Canto IV
Envio

 



115 Enredado em desespero
Sozinho cuido de mim.
E o que me salva � esse outro
Que vem na viagem comigo
Ele � quem tem alegria
120 Eu de triste me confesso
Hospedeiro de agonias.
Ele � quem vem e me afasta
Do c�lice da tormenta
Do vinho rubro da culpa
125 Essa inven��o dos mortais.
N�o conhe�o ningu�m triste
S� tenho amigos alegres
Nem me dano por ser triste
Assim me sei vencedor
130 Subindo a escada da festa
Para o sonho dos opostos
No sono eterno dos ossos
Da nega��o revelada
Na consci�ncia do ser.
135 A diferen�a me assoma
Na busca do anel da alian�a
Entre mim e esse outro, e sermos
N�s, a terceira pessoa,
Reunidos em amor do outro
140 No sortil�gio liberto
Da s�ntese concedida.
Assim a pedra vai leve
Cal�ando novos mist�rios;
O espelho nunca se emba�a
145 Em solit�rio reflexo;
A roda alimenta o fogo
Para o calor das dist�ncias
E as �guas que nunca secam
Molham conflitos de falas.

150 Fogo de mim e tanta �gua
As quatro can��es eu canto
Em desespero lavado.


  
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