Sob a Luz de seu Olhar
Soninha
2009
Capítulo 3:
Estavam sentadas no sofá, Chris
deitada no colo de Mei, esta afagando seus cabelos, quando o telefone
tocou. - Alô. - Meiriene, sou eu, Fernanda. - Oi Doutora, e então? Está
tudo resolvido? - Sim. O velório já
está marcado, e o enterro também. Não sei como
Chris vai reagir, por isso vou levar algumas medicações,
caso ela precise. - Isso é bom, doutora. Certamente
será muito útil. - Meiriene - a voz soou insegura. - Oi - Posso buscar vocês? - Claro doutora, se não for
te incomodar. - De forma alguma. Daqui uma hora
tudo estará preparado, então passo pra pegar vocês. - Está certo. Estaremos prontas.
Obrigada! Meiriene sentiu o coração
apertado. Sabia que seriam as horas mais difíceis na vida
de sua amiga. A amava tanto que se lhe fosse possível, tiraria
toda aquela dor que a estava consumindo. Mas essa, ela teria que
enfrentar e aprender a conviver. Todas as providências haviam
sido tomadas. O velório, o enterro, tudo foi resolvido conforme
as instruções de Meiriene. O único pedido de
Chris era para que seus pais fossem enterrados lado a lado, como
sempre viveram, e quer na vida ou na morte, sempre estariam unidos.
Com certeza, além da morte, onde os olhos humanos não
podem enxergar os dois já estavam novamente juntos e se amando
intensamente. Fernanda chegou na hora marcada, e
antes de saírem fez um interrogatório médico.
Constatou que apesar do total abatimento, Chris conseguiria resistir.
Trocou o plantão com um colega, alegando a necessidade de
acompanhar de perto a amiga. Ao entrarem no velório, Chris
não segurou mais a tristeza, a dor e o desespero. Estava
sozinha agora, pelo menos era o que pensava. Dona Carmem aproximou-se e a envolveu
em seu abraço. - Estou sozinha dona Carmem. Perdi
todos que amei, fui traída pela única pessoa a quem
entreguei meu coração. Me diz, o que eu fiz de errado
pra merecer tudo isso? - Minha filha, sei que ninguém
substitui pai e mãe, mas sozinha você nunca estará.
Eles velarão por ti, não importa onde estejam, e você
tem a mim, Fernanda, sua amiga Meiriene. Estaremos sempre do seu
lado. - Eles me disseram isso no sonho que
tive, parecia tão real. Mas porque decidiram vir me visitar?
Se tivessem me avisado, eu poderia ter evitado tudo isso. - Conversei com sua mãe um
dia antes de viajarem. Disse que tinham algo importante para falar
com você, e que precisava ser pessoalmente, pois não
sabiam qual seria sua reação. - Ela não disse o que era dona
Carmem? - Vamos fazer o seguinte, conversaremos
melhor depois que passarmos por esse momento, pode ser? - A senhora tem razão. Os amigos, colegas, conhecidos, todos
compareceram para oferecer seus sentimentos. Até o ultimo
instante, Mei, dona Carmem e Fernanda, se revezavam ao lado de Chris. Quando tudo terminou, foram para a
casa de Mei. A preocupação com a jovem era intensa
e não queriam que tivesse mais tormentas. A pedido da médica, Chris aceitou
tomar um calmante. Pelo menos conseguiria dormir um pouco. Sentia-se
extremamente cansada, esgotada mental e fisicamente. Tomou um banho, comeu um sanduíche
feito por dona Carmem que não só a vigiou comer, como
ficou acariciando seus cabelos até que adormecesse. Não há dor que impeça
o coração de reconhecer o amor e o carinho das pessoas
que nos amam. Era reconfortante estar passando por essa tormenta,
tendo a seu lado a proteção das três pessoas
que aprendeu a admirar e amar. O calmante fez o efeito necessário
e forçou-a a dormir um sono sem sonhos ou pesadelos. Acordou desejando crer que tudo não
passasse de uma mera ilusão de um estado adormecido, mas
a realidade era incontestável. Encontrar a amiga, dona Carmem
e Fernanda, só acrescentou o toque final. - Bom dia dona Carmem, Mei, Fernanda
- cumprimentou por educação. De cada uma recebeu um beijo afetuoso
no rosto. - Bom dia minha filha. Conseguiu dormir
um pouco? - Consegui sim. Estava muito cansada,
o calmante que Fernanda me deu fez efeito. - Que bom. Sabia que teria dificuldade
pra dormir, afinal foram emoções fortes demais para
um curto espaço de tempo. Eu no seu lugar, acho que não
teria tanta força assim. - É Fernanda, o que estou vivendo
agora não desejo a ninguém. Pra te falar a verdade,
não sei onde dói menos aqui dentro - apontou o coração. - Agora precisa tentar se alimentar
Chris - falou Mei preocupada com a amiga. - Obrigada por cuidar de mim Mei.
Você é minha amiga-irmã. É muito bom
saber que posso contar contigo neste momento. - Concordo com você. Somos de
fato, amigas-irmãs, e esse é o maior motivo pelo qual
não há possibilidade de que eu te deixe sozinha! Agora
faça um esforço e tenta comer um pouco. Olha só,
fiz as panquecas que você gosta - tentou impor ânimo
na voz. O estomago não queria nenhuma
alimentação, mas forçou-se a tomar o café
nutritivo que Mei havia preparado com carinho. - Você é uma jovem de
coração valente Christyene, uma pequena grande guerreira! - Obrigada Fernanda. A vida sempre
nos ensina e nos dá as armas necessárias para enfrentarmos
determinadas batalhas. - Muito bem, saiba que pode contar
comigo, está bem? - Lembrarei disso, tenha certeza! Dona Carmem ficou a semana ao lado
de Chris, sem permitir que se deixasse abater. Deixou sua casa sob
os cuidados da vizinha e amiga, e por esse motivo, tinha que voltar
o mais rápido possível para cumprir suas obrigações. Incumbiu Fernanda de estar presente,
a maior parte do tempo que conseguisse, ao lado da jovem. Receava
que ao ver-se sozinha, não se cuidasse o suficiente. A sobrinha
prometeu acatar o pedido com esmero. O coração de Fernanda
vibrou de alegria. Respeitava o sentimento de Christyene, mas estar
ao lado de Meiriene era tudo o que precisava naquele momento. A
ouvia comentar sobre a amiga, mas ainda não tinha tido o
prazer de conhecê-la pessoalmente. O interesse pela bela ruiva
foi imediato. Para Christyene, os dias passavam
lentamente, seguindo a saudade dos pais que crescia mais e mais
em seu coração. Observava agradecida o esforço
de Meiriene e Fernanda em fazer mais alegres os seus dias. Se não
fosse por elas, certamente estaria entregue à sua tristeza.
Continua...
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