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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Enquanto a Grifinória ganha no quadribol, Ametista percebe estranhas atitudes vindas de Gina. Diante disso, começa a ir atrás e descobre que eles começaram a formar uma amizade. Eles? Pois é, Gina Weasley e Draco Malfoy...
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CAPÍTULO QUINZE – O
FERIADO
Voltando ao castelo, Harry e
Ametista permaneciam ligeiramente melancólicos. Perderam os amigos. E a idéia
de ficar praticamente duas semanas ao lado de alguém como ambos, era o fim do
mundo. A garota decidiu fazer uma visita a sala do professor Lupin. Harry ficou
durante alguns minutos na torre da Grifinória e teve a idéia de visitar o
padrinho. Imaginava que o encontraria na sala de Lupin. Porém, Ametista chegou
antes e topou com uma revelação:
- VOCÊ! – berrou apavorada ao entrar na sala do mestre de Defesa
Contra a Arte das Trevas.
Lupin e Arabella conversavam no parapeito da janela e pularam quando
ouviram o grito da jovem. Sirius por sua vez, estava perplexo, a encarando pela
primeira vez, em pé ao lado da mesa de Lupin.
- Ametista, acalme-se! – pediu Lupin agitado.
- VOCÊ! – repetia chocada.
Arabella não sabia exatamente o quê fazer. Estava confusa, e ficou mais
ainda quando viu Harry deparar-se com aquela cena.
- Sirius?! – espantou-se ao ver o padrinho transformado.
Sirius estava congelado. Parecia uma estátua. Pálido e vermelho ao
mesmo tempo, encarava a garota trêmula em sua frente. Aquilo parecia estar
sendo difícil para ele. Na verdade, Lupin e Arabella sabiam que Sirius travava
uma batalha interior muito grande e forte. E ver aquela garota em sua frente
trazia à sua mente lembranças que tentou apagar por quinze anos. Arabella
imediatamente aparatou, enquanto Harry aproximou-se de Sirius.
- Sirius, acorde! – disse, sacudindo o padrinho levemente.
Lupin postou-se ao lado de Ametista, que tremia da cabeça aos pés.
Rapidamente, Dumbledore apareceu ao lado de Sirius.
- Ametista, querida... – tentava juntar as palavras o diretor.
- ELE É SIRIUS BLACK! – vociferava descontrolada.
Harry permanecia sem entender nada. Dumbledore indicou algo com a cabeça
para Lupin e o professor imediatamente, retirou a aluna da sala. Logo em
seguida, Sirius amoleceu e caiu na cadeira.
- Sirius, você está bem? – indagou Arabella.
O homem parecia desnorteado. Dumbledore olhou para Arabella e fez o mesmo
sinal para a mestra, que lutou para retirar Harry da sala. Finalmente, ficaram
no âmbito apenas Sirius e Dumbledore. Espantosamente, lágrimas começaram a
sair dos olhos de Sirius.
- São tantas lembranças... – sussurrou Sirius sem voz.
- Eu sei, eu sei Sirius. – disse Dumbledore em tom protetor.
- O batismo ainda está estampado na minha cabeça. O feitiço, as
características, tudo meu...
- Não precisa falar nada Sirius. Não precisa. – finalizou Dumbledore
abraçando-o como um pai abraça um filho.
Na sala comunal da Grifinória, Ametista ouvia tudo com muita atenção.
- E além de tudo, Ametista, eu já tinha contado essa história para você
na primeira vez que nós conversamos, lembra?
- É, agora eu me lembro...
- Claro que você só vai lembrar agora, não é? O escândalo já foi
feito mesmo e, apesar de tudo, a história que o Snape conta é sempre mais
correta, não é?
- Não provoque Potter! – gritou Ametista nervosa.
Harry ia responder, mas Lupin
impediu. Faltavam alguns detalhes ainda. Ao final, Ametista concluiu:
- Mesmo assim, ele pode até ser inocente, mas é um foragido do Ministério!
E, qualquer outra pessoa que não conhece esta história, terá a mesma reação
que eu!
- Talvez... – arriscou Harry.
- TALVEZ?! Você só pode estar maluco, não é Potter! – Lupin e
Arabella ouviram pela primeira vez o tom rotineiro de conversa dos dois alunos.
– Qualquer um que veja Sirius Black de repente, e ainda dentro de Hogwarts,
entra em pânico!
- Não mesmo! APENAS PESSOAS HISTÉRICAS COMO VOCÊ! – berrou Harry.
Lupin tentava acalmar os ânimos. Mas parecia impossível.
- HISTÉRICAS?! O que você faria se visse um ASSASSINO NA SUA FRENTE?!
– respondeu Ametista.
Harry corou furiosamente.
- LIMPE SUA BOCA ANTES DE FALAR DO MEU PADRINHO!
Ametista e Harry encaravam-se de tão perto que pareciam que sacariam
suas varinhas e se matariam ali mesmo.
Arabella meteu-se no meio dos jovens.
- CHEGA!
Lupin puxou Harry para um lado e disse para acalmar-se.
- Lembre-se que você um dia achava que Sirius era um assassino, e o
assassino de seus pais. Então, dê parte de razão a ela também.
Harry respirou fundo. Ametista estava do outro lado da sala. Dumbledore
entrou e observou a tudo atentamente.
- Espero que tudo esteja bem por aqui.
Harry e Ametista permaneceram calados. Arabella e Lupin trocaram olhares
discretos com o diretor e saíram da sala comunal.
- Como presumo que a história já tenha sido explicada, não quero mais
ataques dentro desta escola! – repreendia o diretor. – Durante o feriado,
Sirius Black ficará como um bruxo, não como um cão. Então, espero não ouvir
mais gritos ou discussões por parte de ninguém aqui dentro. E vocês dois
tratem de se entender. Já não é a primeira vez que eu percebo que vocês não
se dão bem. Tratem de resolver seus problemas! Fui bem claro?
Os dois alunos permaneciam calados e com as cabeças abaixadas. O diretor
deixou a sala comunal. Harry e Ametista olharam-se e a garota subiu para o
quarto. Sentou-se na cama e abriu o álbum que Hermione quis ver em outro dia.
Ficou analisando uma foto em particular.
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Os dois primeiros dias do feriado
foram bem estranhos para Harry e Ametista depois da última discussão. Enquanto
Harry ajudava Hagrid com algumas plantações de ervas especiais encomendadas
por Lupin, Ametista ajudava os professores na preparação para as festas. Eles
encontravam-se apenas nas refeições ou na hora de dormir, em que iam para a
torre da Grifinória. Harry percebia a diferença do Natal deste ano em comparação
com os outros. Principalmente no ano passado, Hogwarts havia ficado cheia de
alunos. Porém, desta vez, apenas ele e Ametista permaneceram na escola. Ainda não
haviam recebido nenhuma carta de Rony ou Hermione.
Apesar de tudo, Harry acordara bem disposto no terceiro dia. Era véspera
de Natal e o salão principal cheirava muito bem. A ceia estava sendo feita
pelos elfos domésticos. Entrando no salão, encontrou apenas uma mesa. Estavam
sentados nela todos os que sobraram em Hogwarts, além de Ametista, que por
causa de sua rotineira insônia, acordara todos os dias mais cedo que Harry. O
que mais o alegrou na manhã, foi encontrar sentado à direita de Dumbledore,
Sirius Black, seu padrinho. Estava ainda com a aparência mal cuidada, mas bem
mais saudável.
- Sirius! – exclamou Harry como uma criança que não vê o pai há
muito tempo.
O homem possuía cabelos negros até quase a altura da cintura e, apesar
de não cuidar muito da aparência, era muito bonito. Levantou o rosto e deu um
grande sorriso. A barba rala dava um ar mais velho aos trinta e poucos anos de
Sirius. O diretor, ao seu lado, cumprimentou Harry com a cabeça. O menino foi
até Sirius e o abraçou carinhosamente.
- Finalmente posso conversar com você, sem estarmos escondidos! –
festejou Harry.
- Acalme-se, Harry! – pediu Sirius rindo. – Ainda temos alguns dias
para conversar muito. Amanhã é Natal e poderemos festejar bastante.
Todos na mesa observavam felizes a cena. Harry sentou-se ao lado de
Sirius e respirou fundo, sentindo o delicioso cheiro vindo da cozinha.
- Parece que a ceia será maravilhosa. – elogiou com um sorriso maroto.
- Sim – concordou Dumbledore. – Na verdade, foi Ametista que fez o
cardápio. Posso dizer que espero muito de hoje à noite.
A garota estava sentada à esquerda do avô. Ela olhava para o prato
cheio de pães variados. Harry percebeu que ela corou levemente e também notou
que Sirius resmungou algo para si que não conseguiu ouvir.
Após o café da manhã, os professores dirigiram-se para suas salas
enquanto Harry e Ametista seguiram para a torre da Grifinória. Na sala comunal,
Ametista mexia em alguns livros. Harry ficou curioso.
- O que você vai fazer hoje? – perguntou timidamente.
- Ainda não sei – respondeu com a voz em baixo tom. – Não tenho
mais nenhuma coisa para preparar para hoje.
Harry nada respondeu e ficou sentado em frente à lareira. Olhou para os
lados à procura de algo para fazer. Ametista fazia o mesmo. Era constante este
desconforto entre os dois. Porém, era claro que após a discussão sobre
Sirius, os dois decidiram parar de se atacar. Até que a garota disse:
- Potter, você tem algo para fazer hoje?
- Não.
- Então, o que você acha de nós jogarmos um pouco de quadribol? –
disse meio acanhada.
Harry sorriu imediatamente. Nisso, ele era bom e ela também. Poderiam se
divertir muito. E Ametista finalmente parecia mais calma e amistosa. Harry topou
no mesmo instante e os dois subiram para pegar alguns casacos, já que estava
frio lá fora. Pouco depois, Ametista segurava sua Firebolt Special enquanto Harry acariciava as cerdas da sua Firebolt.
Dirigiram-se para o jardim de Hogwarts. Era engraçado, pois enquanto
Harry segurava sua vassoura com o maior cuidado possível, Ametista arrastava a
sua pelo chão. Quando Ametista abriu a porta principal, uma rajada forte de
vento atingiu os amigos. O frio era de congelar até os ossos. Os dois
entreolharam-se.
- Você ainda quer jogar, não quer? – perguntou Ametista.
- Claro, não vou ficar mais um dia sem fazer nada divertido! Não vai
ser um friozinho que vai me impedir! – incentivou Harry sorrindo.
- Concordamos em algo Potter. – e sorriu ligeiramente para o garoto.
Ametista pegou um pomo de ouro escondido da sala de Madame Hooch na tarde
passada. Postaram-se no meio do campo de quadribol e Ametista disse:
- Escute, eu vou jogar o pomo. Você pode subir na frente, já que a
minha vassoura é muito mais veloz.
- Nada disso! Sua vassoura é quase a mesma que a minha! Como você é
metida! – retrucou Harry. – Quando você jogar, vamos subir juntos. Assim,
será uma disputa justa.
- Se você acha que isso é uma disputa justa... – zombou Ametista.
Uma possível briga poderia surgir daquele diálogo, mas os dois estavam
realmente cansados e deixaram de lado as provocações. Enquanto se divertiam,
perseguindo um ao outro no céu, Sirius os observava pela janela da sala de
Lupin. O professor de Hogwarts estava de costas para Sirius, escrevendo alguns
feitiços num pergaminho.
- Não adianta ficar vigiando, Sirius. – disse Lupin, sem tirar os
olhos do pergaminho.
- Eu não estou vigiando. – respondeu bruscamente, sem desviar a sua
atenção dos dois alunos montados em suas vassouras.
- Eu sei que você está. Eu te conheço muito bem, Sirius. Não será
você que vai mudar o curso dos acontecimentos. Largue do pé da menina. –
continuou Lupin, ainda olhando para o papel.
- Você não entende. – disse Sirius em baixo tom.
- Ah! Eu entendo muito bem. E é melhor você ocupar o seu tempo com
coisas mais construtivas do que ficar de olho em duas crianças voando em suas
vassouras na véspera de Natal! – recomendou o mestre.
Sirius virou-se para Lupin e disse severamente:
- Primeiro, Harry não é mais uma criança. Segundo, eu já cansei de
avisar a ele que fique longe dela. Mas parece que não me escuta!
Agora Lupin olhou para o amigo.
- E você sabe por que ele não te escuta? Eu te digo porquê. Porque
Ametista, apesar das constantes brigas, se tornou amiga dele, de Rony e de
Hermione, porque é apenas uma garota inofensiva – Sirius fez uma careta. –
Está bem, nem tão inofensiva, cabeça quente... Mas é neta de Dumbledore. Que
perigos poderia oferecer? – respondeu Lupin em seu tom calmo.
- Muitos! – gritou Sirius.
Lupin balançou a cabeça em reprovação.
- Muitos? Ainda não vi nenhum acontecimento que provoque perigo.
- E aquela varinha maluca dela?
- A varinha é problema meu, Sirius. Já falei com o Sr. Olivaras e em
breve ele virá aqui para fazer alguns testes. O problema é com a varinha, e não
com a dona dela.
- Sabe qual é seu problema? – disse Sirius provocativo. – O seu
problema é que você defende demais esta garota. Você gosta tanto dela que
acaba tampando a visão de tudo ao seu redor, Remo!
- Você deveria fazer o mesmo! – respondeu Lupin nervoso. – Melhor,
você deveria ter um carinho, até mesmo um amor muito maior pelo que eu tenho
por ela. Mas não, esqueceu-se totalmente daquela cerimônia no batismo, do
encantamento. Seu orgulho é maior!
- Sou orgulhoso mesmo! Eu fui enganado! – esbravejou. – E se Harry não
tomar cuidado, ele também será!
- Se você tem medo disso, Sirius, devo lhe informar que a batalha já
está perdida para você.
- Como assim?
- Harry gosta dela. – disse Lupin com segurança.
- O QUE? NUNCA! ELE NÃO PODE! ELE NÃO GOSTA! ELES SE ODEIAM! TODOS JÁ
VIMOS QUE ELES SE ODEIAM! – protestou Sirius enfurecido.
- Pergunte a ele, então! – respondeu Lupin, voltando a olhar o
pergaminho, deixando Sirius furioso com seus pensamentos.
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Harry e Ametista nem almoçaram.
Ficaram o dia todo jogando quadribol, brigando nos ares com suas vassouras,
rindo muito. Havia sido a primeira vez em que os dois foram eles mesmos um para
o outro. Claro que alguns ataques pessoais aconteceram, mas nada de mais. Antes
do escurecer, os estômagos começavam a roncar. Estavam voltando para o castelo
quando Ametista teve a idéia.
- Poderíamos passar na cozinha. Pegamos escondido um pedaço do peru
também. – disse em tom maroto.
- Boa idéia! – concordou Harry.
Neste momento, Harry lembrou-se de um amigo. Dobby, o curioso elfo doméstico. Depois de ter sido libertado do
controle dos Malfoy, Dobby conseguiu um emprego de cozinheiro em Hogwarts. Harry
sempre dava algum presente ao elfo. Havia também Winky, que fora um dia elfo
doméstico da família Crouch.
- Antes, eu preciso pegar um negócio na torre. Você vem comigo? –
indagou Harry.
- Fazer o quê... – respondeu Ametista, seguindo com Harry para a torre
da Grifinória.
- Não provoque! – avisou Harry.
- Eu não estou! – respondeu Ametista.
A garota ficou esperando na sala comunal Harry, enquanto o amigo ia ao
quarto. Pouco depois, o garoto descia as escadas do dormitório e pedia a
garota:
- Ametista, você tem algo que posso dar a um elfo doméstico?
- E por que eu daria algo a um elfo doméstico? – perguntou perdida e
superior.
- É uma longa história, outro dia eu te conto. Mas você teria alguma
coisa para dar? – disse apressado.
- Eu devo ter – olhou torto. – Espere aqui. – respondeu Ametista,
subindo as escadas.
Na cozinha, os dois jovens da Grifinória andavam em meio a pequenos
seres. O cheiro era de dar fome facilmente. Harry procurava Dobby enquanto
Ametista apenas o seguia sem entender nada. De repente, Harry viu o elfo.
- Dobby! – gritou no meio da barulheira.
O elfo de orelhas grandes, enormes olhos verdes esbugalhados e nariz fino
e comprido apareceu em meio a uma fumaça escura. Ametista agitou as mãos em
frente ao rosto, desvencilhando da fumaça.
- Harry Potter! – exclamou com a voz esganiçada. – Pensei que havia
esquecido de Dobby! Mas vejo que não esqueceu de Dobby!
Ametista olhou para Harry afogando uma risada. Harry recuou alguns
passos, tentando diminuir a fumaça que entrava pela sua garganta. Dobby saiu de
repente.
- Ele sempre fala dele assim? Dobby fez isso, Dobby fez aquilo? –
debochou Ametista cochichando.
- Você ainda não viu nada. – respondeu Harry dando uma risada.
Dobby voltou com um elfo muito parecido com ele.
- Harry Potter! Como vai o senhor? – perguntou o elfo.
- Muito bem, Winky. E vocês? – respondeu Harry com cuidado.
- Muito bem, meu senhor – respondeu Dobby feliz. – O senhor
Dumbledore é muito cuidadoso com Dobby e Winky.
- Esta aqui é Ametista – disse Harry, apontando para a garota que se
escondia atrás dele. – Ela é neta de Dumbledore.
Dobby se aproximou.
- Dobby está muito contente de conhecer a namorada de meu senhor, Harry
Potter! É uma honra! – disse com a voz mais esganiçada.
- Eu não sou namorada do Potter! – respondeu Ametista agitada e
corando, igual ao garoto ao seu lado.
Dobby pareceu levemente desapontado. Harry entregou uma sacola
improvisada nas mãos de Dobby.
O elfo abriu a sacola e encontrou um par de meias. Uma era vermelha de
bolinhas roxa, enquanto a outra era verde com estrelas azuis.
- Elas brilham no escuro. – Harry indicou as estrelas azuis.
Dobby emocionou-se.
- Muita gentileza, senhor Harry Potter! – agradeceu o elfo. – Não
precisava incomodar-se com Dobby. Infelizmente, neste ano Dobby não pôde sair
de Hogwarts para comprar presentes para seu senhor.
- Não tem problema, Dobby. Ainda tem para Winky. – disse Harry,
fazendo o elfo aproximar-se da sacola nas mãos de Dobby.
Ametista tinha uma saia rosa que havia ficado pequena para ela. Resolveu
dar a Winky, como vestido.
- Muito obrigado, senhor Harry Potter! – disse Winky envergonhada. –
Nunca ninguém se importou comigo.
Harry percebeu que o elfo começaria a chorar, como de costume. Decidiu
evitar antes que acontecesse.
- Mas, também queríamos comer algo, Dobby. – pediu apressado.
O elfo ajeitou-se nas roupas largas e tratou de pegar alguns bolinhos de
batata e espinafre para os dois amigos. Winky vestia a saia de Ametista e dava
voltas, emocionada. Harry e Ametista terminaram de comer e agradeceram os elfos.
- Venha visitar Dobby mais vezes! – pediu o elfo em meio a fumaça
escura que ainda pairava na cozinha. – Não esqueça, meu senhor Harry Potter
e sua namorada!
Ametista ia responder que não era namorada de Harry novamente, mas o
amigo a impediu.
- Ele vai ficar insistindo nisso até a ceia. Deixa.
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Por volta das oito da noite,
Harry já estava pronto para a ceia de Natal. Havia combinado de esperar a
garota na sala comunal para irem juntos ao salão principal. Colocou seu traje
de festas verde esmeralda e um casaco. Estava muito bonito. Os cabelos não
colaboravam com o conjunto. Desarrumado, dava um ar maroto ao jovem de quinze
anos. A lareira esquentava a sala, já que o frio havia piorado com a chegada da
noite. Esperou dez minutos a mais do que o combinado. Logo, ouviu uma voz
impaciente dizer:
- Você já está pronto?
Harry virou as costas. Ao pé da escada do dormitório das garotas estava
Ametista. Trajava um vestido preto de mangas compridas e alguns detalhes em
renda nas bordas do vestido. Os cabelos ondulados deram lugar a um longo e liso
cabelo castanho. O fogo interagia com o brilho de suas madeixas. Havia prendido
a franja da altura do queixo com uma delicada presilha dourada. A garota nunca
chamara a atenção de Harry, já que beleza não era sua virtude. Porém, Harry
teve de admitir que ela estava até que
bonita.
- Potter? Que foi? – perguntou Ametista nervosa. – Você já está
pronto?
- Já, já. – respondeu gaguejando ligeiramente.
- Então vamos logo porque eu estou morrendo de fome! E não quero perder
a ceia por sua causa!
- Não provoque... – repetiu Harry irritado.
- Não estou! – retrucou Ametista inquieta.
A grande árvore de Natal estava totalmente iluminada por estrelas mágicas.
O cheiro que vinha do banquete era delicioso e muito convidativo. A única mesa
no enorme salão principal estava decorada com panos vermelhos e dourados. Se
algum aluno de outra casa estivesse em Hogwarts naquele dia, diria que era a
mesa da Grifinória. Harry apareceu juntamente com Ametista. Todos estavam
reunidos no salão há algum tempo.
- Finalmente! Só faltavam vocês dois – disse Dumbledore rindo. –
Sentem-se conosco. Acho que não sou apenas eu que estou com fome. – completou
o diretor, olhando para os amigos esfomeados.
A ceia estava maravilhosa. Agradara a todos de várias formas. O peru
estava suculento e macio. Harry havia sentado ao lado do padrinho e Ametista ao
seu lado. Conversaram muito durante o jantar. Harry contava sobre o Natal na
casa dos Dursley e algumas trapalhadas de Tio Válter ou Duda. Todos na mesa
riam bastante. Ametista reparara que Lupin passou o jantar todo observando ela e
Harry, e em algumas vezes, Arabella. A professora tinha o olhar sério e a voz
seca com todos, mas naquela noite em especial, estava muito elegante e simpática.
Harry nunca vira Dumbledore tão feliz. O diretor ria de qualquer coisa,
contava as suas trapalhadas no boliche e tomava muito vinho. Vire e mexe, ele
passava as mãos trêmulas na cabeça da neta, sorrindo. Antes da sobremesa,
Dumbledore cochichou algo à Minerva e pediu silêncio.
- Eu queria agradecer a todos os presentes por desfrutarem deste
maravilhoso banquete e de nossa companhia – o diretor tinha a pele rosada. –
Antes da nossa sobremesa, queria incrementar nossa véspera de Natal.
Todos começaram a afogar uma risada. Qual seria o plano do diretor para
animar a incrível noite de Natal?
- Ametista. – chamou o avô.
A garota levantou o rosto e olhou temerosa para o velho. Ele abriu um
grande sorriso.
- Você poderia fazer uma apresentação para nós?
- Co... Co... Como? – indagou a menina acanhada.
- Poderia dançar para nós? – repetiu Dumbledore.
- Dançar? Como? Eu não sei dançar! – defendeu-se Ametista.
- Você se lembra de quando te ensinei a dança de sua mãe? – indagou
o diretor.
Sirius, que estava ao lado de Harry mexeu-se na cadeira incomodado. Harry
percebeu que o padrinho começara a tremer. Ametista ficou pensativa por um
instante e depois protestou:
- Mas vovô, eu nem me lembro mais! Sem contar que não tenho minha
varinha! – protestou irritada.
- Não importa, o professor Lupin pode cedê-la por um momento, não
pode? – perguntou Dumbledore sorrindo ao mestre.
- Claro, claro que sim. – concordou Lupin animado.
- Não, é melhor não! – disse Ametista nervosa.
- Deixe de ser rabugenta! Dance! – o diretor puxava o coro.
- O senhor bebeu vinho demais! – repreendia a garota agitada.
- Vamos lá, Ametista! – disse Harry. – Agora eu estou curioso para
ver!
Ametista lançou um olhar mortal a Harry, que se arrependeu no mesmo
momento de ter falado aquilo. Mas, não adiantava o protesto da garota. Lupin já
estava com a varinha prata na mão.
- Agora, a música. – disse Dumbledore, indicando a sua mão para um
dos cantos do salão principal. Ali, surgiu uma grande e bela harpa dourada.
- Acho que não iria adiantar eu dizer algo. – sussurrou Harry para
Sirius, que nem o escutou.
Ametista levantou-se e pegou a varinha da mão de Lupin. Escondeu-a
dentro do vestido, impedindo o raio verde se expandir pela sala. O diretor fez
um movimento com a mão direita e as velas se apagaram. O salão ficou iluminado
com o belo luar que entrava pelas janelas. A harpa começou a mexer as cordas
sozinhas. Saía uma música relaxante, suave e doce. Ametista começou a rodar
envolta de si mesma, apontando a varinha para cima. Logo depois, bolhas de sabão
das mais diversas cores começaram a sair da ponta de sua varinha. Era uma visão
maravilhosa. As bolhas aos poucos se espalhavam pelo salão enquanto Ametista
dançava levemente com sua varinha, rodopiando a saia do vestido. Harry viu
quando Sirius afastou a cadeira bruscamente e saiu do salão. Mas algo o
segurava lá dentro e ele permanecia sentado, observando a cena.
A
canção entrava pelos seus ouvidos tão suavemente que ele quase não se
incomodava. Harry então notou que Ametista se aproximava dele. Ela vinha
rodando devagar e postou-se ao seu lado. Parecia que a música estava em seu
final. Antes de ela acabar, Ametista rodou mais forte e centenas de bolhas
coloridas rodearam Harry. Parecia um sonho. Só então o garoto percebeu que o
quê o segurava no salão era Ametista. A garota estava dançando de forma tão
graciosa que parecia um anjo. Um perfume floral espalhava-se pelo salão e
envolvia a cena. Harry estava hipnotizado. Na última nota da música, ele olhou
bem para Ametista e seus olhos encontraram-se. Ele a viu de uma forma totalmente
diferente. Teve uma vontade de levantar e tomá-la em seus braços. E mesmo
lutando contra tudo aquilo que achava dela, ainda havia algo que o dizia para vê-la
de outra forma. Quando a música acabou, as velas acenderam-se e Ametista
permaneceu parada. Todos aplaudiram. Dumbledore enxugou os olhos. Porém, Harry
viu quando, assim como ele, Ametista reparou que Sirius havia se retirado e
ficou muito decepcionada.
- Lindo! – repetia Minerva emocionada. – Lindo! Exatamente como a mãe!
Lindo!
Ametista sentou-se ao lado de Harry corada. Era engraçado, mas ele não
se sentia da mesma forma. Parecia que Cho Chang estava ao seu lado, e não a
neta de Dumbledore. Lupin estava cabisbaixo. Arabella também. De repente, os
dois se olharam e respiraram fundo. Terminaram de comer a sobremesa e
sentiram-se satisfeitos.
- Agora, todos podem ir dormir – disse Dumbledore, levantando-se. –
Boa noite.
Era claro o clima melancólico. Tudo aquilo lembrava a mãe de Ametista,
como Minerva havia mencionado. Entretanto, apesar de certo desconforto entre os
presentes, todos foram para seus quartos juntos. Quando Harry e Ametista
voltavam para a torre, Harry parou de repente.
- Algum problema? – perguntou Ametista estranhando.
Harry hesitou, mas perguntou:
- Você não está a fim de dar uma volta?
Ametista arregalou os olhos. Seu maior inimigo
estava a convidando para dar uma volta?
- Aonde, Potter? – estranhou.
- Sei lá, em volta do lago? – propôs Harry vermelho.
Ametista pensou, e concordou depois.
- Mas vamos tomar cuidado, porque se alguém nos pegar, estaremos fritos!
– lembrou a menina.
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Apesar do frio, o céu não
estava totalmente nublado. Ambos caminhavam pelo gramado relutantes e calados.
Harry viu de longe uma árvore grande o bastante para proteger os dois do vento
forte. Foram até ela e sentaram-se na relva.
- Então – começou Harry. – A sua mãe começou com aquela dança?
- Não sei exatamente – respondeu Ametista com a voz rouca. – Meu avô
contou-me que minha mãe sempre foi muito agitada. Adorava cantar ou dançar
pelos cantos com duas amigas. Aí, ela criou esta dança.
- Ela tem algo de especial, sabia? – disse Harry repentinamente.
- Especial?
- É, ela te envolve, pode te hipnotizar. – explicou Harry.
- Bom, eu sei que foi dançando desse jeito que meu pai se apaixonou por
ela. – disse orgulhosa.
- Sério? – surpreendeu-se Harry.
- Meu avô que me disse. Foi, por acaso, num Natal também. Ela costumava
ficar aqui nos feriados com as amigas e naquele ano meu pai também ficou. Aí
meu avô pediu que ela dançasse e ele ficou apaixonado por ela. Disse que
depois disso, eles começaram a namorar.
- História romântica. – debochou Harry.
Ametista olhou com tom de não se importar.
- Sua mãe era da Grifinória? – indagou Harry.
- Era. A família inteira por parte de mãe foi da Grifinória.
- E seu pai?
- Não sei. – respondeu calmamente.
- Como não sabe? – espantou-se Harry.
- Como saberei em qual casa meu pai ficou se eu não sei quem ele é?
Harry parou por um momento. Como ela não sabia quem era o pai? E falava
com tanta calma que era arrepiante.
- Você não sabe quem é o seu pai?
- Não. Isso é um dos mistérios da minha vida, Potter. Toda vez que eu
tento perguntar algo para meu avô, ele desconversa. Não tenho mais nada o que
fazer. – resmungou.
Harry impressionou-se. Como Dumbledore poderia ocultar uma coisa tão
importante como essa.
- Mas eu presumo que ele seja da Grifinória. – terminou.
- Ah... – disse Harry pensativo. – Ele também está morto?
Ametista bufou levemente.
- Também. Ele morreu protegendo minha mãe e eu. – respondeu Ametista
meio chorosa.
- Como assim? – indagou Harry, percebendo certa semelhança com a morte
de seus pais.
- Meus pais morreram exatamente como os seus – Harry franziu a testa.
– Voldemort os matou.
- E como você sobreviveu?
- Alguém me salvou. Não sei quem foi, mas sei que meu avô estava junto
na hora e me deu aos cuidados desta pessoa. – explicou Ametista.
- Nossa! – impressionou-se Harry. – Sua vida é bem agitada desde
pequena, hein!
- Que diria a sua, Potter! – disse Ametista e os dois caíram na
risada.
- Você tem alguma foto dos seus pais? – indagou o garoto curioso.
- Eu tenho um álbum de fotos que o Severo me deu quando fiz onze anos.
Tem três fotos: uma minha com meu avô, outra com meus padrinhos e uma terceira
com meus pais.
- Eles parecem felizes?
Ametista parou de repente. A mãe era realmente bonita, mas o pai sempre
teve uma força quando ela o olhava. E eram somente os olhos que ela conseguia
ver. Uma névoa cobria a face do homem.
- Minha mãe está sempre sorridente, mas não consigo reconhecer meu
pai. Só os olhos. – disse Ametista.
- Eu tenho uma foto dos meus pais comigo no colo. Eles parecem bem
contentes. – orgulhou-se Harry.
- Também, tendo um filho importante e famoso como esse! – brincou em
resposta.
Harry ficou pensativo por um momento. Ametista não havia debochado dele.
E também não havia provocado. Neste momento, os dois viram de longe alguém
postado na porta principal do castelo, olhando em sua direção.
- Fomos descobertos. – disse Ametista levantando.
Harry levantou em seguida e os dois começaram a voltar ao castelo. Perto
da entrada, Harry pode ver quem estava com a maior cara amarrada do mundo.
- Vocês já não cansaram de ouvir que é perigoso e terminantemente
proibido sair do castelo após o anoitecer? – resmungou Sirius.
- Me desculpe, nós não estávamos com sono então resolvi convidar a
Ametista para dar um passeio perto do lago, Sirius. – explicou Harry
envergonhado.
- Isso não é hora para passeios! – gritou nervoso.
Ametista franziu a testa. Entretanto, tinha a mesma postura que a de
Sirius. Teimosia. Harry percebeu e disse:
- Nós estamos aqui e é isso que importa, Sirius. Não adianta gritar
agora. Já vamos entrar.
- Antes eu quero ter uma conversa com você, Harry. – ordenou Sirius
olhando para Ametista com ódio.
- Eu vou deitar já – disse mantendo o tom de voz calmo. – Boa noite
Potter, boa noite Black. – terminou em tom de indiferença.
Harry despediu-se enquanto Sirius nem moveu a cabeça. Ficou imóvel e
sequer olhou para a garota, que aos poucos se distanciava. Harry abaixou o
olhar.
- Escute Harry, nós não estamos em hora de passeios. Voldemort está
por aí e não temos a mínima idéia de onde ele possa estar. Portanto, não
fique dando sopa por aí! – disse Sirius severamente.
- Eu sei que é perigoso, mas não precisa gritar nem falar daquele jeito
com a Ametista. Se quiser gritar, grite comigo. – disse Harry respondendo.
Sirius cerrou os olhos em cima de Harry. O garoto sabia que ali não
vinha coisa boa.
- Você gosta dessa menina? – perguntou de repente.
Harry paralisou. Falar sobre as coisas que não entendia com Rony ainda
tudo bem, mas falar sobre a confusão que estava em sua cabeça com Sirius era
demais.
- O que?
- Eu perguntei se você gosta dessa garota! – repetiu Sirius
impaciente.
O primeiro pensamento que veio na cabeça foi o de responder que sim.
Harry não sabia bem por quê. Mas ele respondeu:
- Não, eu não gosto dela.
Sirius parecia aliviado. Diminuiu o porte imponente e sério e disse,
finalizando a conversa entre eles:
- É que Remo me disse hoje que você gosta dela.
- Lupin disse isso? – espantou-se Harry.
- Disse. E eu queria confirmar que ele estava errado. Eu ainda disse que
era impossível, mas ele preferiu acreditar na própria hipótese. – explicou
Sirius orgulhoso.
- Por que ele acha isso? – indagou Harry curioso.
- Não sei, Harry. Você depois pergunte a ele – respondeu rápido. –
Agora, eu quero te lembrar de uma coisa que você deve provavelmente ter
esquecido.
- O que?
- Fique longe desta menina! Para seu bem! Não quero vê-los sozinhos
novamente por aí pelos cantos! Cantos são suspeitos! – disse Sirius nervoso,
fazendo Harry lembrar o que Rony disse antes de viajar. – Se eu pegar vocês
dois sozinhos por aí de novo, será bem pior! – ameaçou Sirius, fazendo
Harry entrar no castelo.
O garoto subiu para a torre da Grifinória pensativo. De onde vinha toda
aquela raiva que Sirius tinha por Ametista? Era uma menina como outra qualquer,
era como Hermione! Está bem, talvez um pouco mais nervosa ou irritada ou
teimosa.
Harry gritou a senha para a Velha Gorda, já adormecida e entrou na sala
comunal. Para sua surpresa, encontrou Ametista sentada em frente à lareira. Ela
parecia chateada.
- Não esquente com Sirius. Ele é assim mesmo. – disse Harry em
consolo.
- Eu não estou chateada, se é isso que você está pensando –
respondeu ela de repente. – Eu sinto que ele não gosta de mim. Eu sei disso.
Mas não tem problema. Eu não me incomodo.
Harry sentou-se ao seu lado. O fogo da lareira estava acabando. Estava
perto da meia-noite. Ametista virou para ele. O desconforto que havia
desaparecido durante todo o dia voltou neste instante.
- Boa noite Potter. – disse Ametista, dando um beijo delicado em seu
rosto.
Harry imediatamente corou. Também corava quando Hermione fazia isso, mas
desta vez foi diferente. Ele sentiu calor, frio, um arrepio na espinha, tudo
junto. Ela deu boa noite e subiu as escadas para o quarto. Harry ficou
observando a garota até ela desaparecer na escuridão da escada. Depois, seguiu
para o seu quarto.
Entrando, viu tudo escuro e frio. Sentou-se na cama e olhou-se no espelho
ao lado dela. Estava completamente vermelho. Rony, com certeza, acharia patético.
Esticou-se na cama e colocou a cabeça no travesseiro. Depois, falou baixinho
para si mesmo:
- Talvez Lupin tenha razão.
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- Acorde Potter! Acorde! –
gritava alguém, fazendo Harry despertar de um ótimo sonho.
O garoto colocou os óculos e olhou em volta. Lembrou-se que era Natal e
olhou pela janela os flocos de neve caírem aos poucos. Levantou e desceu até a
sala comunal. Encontrou Ametista sentada perto da lareira. Vestia um engraçado
roupão azul com umas estrelas pratas. Tinha o cabelo preso em um rabo de
cavalo.
- Feliz Natal Potter! – exclamou animada.
- Feliz Natal Ametista! Quantos presentes! – disse Harry ao ver uma
montanha de caixas coloridas.
- Aqueles são de Rony – disse Ametista indicando uns pacotes laranjas
no canto esquerdo. – Aqueles são da Mione – apontando outros pacotes
coloridos. – E aqueles ali são meus – alguns pacotes parecidos com os de
Hermione. – Tem também os de Hagrid, de meu avô, de Lupin e de Sirius.
- Você me deu presentes? – estranhou.
- Não sou tão ruim assim, Potter.
Harry riu. Até que aquela afirmação parecia verdadeira.
- Você ainda não abriu os seus?
- Não, resolvi esperar você. E é muito sem graça abrir presentes de
Natal sozinho. Já me cansei disso. – explicou, lembrando os inúmeros Natais
passados sozinha.
- Ah... – Harry deu uma olhada em todos. – Vamos abrir?
Logo depois, milhares de papéis de presentes estavam espalhados pelo chão
da sala comunal da Grifinória. Tanto Ametista quanto Harry receberam centenas
de chocolates de Rony dos mais diferentes tipos. Hermione deu um livro sobre os
melhores times de quadribol do mundo para Harry e um conjunto de vidrinhos mágicos
para colorir as unhas para Ametista. Mas esta havia feito Harry abrir todos os
presentes e deixar o seu por último.
O garoto viu uma caixa grande e velha. Ficou bastante curioso. Rodou em
volta dela algumas vezes e verificou cada cadeado que havia por fora. Eram três.
Não havia chave. Já era estranho por aí. Mas o mais estranho de tudo era
receber um presente da sua inimiga.
Ametista estendeu a mão esquerda à Harry. Ela segurava a chave antiga.
- Pegue e abra. Espero que você goste. – disse ela alegremente.
- Não é nada que pule em cima de mim, não é? – perguntou Harry
inseguro.
- Não, não é... – Ametista parou por um momento e depois respondeu.
– Acho que está bem preso.
- Tem certeza? – indagou Harry estranhando.
- Por mais que quisesse, não pula não! – provocou Ametista.
Harry franziu a testa. Ametista se distanciou. O garoto destrancou os três
cadeados e abriu a caixa com cautela. Quando realmente viu o quê era, caiu para
trás de surpresa.
- Não acredito! – festejou Harry. – Isso deve ter custado uma
fortuna!
- Não, eu não gastaria uma fortuna com você Potter! – respondeu
Ametista arrogante.
Era a caixa de quadribol. Dentro dela, encontravam-se dois balaços, uma
goles vermelha e o pequeno e dourado pomo. Harry olhou aquilo maravilhado. Havia
sido demais para ele. Rony já havia dito uma vez que estes suprimentos, como
chamava Olívio, eram caros demais, senão teria uma dessas caixas em casa.
- Foi um dos melhores presentes que eu já ganhei! Muito obrigado! Você
foi muito legal em me dar isso! – agradecia Harry enlouquecido.
- Eu até pensei em dar uma dessas ao Rony, mas iria ser igual, então
dei a ele uma espécie de máquina em que ele poderá treinar quadribol junto
com os Chudley Cannos. Será que ele vai gostar?
Harry paralisou. Rony deveria estar agora mesmo se descabelando na
viagem. Por aquilo, ele daria sua própria vida.
- Tenho certeza que ele amará! – respondeu Harry.
Ametista sorriu. Harry ficou pensando qual seria o presente dado a
Hermione. O presente dele a Ametista havia sido uma indicação da amiga Mione:
uma máscara de maquiagem portátil. A garota havia adorado.
- Agora que já abrimos todos eles, vamos comer porque eu estou morrendo
de fome! – pediu Ametista quase se dobrando.
Enquanto iam para o salão, os dois cruzaram com Arabella e Lupin. A
professora estava profundamente vermelha enquanto o mestre a olhava com carinho.
Via-se que ela estava envergonhada e que o professor não se importava. Ficava
dizendo algumas coisas a ela. Depois o viram colocar algo em seu pescoço.
- Acho que estamos atrapalhando. – sussurrou Harry para Ametista.
Os dois deram um sorriso tímido e seguiram para o salão principal. O
cheiro de pães chamava todos para a mesa. Encontraram os professores sentados e
conversando alegremente. Sirius conversava com Dumbledore em tom sério. Os dois
aproximaram e sentaram-se à mesa.
- Fiquei sabendo de uma escapa ontem à noite – disse o diretor com a
voz rouca. – Não quero que isso se repita. Não é bom. Pode ser muito
perigoso para suas vidas.
- Já disse a Sirius que não faremos isso novamente, não é Ametista?
– disse Harry com um pouco de esperteza.
A garota confirmou com a cabeça. Dumbledore, por sua vez, chamou a neta,
que se sentou ao seu lado. Harry postou-se ao lado de Sirius.
- Ametista, muito obrigado pelo presente – agradeceu o diretor. –
Sempre quis aquelas meias de lã. Nunca são suficientes.
A menina alegrou-se. Harry, ao ouvir isso, lembrou-se do episódio no
Espelho de Ojesed em seu primeiro ano, em que o diretor dizia que se via com um
grande par de meias de lã.
Logo em seguida, Lupin e Arabella
apareceram juntos e sentaram-se à mesa. A professora ainda estava bem vermelha.
Ametista estava sentada ao lado de Lupin e sussurrou em seu ouvido.
- Muito obrigado professor. Adorei as luvas e a minha varinha de volta
finalmente. – agradeceu Ametista acanhada.
Lupin havia dado a ela um par de luvas de pele do dragão Focinho-Curto
Sueco. Era apenas colocá-las e elas desapareciam. Protegerá o contato entre a
pele de Ametista e sua varinha. Assim, também devolveu a varinha da garota.
- Não tem de quê. Você merece. – disse Lupin gentilmente.
Sirius virou-se para Lupin e
disse em seu ouvido:
- O que você fez com ela? – perguntou malicioso em relação à mestra
de Aparatação.
- Nada, antes que você pense algo. Eu apenas dei o colar a ela. –
respondeu Lupin com um ar charmoso.
- Ah! O nosso conquistador! Perdi meu posto agora! – zombou Sirius.
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Naquela tarde e nas outras que se
seguiram, Harry e Ametista divertiram-se do jeito que podiam. Fizeram inúmeras
guerras de bolas de neve, nas quais Ametista ganhou na maioria, jogaram mais
quadribol, em que desta vez, Harry saiu vitorioso, e outras tantas coisas mais.
O dia mais divertido foi em que botaram em prática as aulas de Transfiguração.
O feitiço Transformecium enganou
todos os professores, gerando boas risadas.
No fim de semana seguinte, o último dia do ano chegara. Logo de manhã,
Ametista assustou Harry transformando-se em Draco, acordando-o repentinamente. O
coração de Harry foi a mil. Por pouco ele não deu um soco em Ametista.
Passaram o dia todo como Rony e Hermione. Até mesmo imitaram as brigas entre os
dois. Foi hilário. No final da noite, após o jantar, os dois amigos voltaram a
torre da Grifinória.
- Ametista, você topa uma aventura? – perguntou Harry.
- Aventura? Que tipo de aventura? – estranhou Ametista desconfiada de
Harry.
- Você topa ou não? – repetiu o garoto.
- Potter, se não se lembra da noite passada, já levamos uma bela
chamada dos professores. Eu realmente não estou nem um pouco disposta a tomar
outra chamada! – resmungou a garota ríspida.
- Não vamos discutir novamente! – reclamou Harry. – Você topa ou não?
Ametista hesitou. A última “aventura” havia dado em confusão com
Sirius. Não queria que aquilo se repetisse. Mas, algo dentro dela queria muito
aceitar. Resolveu aceitar.
Harry foi até o quarto e pegou a sua capa de Invisibilidade. Envolveu
Ametista junto de si e seguiu subindo as escadas seguintes fora da torre. A
garota não conhecia Hogwarts totalmente, portanto sentia-se perdida. Porém,
Harry sabia bem onde estava levando a menina. Havia tido esta idéia há mais de
três dias.
Chegaram a uma sala escura e fria. Subiram muitas escadas até chegarem lá
e estavam cansados. Harry mexeu dentro de suas vestes e tirou sua varinha.
Ametista continuou coberta pela capa, protegendo-se do frio.
- Lumus! – gritou Harry e a
ponta da varinha acendeu.
Apareceu uma grande sala redonda onde o teto abriu-se. Era possível ver
todas as estrelas do céu dali. Harry indicou duas cadeiras e eles se sentaram.
Ele murmurou algo para elas e começaram a subir.
- Onde estamos? – perguntou Ametista curiosa.
- Esta é a Torre de Astronomia. A torre mais alta do castelo de
Hogwarts. Podem ser vistos daqui todos os pontos do mundo. Eu escolhi esta noite
para te trazer aqui, pois assim poderemos ver a comemoração do ano novo no
mundo todo.
E era realmente maravilhoso. A cadeira rodava quando você quisesse ou
escolhesse. Direita, esquerda, norte, sul. Para qualquer lado que eles olhassem,
fogos de artifício estouravam das mais belas cores das mais diversas maneiras.
Ametista estava calada. Era mágico. Harry também observava os fogos, mas
quando podia, não deixava de olhar para a neta do diretor. Ela ficava ainda
mais bonita e graciosa a luz do luar.
- Você me surpreendeu desta vez Potter! É de deixar qualquer um de boca
aberta! – dizia ela finalmente.
- A torre de Astronomia é um lugar muito bonito. Mas como as aulas são
sempre nos períodos da manhã, os alunos não têm a oportunidade de desfrutar
de uma imagem como essa. Mas nós podemos! – disse Harry.
Ametista riu. Ele estava sendo tão legal com ela que até mesmo o
costumeiro desconforto entre eles desaparecera. E a raiva ou o quê quer que
fosse sentida por ela em relação a Harry estava certamente diminuindo. Claro,
ainda existiam às vezes que o desconforto e a raiva voltavam, mas era raro.
Esta era uma das ocasiões em que o primeiro se tornava mais acentuado.
Harry discretamente aproximava a sua cadeira a de Ametista. Ela
permanecia observando os estouros brilhantes no céu escuro e misterioso.
- Eu estou muito feliz de passar este feriado com você. – dizia Harry,
perdendo a timidez.
Ametista virou-se para o garoto.
- Potter? – respondeu franzindo a testa. – Você andou bebendo vinho
demais?
- Claro que não. – respondeu sem jeito.
- Então pare de ser falso! – brigou Ametista exasperada.
Harry começou a se perguntar como podia dizer aquilo. Ele realmente não
a suportava e isso foi desde que se conheceram. Mas parecia que o perfume
exalado e a música tocada daquela dança do Natal ainda estavam em sua mente.
- Até confesso que estava meio inseguro com nós dois aqui. Afinal,
nunca fomos muito amigos como eu e
Rony ou Hermione. Mas acho que mudamos o curso das coisas, não é? – insinuou
Harry aproximando-se mais um pouco.
- Até aí tudo bem. Ficamos mais amistosos
nestes dias mesmo. – concordou Ametista recuando ligeiramente.
- Eu diria mais que amistosos... – dizia Harry muito perto dela agora.
Harry estava tão perto da face de Ametista que ele podia sentir o hálito
fresco que a boca da garota reservava. Ela, por sua vez, ia para trás aos
poucos. Mesmo que sua opinião sobre o garoto tenha mudado naqueles dias, ainda
assim não era motivo para eles terem tal intimidade. Harry não sabia bem o que
fazia aquela vontade ficar tão grande. Desde o Natal. Mas ele não queria
pensar muito. Queria agir. A timidez típica já havia sido perdida há três
dias. Era apenas agir. O primeiro beijo de Harry estava prestes a acontecer. Mas
algo os interrompeu bem no momento. Alguém invadiu a sala.
- Eu estava procurando vocês. – disse uma voz tranqüila.
Harry e Ametista voltaram-se para trás e para baixo e encontraram o
professor Lupin parado junto à porta.
- Este lugar é realmente bonito para se ver os fogos do ano novo no
mundo dos trouxas, mas o momento não é o mais apropriado, eu diria.
Agora tanto Ametista quanto Harry estavam vermelhos. A situação não
era nem um pouco adequada. Harry murmurou algo e as cadeiras abaixaram-se.
Levantaram ao chegar no chão.
- Vamos todos voltar ao castelo, pois há alguém esperando por você,
Ametista. – disse Lupin em tom desanimado.
- Por mim? – estranhou a garota.
Harry recolheu a capa e seguiu junto com o professor para o salão
principal. Chegando lá, a surpresa foi grande demais.
- Severo! – gritou Ametista surpresa.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Snape volta de sua missão com a cabeça lotada de perigos e dúvidas. Porém, o quê realmente interessa é aquele maldito pergaminho. Nunca imaginou que teria de ajudar o Black. E assim, o feitiço que atingira Harry acaba e então, o garoto se dá conta de tudo que fizera. Como seria sua conversa com Ametista após a noite de Ano-Novo?
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