MET
Titulo Original
Hasta que nos volvamos a encontrar
Traduzido por Fernanda
CAPÍTULO 9
Com seus sentimentos confusos e ainda ajudado pelo álcool, se deixou levar quando Richard começou à acariciar e depois a beijou. Não teria permitido, mas sua ânsia por voltar a sentir a Chantal não a deixava, mas ao sentir as mãos grandes e fortes, o rosto áspero e o perfume definitivamente masculino, começou a perder a noção das coisas e quis se sentir amada novamente, ainda que fosse por umas horas.
Richard,
apesar do que tinha acontecido entre eles, ainda nutria uma paixão pela
morena, sabia que estava sendo usado e que algo ou alguém muito importante
estava na mente de Val naqueles momentos, mas não se importou� também
precisava dela, queria voltar a ter aquela mulher especial como antes, não
importava se duraria ou não.
No começo entregaram-se com mais doçura que com paixão, mas ao fim de uns minutos se encontravam completamente satisfeitos, cada um por seus próprios motivos, sentiam uma grande paixão que precisava ser aliviada.
Val
não queria pensar na loira, não queria gritar seu nome e preferia
morder os lábios� só queria sentir seu corpo vibrar sem importar
nas mãos de quem � sentir sua pele banhada em suor e o movimento extasiante
daquela dança antiga com o o mesmo ser. Mas não pôde evitar,
de chegar ao clímax e entre os dentes cerrados pelo desespero de
não querer fazer, mas chamou por Chantal.
Richard
obviamente escutou mas preferiu dar-lhe carinho em vez de reclamar, abraçou-a
ternamente e secou suas lágrimas que começavam a cair pelo seu
rosto, lágrimas que desta vez não eram de paixão e sim
de dor por ter perdido.
***
A
morena ficou na cidade durante a semana toda, os assuntos da empresa estavam
se complicando mais do que o previsto. Após a primeira noite com Richard,
ela tratou de evitar qualquer encontro íntimo com ele, tinha se deixado
levar por sua carência e a bebida, mas não queria causar nenhum
sofrimento a ele e nem criar expectativas que jamais poderia cumprir. Saíram
nas noites seguintes, foram a vários restaurantes, clubes noturnos, passearam
ou simplesmente conversaram, mas os dois sabiam que o ocorrido não ia
se repetir.
Assim
Val soube como era bom redescobrir um amigo, estava precisando daquele tempo,
sem compromisso nunca tinha tempo para nada pessoal, sua tia era o que mais
se aproximava de uma verdadeira amiga, mas agora pelas circunstâncias,
ela só sabia encher sua cabeça por causa da Chantal era algo que
já não queria escutar mais e por isso tinha se afastado sensivelmente
de sua família.
Era
a última noite em Nova York e Val pegaria o vôo para São
Francisco na manhã seguinte, Richard se animou e finalmente perguntou
quem era 'Chantal'� sabia que podia abordar o tema, tinham novamente confiança
para falar de tudo.
-Amor, conta-me quem é 'Chantal'?, que pelo visto é quem está te fazendo sofrer.
-
quem, de onde tirou esse nome? -disse sem olhá-lo nos olhos, sabendo
perfeitamente de onde.
-Sabe?
É melhor que não te lembre onde escutei�isso é mau
para meu ego! mas, quer contar-me logo? sou todo ouvidos, talvez possa te ajudar
sou bom ouvinte� -disse Richard pegando sua mão e sorrindo.
-Ufa!�
isso é difícil� mas, talvez tenha razão� Chantal é
alguém muito especial, não me olhe assim e me deixa continuar�apesar
disso, eu a afastei de mim� sabe como sou complicada ou melhor, covarde! Passamos
uns dias juntas, e foi intenso, foi a relação mais importante
que tive em toda minha vida� hei, não vai se ofender, acho que me entende?
-Claro
querida, sempre te entendi� diz que aconteceu depois? -perguntou Richard com
interesse real
E
assim Val foi contando tudo a seu amigo, era a primeira vez que podia explicar
o que sentia sem que ninguém a quisesse matar, lhe dando a oportunidade
de falar.
Passaram
várias horas entre relatos e lágrimas e já estava quase
amanhecendo, quando a morena não agüentou mais, singelamente se
apoiou no ombro de seu amigo e dormiu.
Pela
manhã depois de um bom banho, Richard levou-a até o aeroporto
Enquanto iam, com todo o carinho de que era capaz lhe disse:.
-O que eu senti por ti todos estes anos, foi tão forte que ainda me custa te deixar ir� sempre me doeu que nossa relação não tenha dado certo, e fica tranqüila que não foi culpa de ninguém, mas o que agora me dói mais ainda é pensar que você não pode ser feliz, unicamente por um conceito equivocado de obrigação ou realização pessoal. Amor, como pode querer seguir vivendo no seu vale, com sua família, se te falta o principal? sua alma, sua metade� disse-me que Chantal é sua vida� então, como acha que vai conseguir viver cada dia, se falta ela?, sem tê-la contigo não vai conseguir� olha que lhe digo por experiência� disse num sussurro emocionado.
-Mas�
o que eu faço?� só sei causar dor nas pessoas que gostam de mim
vejo em seus olhos! -disse Val com lágrimas nos olhos.
-Não
amor, não pense assim, você não me causou dor, você
foi sincera comigo, foi o destino que quis que não ficássemos
juntos� mas se eu visse que teria uma chance real, jamais�jamais teria te deixado
ir! -segurou fortemente sua mão.
-Por
que não podemos escolher a quem amar? -disse tristemente a morena.
-Você já escolheu e ela também� por favor, Valentina� vai procurá-la , demonstre que a ama� não tenha medo�o que pode acontecer? acho que no inferno já esta vivendo desde que se separaram. Lembra o que realmente vale a pena, sempre custa caro.
-Não
tenho coragem! Ela me desprezou em Miami, como vou aparecer assim do nada? o
que vou dizer? e se ela já está com outra pessoa?
-Bom,
não acho que tenha sido 'desprezo' em Miami� para mim me pareceu mais
como um 'desafio', mas para variar a grande Val não soube entender. Vai
ter que descobrir�se ela está saindo com alguém, como primeiro
passo terá que reconquistá-la, não deve se dar por vencida,
se achar que ela vale a pena� e pelo que me disse, estou convencido de que sim!
-Tá�e
você quer que eu me humilhe, sabe que sou orgulhosa? Acredita realmente
que eu possa fazer isso? vai ser complicado! -riu Val com amargura.
-Se
você a ama� vai fazer! esqueça esse falso orgulho ou o que seja.
Por favor mulher reage. É sua felicidade, é seu futuro� não
seja tola, vai atrás dela!
Chegaram
no saguão e se abraçaram por um longo tempo e com lágrimas,
que despertavam compaixão naqueles que pensavam que estavam juntos, se
despediram, e prometeram que desta vez manteriam contato.
***
O
vôo da morena fez escala em Dallas, e o avião não sairia
antes de duas horas, e Val teria muito tempo para perambular pelos corredores
do imenso aeroporto.
Parou
numa loja de música e para passar o tempo começou ver alguns CDS,
e de fundo estava tocando uma música antiga, em um primeiro momento não
deu muita atenção, mas pouco a pouco a melodia lhe atraiu, era
uma música que tinha escutado muitas vezes e era linda, cuja letra falava
de algo que ela agora estava sentindo com intensidade. Decidiu comprá-lo.
Indo
para o portão de embarque, se virou para olhar um grupo de pessoas que
falavam alto e iam em direção oposta à sua, voltou a olhar
para a tela que anunciava seu vôo e também para Boston� em segundos
tomou a decisão mais importante de sua vida.
Depois
de quatro horas de vôo, o avião aterrizou em seu destino. Val alugou
um carro e foi procurar um hotel para ficar� não, não ia voltar
para sua casa� desta vez não ia pensar muito e só lhe restava
rezar para que desse certo.
***
Chantal
estava voltando de um passeio com Natalie, saíram cedo para andar de
yate e a noite foram jantar e caminhar pela zona comercial da cidade. A loira
nunca gostou muito de fazer compras, mas Natalie não permitia que ela
ficasse sozinha em casa por nenhum motivo, e sabendo que Joan tinha planos,
ela devia sair também.
De braços dados caminhavam pela rua felizes, ao entrar em seu edifício e ao passar pelo lobby, o porteiro se aproximou de Chantal e disse-lhe que tinha uma encomenda para ela, e foi até a recepção e encontrou um lindo bouquet de flores silvestres junto com um pequeno pacote. Nenhuma das duas coisas tinham um cartão, e a jovem ficou confusa e perguntou ao rapaz se tinha certeza de que eram para ela, e ele confirmou que sim, a pessoa que trouxe repetiu várias vezes o nome da Srta.
-Francamente
não me parece muito eficiente o sistema de segurança daqui� poderia
ser uma bomba� como vocês aceitam algo sem remetente? -disse a amiga da
jovem.
-Nat�
não exagere - disse a loira tentando acalmá-la.
-Após
o 11 de setembro tudo é possível� e nunca é demais se preocupar.
-A
senhorita tem razão, nós somos profissionais, o supervisor em
pessoa ligou para à empresa que fez a entrega para confirmar se eles
mesmos que efetuaram a entrega� e por isso nós aceitamos -disse
o jovem muito orgulhoso com sua atuação.
-Viu�
não tem nada o que se preocupar. -Agradeceu o rapaz e pegou seus pacotes.
-
é o mínimo, pelo tanto que eles ganham- resmungou Natalie.
-Vamos
mulher.
A jovem colocou as flores na água e ficou olhando-as com uma sensação estranha de gratidão.
-Hei,
minha linda!, é melhor guardar esse sorrisinho para quando eu estiver
aqui, disse Natalie brincando.
-Que
sorriso? -perguntou a jovem sem dar-se conta que o tinha em seus lábios.
-Por
que não abre o pacote, não está curiosa para ver o que
é? Ou já sabe que é de alguma admiradora secreta?
-Não
sei de nada, depois eu abro, deve ser de algum cliente agradecido, no bom sentido
da palavra�quer beber alguma coisa? -ofereceu Chantal para mudar de assunto.
- eu não estou afim de nada, estou um pouco cansada vou para casa� assim você pode� descansar�
No momento de despedir-se Natalie puxou Chantal pela cintura e a trouxe junto dela, quando estava quase beijando sua boca, a loira virou o rosto e lhe deu um carinhoso beijo na bochecha, isto a irritou ainda mais, e sem poder esconder seu descontentamento, saiu resmungando que se viriam amanhã.
Chantal
ficou pensando na reação de sua amiga, não gostava de sentir-se
pressionada nem controlada por ninguém.
Olhou para as flores e novamente sentiu aquela sensação estranha, chegou perto para cheirá-las, a parte de seu perfume natural tinham uma fragrância que achou que tinha esquecido� era indiscutivelmente o cheiro de Val. Isto lhe provocou um sorriso, mas também a incerteza de não saber o que estava acontecendo.
Foi
até a cozinha pegar algo para beber porque subitamente sentiu sua garganta
seca e voltou para sala, onde tinha deixado o pequeno objeto que estava dentro
de uma caixinha da empresa de entrega. Abriu e dentro encontrou algo que aparentemente
se parecia com um CD envolvido em um fino papel de presente em tons lilás
e um pequeno cartão com um desenho de um copo de champagne.
É
da Val� mas, por que está me mandando isto depois de tanto tempo?� o
que quer de mim agora?�por que voltou?� meu amor�
Com os olhos cheio de água, começou a abrir o papel com tanta curiosidade, achava que tinha superado pelo menos um pouco sua paixão, pegou o CD era do Air Supply. Não era uma banda que lhe chamasse atenção e francamente e no momento não lembrava de nenhuma de suas canções, mas sem entender ainda a mensagem colocou no cd para ouvir. No encarte do cd viu que Val tinha feito uma marca sobre uma das músicas e sobre a letra da mesma.
Começou
a ouvir a música, se lembrou de sua adolescência e agora com a
letra em suas mãos, compreendeu de que se tratava�
"All
Out Of Love"
'Estou
aqui só, com a cabeça no telefone�
�
estou pensando em você, estou ferido� eu sei que Você também
está ferida, mas o que podemos fazer� nos atormentar e nos separar?�
Estou
sem seu amor, estou tão perdido sem ti� sei que tinha razão�
confiando
por tanto tempo�
estou
sem seu amor, quem sou eu sem você?�
não
pode ser tão tarde para
Quero
que venha e me leve para casa,
e
me tire destas
longas e solitárias noites� quero chegar em você� sinta
e o que diria se eu te ligasse agora, e dissesse que não posso viver assim?
não
está sendo fácil, e cada dia fica pior�
por
favor me ame ou eu partirei, eu partirei�
oh! o que quer agora?
E
a canção se repetia, enquanto as lágrimas desciam pelas
bochechas de Chantal.
Nunca
imaginei que fosse tão romântica minha querida� bom e agora� o
que vou fazer? Deve estar aqui na cidade�isso significa que logo a verei?� será
que estou pronta para isso? NÃO!� não quero te ver� me faz sofrer
meu amor!� não entende, justo agora que estava aceitando que não
ficaria contigo� outra vez aparece� Que MERDA, não é justo!� mas
morro de vontade de te ver� te tocar, sentir suas mãos em minha pele�
maldita Val, por que?.
Eram
quase as 9:00 da noite e Chantal estava tentando ler uns documentos de trabalho,
mas não conseguia se concentrar, preferiu sair na varanda e tomar um
pouco de ar puro. Nesse momento chegou Joan com seu amigo, um homem muito simpático
e tranqüilo.
-Olá
querida� como foi seu dia? -perguntou a ruiva dando um beijo em Chantal, enquanto
Bob também a cumprimentava.
-Foi
bom� é o de vocês? -perguntou a jovem.
-Nosso
foi muito bom, conheci a filhinha de Bob, é uma menina linda, a levamos
ao parque e depois fomos nos divertir, não foi meu céu?-disse
Joan, deixando seu amigo vermelho- Que raro não encontrar Natalie aqui,
ela não te deixa sozinha, onde ela está?
-Foi embora, um pouco aborrecida, disse a loirinha.
-Aborrecida?
Por que?
-Bom�
eu não estou muito afim �já sabe! -fez um gesto de com as mãos,
que fez seus amigos rirem.
-Que bom!� perdão, digo� que pena! -riu Joan e pegou a mão de Bob e o levou para a cozinha.
Ao entrar novamente na sala, Joan viu as flores, e saiu correndo.
-Hei�
e, essas flores?, são a Nat?� Chantal, de quem são? -perguntou
sua amiga com tom de preocupação, algo lhe deixou alerta..
-
não vai acreditar, são da Val, e também me mandou um CD
bem romântico, imagina?.
-Que�
está brincando?, me fale , que aconteceu� a viu� veio aqui?
-Hei,
calma, mais tarde te conto o pouco que sei, agora vai ficar com o Bob, esta
esperando.
-Que
espere, isto é vital! Vou dispensar ele, já passamos o dia todo
juntos e esse negócio de filha é demais, me deixa um pouco nervosa,
espera aqui, já volto!
-Não,
está louca, não há nada o que falar, não sei nada,
só sei que me mandou essas coisas e só� não sei o que está
acontecendo disse em tom de contrariedade.
-Bom,
está bem, mas volto daqui a pouco disse Joan-. Acho que vou ligar para
Karen, ela saberá que fazer.
-Não vai ligar pra ninguém? Eu também sei o que fazer, é a Val, não é o fim do mundo!
A morena estava pior que um leão enjaulado, não sabia o que fazer, queria ligar, mas não sabia o que dizer, queria vê-la, mas tinha medo que ela fechasse a porta em sua cara� e se eu ligar para Karen talvez me ajude de novo� mas pode ser que ela mesma queira me matar� e se eu tentar falar com Joan, ela é mais sensata� merda! por que não ligo direto para ela?� o pior que pode fazer é desligar o telefone e assim não terei mais dúvidas� antes de eu falar com certeza já vai me dizer um monte! Val querida, calma e pensa se veio até aqui vai ter que falar com ela, por mais que morra de MEDO! Quantos anos tem, 16, 17 ou 30?
Secou
as mãos em sua calça, pegou o telefone e digitou o número
que sabia de cor.
Dois,
três toques e ninguém atendia, olhou a hora e achou que fosse tarde,
não queria acordar ninguém, quatro� cinco e no instante que ela
ia desistir, ouviu do outro lado uma voz que não parecia estar muito
acordada.
-Alô�
disse Joan.
- perdão, é a casa de Chantal de Lancel? ao não reconhecer a voz, Val achou que ligou errado, por causa do nervoso e tudo mais.
-É,
quem está falando?
-
Valentina Dei Stefano, posso falar com a Chantal, por favor? -disse tudo sem
respirar e pareceu uma eternidade, não ouviu mais nada, silêncio
absoluto. Depois de um tempo�
-
Val� sou eu a Joan, perdoa-me mas� sabe o que estando fazendo? Sei que não
é da minha conta�Só agora Chantal está conseguindo superar
seus encontros anteriores, acha que é boa idéia voltar à
procurá-la? Já se perguntou se é justo com ela o que seja
que vai fazer? Joan sempre tinha sido imparcial nesta história, mas viu
a sua querida amiga muito mau.
-Bom�
eu prefiro falar com Chantal sobre isto� se for possível, mas para sua
tranqüilidade lhe digo que nunca estive tão segura de uma coisa
em minha vida, como estou agora e� por favor não me tire a coragem, custou
muito eu chegar a este ponto -disse sinceramente a morena, com mais convicção
agora sim tinha dado o primeiro passo.
-OK�
vou ver se ela quer falar contigo� acho que ainda está acordada, disse
Joan.
-
Joan�perdão pela hora!
-Não se preocupe� estava começando a dormir, após um dia mortalmente cansativo -riu a ruiva.
Após
um bom tempo�
-Oi
Val -Chantal, antes de responder, tratou de controlar sua respiração
e seu coração que estava querendo sair pela boca.
-Oi�como está? perdão pela hora! -disse Val contendo um grande suspiro ao escutar pela primeira vez a voz da jovem, depois de meses.
-Estou
bem� e não se preocupe pela hora, estava lendo� obrigada pelas flores
e o cd� eu teria ligado para agradecer, mas não sabia onde ligar.
-Ah!
tudo bem�eu não coloquei meu nome, porque pensei ao vê-lo jogaria
tudo no lixo�queria que ouvisse a música.
-
quase fiz isto, quase joguei, mas a curiosidade venceu-me� é uma linda
canção. -As duas ficaram por uns instantes em silêncio.
-
Chantal, acha que poderíamos ver-nos talvez manhã, se tiver algum
tempo livre? Queria te ver, conversar um pouco� se for possível? o tom
de voz era tão doce e com tanta expectativa que Chantal sentiu que seu
coração começava a se derreter novamente.
-Ah�
não sei se é um boa idéia, Val� não quero ser descortês,
mas acho melhor não � tenho alguns planos para amanhã� e� -ficou
em silêncio esperando uma reação da morena, sem saber o
que mais dizer.
-a tá� tem planos, claro eu devia imaginar estava a ponto desistir de uma vez e voltar pra casa, mas recordou das palavras de Richard e tentou novamente, ainda que tivesse que 'deixar seu orgulho de lado' mas se nos vermos só um pouquinho e depois vai fazer o que tem que fazer�eu queria te ver de verdade, por favor? � não te encheria mais� merda, estou suplicando!
-Está
aqui a negócios? -perguntou Chantal, dando-se um pouco mais de tempo
para pensar.
-Não�
estou de passagem� bom, na verdade estou aqui para ver uma pessoa muito especial
e convencê-la de que já não sou a besta que eu era antes.
-Uma
pessoa muito especial? Desde quando? -perguntou Chantal com um pouco mais de
alívio em sua voz.
-Desde
sempre� sabe?, a conheci em São Francisco, e desde aquele dia roubou
meu coração� só que eu� como posso dizer? sou muito lenta
para me dar conta de algumas coisas� mas agora, espero com toda minha alma,
que essa pessoa especial me dê mais uma chance�o que acha?� A conversa
tinha tomado um rumo diferente e Val tinha esperança que o telefonema
não terminasse com um sonoro NÃO.
-Não
sei� pode ser� mas eu acho que terá que se esforçar um pouco mais
flores e canções românticas poderiam funcionar -continuou
sorrindo Chantal.
-Já
fiz isto!� tenho um ponto a meu favor� agora, que me aconselha? talvez um jantar
a meia noite será que é romântico? talvez seja um pouco
tarde e ela queira dormir, e é difícil para mim esperar até
amanhã� talvez eu possa lhe oferecer um café da manhã na
beira do lago? jogava Val com suas opções.
-
eu diria que aceitaria o jantar� mas depende do lugar que iria levá-la,
para comer é claro! -Chantal era agora a jovenzinha travessa de
antes e Val sentia um nó em sua garganta pela emoção.
-
então, tenho que ir direto a seu estômago? não é
muito romântico, mas� tudo bem, posso passar aí em dois minutos?
-Que�
está louca? -disse a jovem.
-
estou na esquina de sua casa, falando do meu celular -riu Val.
-Tinha
certeza que eu aceitaria? -disse seriamente a jovem.
-Não�
pelo contrário, pensei que nem ia me atender, queria me sentir um pouco
mais perto de ti� foi isso! e a esperança é a última que
morre� é o que dizem..
-Ok�
hoje tive um dia muito cansativo� eu desço em 15 minutos, está
bom?
-Mais que bom�está perfeito! - desligou o celular e deu um grito dentro do carro.
-SIM�
SIM� desta vez não perderei amor�!
Do
outro lado da linha estava Chantal com o olhar perdido na noite.
Por
que aceitei?�sou uma besta e não tenho salvação!� devia
ter dito não mas com aquela voz!� Val me deixa louca!
Joan
estava na porta vendo-a e esperou que entrasse para perguntar, o que aconteceu?
-que
foi?
-Nada
novo� já sabe� sou uma boba, incapaz de dizer não a ela.
-Bom,
talvez não seja boba� apenas quer conversar, talvez dar uma chance para
que � a jovem a interrompeu.
-
ela se de bem outra vez e desapareça por mais meio ano.
-Hei!�
então, por que não disse isso e acabava o assunto? -se pos na
defensiva.
-Essa é minha raiva� não consegui, comecei� mas ao ouvir o tom de sua voz, não pode continuar� ela me mata, só com sua voz� e Joanni� e preciso tanto dela � a quero tanto! -Estava a ponto de chorar novamente e sua amiga a abraçou com ternura.
-Sshh!
Calma minha amiga vão se ver amanhã ou que?
-Não�
daqui a 10 minutos �fiquei louca de vez? -disse com um sorriso cheio de amargura.
-Sim�ficou
mesmo� mas, é lindo estar louca de amor� vai se arrumar deu-lhe um pequeno
empurrão para ir para o seu quarto, Amiga, dá mais uma chance
a vocês�quem sabe desta vez dê certo, e se não der � vamos
todas virar freiras!, ok? -riu Joan.
Ao fim dos 15 minutos, Chantal saiu de seu edifício com o cabelo ainda molhado e os joelhos pareciam gelatina. Em seguida viu a Val em frente a sua porta, encostada em um BMW cinza e mais linda do que nunca, um pouco pálida. Vestia uma jaqueta negra de couro, jeans apertado, um top claro e botas pretas.
Mal
abriu a porta do edifício, Val sentiu que o seu coração
ia parar. Chantal estava linda, como sempre, mas o olhar após tantos
meses lhe dava um ar especial. Usava jeans escuros que lhe ficavam perfeitos,
uma blusa branca com suas mangas dobradas (Val sorriu para si mesma ao lembrar
que Chantal lhe comentou que sempre as usava assim, não por moda por
que ela acha que seus braços são mais curtos que dos demais mortais,
e sempre as mangas ficam grandes) e em sua mão trazia uma jaqueta de
napa. Em seguida chegou junto à jovem e pegou a sua mão, e se
aproximou e lhe deu um beijo na bochecha. Chantal só sorriu.
Abriu a porta do carro e deu a volta e entrou.
-Espero
não tê-la tirado da cama� -disse timidamente Val
-Não mas quase� estava no terraço tomando uma brisa.
-Está uma noite linda, mas empalidece diante de ti� meu amor
-
Anda muito romântica?
-Está
achando?� mas se quer ouvir coisas 'românticas' vamos comer ou quer ir
em algum barzinho?� o que prefere! -As duas riram.
-Podemos comer e depois vamos ao barzinho� tudo bem? -disse a loira.
Uau�
estou conseguindo!, pensou Val.
-Vai
me ensinar o caminho� ou prefere que eu te guie em sua cidade? Mesmo sabendo
que eu não conheço quase nada aqui, só o meu hotel e os
restaurantes por perto, e um barzinho que estive a muitos anos atrás,
o Malecón fica perto do porto�
-Não
eu te ensino� em que hotel está? É próximo daqui ou teve
problema em encontrar minha casa?
-Estou
no 'Boston Harbour', não é longe daqui, então� para onde
vamos, madame.
-Gosta
de comida japonesa? acho que me falou que gostava� ou talvez algo mais exótico�
como Thai� eu adoro! -disse Chantal emocionada.
-Então,
será comida Tailandesa!
Com
as indicações da jovem chegaram no lugar, era bem decorado no
estilo oriental e apesar de estar cheio, elas não tiveram que esperar
muito.
Sentaram
e pegaram os menus, e lhes ofereceram uma bebida especial de boas-vindas.
Gostaram muito de seus respectivos pratos apesar das duas estarem ainda nervosas, estavam conversando de nada em particular. Ao terminar decidiram ir a um barzinho próximo dali, que era de uns amigos da jovem.
Escolheram
um lugar um pouco mais afastado e pediram suas bebidas. Val sentia que seu estômago
não tinha aceitado muito bem a comida ou estava nervosa? Acabou não
bebendo mais e desfrutou da boa companhia e da música.
-Está
bem, Val? -perguntou Chantal um pouco preocupada pelo silêncio da morena,
que já esteve mais animada.
-
Não é nada� acho que a comida não me fez bem, disse Val
tomando um gole de água.
-O
que está sentindo?� quer ir?
Merda�
agora que tudo estava bem, essa comida me faz mal! Que maneira de desperdiçar
a noite? - disse Val já começando a sentir fortes dores.
-Não se preocupe, que não é para tanto -disse tratando de esquecer a náusea que estava sentindo.
Passaram
uns minutos e a morena cada vez ficava mais pálida.
-Val, vamos embora� terá outra oportunidade de sairmos juntas, agora precisa descansar e tomar alguma remédio - disse Chantal enquanto se levantava.
Era inútil disfarçar, a dor e a náusea ficavam cada vez mais fortes e teve que parar, sentiu uma dor tão forte e Chantal teve que a abraçar para ela conseguir andar.
-Isto
está pior do que imaginamos, meu amor? -escapou da boca da loira a palavra
sem poder evitar. Que merda� eu e minha boca!
Val
ouviu perfeitamente, e mal pode sorrir, porque já não tinha forças
para falar e sem saber o que estava acontecendo, agarrou a mão da jovem
antes de que tudo ficasse escuro.
Chantal viu Val desmaiando, e não tinha força suficiente para segurá-la e pediu ajuda do garçom que passava por ali. Em seguida a deitaram no chão e uma jovem ligou para o resgate, os donos do bar que eram seus amigos vieram para ajudá-la.
-Que
aconteceu linda? -perguntou seu amigo preocupado.
-Não tenho idéia� já pediram ajuda? perguntou quase gritando Chantal visivelmente exaltada, enquanto suavemente passava sua mão na testa da morena que estava suando frio.
-Sim,
já estão vindo� bebe um pouco de água, porque daqui a pouco
você cai dura também - disse outro amigo.
Em
alguns minutos chegaram os paramédicos e decidiram levar à mulher
para o hospital, ainda não tinha recobrado o sentido e isso estava desesperando
à jovem.
Chantal
não podia manter a calma e estava começando a tremer, seu amigo
Patrick a amparou entre seus braços, enquanto acomodavam Val na
maca. O jovem pensou que era bom ligar para algum familiar da morena.
-Quer que eu ligue para avisar a família dela Chantal? -perguntou o rapaz.