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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
O
sentimento de vingança toma conta de Harry e seus amigos. Assim, após a seleção
daqueles prontos para lutar contra Voldemort, incluindo Neville Longbottom, Gina
beija propositalmente Draco, Harry joga-o no meio da torcida da Grifinória após
pegar o pomo de ouro e Ártemis e Snape propõe uma escolha a Malfoy: lute com
Dumbledore ou seu pai.
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CAPÍTULO VINTE E UM –
PRESENTES INESQUECÍVEIS
Hogwarts amanheceu coberta de
neve. Uma semana se passara. Preguiçosamente, os olhos castanhos de Hermione
abriram-se e admiraram o teto do dormitório feminino. Um ligeiro sorriso
despertou em seus lábios. Na noite passada, Rony havia comunicado-lhe que
poderia passar o Natal e o Ano-Novo em sua casa, junto de seus familiares, na
Toca. O costumeiro frio na barriga aterrorizou a jovem. Passar quinze dias junto
de seu namorado, no estágio do namoro deles. Se já andava difícil evitar um
contato maior em seus quartos na Torre da Grifinória, como seria na casa de
Rony?! Hermione sacudiu a cabeça levemente.
Assim que desceu para a sala comunal, encontrou uma cena inusitada. Harry
estava sentado no parapeito da grande janela, observando os jardins ocupados
pelos flocos branquinhos da neve, com um sorriso nos lábios. Apoiada em seu
peito estava Ametista, com a cabeça fazendo apoio ao queixo dele. Suas mãos
estavam dadas, os dedos de Harry alisando o peito da mão da namorada.
- Bom dia, srta. Dumbledore – disse Hermione, fazendo com que os dois
despertassem de seu transe e a encarassem com uma expressão divertida. – A
senhorita sabia que é proibido alunos de outras Casas permanecerem nas Torres
da Casa que não pertence?
- O monitor não me avisou de nada. – respondeu Ametista, tombando a
cabeça para o lado e rindo, ao mesmo tempo em que observava o rosto de Harry se
contorcer numa risada.
Hermione sentou no sofá ao lado da janela e cruzou as pernas,
infantilmente.
- E qual é o motivo de tanta alegria?
- Eu implorei ao Sirius que queria passar o feriado em Godric’s Hollow
– respondeu Harry, acomodando a cabeça de Ametista apoiada em seu peito. –
Parece que ele achou uma boa idéia arrastar a filha também. – Hermione
sorriu ao ver que os olhos azul-escuros de Ametista se contraíam, ameaçando um
sorriso.
- Então quer dizer que vocês vão rever a Prisma? – recordou Hermione
da elfo-doméstico da família Black. – Mande um alô para ela.
- Ficamos sabendo que você vai para a... Toba, sei lá, bem, eu não sei
qual o nome, mas para casa do Rony, não é? – indagou Ametista enrolando-se.
As bochechas de Hermione coraram.
- Toca, esse é o nome da casa do Rony – corrigiu a monitora. – Pois
é, ele me convidou.
Ametista beliscou Harry levemente. O namorado havia comentado sobre a reação
corporal no dia dos resultados da seleção dos alunos para o tal grupo de apoio
a Dumbledore. Um silêncio caiu sobre eles. Hermione pigarreou, notando que
estava corada, pela temperatura de seu rosto. Harry deu um beijo no topo da cabeça
de Ametista.
- Hum, Ametista, eu queria te fazer uma pergunta... – pediu Hermione e
ao ver o aceno da amiga, prosseguiu. – Você conversou com o Malfoy depois
daquele dia, sobre a tal escolha dele?
Harry coçou a mão levemente, olhando de esguelha para Ametista,
curioso.
- Quando foi que eu tive uma conversa decente com o Malfoy, afinal? –
debochou Ametista, suavemente aborrecida. – Na verdade, ele anda mais perverso
que nunca nesses últimos dias...
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- Do que você está falando?
- Você sabe muito bem do que estou falando. Ninguém me faz de besta ou
de idiota, entendeu? Se você quer que as coisas sejam do seu jeito, sinto
muito, mas está perdendo seu tempo.
Havia um resquício de aborrecimento na voz dele quando Gina parou para
reparar. Draco Malfoy e ela estavam ao lado do armário de vassouras no terceiro
andar. Gina havia saído da aula de Defesa Contra Arte das Trevas e ele de
Aparatação. Quando a garota estava a caminho da Torre da Grifinória, Draco
segurou seu braço e puxou-a para aquele canto ao lado do armário.
Com os braços cruzados, Gina fechou a cara e disse:
- O problema com você, Malfoy, é que tudo que você diz, para mim, é
mentira – falou, ficando nervosa. – Todo aquele papo de que você se sente
sozinho e que comigo não é assim, para mim, é mentira!
- Weasley, eu disse que não seria totalmente sincero com você! –
irritou-se ele.
- E quando foi que você disse algo verdadeiro, Malfoy? – Gina gritou.
Draco bufou nervoso. Gina descruzou os braços e bateu ao lado de seus quadris,
raivosa. – Eu nem sei o porquê dessa conversa, sinceramente...
Draco nada respondeu. Sua mente estava gritando que deveria tomar alguma
atitude, mas não conseguiu mover seus lábios. Estavam formigando.
- Escute, eu estou atrasada para Herbologia – disse Gina, suspirando.
– Se você quiser ter uma conversa válida comigo, aliás, sem motivo algum
pelo que vejo, me mande uma coruja, certo?
Os olhos acinzentados de Draco fitaram Gina e seus cabelos de fogo.
- Realmente, Weasley, você anda insensível. – debochou Draco,
retomando sua posição típica.
Gina estreitou sua visão.
- Você é patético, sabia disso?
- Oh! Ofensas, nossa, bom trabalho, Weasley! – elogiou falsamente o
monitor da Sonserina. – Você deveria aprender que, para conquistar um homem,
a última coisa que deve fazer é ofendê-lo.
- E desde quando eu quero conquista-lo, Malfoy?! – alterou-se Gina,
ficando vermelha de raiva. – As duas únicas coisas que sinto por você são
pena e nojo.
- Nojo, Weasley? – surpreendeu-se Draco, levantando suas sobrancelhas.
– O mais lógico seria que você não me beijasse se sentisse nojo por mim...
- Por que você não vai para o inferno?! – sussurrou Gina, soltando
seu ódio.
Draco permitiu que seus olhos cinzentos ficassem brilhantes de prazer.
- Eu estou no inferno quando estou perto de você, Weasley.
- Então, por que foi que você me puxou aqui?! Para ficar me
insultando?! Você, por acaso, é um sádico, Malfoy?!
Um sorriso desdenhoso surgiu nos lábios vermelhos de Draco. Os olhos de
Gina cresceram em fúria.
- Talvez eu goste mesmo do caminho mais difícil, Weasley – respondeu
ele. – Ou então prefiro o fogo ao gelo. Ou ainda, só ter o prazer de vê-la
se desmanchar por mim...
- Eu não estou me desmanchando por você, idiota!
- HEI! E era eu o mentiroso há poucos minutos atrás!
- EU TE ODEIO! – vociferou Gina furiosamente.
A garota do quinto ano saiu em disparada pelo corredor, cheia de ira.
Draco permaneceu onde estava, rindo discretamente. Porém, nada daquilo era
engraçado. Deveria apenas seguir o plano e se prender a ele. O problema era que
o plano parecia estar saindo de curso. E até que ouvir ofensas era divertido.
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A aula de Transformação Humana
estava maçante naquele final de tarde. Ametista e Hermione estavam juntas,
parecendo conseguir progresso com a redação que Sirius havia pedido. Harry
colocou o rosto apoiado em suas mãos sobre a mesa e encarou Rony, que parecia tão
perdido quanto ele.
- Eu já desisti, por que você ainda está tentando entender? –
indagou ele ao amigo, que encarava o pergaminho em branco em sua frente.
- Não estou – respondeu Rony, abaixando o pergaminho e fitando Harry.
– Estou pensando.
Harry esperou que Rony continuasse, curioso. Rony abaixou-se até Harry e
cochichou:
- É sobre Hermione – tomou um suspiro. – Sobre eu e Hermione.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Harry olhando Hermione sentada
com sua namorada.
- Não, não – afirmou Rony. – É só que... – Rony encarou a
namorada. – Eu não estou gostando dessa idéia dela na Toca, não vai dar
certo.
A testa de Harry franziu. Ele estava animadíssimo com a idéia de quinze
dias sem ninguém para ficar reparando, cochichando ou mesmo apontando, junto de
Ametista em Godric’s Hollow.
- Até onde você chegou com a Ametista? – perguntou Rony
repentinamente.
- Ah! Hum... – pensou Harry corando de leve. – Não muito longe, se
você quer saber. Digo, é sempre tão perigoso que alguém nos pegue aqui, o quê
até deixa as coisas com um sabor diferente, mas é difícil. E ela também não
cede. Acho que só consegui retirar o casaco dela uma vez, mas a blusa ainda
estava lá.
Os amigos riram. Harry olhou em volta. A sala de Transformação Humana
era simplesmente perfeita. Porém, dependia de ambos para tornar a situação
mais divertida.
- Mas por que você está perguntando isso, Rony? – indagou curioso.
– Você anda com problemas com Hermione?
Agora foi a vez de Rony corar. Suas orelhas ficaram bem vermelhas.
- Bem, eu e Hermione já namoramos há nove meses – lembrou Rony. – E
é claro que nove meses já é um bom tempo para amansar e amolecer as coisas
que antes eram meio complicadas – enrolou-se corando furiosamente. – A questão
é que, eu queria muito, e aliás, eu preciso muito, ficar sozinho com
Hermione por um tempo. Digo, nossas camas nos dormitórios são confortáveis,
mas é como você mesmo falou, é difícil. Afinal, nós nunca sabemos se alguém
vai entrar no quarto e pegar, sei lá.
- Para mim, a Toca parece ótima. – respondeu Harry, juntando as
sobrancelhas.
- Harry, você por acaso esqueceu que eu tenho mais seis irmãos? –
aborreceu-se Rony. – Sem contar que no Natal, sempre vem a família em peso,
sabe. Aparecem primos de todos os lugares, gente que eu nunca vi e que se diz
meu parente. Não vou ter um segundo de sossego com ela!
- Eu poderia convidar vocês para ficar uns dias em Godric’s Hollow...
- Não, não vai dar certo. Já falei com a velha – disse Rony
referindo-se a sua mãe. – Se eu chegar agora e dizer que vou passar uns dias
em Godric’s Hollow, ela não vai deixar.
Ficaram em silêncio, pensativos. Harry estava mordendo o lábio e Rony
encarando Hermione de longe, franzindo a testa, chateado.
- Até onde você já foi com a Hermione? – perguntou Harry
subitamente.
Paralisando levemente, Rony encarou Harry. Era seu melhor amigo. Aquela
era a primeira conversa sobre garotas, uma real conversa. Certamente, não
falaria de algo como aquilo com seus irmãos ou seu pai, então Harry parecia a
melhor opção.
- Longe, meu amigo – riu Rony, colocando confiança em Harry. – Eu já
pude tirar mais do que o casaco dela, pode ter certeza – os olhos de Harry se
arregalaram, fingindo estar surpreso. – É bem diferente quando não é você,
se você me entende?
Ambos caíram na risada. Sirius encarou-os austero e fez cara feia para
Harry e Rony. Os garotos disfarçaram e abaixaram o volume de suas vozes.
- Você tá falando sério? – indagou Harry radiante.
- Melhor do que isso, Harry – continuou Rony num tom estimulado. –
Você ver a expressão de realização nelas é maravilhoso – contou. – Foi
incrível quando eu e a Hermione, bem...
- Vocês ainda não...
- Não! – negou Rony, agora num tom amolado. – E é por isso que eu
necessito de um tempo só com ela. Está difícil controlar, Harry. E eu sei que
para ela também está.
- Então é isto que tá te incomodando... – deduziu Harry. – Vendo
as coisas assim, eu não quero perder tempo!
Rony e Harry soltaram gargalhadas. E ouviram Sirius aproximar-se.
- Só porque sou eu o professor, acha que lhes dou o direito de não
fazerem nada na minha aula? – perguntou o professor aborrecido. – Menos
cinco pontos para a Grifinória! – anunciou Sirius.
Os amigos se entreolharam, nem um pouco incomodados, e continuaram a
conversa. De longe, Hermione e Ametista encaravam os namorados.
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A criatura pequenina veio
correndo em sua direção, em disparada. Trajava um vestidinho verde-claro que
estava queimado na região do ventre. Seus grandes olhos estavam arregalados e
suas perninhas moviam-se ligeiras até a jovem.
- Minha senhorita! – gritou Prisma, agarrando-se nas pernas de Ametista
mais uma vez. – Quatro meses, minha senhorita! Prisma sentiu muito a falta de
todos vocês!
Harry sorriu, deixando sua mala no chão. Recordou a cena idêntica em
julho, quando Prisma fez exatamente o mesmo movimento na direção de Ametista.
Amarrou-se as pernas dela. E lá estava a elfo-doméstico fazendo novamente.
Harry colocou seus olhos verdes em Prisma e eles fugiram para as pernas de
Ametista, precisamente como em julho.
- Prisma, solte Ametista e venha nos ajudar, sim? – ordenou Sirius com
as bochechas vermelhas, carregando o peso.
A elfo imediatamente largou Ametista e correu para ajudar Sirius e
Arabella. Na verdade, a viagem havia sido cruel para a mestra. Arabella não
estava se sentindo bem e passou a viagem toda enjoada. Harry virou-se para trás
e encontrou-a apoiando-se no batente da porta, com a mão na barriga. Sirius
estava ao seu lado. Assim que ela colocou um pé dentro do casarão, Prisma
entrou velozmente, atropelando a mala de Harry e dizendo:
- Senhorita, deite! O quarto já está pronto, deite e Prisma lhe fará
um chá!
O semblante levemente verde de Arabella concordou e devagar, com a ajuda
de Sirius, subiu até seu quarto. Enquanto isso, Harry e Ametista fizeram o
mesmo, checando seus dormitórios para aqueles quinze dias. Dessa vez, os
quartos davam um para frente do outro no corredor. Ametista encontrou tudo tão
azul quanto antes no seu. Suspirando contente, tentando esquecer que dali duas
semanas voltaria para o frio dormitório da Sonserina, nas masmorras, sentiu
Harry abraçá-la pelas costas.
Dando um beijo em seu pescoço, disse:
- Então esse é o nosso quarto.
Ametista franziu a testa e tombou sua cabeça para observar a expressão
divertida de Harry.
- Deixe meu pai ouvir isso – disse ela. – Bom, temos de admitir que
será quase como era no ano passado na Torre da Grifinória.
- Sim, só que naquela época eu não tinha vontade de dormir junto de
você. – respondeu Harry num tom rouco.
Seguidamente, ouviu Ametista engolir em seco. Harry tinha pensado muito
desde a conversa súbita com Rony. E tudo era bem verdade. Dezesseis anos e ele
ainda não tivera muita chance junto de Ametista. Por tantas vezes naquela sala
de Transformação Humana ele teve de se segurar para não exceder os limites.
Agora, em Godric’s Hollow, sem ninguém por perto, certamente Harry iria
tentar domar a fera que estava naquele exato momento em seus braços.
- Parece que teremos de tomar muito cuidado, então.
Harry tomou um susto. Ametista estava encarando-o com uma expressão
maliciosa e perigosa. Seus olhos azuis faiscavam, cheios de diversão. Aos
poucos, um sorriso foi surgindo nos lábios dela. Harry não soubera se aquilo
era verdadeiro ou não, mas também não se importou muito. Tinha a plena
certeza de que, quando pudesse conseguir mais liberdade com Ametista, ela não
resistiria.
- Que vocês estão fazendo parados aí? – perguntou Sirius encostado
na porta do quarto de Ametista com um aspecto ofegante. – Preciso de ajuda com
o resto das coisas, vamos lá! – chamou, batendo na cabeça de Harry logo
depois que ele passou na porta atrás de Ametista. Harry virou-se para trás e
franziu a testa para Sirius. O homem lançou-lhe um olhar assustador. Ele havia
ouvido.
Enquanto isso, no quarto ao final do corredor, Arabella estava deitando
na cama novamente com a face cansada e um gosto horrível na boca. Ouviu quando
Prisma saiu do banheiro, apertando a descarga do vaso onde a mulher havia
acabado de vomitar. A elfo-doméstico agitou as mãos no vestidinho verde e
parou ao lado da cama de Arabella. A mulher estava pálida, seus lábios muito
vermelhos e seus olhos cheios de água. Prisma aproximou-se e passou a mão
sobre o cabelo negro da mulher.
- Desde quando a senhorita sabe disso?
Arabella desfranziu a testa ao encarar Prisma e seu olhar piedoso.
Imaginou que a elfo já havia passado por isso antes, já havia visto outras
mulheres passarem pelo mesmo problema – se poderia chamar aquilo de problema.
- Três semanas – respondeu com a voz fraca. – A enfermeira de
Hogwarts me disse que tem exatas quatro semanas, um mês completo.
- A senhorita não está feliz? – perguntou Prisma curiosa, com um leve
sorriso nos lábios.
- É claro que estou, Prisma! – afirmou Arabella com veemência, seus
olhos brilhando fortemente. – Eu sempre quis ter um filho. Mesmo até quando
minha situação com David não estava das melhores... – recordou dolorosa.
– Mas não sei se é uma boa idéia no momento.
Prisma subiu na cama com dificuldade, por conta de suas pequenas pernas.
Suas orelhas levantaram ligeiramente, mostrando-se surpresa.
- E por que não seria, senhorita? Meu senhor sempre amou crianças –
justificou Prisma com seus grandes olhos verdes. – E a senhorita também já
imaginou como meu senhor reagirá ao saber que, bem, que o filho... – Prisma
encarou Arabella incerta. – A senhorita tem certeza de que o filho é dele,
certo?
A face de Arabella abriu um sorriso incomodado.
- Duvido que alguém queira mais uma vez destruir a vida de Sirius,
Prisma – respondeu ela em relação a Voldemort. – É claro que o filho é
dele.
A elfo suspirou ansiosa, ficando de quatro na cama, subindo quase sobre
Arabella.
- Então não há o que temer, senhorita! – gritou ela explodindo em
felicidade. – Conte logo ao meu senhor! Uma criança trará muita alegria a
esta casa, trará muita alegria a Prisma!
Arabella sorriu agora completamente. Em seguida, encarou a própria
barriga e passou a mão delicadamente, fechando os olhos. Um ser estava
crescendo dentro dela. E, se tudo corresse bem, seria uma criança feliz. Com o
melhor pai do mundo.
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- Rony disse que a mãe dele
convidou todos nós para passarmos o Natal na Toca – disse Harry, segurando a
carta numa mão e fazendo carinho no pescoço de Píchi com a outra. – Que vocês
acham?
Ninguém respondeu. Encarando Ametista e Sirius, reparou que nenhum deles
estava prestando a mínima atenção nele. Os dois estavam sentados numa das
grandes poltronas daquela sala, bem perto da lareira, abraçados. Ametista
estava com a cabeça apoiada sobre o peito do homem, com os olhos fechados,
apesar de não estar dormindo, e escutando o coração dele bater calmamente, no
mesmo ritmo que o dela. Sirius observava-a atentamente, com uma mão envolvendo
suas costas, e a outra segurando uma boneca de pano, bem velha, entre os dedos.
Harry sorriu com os lábios fechados. Quando ele poderia imaginar uma
cena como aquela? Parecia algo surreal, um sonho muito impossível. De repente,
uma sensação de tristeza passou pelo seu coração. Não era ele ali. E não
era Tiago Potter em vez de Sirius Black. Muito menos qualquer um que tivesse seu
sangue. Ou que havia amado-o tanto quanto seus pais haviam ou ainda amavam,
mesmo de muito longe.
- Isso não é verdade, Harry.
O jovem virou-se para trás. Já era noite e a sala estava bastante
escura, mas não o necessário para Harry não identificar sua madrinha. Naquele
primeiro e curto dia em Godric’s Hollow, Arabella havia ficado na cama e
somente agora pareceu estar pouco mais fortalecida para caminhar pela casa.
Usando um vestido – na verdade, uma camisola – comprido, na altura pouco
abaixo de seus joelhos, de um tom escuro. Harry preferiu não dizer nada e
seguir Arabella para o lado de fora da casa. Assim que colocaram suas cabeças
para fora da casa sentiram o tremendo frio daquele começo de noite de inverno.
Seus pés estavam envolvidos por um chinelo e Harry gelou assim que notou quando
Arabella tocou a grama com os pés descalços, sendo que ele já estava cheio de
arrepios. Um vento persistente agitava os cabelos escuros de Harry e de sua
madrinha.
- Você leu meus pensamentos sem estar me encarando, Bella? – indagou
Harry agora que estavam longe de Sirius e Ametista, dentro da casa.
Arabella continuava muito pálida e com os lábios bem avermelhados.
- É uma espécie de poder que eu tenho com certas pessoas – respondeu
ela, olhando o horizonte. – Somente as pessoas que eu amo com todo meu coração.
Harry permaneceu encarando a madrinha. Estranhamente, havia algo nela que
não a permitia ser totalmente sincera com ele naquele momento. E isto o
incomodou.
- Que foi que aconteceu? – perguntou repentinamente.
Finalmente, a madrinha parou de encarar o céu e o vilarejo de Godric’s
Hollow para focalizar seus olhos negros em Harry.
- Estou grávida, Harry. – disse ela de uma vez só.
Imediatamente, os olhos de Harry se arregalaram e ele perdeu a respiração.
Rapidamente, correu sua visão até a barriga da mulher e notou que estava
exatamente da mesma forma que antes. Ela estava grávida! Aos poucos, sua
respiração foi voltando ao normal e suas pálpebras pararam de tremer com
tamanha surpresa. Um presente extraordinário para Sirius. Para todos eles.
- Isso é maravilhoso, Bella! – exclamou ainda chocado.
- É mesmo, não é? – respondeu com a voz trêmula, levando os braços
até o tórax e protegendo-se do intenso frio daquela noite. – Você acha que
Sirius irá gostar de saber?
- Gostar?! Gostar?! – repetiu gaguejando, ainda surpreso. – Sirius irá
pular que nem um louco pela casa toda! Tenho certeza disso!
- E você?
- Eu? – estranhou Harry, sem entender muito velozmente. – Oh! Eu me
sentiria muito feliz de ter um bebê na família, é muito especial –
respondeu o jovem. – Seria como se eu estivesse ganhando um irmão ou coisa
assim.
Os olhos de Arabella intensificaram o brilho que já estavam neles desde
o princípio.
- Irmão, Harry?
As bochechas dele coraram.
- Eu fui idiota naquela hora, Bella – disse ele convicto. – Posso não
ter mais meus pais junto de mim, mas sei que vocês são o mais próximo que eu
poderia conseguir. Vocês são como verdadeiros pais. E sei que me tratam como
um filho.
Lentamente, Arabella tocou o rosto de Harry com muita emoção. Harry não
sabia se era por causa da gravidez ou por ela andar muito sensível, mas
Arabella estava chorando. Somente naquele momento, ambos notaram que Harry
estava bem mais alto que ela, e que amadurecera com todas as provações de sua
vida. Dando um leve sorriso, Arabella fixou seus olhos nos de Harry, com muita
ternura.
- Sirius e eu te amamos como um verdadeiro filho, Harry. Nós te amamos
demais, amor. – disse ela, ficando na ponta de seus pés e beijando a testa de
Harry com muita delicadeza.
A noite ficou muito mais fria, porém muito mais agradável para ambos
quando se uniram num abraço, como um abraço de mãe e filho. E Arabella pôde
ler novamente, sem encará-lo, que Harry estava mais uma vez agradecendo sua mãe
por ter Arabella e Sirius. E isso era o bastante.
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Ajeitando o cachecol avermelhado
envolta do pescoço, Ametista tossiu fortemente. Sirius olhou feio e resmungou
qualquer coisa para Arabella, que lhe lançou um olhar notavelmente aborrecido.
A garota andava há três dias com uma forte tosse, por conta das baixas
temperaturas daquele inverno. E Sirius odiava quando alguém ficava doente perto
dele, mesmo que a doença já estivesse deixando o corpo dela.
Harry passou um de seus braços pelas costas da namorada e beijou o topo de sua
cabeça. A ventania estava piorando e a neve caía lentamente. Então, a porta
abriu.
- OH! Pensei que vocês não viriam mais! Enttrem, entrem!
Sirius e Arabella cumprimentaram a Sra. Molly Weasley. Ainda gorducha e
baixinha, com as bochechas rosadas e a mesma voz esganiçada, a “velha” –
como era atualmente chamada pelos seus filhos – comandante da família Weasley
abria as portas da Toca para Harry e sua família. Antes que ele entrasse, deu
passagem para Ametista. Porém, a garota paralisou. Molly encarava-a um tanto
severa.
- E quem exatamente é você?
Engolindo em seco, Harry sabia que Ametista não gostava de ser amolada,
principalmente por desconhecidos. Assim, antes que ela pudesse dar uma resposta
atravessada para a mãe dos Weasley, disse:
- Esta é a Ametista, Sra. Weasley – apresenntou Harry, dando um passo ao lado
da garota. – Tenho certeza que Rony já deve ter mencionado...
- Sim, sim – Molly fez questão de sorrir paara Ametista, que não retribuiu a
gentileza. – Você é bem-vinda em nossa casa, Ametista.
A jovem agradeceu desajeitada com a cabeça e adentrou rapidamente. Harry,
acompanhando-a, arregalou os olhos assim que notou como a Toca estava entupida
de gente. Bem que Rony havia comentado com ele sobre a quantidade de pessoas que
aparecem nas datas festivas, principalmente o Natal.
- Eu nunca vi tantas cabeças vermelhas em ttoda a minha vida antes. –
sussurrou Ametista no pé do ouvido do namorado.
De fato, eram inúmeros ruivos espalhados pela cozinha, pela sala de estar, por
todos os cantos da pequena e singela casa dos Weasley. Entretanto, podia-se
notar muitas cabeças loiras ou morenas também no meio da multidão. O falatório
era alto e os sons confundiam-se com a enorme e ligeiramente irritante música
que saía daquele aparelho estranhíssimo, localizado num dos cantos – aliás,
o único a vista – vazio.
- Alô Harry! – alguém tocou o ombro do joveem e cumprimentou-o. – Como
andam as coisas?
Ametista franziu a testa imediatamente ao cruzar os olhos naquela figura
interessante. Era Gui Weasley, o mais velhos dos sete irmãos, com o mesmo
rabo-de-cavalo e os brincos longos pendurados nas orelhas. Ao lado dele, estava
Carlinhos Weasley, o segundo na escadinha de filhos, com a pele levemente corada
de sol. A garota virou a cabeça para conter a surpresa e avistou um rosto
conhecido, deixando Harry e seus companheiros para trás.
- Normais – respondeu Harry, vendo Ametistaa sair de seu lado. – E vocês?
- Levei Carlinhos para passar dois meses noo Egito comigo e o cara decidiu que
quer ficar por lá – riu Gui, batendo nas costas do irmão. – Acho que foram
os olhos negros das mulheres que o hipnotizaram, se é que você me entende.
Os três riram e Carlinhos soltou um muxoxo.
- Romênia estava muito fria para o meu gostto – respondeu o jovem, ajeitando o
casaco e mostrando as marcas vermelhas no pescoço. O trabalho com dragões
parecia muito perigoso na visão de Harry. – Cansei das loiras sem cor alguma,
quero as bronzeadas, afinal, um sol não faz mal a ninguém, não acha?
- Hei! E por falar em mulheres, quem era a gatinha junto com você? –
perguntou Gui, piscando para Harry.
Contudo, Harry não gostara nada do comentário e franziu a testa. Fechando a
cara levemente, mas sem deixar transparecer um certo ciúme, respondeu:
- Aquela é a neta do Dumbledore – sua voz eestava mais séria. – É a minha
namorada.
Carlinhos deu uma cotovelada sutil no irmão e encarou Harry com uma expressão
divertida.
- E nós que imaginávamos que somente o Roniiquinho havia crescido – debochou
Carlinhos. – Ela é bem bonitinha, Harry, parabéns! Eu só espero que somente
você tenha percebido isso.
Harry não entendeu o quê Carlinhos dissera com aquilo e esperou até que Gui
indicasse com a cabeça para a cena logo atrás deles. Ametista estava no oposto
da sala conversando com Olívio Wood. E aquela sim era uma cena que não o
agradou em absoluto.
Repentinamente, passou novamente os braços pelas costas de Ametista e abriu um
sorriso vitorioso. Sim, ele era Harry Potter e tinha a garota mais linda da
festa ao seu lado, em sua opinião. E não seria um jogador de quadribol
qualquer que tomaria a atenção dela.
Enquanto isso, perto da escada que levava para os quartos, Hermione estava
conversando animadamente com Gina e mais dois garotos.
- É impressionante mesmo como esse mundo é pequeno – disse Gina, sorrindo.
– Quem diria isso? Então, você é amigo de Cole.
- Quem é amigo de quem? – perguntou Rony, cchegando da cozinha com dois copos
na mão para ele e Hermione.
Gina indicou com a cabeça o jovem à frente. Era Julian Hawking, o sextanista
da Lufa-Lufa que participou da seleção para o grupo de extermínio da Era do
Terror. Os olhos muito azuis faziam um belo conjunto com o cabelo arrepiado e
negro. Ao lado de Julian estava Cole Weasley, um dos primos de primeiro grau de
Rony, tão ruivo e alto como o parente, mas com menos sardas que Rony.
- Hum... eu me lembro de você – respondeu RRony, olhando torto para o garoto,
sem saber bem o porquê. – Mas você não tem família para passar o Natal, não?
Hermione e Gina arregalaram os olhos diante da grosseira de Rony com Julian. O
jovem, contrariando suas expectativas, respondeu:
- Eu tenho sim, mas eles preferiram viajar a passar o Natal comigo.
Um certo silêncio abateu-se na roda. As garotas trocavam olhares incomodados
entre si e Cole, enquanto Rony encarava com certo arrependimento Julian.
- Não precisam ficar desse jeito – disse o garoto, sorrindo levemente. – Eu
já me acostumei.
Rony engoliu em seco, olhando para seus pés, envergonhado, e sentiu alguém
bater em suas costas. Tornando-se para trás, encontrou Harry e Ametista.
- Que diabos está acontecendo nesse lugar? – brincou Harry, em relação ao número
de convidados.
Todos da roda riram, quebrando a tensão. Logo depois, Cole foi apresentado a
Harry e Ametista, e depois puxou Julian e Gina para longe dali. Rony indicou a
escada, pedindo que os amigos o acompanhassem. Assim que chegaram ao dormitório
– “muito alaranjado para o meu gosto”, pensou Ametista – os garotos
sentaram pesadamente sobre a cama do alto e sardento jovem.
- Papai disse que talvez o Ministro apareçaa por aqui. – disse Rony sem dar
muita importância.
- Quê? – surpreendeu-se Harry. – Cornélio FFudge vem fazer o quê aqui?
- Eu tive a mesma reação que você, Harry – interrompeu Hermione, sentando
na cama à frente de Rony, com a cara emburrada. – Ele não está dando a mínima
para isso, e depois fica se lamentando pelos cantos que a família não conta
nada a ele – resmungou a monitora, dando um gole em seu ponche. – Também
achei muito estranha uma posição dessa...
Ametista esgueirou-se até a janela do quarto e olhou o jardim que rodeava a
Toca. Alguns flocos de neve começavam a cair do céu.
- É bastante óbvio – disse ela. – Espionar.. Afinal, que mais ele faria
aqui, no antro dos “amiguinhos” do meu avô? – a garota encarou os três
colegas e franziu a testa assim que notou uma certa tensão entre Hermione e
Rony. – Hermione, você pode descer um instante comigo? – pediu, olhando
seriamente para Harry.
A garota não pensou duas vezes e escancarou a porta, batendo-a contra a parede.
Ametista a seguiu. Assim que ambas deixaram o dormitório, Harry fitou Rony.
- Vocês brigaram de novo?
- Não é nem um pouco legal isso que vou te contar, Harry – disse Rony,
passando a mão pelo cabelo ruivo e suspirando. – Eu disse a você que
precisava de um tempo com Hermione, certo? Eu consegui! – comemorou
desajeitado. – Só que nós não esperávamos que Gina e Carlinhos voltassem
mais cedo do passeio deles com o resto do pessoal – suspirou novamente. –
Estava ótimo, juro para você, mas até eles entrarem no quarto e nos pegarem
quase sem roupa nenhuma.
- O QUÊ?! Eles pegaram vocês?! – gritou Harrry chocado.
As bochechas de Rony coraram ferozmente, assim como as orelhas.
- Sorte a nossa que estávamos cobertos e quue ainda não tínhamos ido muito
longe – aliviou-se Rony. – Agora, Hermione disse que não quer deixar pista
alguma de que estamos avançando no namoro – resmungou nervoso. – Claro que
Gina e Carlinhos não falaram e nem falariam nada aos meus pais ou ao Fred e o
Jorge, que seria bem pior, mas ainda assim, ela está achando que não é a
hora.
- Cá entre nós, você não acha que está presssionando, não?
Rony fitou Harry aborrecido. Levantando
da cama do melhor amigo, Harry seguiu para o andar de baixo. Rony, por sua vez,
suspirou e refletiu por um segundo. Se havia esperado por isso há mais de anos,
por que não esperar mais algum tempo?
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Aos olhos de Hermione, cada vez
mais, a mágica parecia fascinante e surpreendente. Sentada num banco ao lado de
uma árvore do jardim da Toca, junto de Ametista, assistiu o Sr. Weasley e Percy
montarem uma verdadeira tenda avermelhada que cobria e protegia os convidados
que se sentariam numa comprida mesa – aliás, gigantesca para comportar aquela
multidão – para a ceia ser realizada. Olhando para o céu, notou que Gui,
Fred e Jorge – pendurados naquela mesma árvore – estavam projetando suas
varinhas sobre a tenda e fazendo com que um tipo de sistema de aquecimento
tomasse conta daquela região tão fria. Fora da tenda, onde Hermione estava, a
neve estava caindo ligeiramente calma, sem pressão nem ferocidade.
- Natal é mesmo uma data maravilhosa, não aacha? – indagou a Ametista, que
permaneceu silenciosa. – Ametista?
A garota pareceu despertar brevemente de um transe e encarar Hermione.
- Você não sente falta dos seus pais?
- Ah, bem, é claro que eu sinto – respondeuu Hermione quase que incerta. –
Mas é estranho estar com eles às vezes. Digo, eu descobri que a mágica é uma
parte de mim. E por outro lado, meus pais não têm idéia das maravilhas dessa
parte minha porque eles desconhecem esse mundo. Então, estar com bruxos a minha
volta parece ser tão familiar quanto estar com meus pais.
Tossindo com a mão na frente da boca, Ametista assistiu agora Harry e
Rony ajudarem Jorge a trazer a grande mesa sob a tenda. Repentinamente, um frio
intenso caiu sobre ela e sentiu-se como se estivesse sendo atacada por um
dementador. O coração passou a bater mais devagar e era como se uma outra
pessoa estivesse ditando as palavras que seriam ditas por ela logo em seguida.
Sua respiração se foi assim que imagens negras e escuras se formaram em
seus olhos e em sua mente. Eram homens, eram mulheres, eram gritos de pavor.
Ametista não conseguia controlar seus pensamentos e sentiu como se alguém
sussurrasse as frases em seu ouvido mais uma vez. Levemente tonta, fechou seus
olhos e os arregalou em seguida, tentando clarear sua mente daquelas imagens
horríveis. Quando começou a falar, sua voz soou estranha e quase masculina.
Sues pulmões começavam a pedir oxigênio. Porém, não era ela quem estava
falando. Era apenas uma mensageira.
- Você já sentiu que – Ametista deu uma pausa. – Que as coisas que
você tanto ama vão escapar dos seus dedos? – Hermione agitou a cabeça
negativamente. – Eu não sei bem o porquê, mas acho que alguma coisa ruim vai
acontecer logo, e eu vou ser puxada por essa força maligna – encarou Hermione
inquieta. – Sei que parece estranho, mas é como se eu tivesse a certeza de
que a luta contra o meu destino será eterna, como se eu, sentada nesse banco,
comemorando meu Natal com essas pessoas, estivesse desafiando meu próprio
destino.
Hermione estava com os olhos arregalados. Aquela não parecia ser
Ametista em absoluto. Suas pupilas estavam dilatadas e não piscava os olhos
desde que se sentou naquele banco. A pele pálida e a voz grave e rouca davam a
impressão de que um homem falava por meio dela.
- Ametista, do que você está falando? – perguntou ansiosa.
A jovem nada respondeu. Depois de seguidas tentativas, Hermione levantou
do banco e apertou os braços de Ametista entre seus dedos, chacoalhando-a para
que ela acordasse daquele transe. Contudo, Ametista não reagia e continuava com
a expressão avoada e séria, sua boca ligeiramente entreaberta, como se
estivesse respirando por ela.
Após alguns segundos aflitos, Ametista, finalmente, piscou seus olhos e
encarou Hermione assustada. A voz se fora, assim como as imagens assustadoras.
Sem dizer nada, a amiga soltou os braços dela e ergueu-se nervosa, sem
compreender o quê havia acontecido. Ametista, então, tomada por um forte
impulso, levantou do banco e rapidamente caiu de volta, sentada. Hermione
encarou-a e Ametista piscou os olhos inúmeras vezes, arregalando-os de vez em
quando.
Falar novamente fora extremamente para a jovem, que estava levemente
enrolando a língua. As palavras estavam duras de serem pronunciadas.
- Te...tem alguém aqui, Hermione? – perguntou Ametista, com a fala
torcida. A amiga respondeu que não. – Eu estou tonta – mais um silêncio e
os olhos corriam dentro dos globos de Ametista freneticamente de um lado ao
outro. – Tinha alguém aqui. Eu sei que tinha.
- Quem? – Hermione franziu sua sobrancelha preocupada.
- Eu não sei – respondeu num tom perdida e confusa. – Alguém
invadiu meus pensamentos. Estava me controlando.
Hermione largou Ametista e observou todos os cantos possíveis daquele
jardim de onde estava. Não havia nada de incomum, ou alguém que a
surpreendesse. Voltando o olhar para Ametista, notou que seu semblante voltava a
cor normal e que, arregaçando as mangas de seu casaco, percebeu que a cicatriz
que ela possuía no antebraço – originada no Pactum Sanguinis – estava
intensamente vermelha.
Ametista levantou a cabeça e fitou Hermione. Seus olhos estavam receosos.
- Que foi que eu falei para você? – perguntou, recordando as imagens
negras e aterrorizantes que povoavam sua mente enquanto ouvia uma estranha voz
sair de sua boca há poucos minutos atrás.
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Com o suave som do garfo batendo
na taça, o burburinho da comprida mesa silenciou-se.
- Queria agradecer a todos que estão aqui ppresentes – levantou-se o Sr.
Arthur Weasley e dizia. – Nossos familiares, nossos amigos, nossos
companheiros de anos e anos de cumplicidade – muitos levantaram suas taças em
agradecimento. – Acho realmente importantes estas datas e reuniões em que
podemos rever todos aqueles que amamos e que queremos tão bem. Principalmente,
na atual situação do nosso mundo – os convidados iam se olhando e sorrindo
um ao outro. – Fico satisfeito de ver que todos estão empenhados em vencer
esta batalha e reconquistar a paz tão merecida. E queria deixar bem claro que
continuo com a mesma posição de anos atrás, quando disse aqui, pela primeira
vez, que amo minha esposa e meus filhos, vocês sabem que são tudo para mim –
cada um dos sete filhos de Molly e Arthur encararam os pais emocionados. – E
agora, vamos comer logo de uma vez! AH! E FELIZ NATAL A TODOS!
Todos que estavam na mesa gritaram vivas ao dono da Toca e brindou a mais um
Natal com todos reunidos.
Naquele momento, Ametista sentiu uma mão se sobrepor a dela e sorriu. Olhando
para o lado esquerdo, encontrou Harry fitando-a com carinho. Era incrível como
tivera certeza do que ele estava pensando naquele exato instante. Assim, Harry
se inclinou até ela e sussurrou em seu ouvido:
- Meus pais podem não estar aqui, mas você está.
Ao observá-lo, seus olhos estavam marejados. Harry sorriu levemente ao
notar que Ametista pensara exatamente a mesma coisa. A garota levantou uma de
suas mãos até o rosto dele e o acariciou. Harry aproximou-se e deu um selinho
na namorada. Quando abriu seus olhos, Ametista piscou para ele e virou-se para
Rony.
- Você poderia fazer um favor para mim, Rony? – o jovem fez uma careta
descontente. – Ah! Vai! Pelo espírito natalino! – enquanto Ametista fazia
um bico infantil e nada típico dela, Rony concordou. – Certo, Weasley, eu vou
precisar de uma pena e um pergaminho – pediu logo de uma vez, com a sua voz ríspida
de sempre. Rony fez outra careta. – E um lugar, eu só preciso escrever uma
coisinha.
Harry achou estranho, mas deixou que Ametista desaparecesse junto de Rony
para dentro da Toca. Assim que o amigo permitiu que ela usasse sua pena e um de
seus pergaminhos, deixou-a sozinha em seu quarto. Ametista olhou para o
pergaminho em branco e suspirou. Estava na hora de dizer alguma coisa. E começou.
Relendo a carta novamente, Ametista suspirou. Severo Snape significava
muito para ela e, desta vez, seu orgulho não seria maior do que isto. E não
havia ocasião melhor que o Natal para mandar uma carta como aquela para ele.
Afinal, sua casa e de Severo em Godric’s Hollow ficava acolhedora nos Natais.
E Ametista sentia falta de Natais como aqueles, mesmo que fossem somente os
dois.
Assim que amarrou a carta na perna de Edwiges – “Harry não
reclamaria, certo?” – e abriu a janela do dormitório de Rony para a
bela coruja branca viajar em paz até Hogwarts, Ametista encostou-se à cadeira
e olhou o céu, enquanto os flocos de neve preenchiam todo o jardim envolta da
Toca. Engolindo secamente, Ametista tomou uma expressão preocupada. Que imagens
eram aquelas? E de quem eram aqueles gritos? Como alguém pôde ler seus
pensamentos e fazê-la dizer aquelas coisas sem sentido que Hermione repetira
para ela? Havia alguma coisa acontecendo e Ametista não queria arriscar. Se
acontecesse novamente, ela contaria para quem fosse. Não daria chance a alguém.
Alguém como Voldemort.
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- Poderia pedir um momento de
atenção a vocês? – gritou Sirius, levantando-se de sua cadeira e chamando a
atenção de todos naquela mesa. – Prometo que não interromperei por muito
tempo a mutilação do coitado do bicho. – brincou, fazendo todos rir, fazendo
menção ao peru quase inteiramente devorado.
Olhando para trás, assistiu Ametista caminhar até a mesa. Deu um
sorriso a filha, que se sentou ao lado de Harry, como antes. Encarando cada um
da mesa e deixando sua taça de vinho sobre a mesa, Sirius pigarreou. Tomando
uma quantidade maior do que a normal, ele clareou sua garganta mais uma vez e
disse:
- Como todos vocês sabem, eu passei por alguns bocados nessa vida –
riu ele com simpatia aos convidados, que riram junto dele. – Até o ano
passado eu ainda sofria muito com os erros do passado, mesmo que alguns deles eu
não tenha cometido – e outros riram, lembrando de sua prisão injusta em
Azkaban. – Então veio meu julgamento e eu pude me livrar de um de meus erros.
Mas, tenho que agradecer a todos pelo apoio que me deram e também pelo ano
maravilhoso que muitos de vocês estão me proporcionando – Sirius piscou para
Ametista e Harry, que sorriram com as bochechas rosadas. – Só que há alguém
que representa quem eu sou verdadeiramente, quem eu nunca deixei de ser, mesmo
nesse doze anos em Azkaban – naquela altura, todos já estavam encarando
Sirius interessadíssimos. – E esse alguém eu queria que estivesse sempre
comigo.
Um silêncio total abateu-se sobre a mesa. A neve caía do lado de fora
da tenda enquanto todos esperavam para o quê Sirius teria a dizer em seguida.
Colocando a mão dentro de seu casaco, Sirius retirou uma caixa
transparente, do tamanho de sua mão, que era delicada e parecia mais um
diamante. Muitos arregalaram os olhos, outros apenas soltaram alguma expressão
de surpresa. E foi dessa forma, naquele segundo, naquele Natal, que Sirius
ajoelhou-se no chão e tornou-se a direção de uma bela mulher, dizendo:
- Arabella, quer casar comigo?
Imediatamente, Arabella arregalou os olhos e segurou a respiração. A
imagem de David fazendo aquele mesmo movimento diante dela há anos atrás
surgiu em sua mente. Tremendo de cima a baixo, a mulher não conseguiu responder
nada. Sirius estava pedindo-a em casamento?
Soltando sua respiração aos poucos, foi permitindo que a feição de
David fosse substituída pela de Sirius lentamente. E estava sendo como num
sonho. O homem que ela sempre amara estava pedindo para que fosse sua esposa
para o resto da vida. O coração pareceu disparar e querer sair de dentro de
seu peito. Sirius estava belo, naquele terno azulado e com os olhos totalmente
concentrados sobre ela, expressando uma paixão nunca vista antes.
Antes mesmo que ela pudesse pensar, Sirius estava encarando-a e forçando-a
a ler sua mente. E aquilo fora o bastante. Arabella sorriu ao encarar o homem e
respondeu:
- Eu quero, Sirius.
Sirius levantou-se do chão e abriu a caixinha, mostrando uma aliança de
noivado, com um rubi rodeado de diamantes. Arabella permitiu que ele colocasse o
anel em seu dedo e em seguida, beijaram-se. Todos levantaram de suas cadeiras e
aplaudiram emocionados. Harry encarou Ametista e ela estava com os olhos cheios
de água novamente, apertando sua mão com uma intensidade incrível. Mirando-a,
imaginou quando ele faria uma cena como aquela. E passou a divagar sobre um
futuro ao lado daquela garota.
A noite passou rápida. À meia-noite, todos se cumprimentaram e
despediram-se, voltando as suas casas. Arthur e Molly ainda tentaram convencer
Sirius e Arabella a não voltarem tão tarde para Godric’s Hollow, mas eles
preferiram. Enquanto isso, Harry e Ametista despediam-se de Hermione e Rony.
Parecia que eles haviam se entendido novamente. Era definitivamente o espírito
natalino. Porém, nem tanto, tratando-se de Ronald Weasley.
- Ah, vai me dizer que agora vai ficar no pé dela também? – insinuou
Hermione, dando um soco leve no braço do namorado.
As sobrancelhas de Rony contraíram-se, incomodado.
- Eu não quero nenhum idiota de aproveitando da minha irmã. –
respondeu, ciumento.
Harry e Ametista viraram para trás e assistiram Gina conversando
animadamente com Julian. O problema era que esta conversa já durava a noite
toda, tanto que Cole, o primo de Rony, nem estava mais com eles. E isto estava
amolando o jovem, imaginando o quê tinham tanto para conversar.
- Deixe Gina – disse Ametista, recordando seus poucos diálogos com
Draco Malfoy sobre a caçula dos Weasley. Era melhor Julian Hawking do que um
Malfoy, certamente. – Ela já sabe se cuidar.
Rony abriu a boca para responder algo atravessado a Ametista, mas Harry
ao permitiu, despedindo-se logo dos amigos. Em seguida, lançou um rápido aceno
a Gina e Julian. Até que eles combinavam.
Deixaram a Toca para trás pouco mais de dez minutos depois – Molly e
Arthur faziam questão de encher a cabeça de Sirius e Arabella sobre o
casamento. Assim que chegaram em Godric’s Hollow, Prisma já estava dormindo e
os presentes estavam ainda guardados. Ametista e Harry entraram no casarão dos
Black apoiando-se pelos cantos, morrendo de sono. Logo, deixaram-se cair
adormecidos em suas camas.
No penúltimo quarto daquele
corredor, Sirius permitiu que Arabella entrasse em sua frente e, assim que
fechou a porta as suas costas, correu até a mulher e a abraçou fortemente.
Arabella fechou seus olhos, tentando conter as lágrimas. Estava na hora de
contar a verdade para o noivo.
Sirius a soltou e fitou o semblante emocionado de Arabella. Pegando uma
das mexas negras de seu cabelo, depositou-a atrás de uma de suas orelhas e
sorriu. A idéia de pedi-la em casamento já era antiga, mas concretizá-la era
perfeito. Começou a imaginar o resto de sua vida com ela ao seu lado.
Lentamente, Sirius encostou seus lábios nos de Arabella e sentiu-os
queimando. Separou-se dela e repetiu:
- Você quer mesmo se casar comigo, Bella?
A mulher sorriu acanhada e nada respondeu. Sirius continuou em silêncio,
esperando a resposta, que não veio. Quando pensou em dizer algo a ela, Arabella
interrompeu-o.
- Eu tenho que te dizer uma coisa, Sirius – disse ela, com a voz rouca,
saindo do abraço do homem. – É muito sério.
Franzindo sua testa, Sirius deu um passo a frente, não permitindo que
ela saísse de seu abraço de forma alguma. Por que ela não parecia
completamente feliz? Ele havia acabado de propor casamento!
Arabella respirou profundamente e criou toda a coragem do mundo, dizendo
finalmente, e de uma vez só:
- Eu descobri que estou grávida.
Os olhos de Sirius correram no mesmo segundo até a barriga dela e depois
voltaram a se concentrarem nos olhos negros da noiva. Fizeram este percurso inúmeras
vezes, até cair sentado e perplexo na cama. Arabella continuou parada no mesmo
lugar, encarando-o temerosa e cheia de expectativas.
- Você...você di...disse que está grá...grá...grávida?
O gaguejo de Sirius a fez
sorrir. Repentinamente, estavam os dois chorando. Arabella aproximou-se de
Sirius e parou a frente dele. O homem encarou-a com os olhos derramando lágrimas.
Vagarosamente, estendeu sua mão direita até a região da barriga da mulher e
acariciou-a delicadamente. Começou a soluçar. Arabella abaixou-se até a
altura do rosto de Sirius e beijou seus lábios com carinho.
- EU VOU SER PAI! – gritou ele num modo desesperado, alcançando
Arabella num abraço e fazendo com que ela ficasse em pé novamente e beijando a
barriga da mulher, emocionado.
Arabella deixou-se a chorar junto de Sirius, tão emocionada quanto ele,
comemorando a vinda de um bebê para uni-los ainda mais. Naquela noite, Sirius e
Arabella passaram em claro, fazendo planos para um futuro muito próximo. Uma
nova família estava sendo formada. E, se dependesse deles, uma família
incrivelmente feliz.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Um mesmo pesadelo assombra Draco e Ametista, deixando-os pensativos e desconfiados em relação ao outro. Além de uma rápida passada por Surrey, é na noite de Ano-Novo, em Godric's Hollow, que Harry realiza algo que imaginava e desejava há muito tempo.
O
amadurecimento de uma relação em "EU SÓ QUERO ESTAR COM VOCÊ"
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