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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Snape volta de sua missão como Comensal da Morte e conta a Dumbledore tudo sobre Voldemort e seus planos. Além de trazer a carta da mãe de Harry, uma ótima prova para a salvação de Sirius.
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CAPÍTULO DEZESSETE – NA
BIBLIOTECA
Logo que Rony e Hermione voltaram
de suas casas, Harry e Ametista fizeram questão de contar os acontecimentos do
feriado com todos os detalhes. A surpresa maior foi ver Rony correndo para abraçar
Ametista com toda a sua força.
- Chudley Cannons! – gritava ele. – Muito obrigado! Foi o melhor
presente que eu poderia ganhar!
Depois de se acalmar e ouvir toda a história do amigo
sobre o Natal e o Ano Novo, Rony se surpreendeu de Harry não ter usado os
cantos. Hermione, por sua vez, estranhou que o amigo havia pedido desculpas pelo
modo de agir no dia seguinte.
- Primeiro que Harry nunca faria isso! Ele é muito tímido! – dizia
surpresa. – Segundo que, depois de tantas discussões entre vocês, eu achava
que ele te odiasse. E também, mesmo que fizesse tudo isto, por que haveria de
pedir desculpas depois?
Ametista deu de ombros. As duas amigas conversavam no dormitório já que
Parvati e Lilá, suas companheiras de quarto, estavam fora. Hermione estava
pensativa quando Ametista viu uma coruja negra cruzar o lado de fora de seu
quarto.
- O que é aquilo? – espantou-se.
- O que? – indagou Hermione sem dar muita importância.
- Uma coruja negra acabou de passar aqui no corredor! – disse Ametista,
levantando-se da cama e tentando seguir o rastro de penas do animal.
Hermione permaneceu no quarto, absorta, enquanto Ametista corria atrás
da coruja. Para sua surpresa, a coruja parou ao lado de Gina, que desarrumava
sua mala. Ametista escondeu-se atrás da porta e observou a garota do quarto ano
pegar a carta na perna frágil da negra coruja e ler rapidamente. Ao final, pelo
que parecia, deu um sorriso tímido e começou a cantarolar. Ametista tratou de
voltar para seu dormitório.
- O que era? – perguntou Hermione.
- Nada, nada de mais. – respondeu Ametista incerta.
Pouco tempo depois, viu Gina cruzar, apressada, o corredor. Hermione lia
um de seus livros sobre Hogwarts que Ametista havia dado a ela e, por isso, não
reparou. Ametista aproveitou para correr até seu quarto e procurar a tal carta
dada pela coruja há pouco.
- Isso não é certo, não é certo. – sussurrava para si mesma
enquanto chegava no quarto da irmã mais nova da família Weasley.
Verificou se não havia ninguém dentro do quarto. Entrou devagar e, para
sua surpresa, a carta estava dobrada em cima da mesa, ao lado de sua cama.
Ametista pegou-a e caminhou até o corredor, para que nenhuma pessoa a visse
remexendo nas coisas de Gina. A carta dizia:
Querida Gina,
Pelo que vejo, finalmente você chegou. Você não imagina quanto tempo
eu esperei para falar com você! Estou com muitas saudades! Espero que você
também. Tenho muito o quê contar! Preciso te ver! Venha à biblioteca por
volta das sete da noite, antes do jantar, naquele lugar. Até mais tarde.
Draco
- Mas ela negou! – irritou-se Ametista.
Sua vontade era de segui-la e descobrir o quê iriam conversar. Na
verdade, Ametista andava desconfiada que eles não se encontravam como amigos,
mas como namorados. Precisava tirar isto a limpo. Sabia como poderia prejudicar
Rony ou Gina, mas tinha de saber.
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Rony e Harry conversavam enquanto
jogavam xadrez. Rony achava estranho que o amigo tenha agido daquela forma. Não
era da natureza de Harry jogar indiretas ou muito menos convidar garotas para
passear no jardim ou levá-las para a torre de Astronomia. Ainda mais Ametista,
que Harry aprendera a cultivar certo ódio.
- Você tem certeza que não bebeu muito vinho? – perguntava Rony.
- Claro que sim! – respondia Harry. – Dumbledore é quem bebeu
bastante! Era engraçado, ele ficava com as bochechas vermelhas.
Rony ria ao imaginar a cena. O diretor, sempre tão ponderado, quase bêbado.
Seria, no mínimo, hilariante.
Hermione descia as escadas acompanhada de Ametista, inquieta. Harry
estranhou:
- Algum problema, Ametista? – perguntou ao ver a garota agitar-se no
sofá, mexendo em tudo o que via.
- Não, nenhum, Potter! – respondia rispidamente.
- Será que vocês vão voltar a ser que nem gato e rato? – indagou
Rony estranhando o tom de voz de Ametista.
- Eu preferia... – respondeu Harry seguro.
Nesse instante, entrou na torre da Grifinória uma coruja branca.
- Edwiges! – surpreendeu-se Harry ao ver sua coruja.
O animal sobrevoou a sala comunal e pousou no braço do sofá onde
Ametista estava recolhida. Harry retirou a carta da perna esquerda de Edwiges e
leu com atenção para si mesmo.
Harry,
Estamos perto da nossa liberdade! Consegui a última prova para o meu
julgamento acontecer e sairmos vitoriosos! Venha me visitar após o jantar na
sala do Lupin que darei mais detalhes.
Sirius
- Não acredito! – vociferou Harry em sinal de felicidade.
- O que foi, Harry? – indagou Rony curioso.
Harry começara a responder, mas lembrou-se que estava falando de Sirius
Black, o bruxo mais procurado pelo Ministério da Magia. Havia alunos espalhados
pela sala comunal, então guiou os amigos até um canto mais reservado da sala.
- É uma carta de Sirius. Ele disse que conseguiu a última prova para o
julgamento! – alegrou-se Harry apenas de repetir o quê havia lido.
- Mas isso é incrível! – festejou Hermione.
- Ele pediu que eu fosse o encontrar mais tarde na sala do Lupin –
contava Harry. – Não vejo a hora de poder gritar a todos que ele é meu
padrinho e que é inocente!
- Muito bem Harry, mas não grite muito, pois ainda existem muitos que não
conhecem esta história e se você ficar gritando como um louco, todos irão
ouvir. – disse Rony.
Harry deu um sorriso culpado. Mas nada naquele momento iria acabar com
sua felicidade. Isso porque não sabia nem a metade do que viria a saber neste
julgamento.
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Gina caminhava animada até a
biblioteca. A viagem havia sido legal, mas seria perfeita se conseguisse manter
contato com seu novo amigo. A amizade com Draco ia muito bem. Sempre se
encontravam escondidos e trocavam histórias de suas vidas e, principalmente,
confidências. Mas a mais importante ainda não havia sido revelada. Gina
sentia-se assim desde o começo do ano letivo. A troca de olhares com Draco
tornava-se regular e a incomodava bastante. Depois que se tornaram amigos, tudo
parecia fluir naturalmente. Até Ametista descobrir e desconfiar da posição de
Gina. A irmã de Rony sabia que a neta de Dumbledore tinha conhecimento de que
havia algo mais que uma simples amizade. Mas preferia não falar nada. Draco,
por sua vez, nunca se sentira tão feliz. Havia conquistado uma bela amizade e,
diria até, muito mais. Não conseguia tirar Gina da cabeça e tudo que deveria
fazer em breve. O feriado passara tão devagar que parecia nunca ter fim. Quando
recebera a carta da amiga dizendo que se encontraria com ele antes do jantar,
seu coração acelerou de forma estranha. Mas nada importava. Queria rever a irmã
do Weasley, a grifinória, a Gina. E o plano ia seguindo como o esperado.
Draco saiu da torre da Sonserina e dirigiu-se para a biblioteca. O
caminho estava calmo e os alunos ainda não haviam saído para o jantar. Madame
Pince, a bibliotecária, estava lendo um livro estranho, algo como O Manual da
Bruxa Moderna, quando Draco entrou.
- O que quer, Sr. Malfoy? – perguntou mal-humorada.
- Procuro algo sobre... – pensava em algo plausível. – Algo sobre os
enigmas da Esfinge na Antiguidade. – disse ligeiro.
A bibliotecária fitou-o por um instante.
- Sessão cinco, terceira coluna à esquerda. – disse desconfiada.
Draco saiu até a sessão e pegou qualquer livro e sentou em uma mesa bem
no fundo, longe do alcance dos olhos de Pince. Logo depois, Gina apareceu. Draco
sabia bem quando a garota chegava. Seus cabelos compridos cor de fogo realçavam
qualquer lugar que poderia estar.
- Srta. Weasley. A senhorita está começando a vir muito aqui
ultimamente. Nem mesmo a Srta. Granger vem tanto. – disse Madame Pince
sarcasticamente.
- Eu tenho muito trabalho a fazer. – respondeu um tanto grossa com a
desenvoltura de uma Weasley.
Gina foi entrando sem dizer mais nada a Pince, que se irritou.
- Onde a senhorita pensa que vai? – perguntou presunçosa.
- A senhora mesmo disse que venho aqui mais que a Srta. Granger,
portanto, já conheço bem as sessões. – respondeu inteligentemente, deixando
a bibliotecária boquiaberta.
Gina já sabia bem aonde ir. Viu de longe os fios dourados do cabelo
cheio de gel de Draco. Antes de se sentar, deu um sorriso tímido e virou na
sessão anterior. O garoto da Sonserina levantou-se e seguiu a garota, gostando
da brincadeira. Gina andava entre as colunas de livros guiando-se pelos passos
de Draco. Em seguida, ouviu-se Madame Pince dizer:
- Aos senhores que permanecem nesta biblioteca, eu aviso: estarei saindo
para meu jantar. Quem quiser sair também, saia agora ou esperem que eu volte!
– gritou para que todos ouvissem.
Porém, naquele momento, apenas Draco e Gina permaneciam na extensa
biblioteca. Decidiram ficar e continuar a brincadeira. Ouviram quando Madame
Pince fechou a porta. Gina continuou caminhando e se escondendo entre as colunas
de livros. Draco gritava:
- Srta. Weasley, eu sou perigoso! – dizia em tom de gozação. – Eu
vou te pegar!
Gina ria e continuava a fugir do amigo. Entretanto, a brincadeira não
durou muito. De repente, Gina foi surpreendida. Quando dobrava a última
carreira de livros, Draco a agarrou. Ela perdeu o equilíbrio e caiu com tudo no
chão em cima dele. Os dois reclamaram de dor. Gina, que estava de costas para
Draco, virou-se e deitou no chão em seu lado.
- Eu disse que ia te pegar! – dizia Draco em meio a risadas.
Gina ria bastante. Draco virou-se para falar com a garota e ficou cara a
cara com ela. Gina permanecia rindo, porém Draco parara. Quando percebeu, Draco
olhava tão fundo em seus olhos que chegava a incomodar. Parecia que ele poderia
entender tudo o quê ela estava passando, que lia seus pensamentos, que sabia de
seus sentimentos pelo amigo. Gina foi parando aos poucos de rir e por um
momento, os dois ficaram se olhando, calados. Era uma tortura. Gina sentia que
ficara sem ar. Estava quente, ela sabia que estava corada. Draco, por sua vez,
sentia o coração pulsar tão forte que aborrecia. Com um movimento leve e
delicado, Draco foi aproximando-se de Gina. A garota sentia agora o coração na
garganta. Batia tão ferozmente que dava pavor. Draco sabia que aquela era a
hora certa para os dois. Foi, lentamente, aproximando-se da face de Gina. Aos
poucos, ela pôde sentir o calor que emanava de Draco. Então os lábios se
encontraram. A boca de Gina foi sentindo o calor da de Draco e rapidamente
estavam envolvidos em um abraço e um beijo meio sem jeito, mas com muita emoção.
De repente, Gina parou o beijo e respirou fundo. Draco estranhou.
- Que foi? – perguntou confuso.
Gina nada respondeu e saiu correndo da biblioteca.
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Ametista passou o jantar
procurando algum sinal de Gina. Mas a garota não apareceu em momento algum. A
neta do diretor comeu pouco e logo deixou o salão principal. Voltando para a
torre da Grifinória, pôde ver com clareza, cabelos vermelhos passando ao
longe. Era Gina. Acelerou o passo e seguiu para sua Casa.
Gina encontrou a sala comunal vazia. Todos os alunos jantavam. Em um
impulso, subiu correndo as escadas para os dormitórios femininos. Entrou no
quarto e jogou-se na cama. Começara a chorar. Era estranha a sensação que
sentia. Era um misto de sentimentos que não conseguia explicar. Há poucos
minutos atrás, o seu primeiro beijo havia acontecido. E havia sido muito
especial. Apesar de sair meio sem jeito ou confuso, a lembrança e o calor dos lábios
de Draco ainda estavam em sua mente e boca. O cheiro do amigo era meio ácido,
assim como o beijo. Parecia com limão. Mas não sabia por que aquelas lágrimas
corriam pela sua face. De súbito, Ametista entrou no quarto.
- Gina? Você está bem? – perguntou a garota desajeitada.
A garota Weasley limpou rapidamente as lágrimas e endireitou-se na cama.
- Estou – respondeu apressada com a voz trêmula. – Mas o que você
está fazendo aqui? – indagou desconfiada.
- Eu não estava com muita fome então saí mais cedo do jantar. Sem
querer, eu vi você correndo para cá e fiquei curiosa. – disse impaciente.
- Eu estou bem. Agora, me deixa um pouco sozinha. – pediu Gina
educadamente.
Ametista nada respondeu e continuou em pé, na frente da cama de Gina.
Esta estranhou.
- Eu pedi para você me deixar sozinha – reforçou. – O que foi?
- Eu não vou sair antes de você me explicar o quê está acontecendo.
– respondeu Ametista um pouco apreensiva.
- Nada está acontecendo. – afirmou Gina decidida.
- Escute, Gina – pediu Ametista cautelosa. – Eu fiz uma coisa que não
deveria. E vou explicar porquê. Eu vi hoje a coruja do Malfoy entrando aqui.
Gina imediatamente soube qual era a razão da persistência da menina.
- E, depois que você saiu do quarto, eu li o bilhete que ele mandou. –
contou Ametista ligeiramente.
Gina mudou de cor.
- VOCÊ INVADIU MEU QUARTO E MEXEU NAS MINHAS COISAS?! – enfureceu-se
Gina.
- O Malfoy não é o tipo de amigo que você deve ter Gina! Ele não é
confiável! – retrucou Ametista nervosa.
- Você não tinha o direito de invadir a minha privacidade! – repetiu
a menina raivosa.
Ouviam-se longinquamente os passos pesados de Rony subindo as escadas dos
dormitórios femininos, mas nenhuma das garotas prestou atenção a este
detalhe.
- Eu sei que errei, mas pelo menos tente entender Gina! O Malfoy já fez
muitas coisas erradas e nunca iria se aproximar de você por uma simples amizade
ou sei lá o que mais!
- NÃO IMPORTA! EU GOSTO DELE E PRONTO! – gritou Gina.
Ametista ficou boquiaberta. Gina confessara naquele instante que gostava
de Draco Malfoy, o sonserino que fizera tão mal a tanta gente.
- Você... Você gosta do Malfoy? – indagou Ametista confusa.
Gina então percebeu o quê havia dito. Havia confirmado o quê já
desconfiava há um certo tempo. Draco tornara-se alguém tão importante em sua
vida que nada que alguém dissesse a faria mudar de idéia.
- Sim, eu gosto – confirmou mais calma. – Você poderia agora me
deixar em paz? Por favor.
- Claro, claro. – respondeu Ametista deixando o quarto devagar.
Gina sentia-se bem, por mais estranho que aquilo parecesse. Precisava
contar aquilo a alguém. E talvez, a Ametista fosse a pessoa certa.
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Harry caminhava quase saltitante
para a sala de Lupin. Aguardara demais para saber das novidades. Sequer bateu na
porta e foi entrando. Sirius estava encostado na janela, segurando um pergaminho
na mão esquerda. Ao ver o afilhado, correu até ele e o abraçou fortemente.
- Harry! Você não pode imaginar como eu estou feliz! – festejou
Sirius abraçado o afilhado.
- Mas como isto aconteceu? Quando será o julgamento? – indagava Harry
ansioso e frenético.
- Acalme-se Harry! – pediu Sirius afobado. – Eu apenas te chamei aqui
para dizer duas coisas.
- Pode dizer. – respondia Harry com os olhos brilhando.
- A primeira é que o julgamento será no final do mês. Dumbledore
conseguiu marcar para o mais cedo possível. – contou Sirius acalorado.
- Sério?! – espantou-se Harry. – Dumbledore é muito bom para nós!
- Sim, sem ele eu, com certeza, ainda estaria vagando pelo mundo afora.
– relembrou Sirius com certa amargura.
- E qual é a segunda coisa? – perguntou o garoto irrequieto.
- Você não quer saber qual é a prova decisiva para a minha liberdade,
Harry? – intrigou Sirius.
Harry confirmou loucamente com a cabeça.
- Isto. – e levantou o velho pergaminho que ainda segurava na mão
esquerda.
O aluno da Grifinória olhava atentamente para o pedaço de papel. Nada
respondeu. Ficou apenas olhando.
- Não vai querer saber o quê é? – perguntou Sirius novamente.
- Não. Quero ver. – respondeu tentando pegar o pergaminho da mão
forte do padrinho.
Sirius recuou e negou com a cabeça.
- Isto você só vai ficar sabendo no julgamento! – disse risonho. –
Mas como eu sei que você é um bom menino, eu vou dizer o quê é.
- O que é então? – questionou Harry contrariado.
Sirius fez um pouco de suspense.
- É uma carta de sua mãe!
Os olhos de Harry encheram-se de água imediatamente. Harry sempre
procurara qualquer coisa sobre seus pais.
- Da minha mãe? – indagou emocionado.
- Sim, é a prova que dará minha reabilitação.
Harry nem prestava atenção no que Sirius dizia. Só queria saber
daquele pergaminho. Uma informação tão preciosa de sua mãe, ali em sua
frente, ao alcance de suas mãos.
- Seria como uma forma de compensação ao que eu fiz eles passarem. Com
a minha liberdade, poderei cuidar de seu filho. – dizia Sirius realizado.
Harry sorria surpreso. “Como seria morar com o meu padrinho?”,
pensava.
- Agora, espere até o julgamento que depois, poderá tê-la em suas
recordações.
Harry voltou para a sala comunal sonhador. Não acreditava que teria em
poucos dias, poucas semanas, uma carta de sua mãe. Porém, lembrou-se que
esquecera de perguntar ao padrinho quem recebera a carta. Mas aquilo nem tinha
tanta importância agora. Apenas queria possuir aquele pergaminho em seus dedos.
Já na torre da Grifinória, encontrou Hermione chamando a atenção de
alguns garotos do segundo ano que insistiam em puxar as cortinas em uma simulação
de luta. Um loirinho, que tinha em punho sua varinha, botou fogo em uma das
cortinas, fazendo conhecer toda a fúria da Minerva Dois, como chamavam
Hermione. Harry riu e seguiu para o quarto, encontrando Rony deitado na cama.
- E aí? Como foi o encontro com Sirius? – indagou desanimado.
- Maravilhoso! Breve, mas maravilhoso! – alegrava-se Harry.
- Quando será o julgamento?
- No final do mês, Dumbledore conseguiu o mais rápido possível –
comentava o garoto sorrindo. – Mas o mais surpreendente, foi saber qual era a
última prova para o julgamento.
- Qual era?
- Uma carta de minha mãe! – gritou Harry.
- Mesmo? Que demais Harry... – festejou Rony meio sem jeito.
Harry notou que Rony estava chateado.
- Há algum problema? – perguntou curioso.
- Hunf! – resmungou Rony. – Mulheres!
Harry franziu a testa. A primeira coisa que veio na cabeça foi que o
amigo brigara com Hermione novamente.
- O que aconteceu?
- Gina! – respondeu ríspido.
Agora Harry estranhou. Gina nunca havia dado grandes problemas à família
Weasley, tirando o incidente no segundo ano.
- Gina? Como assim?
- Eu tinha achado estranho que a Gina não tinha ido jantar, então
resolvi logo depois do jantar ir falar com ela. Quando estava chegando no quarto
dela, a ouvi gritando que gostava de alguém, como se estivesse discutindo.
- E com quem que ela estava discutindo? – perguntou Harry interessado.
- Com a senhorita Ametista! – respondeu surpreso. Harry levantou as
sobrancelhas. – Eu a encontrei saindo do quarto da Gina. Nem olhou na minha
cara. Estava pálida.
- E? – esperava Harry para mais informações.
- E que eu fui atrás da Gina. Perguntei para ela de quem ela estava
gostando, como havia gritado antes. Sabe o que ela me respondeu?
- O que? – perguntou Harry esperando algum grito do amigo.
- MANDOU-ME IR PARA O INFERNO! – respondeu absurdamente espantado.
Harry realmente surpreendeu-se neste momento. Nem mesmo quando Hermione
brigava com Rony por causa de Vítor Krum, ela mandava-o para o inferno. Gina
sempre fora uma garota educada e calma, até chegar a adolescência, supunha
Harry.
- Você pode acreditar nisso?! – indagava Rony indignado.
- É, é bem novo ouvir a Gina mandando você ir para o inferno. –
dizia Harry segurando a risada de ver a cara surpresa de Rony.
- É inaceitável! – disse Rony. – Eu vou mandar uma carta para a mamãe
definitivamente! A Gina vai deixar de ser boba de falar assim comigo!
- Mas ela estava normal na viagem?
- Ela ficou com aquela cara de quem “comeu e não gostou” durante a
viagem toda. Eu ainda agüentava, mas ela brigou umas três vezes com Fred e
Jorge, principalmente.
- E você não foi falar com a Ametista depois?
- Inútil. Ela falou para eu não me meter nos problemas de Gina. E
fechou a porta do quarto na minha cara! – explicava Rony.
Harry ficara pensando que Ametista era bem esquentada quando precisava. Já
não era a primeira vez que ela se irritava. Mas o quê pensava no momento, era
de quem Gina poderia estar gostando. Harry sempre soube que Gina tinha um certo
xodó por ele antes mesmo de se conhecerem. Seria ele o escolhido? Rony
interrompera seu pensamento:
- Gina verá! Logo vai receber um berrador aqui! A mamãe vai acabar com
ela! Vai aprender a me respeitar! – gritou ao final, fazendo Harry soltar uma
alta gargalhada.
- Que respeito, hein! – gozou da cara do amigo.
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Gina ouvira bem o “chega para lá”
que Ametista deu em Rony. Ficara bem satisfeita com a postura tomada pela jovem.
Depois do que havia dito para ela, ainda assim(,) não contara nada ao seu irmão.
Resolveu então confiar. Saiu do quarto decidida a abrir-se para a neta de
Dumbledore. Percebeu que a porta estava fechada. Bateu de leve, mas ninguém
respondeu. Abriu-a devagar e encontrou Ametista escrevendo em um caderno com a
capa azul clara.
- Ametista? – chamou Gina acanhada.
A garota levantou a cabeça.
- Você quer conversar? – perguntou em tom de “eu já sabia”.
Gina aproximou-se e sentou na ponta da cama de Ametista.
- Seu irmão veio me procurar – disse Ametista. – Eu falei para ele não
se meter nos seus assuntos. – terminou orgulhosa.
- É, eu ouvi – respondeu Gina em tom de agradecimento. – Desculpe
pelo jeito que eu falei com você no quarto. É só que eu não achei certo você
mexer nas minhas coisas.
- Não tem problema. Você tem razão. Eu não deveria ter feito isso.
Gina hesitou, porém disse:
- Mas eu acho que foi bom você ter vasculhado o meu quarto. Se não
fosse por isto, provavelmente não estaria aqui conversando com você.
Ametista sorriu. Era impressionante com havia mudado de posição. Eles
ainda não conheciam Ametista direito, mas a garota sabia ser justa no momento
certo.
- Que tal você me dizer por que você saiu correndo? – propôs.
- É. – concordou Gina.
Entretanto, algo impedia que Gina falasse que havia acontecido seu
primeiro beijo com Draco Malfoy.
- Você não vai me dizer? – estranhou Ametista.
- Vou... Vou... – Gina respirou fundo e tomou coragem. – Eu e o Draco
nos beijamos na biblioteca. – disse meio apressado, comendo algumas palavras
num misto de vergonha e nervosismo.
- COMO? – espantou-se Ametista.
- Eu sei que você não gosta do Draco, mas ele é um cara legal! –
tentava justificar Gina.
- Gina, escute – retomou Ametista ligeiramente assustada. – O fato de
eu, ou Rony ou Hermione ou até Potter, não gostar do Malfoy não diz nada. Eu
só acho que ele já fez tanto mal para sua família que eu não entendo com você
pode gostar dele.
- Eu nem sei mais se eu realmente gosto dele. – disse baixinho.
Ametista franziu a testa perdida.
- Quando tudo aconteceu hoje... Na verdade, enquanto estava acontecendo,
eu apenas pensei nele. Mas quando terminou e eu olhei em seus olhos, eu senti
uma dor no meu coração. Era meio que uma culpa.
- Culpa? Por quê? – estranhou Ametista.
- Culpa por não ser tão verdadeira quanto eu deveria. Você deve saber
que eu... Eu... Eu sempre gostei do Harry, não é?
Ametista ajeitou-se na cama incomodada. Não sabia bem o porquê.
- Sabia. E, me desculpe, mas que mau gosto, hein! – respondeu
ligeiramente ríspida.
- Então – Gina não ligou, já havia visto algumas discussões entre
os dois. – eu acho que ainda não esqueci totalmente o Harry. Mas o que eu
sinto pelo Draco é tão forte!
- Então, por que a culpa? – questionou Ametista impaciente.
- Acho que eu não estou sendo sincera. Ele parece sentir o mesmo por
mim, mas ele nunca gostou de ninguém antes. Eu sim! – disse em tom
amargurado.
- Gina, não me leve a mal mas... – ia dizendo Ametista cautelosa e
arrogante ao mesmo tempo. – você tem certeza
que o Malfoy sente o mesmo que você?
Gina ficou sem resposta. Parecer, parecia que Draco gostava dela. Mas
dentro de si, não tinha tanta certeza. Ametista notou e retomou:
- Você se arrepende de sentir algo pelo Harry?
Gina demorou a responder.
- Não sei se é arrependimento. Eu acho que é porque ele nunca reparou
em mim. – disse com mágoa.
- Como você tem tanta certeza?
- Não sei se você já reparou, mas ele só tem olhos para aquela Cho
Chang, da Corvinal!
Ametista engoliu em seco.
- Mesmo? – indagou curiosa.
- É. No ano passado, quando teve o Baile de Inverno, ele até a convidou
para ir com ele. Mas ela já ia com o namorado, o Cedrico Diggory.
- Ela namorava o Diggory?! – surpreendeu-se Ametista.
- Sim. E eu acho que talvez o Harry ache que tem alguma chance com ela
agora que ele está... Bem, você sabe.
Ametista respirou fundo, um pouco confusa.
- Mas, vamos voltar para o seu assunto – disse meio perturbada. – Você
então fugiu do Malfoy depois que vocês se beijaram?
- Fugi. E foi por isso. Eu achei que não estava completamente com
ele naquele momento. Eu estava metade com o Harry, entende?
- Acho que sim... – respondia Ametista distante.
- Eu não faço a mínima idéia de como agir! E agora, o quê eu falo
para ele? O que eu digo? – questionava rapidamente.
- Bom, se ele realmente gostar de você, eu acho, ele vai vir atrás de
você. Mas como ele não pode entrar na Grifinória, talvez fale com você amanhã.
Espere.
Gina bufou ansiosa. Sentia-se ao mesmo tempo livre, abrira-se com a
pessoa certa, acreditava.
- Eu acho que você deveria contar para mais alguém isso. – disse
Ametista.
- Para quem? – perguntou Gina inquieta.
- Para Hermione. – disse com cautela.
- Para a Mione? Acho que não, ela é muito amiga do Rony e odeia o
Draco. Não vai dar certo.
- Mas eu também não gosto do Malfoy! – lembrou. – Mas ela pode dar
uma opinião mais coerente do que a minha. – completou Ametista.
- É. Eu vou pensar... – respondia duvidosa.
Ficaram durante um tempo pensativas. Ametista repentinamente indagou:
- Desculpe a minha indiscrição, mas... Como foi o beijo?
Gina deu uma risadinha sapeca.
- Melhor impossível para o primeiro. O Draco tem hálito de limão. É
gostoso!
As duas caíram na risada.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
O dia tão esperado chegara e Harry, Rony e Hermione são guiados até Londres, no Ministério da Magia, para o julgamento de Sirius. O momento é crucial e tenso. Será que Cornélio Fudge irá inocentá-lo?
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