
NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Após a leitura da carta que a Sra. Figg mandara para sua filha mais velha contando novidades sobre o Ministério da Magia, Dumbledore, Ártemis e Snape unem-se para uma decisão: uma sociedade de alunos que lutariam contra os seguidores de Voldemort - colocá-los finalmente de cara com a guerra contra o Lorde. Comandados por professores e Lupin, infiltram-se na Floresta Proibida para serem testados. Algumas performances já esperadas são ainda melhores e há aquelas que surpreendem.

Suas
mãos estavam emoldurando o rosto dela, tocando-a gentilmente, envolvendo-a numa
atmosfera de antecipação. Sim, a sensação tão maravilhosa, que o fazia
perder os sentidos e concentrar-se apenas em seus lábios e seus olhos, tão
penetrantes e apaixonantes. Aproximando seu rosto lentamente, notou quando ela
deixou os lábios semi-abertos, esperando o primeiro beijo daquela noite. Assim
que roçou seus lábios nos dela, sentindo quão macios e convidativos eram
eles, seus olhos permaneceram abertos, encarando um ao outro, hipnotizados
naquela situação tão inebriante.
Abrindo a boca e prolongando sua língua
para tocar a dela, ele fechou os olhos, assim como sua amada. Retirou as mãos
de seu rosto e deslizou-as pelo tronco dela, até chegar e repousar na cintura tão
perfeita. Abraçando-a com grande intensidade, sentiu quando os braços dela
uniram-se atrás de sua cabeça, acariciando as madeixas de seu cabelo.
Sentindo-se incrivelmente excitado com a atitude tão entorpecente dela, apertou
seu corpo contra o dele fortemente, empurrando-a até a parede atrás dela e
encaixou suas pernas entre as dela, pressionando sua cintura no seu tronco e
quadril. Ouviu-a soltar um gemido baixo, arqueando sua cabeça para longe da
dele, enquanto sentia os seus lábios beijarem seu pescoço, agora tão à
mostra. O constante calafrio estava tornando-se cada vez mais bem-vindo.
Postando suas mãos sobre a blusa
branca dela, abriu os primeiros botões e beijou-a carinhosamente. Sentiu mãos
pequenas e frias segurarem seu casaco e o puxarem para cima, na intenção de
retirá-lo de seu corpo. A respiração estava inconstante. Após estar já sem
a camisa e ele, sem o casaco, procurou guiá-lo até sua cama e deixá-lo deitar
sobre ela. Parando o beijo rapidamente, fechou o dossel e procurou voltar a
preocupar-se apenas com o toque dela. Seus batimentos estavam velozes e distribuíam
o sangue fortemente pelo corpo, com uma urgência incontrolável. Cansado
daquela espera toda, achou o caminho até os botões e o zíper da saia escura
dela, abrindo-os ligeiro. Enquanto isso, as mãos dela já estavam concentradas
em suas costas, arranhando-o levemente, num tom nervoso, mas prazeroso.
Mais
cedo do que esperava, ela estava abrindo o cinto e o zíper de sua calça,
procurando encaixar suas pernas entre as dele e aprimorar o toque de suas peles.
Estavam fervendo de ansiedade e amor. E ele estava sendo o mais cuidadoso possível,
tentando encaminhá-la num mundo tão novo para ela – quanto para ele também.
- Hum... – foi tudo que saiu de
sua garganta após segundos sem sentir os lábios dele colados nos dela.
Sua mão direita estava se
escondendo, longe do alcance dela, entre suas pernas. Fechou os olhos
firmemente, sentindo-a tocar. Mordendo os lábios, segurando uma resposta mais
alterada para os que estavam perto, sentiu como ele estava sendo doce e
afetuoso. Sorriu ligeiramente quando notou que ele, durante o tempo todo, estava
encarando-a com tanta atenção e paixão. Perto do máximo que havia chegado,
ela fechou os olhos novamente, sentindo o corpo trêmulo.
- HERMIONE! NÓS VAMOS NOS ATRASAR!
– alguém gritou do andar de baixo.
Lentamente, Hermione abriu os olhos
e encontrou Rony olhando-a com uma afeição nunca vista antes. Pediu que desse
um beijo nela e sorriu depois de recebido-o. Ele murmurou que a amava em seu
ouvido, como toda vez em que eles estavam juntos, e levantou. Após ajudá-la a
vestir-se, despediu-se rapidamente para seu quarto. Hermione suspirou. Aquilo
fora o mais longe que já haviam chegado. Seu coração estava descompassado,
veloz e furioso. Não queria que terminasse. Suas mãos trêmulas denunciavam
que desejava proporcionar uma sensação como aquela a ele também. Olhando-se
no espelho, com o uniforme fora do eixo de seu corpo, ela sorriu.
Enquanto isso, no andar de baixo,
Neville, Harry e Gina estavam de braços cruzados sobre o peito, com expressões
mal humoradas. Não poderiam se atrasar, de forma alguma. Estavam loucos para
saber quais eram os escolhidos para o tal grupo de guerreiros. Cerca de dez
minutos depois do grito para Hermione, Rony desceu as escadas. Neville e Gina não
perceberam, mas Harry não era idiota. Rony estava tão vermelho quanto seu
cabelo, e seus olhos brilhavam com uma satisfação nunca vista por Harry antes.
Seus lábios estavam extraordinariamente inchados e a respiração ansiosa.
Claro que Harry não disse nada ao amigo, mas, para ele, estava na cara que Rony
e Hermione haviam sido interrompidos. Na verdade, Harry desconfiava já que seus
melhores amigos estivessem dando uns amassos há um bom tempo, mas aquilo era
esfregar na sua cara que a coisa andava boa. Como ele sabia? Porque, nas poucas
vezes em que se animou junto de Ametista, ele ficava exatamente daquela forma,
vermelho, com os lábios inchados e a respiração inconstante. Lógico que não
na intensidade que nem a que Rony estava, mas era bem parecido.
- Ansioso, Rony? – perguntou
Harry, com um olhar misterioso.
Rony nada respondeu. Seus olhos
estavam parados na grande janela da Torre da Grifinória, perdido em
pensamentos. Um ligeiro sorriso estampava seu rosto. Harry riu para si. E no
instante seguinte, Hermione apareceu. Se ainda houvesse alguma dúvida do quê
eles estavam fazendo – além de atrasar todo mundo – elas se foram
rapidamente. Hermione estava com os lábios tão inchados quanto os de Rony, mas
tinha uma expressão de felicidade plena, além da forte coloração rósea em
suas bochechas – na realidade, no rosto todo. Aproximando-se da monitora da
Grifinória, Harry notou que ela tinha uma grande marca no pescoço, do lado
esquerdo. Nem mesmo seu cabelo fofo conseguia disfarçar. Mordendo sua boca
fortemente, impedindo-se de rir declaradamente, Harry propôs que todos
seguissem para a sala de Defesa Contra a Arte das Trevas.
Antes de deixar a sala comunal, Harry notou quando Hermione aproximou-se de Rony e tocou seu ombro, despertando-o de seu transe. O garoto olhou para cima e encontrou os olhos apaixonados de Hermione, que se abaixou até ele e o beijou. Entretanto, Harry não pôde ouvir os planos de Hermione para a noite do dia seguinte

-
Dá para sossegar um segundo? – resmungou Ametista, sentada ao lado de Draco,
que batia os pés insistentemente debaixo da mesa.
- Não, Dumbledore. – respondeu
Draco ríspido.
Ametista jogou o corpo para trás,
encostando pesadamente na cadeira. Cruzando os braços, encarou Ártemis e
Snape. Os professores estavam parados na porta da sala, conversando em um tom
muito baixo. Ametista virou-se para frente e notou, sobre a mesa de Ártemis,
uma foto guardada debaixo de vários pergaminhos. Encarou os mestre novamente,
percebendo que estavam entretidos demais na conversa. Aproveitando, esticou-se
até a mesa e puxou a foto discretamente.
- Tsc, tsc! – ouviu ao seu lado e
encarou Draco. – Que feio, Dumbledore! Bisbilhotar as coisas dos outros! Eu
pensei que só eu fizesse isso.
A garota não respondeu e mirou a
foto em seus dedos. Havia uma garota, com seus dezessete ou dezoito anos, muito
bonita, com olhos violeta e cabelo comprido e ondulado. Era Ártemis. Ao lado
dela, um jovem, da mesma idade que ela, ou talvez alguns poucos anos mais velho,
de olhos profundamente azuis e cabelo escuro. Um sorriso lindo trazia nos lábios
carnudos e vermelhos. Muito bonito.
- Então quer dizer que a Figg não
é uma solteirona...
Suspirando, Ametista tornou-se para trás e viu Draco montado sobre ela,
com o rosto perto de seu pescoço, olhando a foto junto dela. Draco lançou um
sorriso irônico a garota, que voltou a foto no lugar, encostando-se à cadeira
mais uma vez.
- AH! Vamos lá, Dumbledore –
chamou Draco, divertido. – Vai me dizer que nunca pensou nisso? A mulher tem
mais de quarenta anos, com certeza, e ainda está solteira! Não acha isso
estranho, não?
- Do jeito que ela é, talvez ninguém
tenha querido ficar com ela... – debochou Ametista, fazendo menção a enorme
amargura e superioridade de Ártemis.
Draco olhou para a professora,
fitando-a. Depois se tornou para Ametista.
- Que você acha dela e do Snape?
– Ametista não entendeu. Draco repetiu. – Digo, eles... Você sabe, juntos?
A sonserina aproximou sua cabeça de
Draco e ambos ficaram detalhando suas visões em Ártemis e Severo.
- Você delira, Malfoy – disse
Ametista, rindo. – Ela é mais velha que ele.
- E o que isso tem a ver? –
perguntou Draco, levantando as sobrancelhas.
- Nada, eu só estou dizendo –
respondeu a garota, encarando Draco. – Hum... Por acaso você já gostou de
alguma mulher mais velha, é?
- Agora é você que está
delirando, Dumbledore – retrucou Malfoy, pigarreando em seguida. – Vamos
dizer que eu prefiro as mais novinhas...
Na primeira vez, Ametista não
entendera direito do quê Draco estava falando ou se referindo. Porém, assim
que o grupo da Grifinória adentrou na sala, Draco encarou Gina com seu olhar
malicioso. Ametista notou no mesmo instante e puxou o braço dele.
- Eu pensei que você tivesse
desistido de fazer mal a ela, Malfoy. – disse Ametista raivosa.
- Por que você acha que tudo que eu
faço é coisa ruim?! – revoltou-se Draco repentinamente.
- Porque este é você, Malfoy. É a
sua natureza.
Draco xingou Ametista e tornou-se
para o lado oposto da sala. Ametista sacudiu a cabeça negativamente, enquanto
sentia uma mão repousar em seu ombro. Olhando para cima, encontrou os olhos
verdes de Harry. Ele levantou as sobrancelhas na direção de Draco, perguntando
o quê havia acontecido. Ametista deu de ombros, mentindo. Harry dirigiu-se para
a turma da Grifinória, junto de Gina e Neville. Rony e Hermione estavam
encostados na janela da sala de Defesa Contra a Arte das Trevas, fitando um ao
outro, misturando suas mãos carinhosamente. Até que Snape entrou na sala
finalmente.
Os alunos ajeitaram-se em pé,
estando os únicos sentados Draco e Ametista, que haviam chegado primeiro na
sala. Gregory Wolfran e Cho Chang estavam ao lado da porta, enquanto Peter
Thompson, Julian Hawking e Babelon Littlewood conversavam baixinho do lado
oposto da sala, ao lado de Ametista. Snape e Ártemis colocaram-se atrás da
mesa da professora e começaram:
- Os professores Black, Figg e
Snape, além de Remo Lupin, votaram nos que melhor se saíram – começou Ártemis
no tom superior. – Queríamos abrir mais vagas, mas não pudemos. Então,
foram oito alunos selecionados, de acordo com o seu desempenho durante vinte
minutos, em trios, dentro da Floresta Proibida.
Snape retirou um pergaminho de
dentro da segunda gaveta da mesa de Ártemis, e desenrolou-o. Os alunos
entreolharam-se com ansiedade e até certa competitividade. Snape limpou a
garganta.
- Os alunos selecionados foram –
anunciava ele, com sua voz seca e dura. – Draco Malfoy – o jovem sorriu
vitorioso e encarou Harry, virando-se para trás. – Harry Potter – Harry
sorriu para Draco, em resposta, após ouvir seu nome. – Virgínia Weasley –
Gina arregalou os olhos, surpresa. – Ronald Weasley – Rony sentiu Hermione
apertar sua mão, como se estivesse o congratulando. – Babelon Littlewood –
a loirinha olhou para Julian, ao seu lado, e apertou os olhos de felicidade. –
Ametista Dumbledore – Ametista não mostrou nenhuma reação. – Hermione
Granger – agora foi a vez de Rony apertar sua mão. – e... – Snape não
quis fazer suspense, só estava ainda ligeiramente desapontado. – Neville
Longbottom.
Imediatamente, Neville ficou branco.
Hermione, que estava ao seu lado, pensou que o garoto parara de respirar. Todos
estavam em silêncio, até que...
- O LONGBOTTOM?! – todos se
tornaram para Draco. – O Longbottom foi selecionado?! – e ele virou-se para
Ártemis e Snape. – Que aconteceu com vocês?
Gregory Wolfran soltou uma risadinha
discreta assim que assistiu Draco incrédulo.
- Eu vou ter que aprender junto
dele? – continuou o garoto chocado.
- Acho que esse não é problema
seu, Sr. Malfoy – respondeu Ártemis seca. – Se ainda quiser permanecer
nesse grupo, feche a boca e obedeça a ordem de seus professores.
Um risco de satisfação passou pelo
rosto de Harry diante da postura de Ártemis. Talvez ela não fosse tão ruim
assim. Afinal, já era a segunda vez que ela tomava atitudes ou dava respostas
rudes ao aluno.
- Agora, vocês podem voltar aos
seus afazeres – ordenou Snape para os estudantes. – A primeira reunião será
na quinta que vem. Estejam pontualmente às oito horas na Torre Oeste.
Deixando a sala ao lado de Neville,
Harry paralisou ao encarar o amigo. Neville, além de lívido, exibia um sorriso
de orgulho. Pela segunda vez, teve a chance de mostrar que poderia bom em alguma
coisa – a Professora Sprout já havia permitido que Neville se aprofundasse em
Herbologia.
Os jovens continuavam a sair da sala
e Harry viu Neville distanciar-se junto de Rony e Hermione. Logo, ouviu:
- Todos nós estamos surpresos...
Era Gina. Harry tornou-se a ela e
notou que a garota também fora selecionada. Nunca imaginou que a frágil
garotinha resgatada das mãos e do poder de Tom Riddle – aliás, por Harry –
poderia tornar-se aquela jovem com a determinação estampada em seus olhos.
Dando uma olhada rápida em Gina, Harry chegou a dar um sorriso. Era incrível
como as pessoas mudavam.
- Isso é patético!
- Pare de resmungar!
Gina e Harry viraram para trás e
encontraram Draco e Ametista saindo da sala, discutindo. Assim que os viu, a
jovem parou e ameaçou iniciar uma conversa com os grifinórios. Draco fez o
mesmo.
- O mundo virou de cabeça para
baixo – disse ele mal humorado. – Primeiro, vocês dois namorando –
apontou para Ametista e Harry, que nada fizeram. – Segundo, essa esquizofrênica
é transferida para a Sonserina... – resmungou apontando para Ametista.
- Esquizofrênica?! –
indagou Ametista zangada.
-
Depois, essa maluquice de controlar meu temperamento – Gina e Harry
franziram suas testas. Nessa altura, Ametista já estava segurando a mão de
Harry e puxando-o para longe, bufando nervosamente. – Agora, essa estória do
Longbottom...
Quando Draco terminou, Harry e
Ametista já estavam longe. Foi quando notou Gina ainda ao seu lado, com os braços
cruzados, encarando-o.
- Ah, sim! Esqueci de você também,
Weasley – resmungou ele, dando um sorrisinho irônico. – Você e sua nova
atitude perto de mim.
- Não é uma nova atitude, Malfoy
– respondeu Gina, rodando em seus calcanhares. – Eu cansei de ser tola –
caminhando, Draco a acompanhou, colocando as mãos dentro dos bolsos da calça.
– Agora, sou eu que faço as pessoas de idiota.
- Uh! – debochou Draco querendo
rir, enquanto dobravam o corredor vazio. – Está dando uma de difícil,
Weasley? Sabe, acho que você nunca foi muito boa nisso...
Draco poderia ter terminado a frase
se Gina não tivesse impedido. A jovem do quinto ano tornou-se para ele e
agarrou-o pelo colarinho, colando seus lábios nos dele. Em seguida, puxou-o
contra ela até que se chocassem com o espaço afastado que ficava entre o
banheiro feminino e o outro corredor, escondido de tudo. Imediatamente, Draco
retirou as mãos dos bolsos e envolveu-a em seus braços, sentindo-se vitorioso
por tê-la provocado a beijá-lo devidamente. Enquanto isso, Gina matinha as mãos
em torno do pescoço dele, acariciando seu cabelo com certa ferocidade,
exatamente como o ritmo do beijo. Poderiam ter machucado os lábios, perdido o
ar, mas nada o faria parar – sim, Draco. Pois, no instante seguinte,
Gina estava se desvencilhando dos braços de Draco e afastando-o. O jovem estava
vermelho e com os lábios inchados assim que encarou Gina. Quando um sorriso
sarcástico ameaçou despertar em seus lábios, Gina o fez primeiro.
- Nós nos vemos, Malfoy. – disse ela, ainda com o sorriso vitorioso nos lábios, empurrando-o levemente e deixando-o para trás, na escuridão do espaço tão pequeno e escondido.

Uma
manhã ensolarada de sábado, mas cruelmente fria. Harry estava agitando os braços
enquanto o resto do time aquecia-se. Aquele era o primeiro teste para o novo
time de quadribol da Grifinória. E teriam de estrear em grande estilo, afinal,
ganhar da Sonserina com um tinha praticamente novo seria incrível.
Logo
a sua frente estava Dino Thomas e Rony conversando animadamente. Harry recordou
do seu primeiro jogo e da enorme apreensão que sentia ao dar o impulso em sua
vassoura. Repentinamente, sentiu alguém tocar seu ombro. Era Alexis Hoffman,
acompanhada de Gina. As garotas estavam brancas.
- Estão todos prontos, Harry. –
disse a garota do mesmo ano de Gina, a voz vacilando.
Pigarreando levemente, todos os
jogadores pararam e tornaram-se para Harry. Era a primeira vez que Harry teria
de fazer um discurso como capitão, como aqueles que Olívio Wood fazia antes de
todo jogo. Afinal, no ano anterior, o time já estava acostumado e não
necessitava de impulsos do capitão.
- Eu sei que todos devem estar
realmente nervosos – começou Harry aflito. – Mas, temos que pensar que é a
Sonserina esperando por nós do lado de fora! E quem não quer massacrar a
Sonserina?! – Dean e Jack Schimdt, os batedores, estralaram os dedos
prazerosamente. – É o nosso primeiro teste e devemos manter tudo que
combinamos em nossos treinos. Devemos levantar a cabeça e destruir as barreiras
deles, custe o que custar – continuou Harry, tomando um pouco mais de coragem.
– Temos um ótimo goleiro – Rony estufou o peito. – Conseguimos os gêmeos
ótimos e ferozes para rebater quantos balaços eles mandarem – os irmãos
Schmidt sorriram convencidos. – E três artilheiros muito competentes –
Dino, Alexis e Gina sorriram. – Respirem fundo e encarem isto como o último
jogo, mas sempre se lembrem que tudo não passa de massacrar os sonserinos!
O time riu e postou-se na formação
certa, em sua área reservada no campo de quadribol. Pouco depois, ouviram o
apito de Madame Hooch soar e deram o impulso. As arquibancadas gritavam alto e o
vento era forte. Harry sentiu a ponta do nariz ficar fria de repente e postou-se
bem no alto. Abaixo, podia ver Madame Hooch colocada no centro do campo,
carregando a goles vermelha debaixo do braço esquerdo.
- A PRIMEIRA PARTIDA DA TEMPORADA,
FINALMENTE! GRIFINÓRIA VERSUS SONSERINA! E AS ARQUIBANCADAS GRITAM
DESESPERADAAAAAS!
Harry olhou para o palanque dos
professores e encontrou o novo narrador dos jogos de quadribol. O nome do garoto
era Devon Mignot. No passado, seu pai fora também o narrador dos jogos, e ele
pertencia a Lufa-Lufa, além de ser do quinto ano.
- DESTA VEZ, A GRIFINÓRIA VEM COM
UMA NOVA FORMAÇÃO! – continuava Devon animado por ser seu primeiro jogo. –
WEASLEY, THOMAS, SCHIMDT, HOFFMAN, SCHIMDT, WEASLEY E... POTTER! – as
arquibancadas da Corvinal e da Lufa-Lufa gritavam junto com a da Grifinória,
como de costume. – ENQUANTO ISSO, A SONSERINA MANTÉM A FORMAÇÃO DO ANO
PASSADO COM BLETCHLEY, SMITH, STARCK, BLAKE, MCDERMOTT, WINDAM E... MALFOY!
A arquibancada da Sonserina explodiu
de alegria. Agitando suas bandeirolas verdes e prateadas, inúmeros sonserinos
notaram que havia um corpo verde-escuro no meio de tanto amarelo e vermelho, na
arquibancada logo à frente. Era Ametista, que voltou a sentar-se com os grifinórios.
Hermione estava ao seu lado, torcendo os dedos junto de Parvati e Lilá.
- MADAME HOOCH LIBERA OS BALAÇOS E
O POMO DE OURO... – dizia Mignot. – A GOLES É LANÇADA E A PARTIDA COMEÇA
COM SMITH AGARRANDO-A...
Rapidamente, Draco estava no ar
emparelhando a sua vassoura com a de Harry. O monitor da Grifinória olhou feio
para Draco, que respondeu:
- Eu ainda não sei como a
Dumbledore te aceitou de volta! – gritou ele para ser ouvido.
Harry virou furiosamente para o
monitor da Sonserina, com um ponto de exclamação na cabeça. Do que ele estava
falando?
- Que você disse, Malfoy? –
perguntou Harry confuso.
Enquanto isso, a Sonserina estava
perdendo a posse de bola para a Grifinória.
- BELA ARRANCADA BLAKE, MAS FOI
TARDE MAIS! – narrava Devon agitado. – AGORA A POSSE É DA GRIFINÓRIA, QUE
VEM COM THOMAS, DESVIANDO DE UM BALAÇO DE MCDERMOTT... NÃO PRECISA FICAR
FURIOSO, MCDERMOTT! – Devon parecia ter o mesmo costume que Lino, tirando
sarro dos jogadores. – THOMAS PASSA PARA HOFFMAN, QUE ALIÁS, É MUITO
BONITINHA...
- Mignot! – alguém gritou atrás
de Devon e ele olhou para ver a expressão incomodada de Minerva McGonagall.
- Desculpe, professora, mas eu nem
reparei... – dizia Devon, que de repente parou. – Hei! Mas a senhora não é
a diretora da minha Casa!
O rosto de McGonagall se contorceu
em raiva.
- Sim, eu não sou, mas nem por isso
eu não tenho o direito de repreendê-lo, Sr. Mignot!
Engolindo em seco, com um certo nó
na garganta, Devon voltou a atenção para o jogo.
- OPS! PERDI MUITA COISA? –
indagou ele divertido, ouvindo o riso de Sirius Black e Remo Lupin, que também
estava assistindo, as suas costas. – A POSSE É DA SONSERINA, COM SMITH, QUE
CORRE MUITO, É IMPRESSIONANTE QUANTO ESSA VASSOURA VOA! AGORA, ELE PASSA PARA
WINDAM, QUE VOLTA PARA SMITH E... UOU! CUIDADO AÍ, WEASLEY! – Gina tentava
bloquear a goles que voava por ela, entre Smith e Windam, quando um balaço
quase a atingira na cabeça. – MAS HOFFMAN CONSEGUE RECUPERAR A GOLES PARA A
GRIFINÓRIA, OPA! QUE BALAÇO INCRÍVEL, BLAKE, PENA QUE PASSOU TÃO LONGE...
Voltando ao mais alto do campo,
Harry esperava uma resposta de Draco, que observava os toques e jogadas de seus
companheiros bem abaixo.
- Eu disse que não sei como a
Dumbledore te aceitou de volta.
A face de Harry estremeceu de raiva.
- Que você quer dizer com isso?
Draco olhou para Harry com um
sorriso irônico nos lábios.
- Você sabe muito bem, Potter –
respondeu Draco, aumentando cada vez mais o tom da voz. – Eu sei que alguma
coisa aconteceu entre você e a Chang naquele Dia das Bruxas, ninguém é tão
estúpido de não ter percebido.
- Não sabe do que está falando,
seu idiota. – retrucou Harry raivosamente.
Um grito interrompeu a possível
discussão entre eles.
- GOOOOL!!!! – gritou Mignot,
projetando sua voz por todo o campo. – THOMAS MARCA PARA A GRIFINÓRIA! SINTO
MUITO, BLETCHLEY, O CARA TEM BOA PONTARIA!
Dino tinha lançado a goles no arco
intermediário, há dez metros dele, enganando o goleiro da Sonserina. A goles,
agora, estava na posse dos sonserinos novamente.
- Não sou eu o idiota, Potter –
continuou Draco provocativo. – Seu eu fosse você, já teria aproveitado
antes. A Chang é bem jeitosa mesmo...
- Cale a boca, Malfoy! – ordenou
Harry, achando que ele pararia.
- Apesar de que o meu tipo não
combina muito com orientais, sabe – prosseguiu o monitor sem parar por um
segundo. – Acho que falta um pouco de corpo para ela. Não sei, gosto de
pernas bonitas... – Draco encarou furiosamente Harry, estourando a paciência
do jovem. – Você conhece alguém com bonitas pernas, Potter?
Harry sabia bem do quê, ou melhor,
de quem Draco estava se referindo. Com isso, afastou-se de Malfoy, sabendo que não
controlaria sua fúria por muito mais tempo. Mexer com ele, tudo bem, mas mexer
com Ametista era demais.
Pouco a pouco, a Sonserina estava
atrás no placar apenas por vinte pontos. A Grifinória estava vencendo por 70 a
50, e o jogo estava bastante acirrado. Alexis já havia sido atingida por um
balaço, que passara raspando em seu braço direito. Dino já havia dado uma
cotovelada em Richard Starck, o batedor que mandara o balaço. E Gina vivia se
esquivando dos braços enormes dos artilheiros da Sonserina, escapando por um
fio entre eles.
- FALTA PARA SONSERINA! – anunciou
Devon, apertando os olhos. – TAMBÉM, QUE BALAÇO CERTEIRO ESTE, STARCK! POR
MUITO POUCO VOCÊ NÃO ATINGE O REAL ALVO... – debochou o narrador, já que
Starck tinha lançado um balaço desordenado sobre Alexis logo depois de Madame
Hooch ter apitado a falta. – WINDAM PREPARA-SE PARA BATER A FALTA... ELE LANÇA
E WEASLEY DEFENDEEEE! – a torcida da Grifinória levantou eufórica, batendo
palmas para a defesa de Rony. – A GOLES VOLTA PARA AS MÃOS DE WEASLEY, QUE
PASSA RAPIDAMENTE PARA HOFFMAN... DESVIE! UFF! ÓTIMA MANOBRA DEFENSIVA,
HOFFMAN! AQUELE BALAÇO PODERIA TER ARRANCADO SEU PESCOÇO! – Mignot parou um
pouco para respirar e tomar um copo de água, sua garganta já estava seca. –
LANÇANDO A GOLES PARA THOMAS, QUE VOLTA PARA HOFFMAN, QUE PASSA PARA WEASLEY
E... AI! QUE É ISSO?! UM BALAÇO FURIOSO ATINGIU EM CHEIO A RUIVINHA DO TIME DA
GRIFINÓRIA!
Madame
Hooch apitou e parou o jogo. Gina estava vacilando sobre a vassoura, chegando no
solo um pouco tonta. Os dois times desceram ao solo de areia. Rapidamente, Harry
acompanhou a professora de vôo até onde Gina estava sendo colocada na área
especial para os grifinórios. Estendida sobre a cama, a caçula dos Weasley
agitava a cabeça insistentemente.
- A senhorita está bem? –
perguntou Madame Hooch seca.
Gina tossiu e agitou a cabeça mais
uma vez. Enquanto isso, Alexis estava ao seu lado, ajudando com uma massagem na
cabeça.
- Só me dê alguns minutos, Madame
Hooch. – pediu Gina tonta.
A juíza da partida saiu em direção
ao time da Sonserina, avisando da paralisação. Enquanto isso, Harry sentou
numa das cadeiras que havia ali e viu Rony acompanhá-lo.
- Até que não estamos mal, não
acha? – perguntou ele confiante.
Harry concordou com a cabeça.
Estava furioso. Se Malfoy prosseguisse provocando-o, não teria tanta certeza de
que o jogo acabaria bem.
- Harry! Harry! Você está me
ouvindo? – insistiu Rony, mesmo vendo que Harry havia concordado.
- Eu só estou um pouco cansado...
Rony suspirou, olhando para o time
da Sonserina.
- Esses cachorros! Vão pagar pelo
que fizeram com a minha irmã! – gritou ele nervoso.
O amigo riu pelo nariz, divertido.
Harry parou e encarou Rony. Ele tinha as orelhas vermelhas.
- Eu disse que não era uma boa idéia
para Gina – repetiu ele pela milésima vez. – Esse jogo é perigoso demais,
Harry. Você mesmo sabe o que é receber um balaço no braço... – disse Rony,
relembrando o segundo ano quando o balaço maluco de Dobby quebrou o braço do
capitão do time. – Hei, nada do pomo ainda?
Harry não teve tempo de responder,
pois Madame Hooch já estava apitando novamente, para voltarem a partida. Sua
Firebolt o levou até o mais alto novamente. Sacudindo os cabelos que caíam em
seu rosto, Harry ouviu ao seu lado Draco acompanhá-lo.
- E então, Potter? Pensou em alguém
que tenha pernas bonitas?
O monitor recusou-se a responder.
Draco gritou mais alto.
- Sabe, a Dumbledore tem umas pernas
bonitinhas, ficam muito bem por baixo daquela saia da Sonserina...
Harry tornou-se para Draco, com o
rosto muito vermelho e os olhos faiscando de ódio.
- Não mexa com ela, Malfoy!
Draco riu desdenhosamente.
- Eu não vou mexer, Potter –
respondeu ele, menosprezando a reação de Harry. – Pelo menos por enquanto,
meus interesses na Dumbledore são outros...
- Vá se fuder, Malfoy! – xingou
Harry explodindo e voando para perto de Draco. – Tente encostar um dedo nela,
tente! E você estará morto no dia seguinte!
- Isso é uma ameaça, Potter? –
riu Draco.
Para a surpresa dos dois, uma
bolinha dourada passou entre seus rostos. Arregalando os olhos, ambos desceram
rapidamente atrás do pomo de ouro. Enquanto saíam em disparada, as
arquibancadas seguiram o movimento repentino dos jogadores. Harry e Draco
estavam emparelhados, as laterais de seus braços se tocando irritantemente, os
olhos estreitos na direção do pomo.
Muito perto de se estatelarem no chão,
os dois entortaram suas vassouras para o alto e seguiram o curso do pomo. Um
certo suspense e apreensão se formaram nas torcidas adversárias. Os olhos
espertos a cada mudança dos apanhadores. Enquanto isso, Draco e Harry estavam
numa disputa severa, voando velozmente atrás do objeto, que dançava na frente
deles, seguindo o curso das arquibancadas. Era só olhar para cima que, talvez,
os apanhadores estivessem sobrevoando sua cabeça. Agora mesmo, passavam velozes
sobre a arquibancada da Corvinal.
A poucos metros da arquibancada da
Grifinória, Harry esticou o braço com toda sua vontade e sentiu seus dedos
rasparem no pomo. As asas do objeto dourado bateram agitadas e continuaram no
mesmo curso. Foi quando Harry deixou que sua raiva se extravasasse. Com toda sua
força e raiva, assim que esticou o braço direito novamente, jogou o corpo
sobre o de Draco, que imediatamente perdeu o equilíbrio e caiu da vassoura
fortemente sobre a torcida da Grifinória. A arquibancada, assim que notou a
atitude de Harry, abriu um espaço exatamente onde Draco caiu e se estatelou. No
segundo seguinte, muitos que encaravam gargalhando o apanhador da Sonserina,
perderam o momento em que Harry pegou o pomo.
- POTTER, COM EXTREMA VALENTIA E
ESPERTEZA, PRECISO RESSALTAR, PEGOU O POMO! A GRIFINÓRIA SAI NA FRENTE NA
CORRIDA PELA TAÇA DE QUADRIBOL! – enunciou Devon Mignot, sorrindo contente.
– OS LEÕES SAÍRAM VITORIOSOS NOVAMENTE SOBRE AS SEPRENTES!
Enquanto a torcida gritava de
felicidade, Harry pousava junto de seu time no campo de areia e festejava. Os
irmãos Schimdt deram tapas nas costas de Harry, congratulando-o pela incrível
força no empurrão sobre Malfoy. O rosto de Harry estava iluminado. Era sua
vingança.
Já no meio da arquibancada da Grifinória, Draco tentava colocar-se de pé, esperando que os médicos fossem atende-lo. Ao virar a cabeça para o céu, encontrou uma multidão observando-o, rindo de sua cara. A única sonserina presente ali se destacava entre eles. Ametista estava encarando-o com um sorriso irônico no rosto. Como ele odiava quando ela ganhava! Abaixando os olhos para erguer-se o mais rápido possível, reparou nas pernas dela. De fato, seu blefe sobre Harry estava certo. Ela tinha mesmo pernas bonitas.

Os
dias foram embora num piscar de olhos e logo era quinta-feira, dia da primeira
reunião do tal grupo de guerreiros. Dez minutos antes de completar oito horas
da noite, logo após o jantar, um aluno já estava localizado na Torre Oeste.
Neville agitava os pés ansiosamente, indo para frente e para trás, sem parar.
Uma certa apreensão correu pela sua espinha ao olhar o labirinto que se seguia
à frente. A Torre Oeste possuía somente uma entrada. Era uma escada circular,
alta e escura, iluminada por velas que refletiam uma coloração amarelada. Só
não era mais assustadora que a Floresta Proibida e as masmorras. Respirando
fundo, prosseguiu agitando-se no mesmo lugar. Aos poucos, ouviu passos se
aproximando. Virou as costas para o corredor e encarou a escadaria de pedras da
Torre Oeste. Um perfume muito parecido com vinho encheu a ambiente e ele ouviu:
- Você é o Longbottom, certo?
Neville sentiu as bochechas corarem
assim que notou de onde vinha tal perfume gostoso. A loirinha de grandes olhos
castanhos e lábios finos do quinto ano da Lufa-Lufa havia se adiantado, assim
como ele.
- Sou sim – afirmou tímido. – E
você é...
O nome da garota fugiu
repentinamente. Suas mãos suavam.
- Littlewood – respondeu ela, com
uma voz doce. – Mas prefiro que me chame de Babelon.
- Sim, sim. Babelon. Neville, então.
– completou o jovem do sexto ano, estendendo a mão suada para cumprimentar a
bonita garota.
Após fazê-lo, a garota franzindo
ligeiramente ao tocar em Neville, um silêncio incômodo se estabeleceu entre
eles. Enquanto Neville girava os olhos pelas pinturas daquele corredor, Babelon
tinha as mãos unidas em suas costas e olhava o chão.
- Você já conhecia algum de nós?
– perguntou Neville, de repente. – Digo, da turma que foi selecionada?
- Na verdade, só o Harry Potter,
claro... – respondeu Babelon, aumentando o tom da voz. – E a Virgínia
Weasley. Nós somos do mesmo ano e cursamos algumas matérias juntas.
- Oh, Gina – corrigiu Neville,
achando estranho Babelon chamar a amiga de Virgínia. – Deve ter sido chato
ninguém mais da sua Casa ter sido selecionado...
Os olhos castanhos de Babelon se
contraíram, formando um sorriso em seus lábios finos.
- Bem, é diferente você não ter
ninguém que conhece por perto – contou. – Peter é muito legal mesmo e
Julian... Julian... – Neville reparou que os olhos dela se contraíram mais
ainda e brilharam. – Julian também é muito simpático.
As bochechas de Neville mostraram
algumas covinhas assim que arriscou sorrir para Babelon. Nesse momento, Draco e
Ametista se aproximavam. O monitor da Sonserina deu uma olhada rápida em
Babelon e depois ignorou Neville, olhando para o outro lado. Ametista acenou com
a cabeça para ambos, mas com seu típico tom mal humorado. Como sempre, ela
nunca fora muito sociável, principalmente com quem ela não conhecia ou nunca
havia visto antes em toda vida. Neville tornou-se para reparar somente por mais
alguns segundos Babelon e notou que a garota escondia um riso. Seus olhos quase
mel estavam na direção de Draco. Havia cinco dias que o primeiro jogo da
temporada tinha acabado, mas todos não esqueciam quão engraçado fora assistir
Draco estatelar-se no meio da torcida da Grifinória.
Alguns minutos depois, os
professores Snape e Figg surgiram do meio das sombras daquele estreito corredor
e indicaram o caminho até a sala fechada onde deveriam treinar. Ao mesmo tempo,
Harry, Hermione, Gina e Rony chegaram. E a turma estava formada.
Era uma sala redonda, mas bastante
larga, que poderia quase ser um galpão. As altas janelas escuras estavam cheias
de teias de aranhas e as cortinas alaranjadas estavam bem sujas. Snape e Figg
acenderam todas as velas amareladas, que passaram a iluminar a sala tão
tenebrosa. Rapidamente, a visão da sala alaranjada não parecia tão ruim.
Havia uma espécie de andar, como se fosse um palco bem baixo, respeitando as
formas da sala, também arredondado, no centro do ambiente. Pouco a pouco, os
oito alunos escolhidos sentaram no chão, esperando instruções. Snape e Ártemis
postaram-se sobre a elevação.
- Esta é a nossa primeira reunião
e queria estipular algumas regras entre todos nós – começou dizendo Ártemis,
andando de um lado ao outro do “palanque” e agitando sua varinha negra no
ar. – Não é porque estamos fora de uma sala de aula que vocês poderão
passar a nos tratar com mais...eu diria, intimidade – Rony cutucou Harry, que
estava sentado ao seu lado. – Também não estamos nem um pouco interessados
em seus assuntos e problemas particulares, portanto, se há alguma desavença
entre alguns de vocês, que fique daquela porta para fora – ralhou Ártemis,
encarando nitidamente Draco Malfoy. – Tudo que será dito ou contado a vocês
dentro desta sala não deverá sair daqui. Se soubermos que alguma coisa escapou
de dentro deste âmbito, todos serão punidos – agora, ela encarou cada um.
– E, obviamente, nós continuamos sendo seus professores e ainda assim podemos
distribuir detenções e retirar pontos de qualquer um que exceder os limites ou
que infrinja uma condição dessas que acabei de citar. Entendido?
Ametista levantou a mão. Ártemis
acenou com a cabeça que ela poderia falar.
- E quais seriam os limites que nós
não podemos atravessar... professora? – perguntou a garota, com um tom de
ironia ao final.
A mestra de Defesa Contra a Arte das
Trevas pigarreou fortemente.
- Acho que todos sabem muito bem
quais são esses limites, Srta. Dumbledore – respondeu Ártemis num tom rude.
– E espero que o professor Snape tenha deixado bem claro alguns desses
limites a você e ao Sr. Malfoy.
Draco trocou um olhar com Ametista,
ambos muito aborrecidos. Ártemis prosseguiu.
- O objetivo dessa reunião, e das
próximas, é simples – disse ela. – O Lorde das Trevas, Voldemort,
conseguiu um novo corpo e agora pretende vingar-se de todos aqueles que o
prejudicaram. Todos vocês sabem, ou pelo menos têm idéia, de que Voldemort
nunca foi destruído pelo Sr. Potter – Harry notou que havia um tom de prazer
enquanto Ártemis dizia aquilo. – Na verdade, apesar do feitiço ter se
tornado contra ele, ou mesmo não dado certo, seu corpo se perdeu, mas sua alma
se manteve desde então, parasitando outros corpos ou então escondido no meio
de inúmeros locais, apenas esperando para dar o bote.
- E que bote... – sussurrou Gina
para Hermione.
- Sem comentários, Srta. Weasley.
– repreendeu Snape, repentinamente ao lado das duas alunas.
- E agora, o Ministério anda
investigando seus próprios funcionários para que não apóiem Dumbledore, já
que preferem ignorar que muitos estão morrendo, mortos pelos seguidores do
Lorde.
O braço direito de Babelon levantou
no ar.
- Mas, professora, você fala como
se o Ministério estivesse perseguindo os...
- Minha mãe trabalha no Ministério,
Srta. Littlewood – interrompeu-a Ártemis, já prevendo o quê a garota diria.
– Alastor Moody foi morto por um Avada Kedrava. Aurores estão sendo
encontrados assassinados em becos, espiões enlouquecidos por sofrerem com a
Maldição Imperdoável da Dor – Neville engoliu em seco. – E ainda assim, o
grande ministro da Magia resolve dar as costas aos problemas e ignorar as Marcas
Negras que iluminam esses mesmos becos escuros. É o começo da vingança, Srta.
Littlewood. E nós não podemos falar nada, afinal, é perigoso para nossa própria
vida.
Os alunos entreolharam-se. Harry
levantou a mão.
- Professora, por acaso o Ministério
está investigando Hogwarts?
Ártemis suspirou e encarou Harry no
seu tom superior.
- Não exatamente, vamos dizer que
é como uma emboscada. Ao primeiro sinal, eles nos pegam. E é esse o principal
motivo de manter essas reuniões em segredo total.
- E o quê teremos de enfrentar,
professora? – indagou Gina temerosa.
- As Trevas, Srta. Weasley –
respondeu Snape, quebrando as falas ininterruptas de Ártemis. – Isso tudo é
muito tolo. Nenhum de vocês é capaz de enfrentar uma quimera, quanto mais um
Comensal da Morte – Rony cutucou Harry mais uma vez. – Nenhum de vocês têm
idéia do poder de um Comensal, de um seguidor de Voldemort. O poder de um deles
pode acabar com três de vocês com um só golpe. Não adiantará vocês terem
uma grande abrangência em feitiços de defesa, mas também precisam atacar e
saber escapar e paralisar o oponente. Aqui, nós iremos fazer com que vocês
aprendam a encontrar o ponto fraco de seu adversário e que todos possam ser
capazes de colocá-los no chão.
Uma certa ansiedade e excitação
passou pelos alunos. Finalmente, aprenderiam a duelar, a lutar devidamente. E
foi nesse momento que Draco ergueu sua mão no ar, levantando do chão
empoeirado com uma postura arrogante.
- Que estou fazendo aqui, afinal?
Enquanto os alunos encararam Draco
com suspeita e até surpresa, Snape e Ártemis deixaram um sorriso desdenhoso
aparecer em seus lábios. As coisas pareciam começar a entrar no curso devido.
E Draco mantinha seus olhos cinzentos sobre os professores, corajoso.
- Você, Sr. Malfoy, é o único que
conhece o poder de um Comensal – respondeu Ártemis. – Aliás, de vários
deles.
A boca de Draco se entreabriu. As
palavras custaram a sair.
- Vocês estão dizendo para eu
lutar contra meu pai?
- Não, Sr. Malfoy – respondeu Ártemis
vitoriosa. – Nós estamos dizendo que o senhor possui um potencial
espetacular, que está ainda adormecido. Estamos apenas dizendo-lhe que, junto
de nós, poderá expandi-lo mais e mais. É uma escolha.
Enquanto todos voltavam para suas
Torres, Draco caminhou calado e pensativo até a da Sonserina. Ametista
acompanhava-o igualmente silenciosa, porém perdida em seus próprios
pensamentos. Pensamentos sobre Draco. O jovem parecia mais pálido do que o
normal e suas vistas estavam mais cinzentas também. Andava rápido, querendo
chegar logo ao seu dormitório e afundar-se em idéias. Será que valia tanto a
pena assim que Severo e Ártemis, além de seu avô, confiarem em Malfoy?
Ainda na sala alaranjada da Torre
Oeste, Ártemis tornou-se para Snape no ambiente vazio e quase totalmente
escurecido.
- Você realmente acha que o garoto
é de confiança, Snape? – perguntou Ártemis pela décima vez naqueles cinco
minutos em que estavam sozinhos. – Malfoy pode contar ao pai do seu disfarce,
pode repassar todas as nossas idéias e informações para Lúcio e os
Comensais. Nós não sabemos se...
- Eu não posso te responder isso,
Figg – interrompeu-a Snape severamente. – Dumbledore mesmo disse que o
garoto é importante. Que deve ficar do nosso lado. Eu só acho que ele não é
tão parecido assim com Lúcio – Snape apagou a última vela e completou, na
total escuridão para Ártemis. – Temos de arriscar. Sinceramente, eu acho que
Draco está mais preocupado em se dar bem do que escolher um lado para lutar.
O salão comunal da Sonserina estava
quase deserto quando Ametista e Draco adentraram. Imediatamente, Draco subiu a
escada em espiral para o seu quarto e fechou-se dentro do dossel de sua cama.
Sua mente estava fervendo. Primeiro, a lembrança de Snape e Ártemis. Uma
escolha. A idéia de não ficar ao lado do pai e de sua família o deixava
louco. Aquele era seu maior medo. Enfrentar a fúria dos Malfoy. Então, logo após,
veio a recordação da primeira aula de Ártemis como professora em Hogwarts. A
aula sobre os Espelhos Mágicos, onde Draco vira-se diante desse seu pesadelo. O
Espelho Negro, feito por Salazar Slytherin. A imagem de seu pai enfiando um
punhal, uma faca em suas costas, gritando que ele era um traidor. Seus olhos
fecharam-se em raiva.
Seria possível escolher um lado?
Draco tinha plena consciência de como seria seu futuro ao lado do pai. Mais
precisamente, dali um ano praticamente, ele estaria se tornando um Comensal da
Morte, finalmente, como sempre desejara seu pai. E a idéia não lhe parecia tão
ruim assim. Conseguir controle e um poder maior do que jamais poderia ter. Quem
sabe, um dia, tornar-se o Chefe dos Comensais, ou mesmo pertencer a Trindade das
Sombras? Isso sim seria espetacular. Poder ter o quê quiser e quem quiser. Bem,
quase todos. Sim, tornar-se um Comensal da Morte definitivamente era uma opção
vantajosa.
No entanto, as imagens que se
formavam em sua cabeça era de um outro sonho. Draco sempre se imaginara matando
muitas pessoas, e isso poderia realizar como Comensal. Porém, se tinha uma
coisa que ele sempre desejou era ser admirado pelos seus próximos e pelos que
estavam ao seu redor. Até por isso fazia questão de chamar a atenção para si
quando tinha uma boa tirada ou ainda uma maldade – afinal, os sonserinos
adoravam uma maldade mesmo. E foi com a entrada de Ametista na Sonserina que ele
começou a perceber que, sendo mal, nem todos iriam admirá-lo. Na realidade,
Draco sentia raiva por cultivar uma admiração por aquela que sequer dava a mínima
para ele. Era bem verdade que Draco não simpatizava com Ametista, mas que ela
merecia sua admiração, isso merecia. A única que não lambia seus pés na
Sonserina, que não estava nem um pouco preocupada com ele ou com o quê fazia
– a não ser que envolvesse um de seus amiguinhos da Grifinória. E a idéia
de admirar alguém que não o admirava era terrível.
Foi assim que Draco começou a
considerar a segunda opção. Defender os interesses de Dumbledore, montar uma
associação secreta longe dos olhos do Ministério e mesmo de seu próprio pai,
lutar junto de Harry Potter. OPS! Aí estava o verdadeiro problema. Lutar junto
de Potter estava completamente fora de cogitação. Draco sabia que poderia
superar tudo, até mesmo treinar junto do estúpido Longbottom ou da
sangue-ruim. Mas, junto de Harry Potter, não! Isso era impossível.
Diante de seus pensamentos, Draco
viu-se sem saída. Tornando-se um Comensal, ele poderia ter o quê quisesse,
teria um poder incrível e poderia se transformar em grande servidor de
Voldemort – apesar de isso não o interessar exatamente. Por outro lado,
esquecer o destino que teria, junto da família Malfoy, e lutar ao lado de
Dumbledore, além de ganhar confiança, respeito e até a tão adorada admiração.
Esta era a escolha de sua vida. Era como escolher entre a vida e a morte.
Draco suspirou cansado, virando-se para o outro lado da cama e fechando os olhos. Sinceramente, ele não estava nem aí. Draco não estava preocupado em que lado escolher, se ele seria bom ou mal. Não. Draco estava somente preocupado em manter-se vivo. Seguiria seu caminho, tomaria suas decisões e tornaria seus desejos realidade. Sendo um Comensal ou não.

NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Entre os receios de Rony e Harry para o feriado junto das namoradas, sozinhos, o Natal chega enchendo de diversão e emoção a vida em família de cada um. Enquanto alguns recebem notícias chocantes, e que mudará extraordinariamente a rotina de muitos, outros iniciam um novo mistério - vozes e imagens na cabeça de Ametista. O que poderia acontecer quando tudo parece ir tão bem?
Descubra a decisão tomada por Sirius e a revelação de Arabella em "PRESENTES INESQUECÍVEIS"

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