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Ante Obsidiados
As imperfeições morais do homem
constituem-lhe, ao
longo da existência física,
o calvário através
do qual se depura.
São elas que
respondem pelas suas atuais
aflições, porque
procedem do passado,
quando fracassou, e persistem
por
falta de valor e decisão do Espírito comprometido,
que ainda não se
resolveu por superá-las.
Graças a sua presença,
que se constitui
em brecha larga,
penetram os Espíritos
infelizes que se
afinam com o endividado
e produzem os
variados processos de obsessão.
Enfermidade grave
que grassa com larga margem de
contaminação, encontra receptividade no psiquismo dos homens descuidados, que lhe tombam nas malhas de complexa e difícil libertação.
Toda a complexidade
reside no fato de que
os envolvidos na
trama que ora os reúne
outra vez, são
semelhantes moralmente,
exigindo da vitima
humana um esforço que
esta quase nunca se
dispõe a realizar.
A dificuldade se
estabelece, na cura,
em razão do denodo
com que se deve aplicar
o homem pela própria
transformação
moral, sem a qual o fenômeno obsessivo se
alonga até as
conseqüências mais lamentáveis.
O que para as
demais criaturas passa
despercebido, no
capítulo das imperfeições morais,
os Espíritos
perturbadores e enfermos
identificam, em razão
da afinidade que se
estabelece naturalmente entre os primeiros e eles.
Sem que se opere a
real mudança de
comportamento moral
do enfermo
espiritualmente,
todo o esforço que os
outros apliquem a
seu favor, será um
paliativo ou de
resultado nulo.
A diagnose da
obsessão é fácil. O seu
tratamento é mais
difícil.
Não somente se faz
necessário esclarecer
o perseguidor que
se encontra semilouco,
senão educar
aquele que lhe sofre a
pressão, a fim de que se rompam os vínculos
que os imanam.
A prece sincera
acalma a situação, no entanto,
só a renovação
intima do paciente,
interrompe a
constrição danosa.
A fluidoterapia
afasta temporariamente
o agente da
perturbação, entretanto,
somente a elevação
moral do obsidiado
equaciona o
problema.
Há casos em que o
hospedeiro mental
da obsessão, pela
gravidade do cometimento,
não pode agir por
vontade própria; apesar
disso, aos
primeiros sinais de melhora, resultante
do auxilio que
recebe, soa-lhe o momento de
realizar a sua
parte, que é sempre a mais importante.
Há obsessão
porque existe conta a ajustar.
O cobrador, que é
infeliz, amargura o devedor,
que se nega ao
resgate do compromisso.
Não produzindo no
bem o suficiente para
anular o mal que
praticou, tomba,
irremissivelmente,
nesse mal em que se
compraz, tornando-se vítima da própria
incúria, portanto,
da obsessão.
Diante de pessoas
portadoras de obsessão,
tem bondade e paciência
para com elas,
mas, não as iludas
com promessas de curas
sem esforço e sem
sacrifício pessoal.
Esclarece o
desencarnado para que renuncie
à pugna, todavia,
educa o doente para que
mude de atitude
mental e situação
moral, sem as quais serão baldados quaisquer
esforços.
Mesmo Jesus quando
curava qualquer
enfermo,
recomendava que o mesmo não
voltasse a pecar, a
fim de que não lhe
acontecesse algo pior, ensinando que só a
libertação das
imperfeições morais dá ao
homem a paz e a saúde
integral.
(Joanna de Angelis -
Divaldo Pereira Franco)
********* Carma de solidão Caminhas, na Terra, experimentando
carência afetiva e
aflição, que acreditas
não ter como
superar.
Sorris, e tens a
impressão de que e´um
esgar que te sulca
a face.
Anelas por afetos e
constatas que a
ninguém inspira
amor, atormentando-te,
não, poucas vezes,
e resvalando
na melancolia injustificável.
Planejas a
felicidade e lutas por consegui-la,
todavia,
descobres-te a sos, carpindo
rude angústia
interior.
Gostarias de um lar
em festa, abençoado por
filhos ditosos e um
amor dedicado que te
coroassem a existência
com os louros da
felicidade.
Sofres e
considera-te desditoso.
Ignoras, no
entanto, o que se passa com os
outros, aqueles que
se te apresentam felizes,
que desfilam nos
carros do aparente triunfo,
sorridentes e
engalanados.
Também eles experimentam
necessidades
urgentes, em outras
áreas, não menos afligentes
que as tuas.
Se os pudesses
auscultar, perceberias como te
invejam alguns daqueles cuja felicidade cobiças...
A vida, na Terra, e´feita
de muitos paradoxos.
E isto se da em razão
de ser um planeta de
provações, de
experiências reeducativas, de
expiações
redentoras.
Assim, não desfaleças,
porquanto e´o teu carma de
solidão.
Faze, desse modo,
uma pausa, nas tuas considerações
pessimistas e muda de atitude mental, reintegrando-te na ação do Bem.
O que ora te falta,
malbarataste.
Perdeste, porque
descuraste enquanto possuías, o de
que agora tens necessidade.
A invigilância
levou-te ao abuso, e delinqüiste contra o
amor.
A tua consciência
espiritual sabe que necessitas de
expungir e de reparar, o que te leva, nas vezes em que o jubilo te visita, a retornar `a tristeza, rememorar sofrimentos, fugindo para a tua solidão...
Alem disso, e´muito
provável que, aqueles a quem
magoaste, não se havendo recuperado, busquem-te, psiquicamente, assim te afligindo.
Reage com otimismo
`a situação e enriquece-te de
propósitos superiores, que deves por em execução.
Ama, sem
aguardar resposta.
Serve, sem pensar
em recompensa.
O que ora facas no
Bem , atenuara´, liberara´ o que
realizaste equivocadamente e, assim, reencontrar-te-ás com o amor, em nome dAquele que permanece ate agora entre nos como sendo o Amor não Amado, porem, amoroso de sempre.
(Joanna de Angelis -
Divaldo P.Franco)
******** Nostalgia e Depressão As síndromes de infelicidade cultivada
tornam-se estados patológicos mais
profundos
de nostalgia, que induzem à depressão.
O ser humano tem
necessidade de auto-
expressão, e isso
somente é possível quando
se sente livre.
Vitimado pela
insegurança e pelo arrependimento,
torna-se joguete da
nostalgia e da depressão,
perdendo a
liberdade de movimentos, de ação
e de aspiração,
face ao estado sombrio em que
se homizia.
A nostalgia reflete evocações inconscientes,
que parecem haver
sido ricas de momentos
felizes, que não
mais se experimentam.
Pode proceder de
existências transatas do
Espírito, que ora
as recapitula nos recônditos
profundos do ser.
lamentando, sem dar-se conta,
não mais as fruir;
ou de ocorrências da atual.
Toda perda de bens e de dádivas de prazer,
de júbilos, que já
não retornam, produzem
estados nostálgicos.
Não obstante, essa
apresentação
inicial é saudável, porque
expressa equilíbrio,
oscilar das emoções
dentro de parâmetros
perfeitamente naturais.
Quando porém, se
incorpora ao dia-a-dia,
gerando tristeza e
pessimismo, torna-se
distúrbio que se
agrava na razão direta em
que reincide no
comportamento emocional.
A depressão é sempre uma forma patológica
do estado nostálgico.
Esse deperecimento emocional, fez-se também
corporal, já que
se entrelaçam os fenômenos
físicos e psicológicos.
A depressão é acompanhada, quase sempre,
da perda da fé em
si mesmo, nas demais
pessoas e em Deus...
Os postulados religiosos não
conseguem
permanecer gerando equilíbrio, porque
se esfacelam
ante as reações aflitivas do
organismo físico.
Não se acreditar capaz de
reagir ao estado
crepuscular, caracteriza
a gravidade do
transtorno emocional.
Tenha-se em mente um instrumento qualquer.
Quando harmonizado,
com as peças ajustadas,
produz, sendo
utilizado com precisão na
função que lhe
diz respeito. Quando
apresenta qualquer
irregularidade mecânica,
perde a qualidade
operacional. Se a deficiência
é grave,
apresentando-se em alguma peça
relevante, para
nada mais serve.
Do mesmo modo, a depressão tem a sua
repercussão orgânica
ou vice-versa. Um
equipamento
desorganizado não pode
produzir como seria
de desejar. Assim,
o corpo em
desajuste leva a estados
emocionais
irregulares, tanto quanto esses
produzem sensações
e enarmonias perturbadoras
na conduta psicológica.
No seu início, a depressão se apresenta como
desinteresse pelas
coisas e pessoas que antes
tinham sentido
existencial, atividades que
estimulavam à
luta, realizações que
eram motivadoras
para o sentido da vida.
À medida que se agrava, a alienação faz que
o paciente se
encontre em um lugar onde
não está a sua
realidade. Poderá deter-se em
qualquer situação
sem que participe da
ocorrência, olhar
distante e a mente sem
ação, fixada na
própria compaixão, na
descrença da
recuperação da saúde.
Normalmente, porém,
a grande maioria de
depressivos pode
conservar a rotina da vida,
embora sob
expressivo esforço, acreditando-
se incapaz de
resistir à situação vexatória,
desagradável, por
muito tempo.
Num estado saudável, o indivíduo sente-se
bem, experimentando também dor, tristeza,
nostalgia, ansiedade, já que esse
oscilar da
normalidade é característica dela mesma.
Todavia,
quando tais ocorrências produzem
infelicidade, apresentando-se como
verdadeiras
desgraças, eis que a depressão se está
fixando,
tomando corpo lentamente, em forma de
reação ao mundo e a todos os seus
elementos.
A doença emocional, desse modo, apresenta-se
em ambos os níveis da personalidade
humana:
corpo e mente.
O som provém do instrumento. O que ao segundo
afeta, reflete-se no primeiro, na sua
qualidade
de exteriorização.
Idéias demoradamente recalcadas, que se negam a
externar-se - tristezas, incertezas, medos,
ciúmes, ansiedades - contribuem para
estados
nostálgicos e depressões, que somente
podem
ser resolvidos, à medida que sejam
liberados,
deixando a área psicológica em que se
refugiam e libertando-a da carga emocional
perturbadora.
Toda castração, toda repressão produz efeitos
devastadores no comportamento emocional,
dando campo à instalação de
desordens da
personalidade, dentre as quais se destaca a
depressão.
É imprescindível, portanto, que o paciente
entre em contato com o seu conflito, que o
libere, desse modo superando o estado
depressivo.
Noutras vezes, a perda dos sentimentos,
a fuga para uma aparência indiferente
diante das desgraças próprias ou alheias,
um falso estoicismo contribuem para que
o fechar-se em si mesmo, se
transforme em
um permanente estado de depressão, por
negar-se a amar, embora reclamando da falta
de amor dos outros.
Diante de alguém que realmente se
interesse pelo seu problema, o paciente
pode
experimentar uma explosão de lágrimas,
todavia, se não estiver interessado
profundamente em desembaraçar-se
da couraça retentiva, fechando-se
outra vez
para prosseguir na atitude estóica em que
se apraz, negando o mundo e as ocorrências
desagradáveis, permanecerá ilhado no
transtorno depressivo.
Nem sempre a depressão se expressará de
forma autodestrutiva, mas com estado de
coração pesado ou preso, disfarçando
o esforço que se faz para a rotina
cotidiana, ante as correntes que prostram
no leito e ali retêm.
Para que se logre prosseguir, é comum ao
paciente a adoção de uma atitude de
rigidez,
de determinação e desinteresse pela
sua
vida interna, afivelando uma máscara ao
rosto, que se apresenta patibular, e podem
ser percebidas no corpo essas decisões
em forma de rigidez, falta de movimentos
harmônicos...
Ainda podemos relacionar como psicogênese
de alguns estados depressivos com impulsos
suicidas, a conclusão a que o indivíduo
chega,
considerando-se um fracasso na sua condição,
masculina ou feminina, determinando-se por
não continuar a existência. A situação
se
torna mais grave, quando se acerca de uma
idade especial, 35 ou 40 anos, um pouco
mais, um pouco menos, e lhe parece que
não conseguiu o que anelava, não se
havendo realizado em tal ou qual área,
embora
noutras se encontre muito bem. Essa reflexão
autopunitiva dá gênese a estado
depressivo com
indução ao suicídio.
Esse sentimento de fracasso, de impossibilidade
de êxito pode, também, originar-se em
alguma agressão ou rejeição na infância,
por parte do pai ou da mãe, criando uma
negação pelo corpo ou por si mesmo, e,
quando de causa sexual, perturbando
completamente o amadurecimento e a expressão
da libido.
Nesse capítulo, anotamos a forte incidência
de fenômenos obsessivos, que podem
desencadear
o processo depressivo, abrindo espaço
para
o suicídio, ou se fixando, a partir do
transtorno
psicótico, direcionando o paciente para a
etapa trágica da autodestruição.
Seja, porém, qual for a gênese desses distúrbios,
é de relevante importância para o enfermo
considerar que não é doente, mas que
se encontra em fase de doença,
trabalhando-se
sem autocomiseração, nem autopunição
para
reencontrar os objetivos da existência.
Sem
o esforço pessoal, mui dificilmente será
encontrada uma fórmula ideal para o
reequilíbrio, mesmo que sob a terapia de
neurolépticos.
O encontro com a consciência, através de
avaliação das possibilidades que se
desenham para o ser, no seu processo
evolutivo,
tem valor primacial, porque liberta-o da
fixação
da idéia depressiva, da auto-compaixão,
facultando campo para a renovação mental
e a
ação construtora.
Sem dúvida, uma bem orientada disciplina
de movimentos corporais, revitalizando os
anéis e proporcionando estímulos físicos,
contribui
de forma valiosa para a libertação dos
miasmas que intoxicam os centros de força.
Naturalmente, quando o processo se instala -
nostalgia que conduz à depressão -
a terapia bioenergética (Reich,
como também a espírita), a logoterapia
(Viktor Frankl), ou conforme se apresentem
as
síndromes, o concurso do psicoterapeuta
especializado, bem como de um grupo de
ajuda, se fazem indispensáveis.
A eleição do recurso terapêutico deve ser feita
pelo paciente, se dispuser da necessária
lucidez para tanto, ou a dos
familiares, com
melhor juízo, a fim de evitar danos
compreensíveis, os quais, ocorrendo,
geram mais complexidades e dificuldades
de recuperação.
Seja, no entanto, qual for a problemática
nessa área, a criação de uma psicosfera
saudável em torno do paciente, a
mudança
de fatores psicossociais no lar e mesmo
no ambiente de trabalho constituem valiosos
recursos para a reconquista da saúde
mental e emocional.
O homem é a medida dos seus esforços e lutas
interiores para o autocrescimento, para a
aquisição das paisagens emocionais.
(Amor Imbatível Amor -
Joanna de Angelis -
Divaldo Pereira Franco) *********
Respeito à Mediunidade
Oportunidade de edificação interior, mediante correta educação, e aplicada ao serviço nobre, a mediunidade deve merecer o mais irrestrito contributo de respeito. Considerada fonte de inspiração divina na antiguidade, perseguida no período medieval, menoscabada por inúmeros cientistas, encontra, nos dias hodiernos, receptividade e carinho. Os médiuns, por isso mesmo, devem acautelar-se contra as surtidas da própria, como da insensatez que conduz grande parte da sociedade ao desequilíbrio, preservando-se na conduta moral sadia, sem alarde nem exotismo do comportamento que faz o agrado da vulgaridade, derrapando pela vala do ridículo. Olhada com suspeita pelos herdeiros das tradições do passado, examinada com excessivo entusiasmo pelos iniciantes das experiências psíquicas, é, no entanto, porta de acesso ao mundo espiritual, por onde transitam informações e diretrizes que sempre devem merecer análise racional e observação cuidadosa, a fim de se evitarem problemas que são mais do caráter do médium do que da própria faculdade. Diante dela, nem uma dúvida sistemática, tampouco uma constante aceitação tácita. Face a quaisquer colocações mediúnicas, tal como ocorre na vida normal, passa pelo crivo da razão o que te chegue ao conhecimento, o que te seja solicitado. Abstém-te de aceitar como corretas mas manifestações bulhentas, espalhafatosas, os comportamentos alienados. A paranormalidade encontra-se em todas as criaturas em maior ou menor grau de desenvolvimento. A Doutrina Espírita dá-lhe orientação e disciplina, ampliando-lhe o campo de ação e respeitabilidade, graças ao que se transforma em bênção a favor de ti mesmo, bem como do teu próximo. Acurar meditação e estudar as potencialidades mediúnicas são deveres inadiáveis. Tendo em vista os objetivos edificantes que lhe programam a conduta espírita, é muito justo que os médiuns evitem os espetáculos que chamam a atenção e não passam de divertimento a caminho da frivolidade. Considerando-se a pesada carga de sofrimentos que se encontram nas mentes e nos corações humanos, é lícito oferecer-se a mediunidade para a tarefa de consolação e de esclarecimento, penetrando nas causas das aflições e buscando erradicá-las. Vive, portanto, de tal modo com discreção e equilíbrio, que a tua conduta revele a excelência das tuas faculdades medianímicas. Jesus, que era por excelência o Médium de Deus, jamais vulgarizou as forças espirituais que O caracterizavam, tendo sempre o cuidado de evitar a frivolidade ou o desrespeito em Sua volta. Agindo sempre no bem, fez-Se o exemplo do servidor sem alarde, consciente do dever que Lhe cumpria executar. Seguindo-O, faze o mesmo. (Seara do Bem - Joanna de Ângelis - Divaldo P. Franco)
********
Ação de Equilíbrio
A fim de que logres superar-te, faz-se necessário controlar as tuas reações. Por instinto reages, vitimado pelo mecanismo automático da defesa pessoal. Ao fazê-lo, agrides, deixando-te vitimar pela ira ou pela revolta, que te desequilibram, intoxicando-te o sistema nervoso e abrindo espaços para futuras distonias emocionais. É indispensáveis que aprendas a agir com rapidez, evitando as sucessivas desordens que se apresentam como atitudes desconcertantes. Usar a palavra correta, no momento certo, é um passo feliz, como efeito da postura mental equilibrada diante dos acontecimentos. Todavia, se te ocorrer a reação infeliz em relação a pessoas ou situações, faze uma revisão mental da atitude e recupera-te. Há momentos, nos quais deves responder e agir com energia, com decisão, que dispensam a agressividade e o aborrecimento. A calma, que resulta de uma conduta mental ordeira, leva-te a agir corretamente. Se ela não te é habitual, busca-a mediante exercícios da vontade e da oração. Através da prece a receberás de Cristo, mantendo-te em unidade com Ele. A tua boa vontade e o teu esforço vincular-te-ão à Fonte Geradora de Vida. Aqueles que te amam, ouvem-te pelo que és em relação a eles e não pelo que dizes. Nem todos, porém. O teu verbo reflete, freqüentemente, o teu estado interior. Expressa-o sem melifluidade, mas, também, sem agressão. Da mente à palavra e desta à ação, realiza um esforço de crescimento emocional. Acostumar-te-ás a agir, pensando antes, ao invés de reagires para pensar depois. Quando ages, consegues êxito. Quando reages, arrependes-te mais tarde. As ações programadas levam ao sucesso. As reações sucessivas facultam o desastre. A tua existência física faz parte de um compêndio de experiências adrede estabelecidas, através das quais se organizam as tuas futuras atividades. Vive, de tal forma, que a cada ação suceda um efeito benéfico, oferecendo-te ocasião de crescimento e libertação interior. A ação do bem incessante é a expressão mais elevada do amor de Deus, servindo-nos de modelo para todas as horas. (Vigilância - Joanna de Angelis - Divaldo P. Franco)
*********
Falando ao Trabalhador
Trabalhador da vida persevera agindo no bem. As criaturas na Terra, de certo modo, se parecem com matérias brutas antes de serem trabalhadas. Diante do solo que te não pode oferecer argila para a olaria ou leiras para a sementeira, evita a blasfêmia. Trabalha a terra, dando-lhe o amor que te escorre abundante e amparando-a com a dádiva da linfa vivificante. Ante a montanha não amaldiçoes as pedras. Trabalha-as e arrancarás formas preciosas. Frente à árvore retorcida não lhe desprezes os galhos. Trabalha o lenho, retirando tábuas e mourões que ensejem agasalhos e utilidades. Face ao ferro envelhedio e gasto não o injuries. Trabalha nele com o auxílio do fogo e aplica- o em vários usos. Defrontando o lodo não o insultes. Trabalha, drenando-o, e conseguirás aí abençoada seara que se cobrirá, oportunamente, de flores e frutos. Há muitos corações, igualmente assim, na estrada dos homens. Espíritos difíceis de entender, empedernidos na indiferença, retorcidos pelo ódio, envelhecidos no erro, perdidos na inutilidade, comprazendo-se na ignorância e na crueldade. Não reclames nem os desprezes. Abre os braços e socorre-os em nome o amor. Quando te seja possível trabalha junto a eles e neles, confiante no Divino Trabalhador. Possivelmente os resultados não virão logo nem o êxito do trabalho surgirá de imediato. Muitas vezes sangrarão tuas mãos na execução da obra e dilacerarás o próprio coração. De início a dificuldade, o esforço e a perseverança no trabalho. Mais tarde a assistência carinhosa e o zelo cuidadoso. Por fim surpreenderás, feliz, a vitória do trabalho paciente, sorrindo como flores na lama, saudando a beleza e a glória da vida em nome de Jesus, o Obreiro da felicidade de nós todos. (Espírito e Vida - Joanna de Angelis - Divaldo P. Franco)
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Participação na Felicidade
Quando alguém chora acoimado por este ou aquele problema, fácil é participares do seu drama, dilatando esforços para diminuir-lhe o padecimento. Ante a fome ou a enfermidade experimentas o apelo aos elevados sentimentos que te concitam à ajuda automática e rápida. Sem dúvida todo socorro que se oferta a alguém que sofre é de relevante significação. Caridade, sim, a dádiva material e o gesto moral de solidariedade. Indispensável, porém, não te deteres na superfície da realização. Há os que são solidários na dor, assumindo a posição de benfeitores, em lugar de realce com o que se realizam interiormente. Todavia, quando defrontam amigos em prosperidade, companheiros em evidência, conhecidos em situação de relevo, deixam-se ralar por mágoa injustificável, transformando- se em fiscais impenitentes e acusadores severos que não perdoam a ascensão do próximo. Ressentimentos se acumulam nas paisagens íntimas, e, azedos, referem-se ao êxito alheio, vencido por torpe inveja. Não sabem o preço do triunfo de qualquer procedência, quando na Terra. Ignoram os contributos que deve doar todo aquele que se alça a situação de destaque. Farpas de maledicência e doestos do ciúme, perseguição sistemática disfarçada de sorrisos, ausência de amigos legítimos tornam as ilusórias horas douradas do homem de relevo em momentos difíceis de ser vencidos. Assume posição diferente. Sem que te faças interessado no que ele tem ou é, rejubila-te com o progresso de quem segue contigo. Quando alguém se eleva, com ele se ergue toda a Humanidade. Quando cai é prejuízo na economia moral do planeta. Solidário na dificuldade do teu irmão, participa dos júbilos do teu próximo para que a ingestão do veneno do despeito e do tóxico da animosidade não te destrua a alegria de viver. Ser feliz com a felicidade alheia é também forma de caridade cristã. (Leis Morais da Vida - Joanna de Angelis- Divaldo P. Franco) ********* Objurgatórias Explicas a rebeldia atual e a debandada das trilhas luminosas da fé, porque a decepção marcou as experiências religiosas em que te envolveste, povoando-te de aflição e ralando- te o coração de dor. Pedias paz e encontraste somente lutas. Esperavas tranqüilidade e achaste inquietude. Desejavas saúde e enfrentaste enfermidades. Aguardavas solicitude do Alto e os Ouvidos Cerúleos pareciam-te moucos às rogativas. É natural, justificas, que a revolta se instalasse no coração. Formulavas, a respeito do Espiritismo, conceitos diferentes; e a decepção, inevitavelmente, foi o amigo que te atendeu. Todavia, és o único responsável. Fé é lâmpada que clareia interiormente. Roteiro, e não transporte; estrada, e não porto de repouso. O Espiritismo não equaciona dificuldades, consoante o engano de observação a que estás afeiçoado, na Terra. Para muitos a Misericórdia divina deveria ser uma escrava às ordens de todas as paixões. Todavia, o melhor remédio para determinadas baciloses é o bacilo-vacina. Para muitas necessidades o socorro é, ainda, a necessidade em forma de aguilhão. Deus nos ajuda, não como desejamos, mas consoante nossas reais necessidades. Para certas feridas, o cautério com ferro em brasa é o melhor método curador... Por que, então fazer do Nosso Pai ou da fé, nossos servos, transformando a justiça da Lei que nos conduz ao resgate, em preferencialismo para conosco, de maneira negativa e danosa? Devem receber mais os que mais pedem ou aqueles que mais trabalham? Abandona, portanto, objurgatórias e reclamações injustas, e serve. Compromisso espiritista é ligação com deveres maiores. Os Amigos Espirituais não te atenderão as comezinhas apelações, solucionando os problemas que deves resolver; no entanto, dar-te-ão, em colóquios sem palavras e estímulos sem nome, a harmonia que é o caminho da paz legítima e da felicidade real, longe de toda dor, agonia e morte, no formoso labor que se manifesta na luta de cada dia. (Messe de Amor - Joanna de Angelis - Divaldo P. Franco)
*********
Medo de amar
A insegurança emocional responde pelo medo de amar. O amor é mecanismo de libertação do ser, mediante o qual, todos os revestimentos da aparência cedem lugar ao Si profundo, despido dos atavios físicos e mentais, sob os quais o ego se esconde. O medo de amar é muito maior do que parece no organismo social. As criaturas, vitimadas pelas ambições imediatistas, negociam o prazer que denominam como amor ou impõem-se ser amadas, como se tal conquista fosse resultado de determinados condicionamentos ou exigências, que sempre resultam em fracasso. Toda vez que alguém exige ser amado, demonstra desconhecimento das possibilidades que lhe dormem em latência e afirma os conflitos de que se vê objeto. O amor, para tal indivíduo, não passa de um recurso para uso, para satisfações imediatas, iniciando pela projeção da imagem que se destaca, não percebendo que, aqueloutros que o louvam e o bajulam, demonstrando-lhe afetividade são, também, inconscientes, que se utilizam da ocasião para darem vazão às necessidades de afirmação da personalidade, ao que denominam de um lugar ao Sol, no qual pretendem brilhar com a claridade alheia. Vemo-los no desfile dos oportunistas e gozadores, dos bulhentos e aproveitadores que sempre cercam as pessoas denominadas de sucesso, ao lado das quais se encontram vazios de sentimento, não preenchendo os espaços daqueles a quem pretendem agradar, igualmente sedentos de amor real. O amor está presente no relacionamento existente entre pais e filhos, amigos e irmãos. Mas também se expressa no sentimento do prazer, imediato ou que venha a acontecer mais tarde, em forma de bem-estar. Não se pode dissociar o amor desse mecanismo do prazer mais elevado, imediato, aquele que não atormenta nem exige, mas surge como resposta emergente do próprio ato de amar. Quando o amor se instala no ser humano, de imediato uma sensação de prazer se lhe apresenta natural, enriquecendo-o de vitalidade e de alegria com as quais adquire resistência para a luta e para os grandes desafios, aureolado de ternura e de paz. (Amor, Imbatível amor - Joanna de Angelis - Divaldo P. Franco)
*********
Desequilíbrios...
Encontras-te angustiado. Sofrimento e desajuste unem-se para dar à paisagem social da Terra o aspecto triste e imenso Nosocômio onde pessoas se apresentam dominadas por afecções de longo curso, sem perspectivas de recuperação. Dizes que até o oxigênio do ar parece carregado de substâncias tóxicas de penetração profunda, que atingem os tecidos sutis da vida psíquica. Anotas desertores da ordem, que há pouco eram paradigmas do dever e te referes às novas gerações que parecem enlouquecidas, na correria desvairada, sexólatra, nos longos dédalos da sandice. As melhores afeições que constituíam fortaleza em que te refugiavas, se encontram vencidas e transitam indiferentes como se o egoísmo as conquistasse de inopino. Os ideais superiores da Humanidade parecem frouxa claridade que tremeluz, apagando-se. Só desequilíbrios campeiam, fecundos, dominadores. E temes a grande escuridão, aquela noite moral a que se reportam as advertências evangélicas... Estás receoso quanto ao futuro. Indagas, perquires e não te podes furtar a sérias preocupações, observando o riso, que na maioria dos semblantes é esgar agônico. Não duvides, porém, da presença positiva do Cristo na Terra sofredora destes dias. Escutam-se as vozes da vida imortal falando em toda parte. Repercute em milhões de espíritos o chamado do Consolador, restabelecendo as diretrizes da verdade. Há dor, sim ! Ela, porém, é o prenúncio de justas alegrias. Quando a mente se ensoberbece e desvaira, o sofrimento é a única voz que alcança a acústica do ser. As grandes lutas produzem as melhores seleções. O atrito desgasta, mas corrige arestas e dá formas harmoniosas. Não te permitas enxergar somente uma parte do panorama da atualidade. Pensa nos que estão silenciosos em laboratórios, atuantes nas cátedras do ensino nobre, afervorados nos organismos da legislação em toda parte, atarefados nos gabinetes de pesquisas, confiantes nos tratos de terra onde semeiam, e modificarás o conceito. Amamentando, a mãe generosa não receia o amanhã do filhinho: preserva-o e ajuda-o hoje. Sob teto acolhedor, o homem não considera a possibilidade de ficar soterrado sob ele: frui a benção do agasalho hoje. Bendize, também, a oportunidade de hoje produzires para o bem e cuida que o Senhor se encarregará dos resultados para o porvir. Existe muito amor onde somente enxergas degredo e horror. Muita bondade medra inesperadamente em lugares em que ninguém supõe encontrá-la. O amor de Nosso Pai por tudo zela. Reencoraja- te, levanta o ânimo, prossegue. Quando tudo conspirava contra aquele reduzido grupo de homens e mulheres atemorizados; quando o Líder que os guiava com segurança experimentara o martírio até a morte; quando um amigo se deixa enganar, a ponto de em desequilíbrio trair o Amigo; quando o depositário da confiança geral, colhido de surpresa e temendo vinditas e represálias, negara o Benfeitor; quando a soledade e o temor os ameaçavam até o desespero; quando tudo parecia perdido: ideais desvanecidos, planos malbaratados, desejos acalentados em doces noites de vigília soçobrados; quando tudo eram sombras, ei-Lo que retorna rutilante e vivo, gentil e nobre, conclamando aqueles mesmos corações ao perene embate da redenção. Elevando- se do ânimo alquebrado para a alegria da vida, deram as próprias vidas e renovaram com os seus exemplos as paisagens do mundo... Jesus vive, e a doutrina que agora ressurge dos escombros dos séculos remodelará a Terra inteira, um dia em breve, quando estaremos todos felizes ao comando d'Ele. (Lampadário Espírita - Joanna de Angelis - Divaldo P. Franco) ********* Temperança Nas atividades espíritas em que te encontras, o culto da temperança tem regime de urgência. Temperança que medita, fala, manifesta atitudes... Freqüentemente defrontarás o abuso disfarçado de bom-tom e o erro mascarado de honorabilidade, como a aguardar vozes vigorosas que venham zurzir contra o embuste, utilizando os recursos da verdade, a fim de afastar a máscara da mentira, onde esteja... Da mesma forma, encontrarás o ultraje vitorioso, na boca da infâmia, o engano persuadindo, nas malhas da ilusão, e a vacuidade sonhadora, ampliando o círculo... Facilmente identificarás a verdade em trilhas tortuosas, o conhecimento aplicado indebitamente e o programa de valores legítimos do homem em desorganizada utilização. Todavia, não te cabe a tarefa de juiz ou pontífice, em nome da verdade, utilizando a severidade, ferindo com precipitação, perseguindo, aniquilando esperanças... Muitos que estão em erro e nele permanecem, são enfermos... Seja a tua conduta representativa da luz e do bem, pacificadora e construtiva. A abençoada tarefa de que te fazes tarefeiro, contém, em si mesma, os valores capazes de manter a claridade nos corações, expressando a luminosidade dos teu objetivos. Não que devas concordar com o erro ou aplaudir a desonestidade. Seria incrementar o crime e a insensatez. Imanado ao Sublime Amigo, por liames vigorosos, marcha para Ele, através da messe de amor, em cuja seara te encontras, certo de que a Ele compete a superior tarefa de corrigir os Espíritos que se cumpliciam à necessidade e se atiram, espontaneamente, nos abismos escabrosos... Advogado da insigne causa do Pai Celeste, Ele sabe aplicar os corretivos da justiça, com pulso firme e coração amoroso, dirimindo equívocos, esclarecendo dúvidas e elucidando conceitos. Mantém a temperança e aprende a confiar no tempo, mesmo quando o tempo pareça conspirar contra o ideal que é teu objetivo. Contém a ira, veneno letal que termina por extinguir quantos a vitalizam. Detém o erro, convertendo a existência em santuário de honra, já que o enganado pune-se a si mesmo, nos dédalos do excesso e da perversão. Susta as inquietações com a prática do bem, já que o inquieto, dirigido pela impulsividade de que se faz instrumento, tombará invigilante, na estrada em penumbra por onde segue. Sela a boca aos maus conceitos, já que os vasos acostumados a conduzir miasmas fétidos não podem ser utilizados para conduzir perfumes especiais. Purifica-te e purificarás o mundo inteiro, vivendo integralmente Jesus e agindo em nome dEle durante todos os dias da tua vida, com temperança e equilíbrio, pautando a conduta da sua modelar conduta. Convicto de que a sementeira de amor não gera ódios e de que a plantação do bem não se converte em males,, pontifica em teus compromissos elevados, por anos a fio e despertarás, depois da lama e cinza em que se converterá o teu corpo, livre de todo tormento, com o coração tranqüilo e a mente pacificada. (Messe de Amor - Joanna de Angelis - Divaldo P. Franco) ********* Vida Feliz Não conduzas o ultraje que alguém te atirou, desmoronando o teu dia. Certamente, há pessoas que não simpatizam contigo e até te detestam. Mas, isto não é surpresa, porque te ocorre o mesmo em relação a outras. Este é um problema que os corações pacificados resolvem com facilidade, nunca valorizando ofensas, nem se importando com elas. Há um grande número de pessoas gradas e afetuosas que te cercam, que não é justo te agastares com aquelas, as que constituem exceção no teu caminho. Deixa no chão do esquecimento a ofensa que te dirigem e segue na direção do amor que te aguarda. Vida Feliz - Joanna De Angelis - Divaldo P. Franco) ********* Convite à Calma O espinho do ciúme vence-a; o estilete da ira dilacera-a; o ácido da inveja corroe-a; os vapores do ódio enlouquecem-na; a agressão da calúnia despedaça-a; o tóxico da maledicência perturba-a; a rama da suspeita inquieta-a; o petardo de censura fere-a; as carregadas tintas do pessimismo tisnam-na se o cristão decidido não se resolve mantê-la a qualquer preço. Não importa que exsudes, agoniado, em quase colapso periférico, ou estejas com a pulsação alterada, ou, ainda, sofras o travo do amargor nos lábios. Imprescindível não precipitares atitudes, nem conclusões aligeiradas, nem desesperações injustificáveis. Não nos reportamos à posição inerme, à aparência, pois o pântano que parece tranqüilo é abismo, reduto de miasmas e morte traiçoeira. Aludimos a um espírito confiante, fixado nas diretrizes do Cristo, sem receios íntimos, sem ambições externas. Equilibrado pela reflexão, possuidor de probidade pela ponderação. Calma significa segurança de fé, traduzindo certeza sobre a Justiça Divina. Ante o dominador tíbio que lavava as mãos, em referência a sua vida, Jesus se fez o símbolo da calma integral e da absoluta certeza da vitória da verdade. Cultiva, portanto, os sentimentos e mantém os propósitos edificantes. Perceberás, surpreso, que as atitudes dos maus não te atingirão, facultando-te através da calma não resistir ao mal que te queiram fazer, conforme lecionou o Senhor, porquanto a integridade da fé em exteriorização de calma dar-te-á forças para vencer as próprias limitações e prosseguir resolutamente, em qualquer circunstância. (Convites da Vida - Joanna de Angelis - Divaldo P. Franco)
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Momentos de aflição e prova
Momentos de aflição e prova surgem pelo caminho, inesperados, concitando à disciplina espiritual indispensável ao processo evolutivo do ser. Águas serenas que são açoitadas por fortes vendavais; paisagens tranqüilas que se modificam ao império de tempestades violentas; climas de paz que se convertem em campos de lutas rudes; viagem segura, que se torna perigosa, objetivos próximos de conquistados, que se perdem de repente; saúde que cede à enfermidade; amigos dedicados, que vão adiante; adversários vigorosos, que surgem ameaçadores; problemas econômicos, que aparecem, constringentes, tantos são os motivos de aflição e prova, que ninguém avança, na Terra, sem os experimentar. Enquanto domiciliado no corpo, espírito algum se encontra em segurança, vitorioso, isento de experiências difíceis, de possíveis insucessos. Os momentos de prova e aflição constituem recursos de aferição dos valores morais de cada um, mediante os quais o homem deve adquirir mais valiosas expressões iluminativas como suportes para futuros investimentos evolutivos. Por isso, todos somos atingidos por tais métodos de purificação. Vigia-te. no momento de aflição e prova, a fim de que não compliques, por precipitação, o teu estado íntimo. Suporta o vendaval do testemunho com serenidade; recebe a adaga da acusação indébita com humildade; aceita o ácido da reprimenda injusta com nobreza; medita diante do sofrimento com elevação de sentimentos. Todos os momentos difíceis cedem lugar a outros; os de paz e compreensão. Não te desalentes, exatamente quando deves fortalecer-te para a luta. São os instantes difíceis que as resistências morais devem estar temperadas, suportando as constrições que ameaçam derruir as fortalezas íntimas. Quando estiveres a ponto de desfalecer, procura refúgio na oração. Orando, renovar-se-ão tuas paisagens mentais e morais, elevando-te o ânimo e reconfortando- te espiritualmente. Jesus, que não tinha qualquer dívida a resgatar e que é o Sublime Construtor da Terra, enquanto conosco não esteve isento dos momentos de aflição, demonstrando, amoroso, como vencê-los a todos, e, ao mesmo tempo, ensinando a técnica de como retirar do aparente mal as proveitosas lições da felicidade. Considera-Lhe os testemunhos, e, em qualquer momento em que sejas defrontado pela aflição ou prova, enfrenta as circunstâncias e extrai do amor a parte melhor da tua tarefa de santificação. (Oferenda - Joanna de Ângelis - Divaldo Pereira Franco) ********* Suspeita Suspeita é a "crença desfavorável, acompanhada de desconfiança", referente a alguma coisa ou a alguém. Mau juízo decorrente de idéia vaga, sem apoio legítimo, que, no entanto, se transforma em urze calamitosa, espraiando-se no campo mental e culminando por asfixiar os nobres ideais em que se devem sustentar as aspirações humanas. De maleável contextura, a suspeita, semelhante ao miasma sutil, se adensa e se avoluma, logrando vencer quem a cultiva. Normalmente, reflete o estado espiritual daquele que a agasalha. A consciência reta não lhe dá guarida, enquanto o sentimento atormentado padece-lhe a constrição, o estigma. Necessário cercear-lhe o avanço, porquanto, de fácil aceitação corrói as melhores estruturas, conseguindo exteriorizar-se em maledicência vinagrosa, que numa frase decepa uma existência digna e, num sorriso de mofa, ceifa as mais elevadas expressões de jovialidade e de progresso. A suspeita é a genitora do ciúme, que dela se nutre, passando de simples idéia leviana a obsessão tormentosa, geradora de alucinação e impulsionadora de crimes. Ninguém está imune à suspeita do próximo. Cada um vê uma paisagem conforme a cor das lentes que tem sobre os olhos. Assim, muitos fatos parecem o que melhor convém aos espectadores ou às suas personagens. Coarctado pela insidiosa suspeita dos levianos e maliciosos, não sintonizes os teus com os seus pensamentos enfermos. Insiste na perseverança das realizações a que te vinculas, sem permitir-te diminuir a intensidade que lhe conferes. Muitas vezes o que parece ser, verdadeiramente tem outra significação, que não pode ser apreendida de relance. Mesmo em acurada observação, fatos e coisas se expressam mais de acordo com o observador do que com a sua própria estrutura. Abre, assim, o espírito à tranqüilidade e não estaciones nos degraus da mágoa que a suspeita dos outros coloca à tua frente, nem te facultes a leviandade de suspeitar de ninguém. Quem erra, faz-se escravo do gravame que comete. O culpado, embora se disfarce, conhece a face do engano ou do crime perpetrado. Ninguém se evade da província da consciência culpada, antes de conseguiu o ônus da auto- recuperação. Não poucas vezes, no Colégio Galileu, quando medravam suspeitas e maledicências, o Mestre Irrepreensível conclamou ao amor integral e à confiança ilimitada. Por essa razão, toda a mensagem da Boa Nova está estruturada no perdão e na humildade, com que o cristão deve pavimentar o caminho da sua ascensão espiritual. E apesar de seguir sob a perniciosa suspeita de quase todos que O cercavam, Jesus permaneceu integérrimo, edificando o Reino de Deus, até mesmo quando traído e sacrificado, atestando do alto da Cruz ser o símbolo perene da suprema vitória do Espírito ilibado, como estímulo para os caminhantes da retaguarda, que somos todos nós. Guarda-te, portanto, na paz, sem suspeitar de ninguém. (Celeiro de Bênçãos - Joanna de Angelis - Divaldo P. Franco) ********* Convite ao Trabalho Na hora do desespero, exclamas: "é demais!" Acoimado pelo sofrimento, descarregas: "Não suporto mais." Vitimado pela incompreensão, gritas: "Ninguém me compreende." Dominado pelo cansaço, proferes: "Irei parar por aqui." Sob o açodar do desânimo, afirmas: "Faltam-me forças." Malsinado pela ingratidão, desabafas: "Nunca mais." Ante as injunções da época, explicas: "Não serei eu a sacrificar-me." Há outras expressões constantes, que atestam os momentos infelizes, em que, não raro, cristãos e espíritas lúcidos saturados das relações habituais e dos contínuos insucessos desta ou daquela natureza, permitem revelar o estado de ânimo, gerando desalinho interior e fomentando o desequilíbrio nos demais companheiros, que deles esperam a lição da segurança e da harmonia, em qualquer circunstância das atividades evolutivas nas quais te encontras empenhado. Mister retificar a conceituação, quando clarificado pelo Evangelho de Jesus Cristo. Consubstanciá-lo nos atos diários é tarefa inadiável, que não se pode procrastinar. O trabalho é sempre veículo de renovação, processo dignificante, em cujo exercício o homem se eleva, elevando a humanidade com ele. Sejam quais forem as tuas possibilidades sociais ou econômicas, trabalha! Se necessitas armazenar moedas, com finalidade previdenciária, trabalha sem desânimo. Se projetas a aquisição honrosa da paz e do pão, trabalha com proficiência. Se és independente, trabalha pelo bem comum, convertendo a hora da ociosidade em bênção para os outros. Trabalhando, estarás menos vulnerável à agressão dos males ou à leviandade dos maus. O trabalho é mensagem de vida, colocada na direção da criatura para construir a felicidade que todos perseguimos. Recorda o apelo do Mestre: "Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará", e não desfaleças, porque o trabalho contínuo e nobre falará pelos teus pensamentos e palavras em atos que te seguirão até além das fronteiras da vida orgânica. (Convites da Vida - Joanna de Angelis - Divaldo P. Franco)
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Instrumento Divino
O violino é instrumento delicado, rico de melodias aguardando execução. Deixado à umidade, perde a ressonância. Manipulado com rispidez, desafina-se. Largado ao abandono, sofre a invasão de insetos que o destroem. Utilizado com brutalidade, arrebenta-se. Esquecido em temperaturas elevadas, estala e rompe a caixa acústica. Em mãos inábeis, perde a finalidade e o valor. Em museu, é peça morta. Atirado ao lixo, torna-se inutilidade. No entanto, cuidado, recebendo afinação, conduzido com carinho, reflete as melodias divinas ao contato com o arco que lhas arranca, vibrando harmonias incomparáveis que lhe saem das cordas distendidas e equilibradas. O médium, de certa forma, pode ser comparado ao violino. Afinado com os dons da vida e colocado em mãos treinadas, acostumadas às músicas divinas, traz, à Terra, as gloriosas mensagens da Imortalidade. Posto em comunhão com o bem, esparze harmonias que facultam paz e estimulam ao amor. Estando em ação correta, participa da orquestração da Vida, expressando a glória da Criação em concertos de indefiníveis estesias. Sob a ardência das paixões primitivas, porém, arrebenta os centros de comunicação e perverte a finalidade a que se destina. Cultivando os instintos primários e dando-lhes expressão, tomba nos depósitos de lixo das obsessões penosas. Absorvendo a queixa e o pessimismo, perde a afinidade com os instrumentistas superiores. Relegando-se ao marasmo, desconecta os centros de registro elevado. Utilizado para o mercantilismo e as frivolidades, gasta-se nos prejuízos destruidores. Compulsado por Entidades perversas, morrem- lhe os ideais de enobrecimento, e embrustece- se, caindo depois na alucinação auto-aniquiladora. O violino e o médium têm muita semelhança. São, em si mesmos, neutros, dependendo de como se deixam utilizar. O violino, porque não possui razão nem inteligência, depende totalmente do seu possuidor, quanto o médium resulta da conduta moral que imprimir à sua faculdade. Deixa-te tanger pelas mãos dos artistas espirituais de elevado porte, a fim de que possas transmitir as melodias da Vida Maior para felicitar as criaturas. Em qualquer situação, permanece cauteloso, zelando pelos teus equipamentos, de modo a responder em harmonia a todas as emissões dos artistas divinos, como instrumento sintonizado com a sublime orquestra do amor de Nosso Pai. (Alegria de Viver - Joanna de Angelis - Divaldo Pereira Franco) ******** Presença do Amor O amor - alma da vida - é o hálito divino a espraiar-se em toda parte, manifestando a Paternidade de Deus. Onde quer que se expresse, imanta quantos se lhe acercam, modificando a estrutura e a realidade para melhor. No amor se encontram todas as motivações para o progresso, emulando ao avanço, na libertação dos atavismos que, por enquanto, predominam em a natureza humana. Por não se identificar com o amor na sua realização incessante, a criatura posterga a conquista dos valores que a alçam à paz e a engrandecem. Sem o amor se entorpecem os sentimentos, e a marcha da sensação para a emoção torna-se lenta e difícil. Em qualquer circunstância o amor é sempre o grande divisor de águas. Vivendo-o, Jesus modificou os conceitos então vigentes, iniciando a Era do Espírito Imortal, que melhor expressa todas as conquistas do pensamento. Se te encontras sob a alça de mira de injunções dolorosas, sofrendo incompreensões e dificuldades nos teus mais nobres ideais, não te abatas, ama. A noite tempestuosa e sombria não impede que as estrelas brilhem acima das nuvens borrascosas. Se o julgamento descaridoso te perturba os planos de serviço, intentando descoroçoar- te, mediante o ridículo que te imponham, mesmo assim, ama. O sarçal aparentemente amaldiçoado, no momento oportuno abre-se em flor. Se defrontas a enfermidade sorrateira que intenta dominar as tuas forças, isolando- te no leito da imobilidade e reduzindo as tuas energias, renova-te na prece e ama. O deserto de hoje foi berço generoso de vida e pode, de um momento para outro, sob carinhoso tratamento, reverdecer-se e florir. O amor é bênção de que dispões em todos os dias da tua vida para avançares e conquistares espaços no rumo da evolução. Não te canses de amar, sejam quais forem as circunstâncias por mais ásperas se te apresentem. A doutrina de Jesus, ora renascida no pensamento espírita, é um hino-ação de amor, assinalando a marcha do futuro através das luzes da razão unida à fé em consórcio de legítimo amor. (Viver é Amar - Joanna de Angelis - Francisco Candido Xavier) |