! – resmungou a garota. – Você
nem imagina como fiquei preocupada com você! Some e nem dá notícias!
- Eu tinha dito que era um assunto de extrema importância. Uma tarefa
para seu avô – respondeu impaciente. – Não há com que você se preocupar.
Ametista começava a enrolar as pontas onduladas do cabelo. Snape
reparava e relembrava que a garota fazia isto desde criança. Uma forte dor
cominou seu coração de repente.
- E o senhor vai ter de sumir...
– e a garota frisou bem esta palavra meio irritada. – Novamente?
Snape tornou a demonstrar certa impaciência e nervosismo.
- Pare de me cobrar! Pare com estas perguntas, Ametista! Preocupe-se com
outras coisas mais importantes!
Ametista levantou as sobrancelhas surpresa com a reação do mestre de Poções.
Snape ajeitou-se no assento e contornou o tom da conversa.
- Falando em cobranças – dizia austero. – eu havia ordenado uma missão
a você antes de ir embora. Lembra-se?
Ametista sabia bem do que ele estava falando. Ela engoliu por duas vezes
em seco.
- Como? – fez-se de desentendida.
- Desde quando a senhorita possui memória curta? – ironizou Snape
intrigado. – Eu falo de Potter! Eu mandei ficar longe dele! – aumentou o tom
de voz.
Ametista levantou-se abruptamente.
- Por que o senhor tem tanta raiva dele? E por que contou-me todas
aquelas histórias falsas sobre Potter?– questionou alterada.
Snape contorceu o rosto por inteiro imediatamente. Nunca ninguém havia o
enfrentado tão brava e claramente.
- Quem a senhorita pensa que é para falar comigo deste jeito? –
irritou-se o professor.
- Sou a única pessoa que realmente se importa com o senhor nesta escola!
– respondeu Ametista subitamente dissipando fúria.
Snape grudou na cadeira. Realmente nunca havia sido enfrentado de tal
forma. Sabia sim que ninguém nunca se importara verdadeiramente consigo, mas
ouvir isto é bem diferente, e bem mais doloroso. Calou-se.
- Desculpe-me. – pediu Ametista voltando a postura controlada.
O professor permanecia quieto. Sentia-se vazio. Seu olhar estava direto
na aluna. Ametista, por sua vez, arrependia-se de ter dito aquilo. Imaginava que
ele próprio soubesse disso, mas ouvir deveria ter sido duro.
- Acho melhor eu voltar para minha torre – disse Ametista baixinho. –
Até amanhã. – e saiu, fechando a porta do quarto.
Snape ficou por cerca de cinco minutos paralisado. Tudo voltava a sua
mente como num turbilhão. E ouvir tudo aquilo o fazia lembrar de sua adolescência,
e principalmente do trio Potter-Black-Lupin. Como odiava cada um de uma forma. E
como se sentia mal de não ter tal amizade com ninguém.
Ao ouvir Ametista, a criança dada a ele para seus cuidados quando tinha
apenas cinco anos de idade, gritar e questionar sua posição sobre o filho de
Potter, refletiu tudo o quê havia feito. E notou que de nada adiantava lutar
contra Harry ou tornar sua vida um pouco pior, e também que a criança de
fortes e grandes olhos azuis que criou por boa parte de sua vida não era mais
uma criança. E sim uma jovem. Uma jovem que honra de todas as formas o sangue
que corre em suas veias. E a personalidade de todos que já a criaram. O
encantamento do batismo. Ela reservava um pouco dos que a vigiaram, fosse por um
ano, por três ou por seis.
Levantou da cadeira e abriu uma gaveta ao lado de sua cama. Retirou de dentro um álbum, onde havia apenas uma foto. A foto de uma jovem de longos cabelos claros e profundos olhos azuis. Exibia com orgulho um grande sorriso brilhante. E como doía olhar aquela foto.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
A relação amigável entre Gina e Draco fica mais séria e o garoto decide dar um novo passo - de acordo com seu plano. Assim, Ametista está de olho e acaba dando com a língua nos dentes a Gina, que não gosta nada daquilo.
Não caia no charme de um certo loirinho arrogante em "NA BIBLIOTECA"
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