GAROTA  DE  PROGRAMA

 

Leth Cross

 

Parte 3

 

 

 

 

Jade estava ainda irritada, humilhada e frustrada. Geri Gleese havia mostrado ser uma mulher fria, arrogante e insuportável! Quem ela pensava que era, uma rainha ? Tratava as pessoas com frio distanciamento, nem se dignara a dizer o próprio nome e perguntar o seu, até para ter um orgasmo, mantinha distância! Nem a tocara na mão, ao menos! Uma mulher para ela devia ser apenas um pedaço de carne ambulante, sem identidade ou sentimento! Por que não fodia logo com uma boneca inflável? Ela era pior que Rick Barker! Ele pelo menos a havia tocado, perguntara seu nome, dissera que ela era gostosa!


Caiu em si, de repente. O que esperava? Que ela a cortejasse? Era apenas uma garota de programa, um eufemismo para puta. E uma mulher que se vendia não podia esperar nada além do que o pagamento tratado pelo cliente.


Respirou fundo, sentindo-se triste e deprimida. A que se rebaixara! Antes, fazendo strip-tease, sentia-se bem acima disso. Ficava em um palco fazendo um show, era aplaudida, e ninguém a tocava. Sentia-se quase uma artista, por mais que falassem mal da profissão de stripper. Ela não precisava se entregar a um homem ou mulher. Mas agora...


Lembrou de Geri novamente, com tristeza. Ela devia ter nojo de tocar uma mulher como ela, por isso, mesmo sendo uma lésbica, preferia satisfazer-se só olhando para a mulher alugada.


Tornou a suspirar. O melhor era esquecer de Geri Gleese e pensar em pagar sua dívida com madame Lilith, juntar um bom dinheiro e mudar de cidade e vida.

 

Meteu a mão no bolso do blazer. Tirou o maço de notas e contou. Surpresa, viu que Geri havia pago mil dólares! Isso significava que Geri havia gostado dela! Madame Lilith havia dito que ela só pagava mais de quinhentos quando gostava da mulher!


Sorriu, confortada com a descoberta. Mas logo franziu o cenho. Estava contente porque havia agradado à uma lésbica! Que loucura!


-Jade, Jade... - Sussurrou - O que estáá acontecendo com você?


Quando chegou à garçonière, encontrou madame Lilith sentada no sofá vendo um filme na tv e tomando uma taça de martine com cereja. Ela a olhou com um sorriso cúmplice, apertando pause no controle remoto do dvd, imobilizando uma cena de Nicole Kidman cantando em Moulin Rouge.


-Olá...foi tuddo bem?


Jade aproximou-se e sentou no sofá ao lado dela. Tirou o dinheiro do bolso e estendeu para madame Lilith.


-Acho que sim. Ela pagou mil dólares.


Madame Lilith contou as notas e a fitou sorridente.


-Mil dólares! Parabéns, Jade! Geri Gleese
paga isso raramente, só quando a mulher é muito boa! Você a agradou muito!Ela só pagou isso antes à duas mulheres, em três anos que é minha cliente!Você conseguiu! Se ela a requisitar mais vezes, vai se dar bem!


-Bem, eu preciso pagar a dívida que tennho com você, e isso com certeza facilita para mim.


-Bem, quinhentos é minha comissão, dos outros quinhentos, duzentos abate sua dívida e trezentos é para as despezas de alimentação. Mas como você está se esforçando, vou dar à você duzentos para suas pequenas despesas.


-Obrigada...preciso mesmo, não tenho dinheiro algum nem para ir à uma lanchonete.


Madame Lilith separou duas notas de cem dólares e deu à Jade.


-Se continuar ganhando assim, logo teráá bastante dinheiro.


Jade fitou madame Lilith pensativa.


-Madame Lilith...Geri Gleese é uma voyeur?

 

Madame Lilith a fitou com um sorrizinho malicioso.


-Por que pergunta, ela também não tocouu em você?


-Não. Só ficou olhando eu fazer um strip-tease.


-E teve um orgasmo se masturbando - Commpletou madame Lilith.


Jade arregalou os olhos.


-Como sabe desse detalhe?


-Bem, não é só você quem me conta as maanias de meus clientes, Jade... eu preciso saber a características de cada um, para indicar a garota certa. Por exemplo, Brenda se queixou do cantor, mas ela gosta de ser sodomizada. Eu não a mandaria para ele, se ela não gostasse.


-Então, por que ela se queixou?- Pergunntou Jade, admirada.


-Por que ela gosta de se fazer de vítimma, Jade. Ela gosta, mas não quer admitir que adora o que ele faz.


-Mas...você nãão disse que nós não podemos escolher o cliente?!


-Sim, disse, mas não me custa enviar umma garota para um cliente que vai fazer o que ela gosta, não? Como se diz, "juntar a fome com a vontade de comer".


Ela piscou o olho para Jade.


-Oh!...mas eu não gostei daquele cowboy e do...


-Jade, até eu descobrir qual o tipo de cliente que você gosta mais, tenho de submetê-la à uma variedade de gostos.


-Bem, voltando a falar de Geri Gleese... ela sempre age assim com todas as garotas?


-Atualmente, sim. Todas as garotas comeentam a mesma coisa. Mas antes de Chelsea, ela não era assim.


-Chelsea? Queem é ela?

                                                                                                   

-Uma mulher que foi caso dela por dois anos. Era uma alta executiva de uma grande empresa. Uma mulher linda, inteligente e culta. O relacionamento delas era conhecido nos círculos fechados das celebridades, que elas frequentavam. Elas se amavam loucamente. E Chelsea não era o tipo de mulher que se contentaria em ficar com uma voyeur. Ela era uma mulher reconhecidamente fogosa.


-E onde está essa tal de Chelsea? - Perguntou Jade, sentindo um absurdo ciúme dessas revelações sobre Geri.


-Ela morreu há cinco anos atrás, em um desastre de carro. Geri Gleese ficou abaladíssima, teve de ser internada em uma clínica por dois meses. Quando saiu da clínica, refugiou-se em um rancho no estado de Arizona por um ano. Depois, voltou para Los Angeles trazida por uma grande amiga. Recomeçou a trabalhar e passou a pagar mulheres para ter sexo. Diz que não quer se ligar em mais ninguém.


-Por que?


-Não sei. Acho que ela ainda não esquecceu Chelsea. Pagando uma mulher, não tem envolvimento emocional.


-Se ela paga uma mulher por esse motivo,ela deve estar muito infeliz ainda- Comentou Jade, pensativa - Mas não entendo por que ela não toca numa mulher para ter prazer. O que acha, madame Lilith?


-Não sei. Somente ela pode responder issso, Jade.


-Isso é tão estranho!
>

 

Madame Lilith a fitou séria.


-Está muito interessada em Geri Gleese, Jade. Ouça, se quer evitar sofrimento,não se apaixone por essa mulher. Ela ama um fantasma. Não teria a menor chance com ela. Faça seu trabalho sem envolvimentos emocionais.


jade a fitou enrubescida e forçando indignação.


-Eu, apaixonar-me por Geri Gleese?! Não sou lésbica! Até gostei dela não querer tocar-me! Só fiquei curiosa, isso é tudo!


-Ótimo, é melhor assim. Agora, deixe-mee continuar a ver o filme. Seu jantar está no microondas.


Jade ergueu-se.


-Ok. Boa noitte, madame Lilith.


-Boa noite, Jade.

 

 

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Quinze dias se passaram. Jade não foi mais chamada por Geri Gleese. Mas soube que uma semana depois que esteve na casa dela, Geri havia chamado outra moça, Kim, também uma loura bonita, mas sem nada na cabeça. Ela só pensava em ganhar dinheiro para gastar em roupas e bijuterias, sem pensar no futuro.


Jade ficara triste e decepcionada por não ter sido chamada novamente, e com um despeito secreto, pensou que era bom que Geri não a chamasse mais, aquela lésbica de mente complicada! Ela que fosse para o inferno! Que se masturbasse até os dedos calejarem!
Mas se Geri não a queria, tinha outros clientes que a chamavam mais de uma vez. Estava agradando e sua clientela aumentando, tinha dias que fazia três visitas a clientes. Madame Lilith estava feliz e ela muito satisfeita por estar fazendo sucesso.


E ali estava ela, sendo recebida por um novo cliente. O homem a fitou com um olhar devasso, ao vê-la entrar. Era um velho parecido com Drácula, com os olhos de coruja e dentes desiguais, magro e alto. Ele era um ator especializado em fazer filmes de terror, e Jade achou que ele não precisava de nenhuma maquiagem para assustar alguém.
Ele morava em um luxuoso triplex na Hollywood Boulevard. E o velho era um cliente que tinha de contentar, Madame Lilith havia recomendado. Ele era um dos melhores clientes, pagava mil e quinhentos dólares.


-Entre, entre, beleza... -Disse o velhoote - Humm, é muito bonita e parece ter classe. Gosto disso.


Jade forçou um sorriso. Deus, teria de beijar aquele homem? Se precisasse, vomitaria. Mas
Madame Lilith lhe havia assegurado que ele não a tocaria com a boca além dos pés, e nem a penetraria.

 

Mas para assegurar-se, falou com voz fria:

 

-Não chupo pau nem dou o traseiro. E só trepo com camisinha.


Ele deu uma risadinha, indicando uma porta.


-Não faço nada disso, fique tranquila. Venha.


Ela o seguiu e chegaram em um quarto com as paredes cheias de pinturas eróticas, o chão forrado com um tapete vermelho e uma mesa genicológica no centro e um sofá de veludo vermelho.


Jade o fitou assustada.


-Para quê essa mesa >genicológica?


Ele a fitou muito sério.


-Cale a boca. Eu sou o doutor, e sei o que deve fazer. Tire a roupa e deite na cama.


Jade entendeu rápido. Ele gostava de fazer uma encenação. Muito bem, isso madame Lilith havia avisado.


Ela tirou a roupa rapidamente, enquanto ele colocava um jaleco branco, muito sério.
Completamente nua, ela subiu na escadinha perto da cama e deitou na mesa genicológica. Ele pegou suas pernas e as colocou separadas, com os pés nos estribos de metal. Mesmo sendo uma stripper, sentiu-se incomodada por ele estar vendo todos os detalhes do seu sexo e ela naquela posição tão vulnerável. Madame Lilith não havia mencionado a cama genicológica! Iria ter uma conversa com ela.

 

O velho abriu uma gaveta e retirou luvas de borracha, colocando-as, depois um pênis de silicone e colocou nele uma camisinha. Depois derramou sobre ele um lubificante vaginal e se aproximou da mesa genicológica muito sério, com o objeto na mão.


-Relaxe... não> vai doer nada. Vou ser bem carinhoso.


Ela o fitou tensa, imaginando o que ele ia fazer. Ele acendeu uma lâmpada forte, iluminando seu sexo, e inclinou o rosto para perto, sorrindo.


-Que beleza...tem uma pussy linda...o clitóris é rosado e delicado...os pequenos lábios parecem pétalas de rosa... e os pelos dourados...tudo perfeito...


Jade teve vontade de rir. O imbecil devia ter a tara de ficar olhando o sexo das mulheres e comentando.Conteve-se e ficou séria, olhando-o con certo receio.


Ele colocou a ponta do dildo na vulva de Jade e esfregou-o ao longo dela, até parar na abertura da vagina. Ergueu os olhos para ela.


-Não está gostando?


Ela entendeu o que ele queria, e moveu um pouco os quadris, gemendo. Ele se entusiasmou e enfiou o dildo até o final, fitando-a excitado.


-Está gostando?


-Muito, querido! - Disse ela, na verdadde com as pernas cansadas da posição incômoda, os pés doendo no estribo duro. Teve vontade de chutar ele, mas se conteve. Maldito velhote tarado!


Ele soltou o dildo para desabotoar a calça e tirar o sexo para fora. Depois voltou a segurar o dildo e movimentá-lo no mesmo ritmo com que se masturbava.


Velho brocha! - Pensou Jade, louca para ele acabar aquela porcaria.


Ela fingiu ter um orgasmo, gemendo alto e contraindo as coxas. Ele a fitou extasiado, a mão se movimentando frenética e logo atingiu o auge, o produto de seu gozo felizmente caindo no chão, bem longe de Jade.


Ele a fitou com um sorriso orgulhoso.


-Gostou, beleza?


-Muito, foi maravilhoso, querido.<


 Velho ridículo e idiota! - Pensou, se sentando.

 

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Depois do velhote, um garanhão. Um jogador de basebol, novo e fogoso. Ele a veio buscar e levou para um hotel luxuoso. Logo que entrararam na suite, ele a agarrou e a beijou violentamente, apertando seus seios. E logo foi arrancando as roupas dela, dizendo que não podia esperar mais. Ele se despiu apressado e colocou a camisinha no pênis já ereto, mostrando um corpo atarracado e mais cabeludo que ela tinha já visto. Ele tinha cebelos até nas costas. Em seguida, a empurrou para o sofá e deitou sobre ela, penetrando-a de uma vez com força. Jade sentiu dor na penetração, pois estava completamente seca, sem estar excitada. Ela se sentia como que atacada por um urso que metia uma vara dentro dela como que à procura de mel.


Deu graças a Deus quando ele ejaculou em menos de dois minutos de penetração.
Ele a puxou pelos cabelos quase rosnando, batendo sua cabeça no tapete, que felizmente era macio. Ele se afastou e a fitou orgulhosamente.


-Viu como sou potente? Gozo logo. Isso é porque sou muito quente.


Ela sorriu, com vontade de dizer para ele procurar um médico para cuidar de sua ejaculação precoce, mas achou melhor deixar ele ficar satisfeito, achando que era o máximo.

 

 

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E assim foi passando os dias, aprendendo que um homem famoso e rico só pagava uma garota de programa porque tinha taras ou deficiências sexuais que uma mulher não se submeteria ou reclamaria depois, fazendo o desempenho deles ser alvo de comentários.
Jade já havia pegado o traquejo da profissão. Devia ser gentil, mas não abrir mão de suas exigências. Aguentar tipos com taras estranhas com ar natural, sem se mostrar espantada ou achar engraçado. Era impressionante como na sua atividade conhecia a verdadeira personalidade das pessoas famosas, que aparentavam ser pessoas normais, mas cheias de estranhos gostos sexuais.

 

Sua mais recente experiência a deixara pasma. Um ator másculo de filmes de ação, gostava que sua parceira na cama o xingasse e batesse nele com um chicote. Ele chorava e berrava que queria sua mãe, até que chegava ao auge.


No dia seguinte, madame Lilith a avisou que à tarde ela tinha um encontro marcado com Geri Gleese.


Jade não sabia se ficava feliz ou com raiva. Geri a havia ignorado por quase um mês, havia chamado outra moça, mostrando que a considerava sem nada especial, e agora a chamava novamente como se tivesse chamado-a na falta de uma melhor. Mas não podia recusar. Assim, tomou um banho caprichado, como sempre fazia para os encontros, mas escolheu suas melhores roupas. Dessa vez, um conjunto preto, estilo Chanel, meias, scarpin preto. Uma perfeita dama.


A limousine veio buscá-la pontualmente. O mesmo motorista abriu a porta para ela e a levou até a mansão de Geri. Como antes, foi conduzida à biblioteca, mas logo que entrou percebeu que Geri não estava só. Com ela estava uma mulher magra e alta, cabelos curtíssimos louros, muito masculinizada. Jade antipatizou com ela de cara. Elas bebiam taças de vinho e a mulher se ergueu do sofá, discorrendo um olhar sobre Jade, que ficou parada perto da porta em silêncio.


-É essa a mulher, Geri? - Perguntou elaa, com voz grave.


-Sim, é essa - Respondeu Geri, fitando Jade nos olhos.


-Hummm...aprovo
seu gosto. Ela não parece uma mulher de programa, tem charme e classe.

Onde descobriu esse monumento, Geri?

                                                                             
-Segredo, Mona. E então, aprovou a escoolha?


-Claro! - Disse a loura com entusiasmo- Como se chama, garota?

 

Jade respondeu, seca:


-Jade.


-Jade...lindo nome.Aproxime-se, Jade... quero vê-la mais de perto... -Disse a loura, sorrindo.


Jade aproximou-se lentamente e parou diante da mulher, tensa. Não estava gostando nada daquilo. Já estava imaginando o que elas queriam.


Mona a rodeou e apalpou o seu traseiro sem nenhuma cerimônia, dizendo:


-Carnes rijas, traseiro redondo e empinnado, como gosto... e que pernas, Geri!


Jade recuou, olhando para Geri, que a fitava atenta.


-O que significa isso? - Perguntou, comm voz irritada.

 

Geria a fitou calmamente, tomando um gole de vinho.


-Significa que quero ver você ser possuuída pela minha amiga. Vou só olhar.


Jade sentiu uma profunda decepção. Era agora evidente que Geri Gleese a considerava apenas uma mercadoria alugada, que podia dispor ao seu bel prazer e até oferecer às amigas, sem se importar com o que sentia! Como se iludira, achando que ela havia sentido saudades e a chamara!


Encarou-a com os olhos brilhando de raiva contida.


-Vim aqui para você, apenas. O trato nãão mencionou outra mulher.


Geri sustentou seu olhar com outro entre surpreso e sarcástico.


-Que importa se quem vai possuí-la será eu ou minha amiga
? Você vai receber o seu dinheiro, não é isso que importa?


-Não, para mim é importante saber com qquem vou fazer sexo, e também, para mim, sexo é entre duas pessoas! Não gosto de platéia!

 

Geri a fitou com as sobrancelhas erguidas, surpresa.

                                                                                                           
-Mas eu não vou participar! Vai ser sexxo à duas! Escute, é questão de dinheiro? Pois eu pago o dobro! Dois mil dólares!

 

-Não é questão de dinheiro, mas de princípios! - Discordou Jade, furiosa. Estava furiosa e decepcionada com a proposta de Geri e nem pensava que estava rompendo uma regra principal em um encontro: sempre agradar ao cliente.


-Que comédia! - Disse Mona, irritada coom a negativa de Jade, olhando-a com desprezo - Uma puta com ataque moralista!Quem pensa que é, uma dama?Saiba que mulheres mil vezes melhores que você já foram para a cama comigo de graça!Porque estavam atraídas por mim! E você, uma puta, uma garota de programa, quer escolher com quem e como vai trepar! Essa é muito boa!


-Sem ofensas, Mona! - Repreendeu Geri, fitando Jade com curiosidade e surpresa - E se fosse o contrário? Eu possuí-la e Mona ver?


Jade enrubesceu e disse, baixando os olhos:


-Aí...seria allgo a pensar...


Geri sorriu sedutoramente para ela.


-Aceitaria ou não?


Jade não resistiu à aquele sorriso, sentindo sua raiva esvair.


-Bem...eu...aceitaria
, sim...


Geri olhou para Mona com um sorriso divertido.


-Mona, não é que ela não concorda com ooutra mulher observando. Ela não quer é trepar com você.


Mona ficou vermelha de cólera.


-Cadela! Metida a dama! Mande essa vacaa embora, Geri! Ou vou acabar dando umas boas bofetadas nela!


-Acalme-se, Mona! - Disse Geri, com vozz fria - Já disse para não insultá-la! Ela não é obrigada a trepar com quem não quer! É um direito dela! Espere aqui um momento, Jade.


E se retirou da sala. Mona a fitou com ódio no olhar.


-Vou contar isso para madame Lilith. Eu a conheço. Ela vai botar você na rua!

 

Jade ouviu a ameça com medo, mas não demonstrou. Ficou quieta. Geri voltou em seguida com um maço de notas na mão, estendendo para Jade.


-Tome. Seu pagamento. Pode ir.


Jade a fitou surpresa.


-Mas eu não fiz nada! Não tem porque pagar-me
.


-Mas perdeu seu tempo vindo aqui e deixxou de ganhar com outro cliente. Tome.


Jade fitou a mão dela estendida com o dinheiro. Uma revolta inesperada a dominou e em um gesto movido por um impulso incontrolável, deu um tapa na mão dela, espalhando o dinheiro pelo chão, dizendo:


-Vá para o inferno com seu maldito dinhheiro! -Gritou entredentes, se retirando com passadas furiosas.


Saiu intempestivamente, com raiva, mágoa e decepção se misturando em seu íntimo. Geri Gleese pensava que tudo se resumia a dinheiro! Pois mostrara à ela que estava enganada, que mesmo sendo uma garota de programa, tinha seu orgulho e não se humilharia aceitando aquele dinheiro que estava sendo dado como uma esmola. Que não estava tão necessitada!


O motorista não estava à vista e ela saiu caminhando até o portão da residência. O portão automático abriu e ela saiu. Naturalmente, Geri havia orientado os empregados para deixar ela ir embora.


Ela agora estava prevenida. Pegou seu celular e chamou um taxi, que a pegou em poucos minutos.

 

Mas de volta para casa, Jade pensou mais racionalmente nas consequências de seu ato. Iria chegar sem o pagamento e teria de contar o que havia acontecido. Madame Lilith não iria perdoar essa atitude sua. Além do prejuízo, afrontara uma das melhores clientes dela. E se Geri Gleese ligasse para madame Lilith, se queixando dela? Que não iria mais usar os serviços da "agência de Modelos"? Madame Lilith com certeza a mandaria embora.


Ficou desesperada. Só tinha mil dólares que havia juntado, e sabia que isso mal duraria uma semana, tendo de pagar um lugar para dormir e comida. Tinha que engolir seu orgulho e voltar atrás de sua decisão. Pegou seu celular e discou o número de Geri Gleese, que conseguira olhando a agenda de Madame Lilith, quando ela cochilava diante da tv uma noite.


Foi a própria Geri quem atendeu. Reconheceu a voz dela logo.


-Alô, Geri fallando.

 

-Geri...isto é, senhorita Gleese, aqui é Jade.


-Hum. Que desseja? - Perguntou Geri, com voz fria.


-Eu... quero ppedir desculpas pelo meu descontrole... e pedir também que não se queixe de mim com madame Lilith... Se ela souber o que fiz, me mandará embora. E eu preciso muito do trabalho. Eu moro na residência dela e se ela mandar-me embora, eu não teria para onde ir - Disse Jade, com voz humilde.


-Jade, não se preocupe. Eu não ia queixxar-me.


-Obrigada, senhorita< Gleese... eu estava nervosa e desabafei em vocês...


A voz de Geri soou com um pouco de calor:


-Eu percebi. Escute, Mona já foi emboraa. Quer voltar para cá? Agora estou sozinha.


-Você...a senhhorita ainda quer minha companhia? Mesmo depois do que fiz?


A voz de Jade soou insegura.


-Venha, estou esperando-a.


Geri desligou e Jade sorriu. Ela queria que voltasse!

 

Jade mandou o motorista do taxi voltar. Em quinze minutos, estava novamente entrando na residência de Geri Gleese. Mais uma vez foi conduzida pela empregada à presença dela. Geri estava sentada no sofá, esperando-a, tomando vinho. Quando entrou, ela ergueu-se, olhando-a com um ligeiro sorriso.


-Aí está você novamente. Está mais calmma?


Jade sorriu, avançando e parando diante dela.


-Estou, senhorita Geri. Desculpe-me, maais uma vez.


-Está desculpada. E por favor, trate-mee apenas por Geri. Quer um drinque?


-Aceito.


-Vinho, um uísque, um Martini? O que esscolhe?


-Uma taça de vinho está bem.>


Geri se ergueu e foi até o bar no canto da sala, pegou a garrafa de vinho já aberta e encheu uma taça. Trouxe para Jade e falou, estendendo a taça:


-Aqui está.


Jade pegou a taça e as pontas de seus dedos se tocaram. Ela sentiu um arrepio correr em seu corpo, como suas mãos se tocando emitissem uma corrente elétrica.Geri pareceu ter a mesma sensação, porque olhou para sua própria mão e a retirou precipitadamente da taça.


-Sente-se, Jade - Disse ela, dando um ssuspiro.


Jade sentou e tomou um gole do vinho, fitando Geri em expectativa. Ela sentou ao seu lado, mas distante o suficiente para Jade não poder tocá-la.


-Quero que me responda uma pergunta comm sinceridade, Jade.


-Faça-a.


-Por que não quis fazer sexo com Mona? Ela é uma mulher atraente. Tem até facilidade para conquistar uma mulher.


Jade a encarou hesitante.


-Quer mesmo saber?


-Quero, claro. Notei que não foi porquee iria ter uma pessoa olhando, porque quando eu disse que eu quem teria sexo com você e ela olharia, você concordou.

 

-Vou ser sincera, Geri. Não quis ter sexo com ela porque não gostei dela. Prefiro fazer sexo com você.


-Por que prefere ter sexo comigo?<


-Porque você me atrai - Disse, baixandoo os olhos, enrubescendo.


Geri sorriu incrédula.


-E na sua profissão só faz sexo com queem a atrai? Acho que não.


Jade a fitou, humilhada. E disse com amargura:


-Sei o que pensa. Eu, uma puta, querenddo escolher parceira para fazer sexo! Mas eu ainda não penso como uma puta, Geri. A Jade que ainda sou não se embruteceu em pensar apenas ganhar dinheiro. Eu ainda tenho sentimentos, estou nessa profissão há pouco tempo, não fui para a cama mais que com dez homens.


Geri a fitou surpresa.


-Só??! Há quannto tempo então está nessa vida, Jade?


-Quase um mês. antes< eu era dançarina de strip-tease, mas tinha um homem só há mais de um ano. Antes trabalhava em lanchonete, quando saí de Seatle, onde nasci. Nunca fui uma garota de programa, até vir para Los Angeles.


-E por que resolveu seguir essa... profissão
?


-Não escolhi, foi o que me restou. Sepaarei-me do homem que me mantinha em meu emprego e vim para LA e não conseguia nenhum emprego e meu dinheiro havia acabado. Fui para a rua tentar ganhar uma grana e madame Lilith me encontrou. Ela resgatou-me da rua para trabalhar para ela.

 

Geri ficou olhando-a pensativa. Se estava acreditando ou não em sua história, não falou nada.


-Quase um mês não é muito tempo - Finallmente disse - Você ainda não assimilou a malícia, a esperteza e a insensibilidade da profissão. Depois de certo tempo é que você se tornará mais fria e gananciosa, pouco se importando com quem vai trepar e o que vai ter que fazer. Se tornará uma máquina de fazer sexo.


-Antes disso, vou caiir fora. Vou juntar um bom dinheiro para eu mudar de vida.


-Todas pensam assim, quando iniciam. Maas vão adiando o dia de sair e acabam se acomodando à esse tipo de vida.


Jade a fitou desafiante.


-Como sabe disso? Que vivência tem nessse tipo de vida?


Geri a fitou franzindo o cenho.


-Porque conheci muitas putas que vivem dizendo isso.Que vão juntar dineiro para cair fora. Há anos dizem isso, mas continuam fazendo programas. Aqui em LA há muitas mulheres que fazem tudo para ganhar dinheiro ou um papel em um filme qualquer. Trepam com os atores, diretores, produtores, roteiristas...tudo em troca de promessas que na maioria das vezes não serão cumpridas. E para sobreviverem, fazem programas.


Jade a fitou ofendida.


-Não sou como essas mulheres. Pelo menoos, não tenho essa ambição idiota de ser atriz. Só quero voltar a ter uma vida decente, ganhar dinheiro honesto.

 

Geri sorriu.


-Espero que continue pensando assim e ssaia dessa antes de se tornar uma máquina de fazer sexo.


-Vou sair dessa, sim - Jade disse, com determinação - Não quero perder minha sensibilidade nunca. Quero ter alguém para amar e dedicar-me à esse amor.


Geri a fitou com descrença. Mas não disse mais nada. O olhar percorreu o corpo dela, com admiração. Jade notou isso e um arrepio a percorreu. O olhar de Geri subiu e se paralizou no seu, magnetizante.


-Mas agora...está disposta a dar-me prazer? Quero que se dispa para mim... toda.


Jade olhou-a, excitada com aquelas palavras. O que os clientes homens não conseguiam com nada do que faziam, Geri conseguia só em falar e a fitar com aqueles olhos de cama. Era uma bissexual? Sentia prazer com Rick, quando faziam sexo. E com Geri, se sentia excitada só pelo olhar dela percorrendo seu corpo. Como seria beijá-la?


-Agora? -Perguntou, depois de engolir eem seco.


-Sim, agora... -Confirmou Geri, com vozz rouca de desejo. Vou colocar a sua música.
Geri pegou o controle remoto ao seu lado e acionou o som. Jade se ergueu ao ouvir os primeiros acordes da música e fez uma pose sexy.
E o strip-tease começou.

Baby take off your coat
Real slow
And take off yours shoes
I'll take yours shoes
Yes, yes, yes...

 

Jade começou a se despir, bamboleando os quadris, as pernas abertas. Foi tirando a roupa lentamente, sempre movendo o corpo eroticamente, um sorriso em seus lábios, olhando para Geri.


Geri parecia hipnotizada, fitando seu corpo inteiro, vendo os seios surgirem, eretos e com os biquinhos enrigecidos, o abdômen com músculos levemente definidos, os quadris arredondados, o sexo mal coberto pela calcinha negra, as coxas fortes, deliciosas.


Geri deslizou abaixo o fecho de sua calça cinza e meteu a mão dentro de sua calcinha.


Ela ordenou para Jade, que já estava descendo sua calcinha pelas coxas, revelando o sexo de pelos dourados:


-Pegue aquela cadeira e se sente na minnha frente com as pernas abertas...


Jade deixou a calcinha cair no tapete e deu um passo para o lado, libertando os pés da peça, sem deixar de fazer poses sexy. Ela caminhou para a cadeira rebolando sensualmente, pegou-a com agilidade e a ergueu facilmente, era uma cadeira de madeira, dessas que usam em musicais. Colocou ela diante de Geri, há uns dez passos, e sentou primeiro de lado, esticando as pernas e depois as cruzando, fitando Geri, que já começara a se masturbar, fitando-a com fome no olhar.


Jade se ergueu, girou a cadeira e colocou o encosto virado para Geri. Abriu as pernas, sentando-se com elas abertas, apoiando os braços cruzados no encosto, fitando Geri desafiadoramente.


Os olhos de Geri estavam cravados em seu sexo, o lábio inferior sendo mordiscado, a mão se movendo devagar, dentro da calça.


-Toque-se para eu ver... - Disse Geri, ofegante.


Jade sorriu diabolicamente, deslisando dois dedos até seu sexo, alisando-o.

 

Geri gemeu baixinho, a mão se movendo com mais rapidez.


Jade continuou, sentindo-se cada vez mais excitada, não só com o que sua mão fazia em seu sexo, mas principalmente, em ver a mão de Geri se movendo, fitando-a com um olhar cheio de desejo. Ela mordeu os lábios carnudos, passou a ponta da lígua rosada neles, o corpo começando a tremer. A mão se movia agora frenética, anunciando que estava prestes a ter um orgasmo.


-Oh, fuck! - Gemeu Geri, se contraindo, fechando os olhos - Oh, yesssssssssss!!!!


O corpo se congelou numa última contração, o rosto belíssimo corado, numa expressão de êxtase.


Jade não aguentou mais. Estava louca de excitação e sentiu que morreria, se não beijasse aqueles lábios vermelhos. Ergueu-se de um salto, tomou o rosto de Geri entre suas mãos e seus lábios se esmagaram nos dela em um beijo ardente.


Depois de um momento de surpresa, Geri a empurrou com força. Jade caiu no chão sentada. E Geri ergueu-se, olhando-a com indignação.


-Como pôde atrever-se a beijar-me?! - Gritou, colérica.


Jade a fitou assustada com a reação dela, sentada apoiada nas mãos.


-Eu não resisti, Geri. Queria muito beiijá-la.


-Mas não devia ter feito isso! Não sem meu consentimento!


Jade a fitou magoada, se erguendo.


-Geri...por quue essa reação? Não gostou? Teve nojo do meu beijo?

 

Geri a fitou com raiva e gritou fora de si:

 

-Você maculou o amor que tenho por Chelsea! Você beijou-me, e eu prometi a Chelsea que ninguém mais me tocaria! E a minha boca não havia sido tocada por mais ninguém, desde que ela morreu!E você fez isso, fazendo-me trair meu juramento à mulher de minha vida! Uma garota de programa!


Jade ouviu aquela explosão de olhos arregalados, sentindo cada palavra ferí-la .


-Geri... - conseguiu falar - Isso é umaa promessa louca! Você é jovem, uma mulher linda, vai deixar de amar por causa de uma pessoa morta?


Ela se enfureceu ainda mais com suas palavras. Seus ollhos brilharam de raiva e ela falou entredentes:


-Cale a boca! Quem é você, para dizer-mme que estou errada? Uma garota de programa, que não sabe o que é amar como eu amo Chelsea!Você não sabe o que é amor!


Jade sentiu aquelas palavras ferí-la no limite máximo. Sentiu-se uma ninguém, um ser abjeto, como uma barata . Levou as mãos ao rosto, soluçando sua humilhação e dor.


Geri andou pela sala como uma fera enjaulada. Finalmente, parou e tirou do bolso um maço de notas, jogando diante de Jade.


-Tome seu pagamento. Pode vestir-se e iir embora.


E saiu da sala em passadas largas.


Soluçando, Jade catou suas roupas e as vestiu. Olhou para o dinheiro espalhado pelo chão e não o apanhou. Aceitá-lo seria a última humilhação e ela não queria mais nada de Geri Gleese. Saiu dali arrasada, chorando sua humilhação e desilusão.

 

Como Jade esperava, madame Lilith ficou furiosa quando disse que não havia aceitado o dinheiro de Geri. Ela achou que estava mentindo e ligou para Geri, que confirmou que Jade não havia pegado o dinheiro.


Madame Lilith interrogou Jade asperamente por que não havia aceitado o dinheiro. Jade a fitou com um olhar cheio de revolta e respondeu:


-Por que não quero mais ser humilhada ppor ela! Geri Gleese não quer uma mulher para ter sexo, mas sim para descarregar suas frustrações!


Madame Lilith a fitou espantada .


-Eu sempre soube que Geri Gleese tem um problema psicológico desde que Chelsea morreu, e apenas olha uma mulher, sem tocá-la. Mas nunca alguém chegou e disse que ela tratou alguém mal, ou humilhou. O que ela fez com você, que achou humilhante?


Jade desabafou com madame Lilith a sua desilusão e humilhação. Como Geri havia reagido porque apenas a beijara. E contou também que ela havia proposto ela aceitar fazer sexo com uma loura, enquanto olharia.


Madame Lilith a fitou pensativa, depois do seu relato.


-Bem, ela propor você fazer sexo com a amiga dela e ela ficar olhando, não tem nada demais. Muitos clientes gostam de um mènage à trois, e você devia ter aceitado sem reclamar, apenas cobraria mais. Você errou em recusar. Mas você saiu e se arrependeu, ligou para ela e aceitou voltar, então ela perdoou sua recusa. Mas então você fez um strip para ela, excitou-se e a beijou. Ela a empurrou e a humilhou com palavras. Bem, você tem a sua razão. Mas eu não posso me dar ao luxo de criticar Geri pelo comportamento dela, pois é uma de nossas melhores clientes. E ela nos indicou para suas amigas lésbicas ricas. O que posso fazer é não enviar você mais para ela e esquecer esse episódio, está bem? Vou enviá-la para outras mulheres, pois já vi que gosta mulheres, do contrário não beijaria Geri sem ela pedir.

 

Jade respirou aliviada. Pelo menos, madame Lilith não a mandara embora. Ela apenas a havia advertido que se recusasse novamente a fazer sexo com um cliente sem um motivo extremo, como sado-masoquismo, seria despedida.


Jade concordou docilmente. Sim, iria agora fazer sexo com qualquer pessoa que não fosse Geri Gleese! Estava magoada, humilhada, Geri conseguira fazer ela ver como estava sendo idiota, em se encantar com uma pessoa que a desprezava. Geri Gleese era fria, arrogante, insensível e paranóica, que amava e cultuava um fantasma. Nunca mais queria vê-la!


Mas depois desses pensamentos, algo lá no fundo de seu ser, que não queria admitir, a fazia se sentir infeliz e decepcionada. As palavras de madame Lilith a faziam pensar que ela própria não se conhecia bem:


"Ela gostava de mulher. Porque do contrário, não iria beijar Geri sem ela pedir."


Seria verdade? Ela era uma lésbica, e não sabia? Ou era uma bissexual? Sentia prazer com homens e mulheres? Não sabia. Mas iria saber logo. Madame Lilith a iria enviar agora para clientes mulheres. E elas não iam apenas querer olhar, como Geri.


Suspirou. Estava triste, como se houvesse perdido algo muito importante. Queria esquecer aqueles olhos azuis, aquele rosto de deusa, aquela voz rouca, aquela boca sensual,aquelas mãos de dedos longos e elegantes, aquele sorriso ...


Maldição! Tinha que esquecer que Geri Gleese existia! Inferno!

 

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Sozinha na sala enorme, Geri via a gravação em dvd pela milésima vez.
A filmagem era a comemoração de mais um ano da data que elas haviam se conhecido. Chelsea estava linda como sempre, com seus cabelos louros presos em um coque, os olhos azuis brilhando como estrelas, o corpo esguio e longilíneo em um vestido negro elegante, que se moldava em seu corpo divinamente.


Chelsea pegou a garrafa de champanhe no balde de prata e encheu duas taças, olhando para Geri e estendendo uma delas, fitando-a amorosamente.


-À mais um anoo juntas, meu amor. Este ano foi maravilhoso como os anteriores, por que estou com você, o amor de minha vida.


Geri sorriu e pegou a taça, cruzando com a de Chelsea e a fitando nos olhos.


-À nosso amor,, meu anjo. Que tenhamos muitos anos como esse que se foi.


Elas beberam o champanhe e pousaram as taças sobre a mesinha. Geri abraçou Chelsea e a beijou na boca. Chelsea correspondeu ardentemente.


Geri apertou o still no controle e a imagem congelou. Ela ficou olhando a cena do beijo por uns momentos, lágrimas escorrendo de seus olhos, até que não aguentou ver mais e desligou o dvd.


Aquelas cenas haviam sido gravadas no último ano delas juntas. Chelsea havia falecido vinte dias depois.


Ela sentiu a revolta dominá-la, mais uma vez. Por que Chelsea havia morrido, tão jovem, tão bela? Deus não era justo, se é que ele existia mesmo - Pensou - Ele deixara Chelsea morrer! Uma mulher linda, de bom coração, inteligente, culta, com uma bela vida pela frente, morrer estupidamente! Não era justo!

 

Ergueu-se do sofá e olhou para o enorme poster de Chelsea que mandara fazer, quando havia se completado um ano da morte dela. Chelsea sorria para a câmera, com um vestido azul, colhendo flores no jardim. O sol batia sobre seus cabelos louros soltos pelos ombros, formando um halo de luz.


Geri lembrou do dia que havia batido aquela foto. Era o dia de seu aniversário e Chelsea tinha ido ao jardim colher flores para enfeitar a mesa do jantar especial que mandara a empregada fazer. E Geri havia chegado de surpresa e tirara a foto.


Olhou em volta. Ali era a sala em memória de Chelsea. Ali tinha o vestido que Chelsea vestia no último dia que passaram juntas, dentro de uma redoma de vidro, como em um museu. Tinha todas as fotos de Chelsea guardadas em albuns e também em computador, que à um clique do mouse começava a projetar as fotos numa tela. Havia filmagens delas em viagens, passeios e festas, além de objetos pessoais dela, como vestidos, perfumes e cartas.


Por um minuto, pensou se estava certa em ter aquela sala com tantas lembranças de Chelsea, onde ficava horas lembrando do passado. Será que estava louca? Não! Muita gente fazia isso, quando perdia um ente querido! Faziam museus, fundações, etc. A diferença é que ela havia feito um pequeno museu apenas para ela ter acesso.


Ela suspirou e saiu da sala, fechando a porta com chave. Havia ficado ali pouco mais de uma hora, vendo fitas de Chelsea com ela. Sentia-se só e frustrada. Vira a imagem de Chelsea no filme, ouvira sua voz, seu riso, mas não podia tocá-la. Chelsea agora era apenas uma imagem gravada de um passado que não voltaria.

 

Rilhou os dentes, odiando isso. Estava só, sua vida era vazia e triste, sem amor.
Lembrou de Jade. Ela a havia beijado. Maldição, a primeira mulher que a havia beijado, desde que Chelsea falecera, era uma garota de programa!Que ofensa à memória de Chelsea! Mas ela não tinha culpa.Havia sido pêga de surpresa, com aquele ato de Jade.
Jade. Lembrou do olhar dela, cheio de decepção e humilhação, com a sua reação ao beijo. Sentiu remorso. Havia perdido a cabeça e havia humilhado e magoado a moça, com sua reação. Nunca havia tratado tão mal alguém como tratara Jade. Ela devia ter se sentido terrivelmente humilhada com suas palavras! Nem havia levado o dinheiro do pagamento! Madame Lilith havia ligado para confirmar se Jade realmente não havia aceitado o dinheiro. Parecia furiosa e desligara logo que ela confirmou a versão de Jade, que não havia levado o dinheiro. Será que madame Lilith iria despedir Jade?


Em um impulso, ligou para madame Lilith. Já passavam das dez da noite.


-Alô, Lilith falando.


-Madame Lilith, boa noite, é Geri Gleese.


-Oh! Boa noite, Geri<. Quer marcar uma visita de uma de nossas diaristas?


Madame Lilith sempre disfarçava, para evitar complicações.Diaristas!


-Não, madame Lilith<. Eu só gostaria de falar com Jade, ela está?


-Jade? Ela já está dormindo.


-Por favor, madame <Lilith, preciso falar com ela! Por favor!


-Não sei se ela vai atender. Vou falar com ela. Espere.

 

Madame Lilith foi até a porta do quarto de Jade e bateu. Ela havia permitido Jade descansar essa noite, por ela perceber que a moça estava abatida com as palavras de Geri. Com aquela cara, nenhum cliente iria mesmo gostar da companhia dela...


-Quem é? - Perguntou Jade, interrompenddo seus tristes pensamentos.


-Lilith! Jadee, Geri Gleese quer falar com você!


-Entre! - Disse Jade, sentando-se na caama com o coração aos saltos.


Madame Lilith abriu a porta e a fitou com um olhar de compreensão.


-Se não quiser atender, eu falo que voccê está dormindo.


Jade deu um pulo da cama e agitada pegou seu robe, colocando sobre sua camisola transparente. Calçou os chinelos e fitou madame Lilith.


-O que ela quer falar comigo?


-Não sei. Ela ligou e está no telefone,, esperando resposta. Eu falei que você estava dormindo, mas ela insistiu...


-Eu não quero falar com ela, madame Lilith
...ela humilhou-me muito! Não tenho nada a falar com ela!


Madame Lilith a fitou calmamente e se voltou para sair.


-Tudo bem. Vou dizer ela que você não quer falar mais com ela.


Jade correu e a segurou pelo braço.


-Não! Espere!
Madame Lilith se voltou impaciente.
-Vai falar ou não? Estou perdendo minhaa série preferida na tv!
-Eu...eu vou! Quero saber o que ela tem a dizer!
-Então, anda logo!
Jade seguiu madame Lilith até a sala e pegou o telefone com mãos trêmulas.
-Alô, aqui é Jade.

 

A voz de Geri lhe chegou surpreendentemente macia e amistosa:


-Jade...sei quue deve estar com ódio de mim. Eu agi muito errado com você, disse coisas que não devia. Mas quero que saiba que estou arrependida e quero desculpar-me.


-Desculpar-se? Para depois fazer tudo nnovamente? - Disse Jade, amargamente - Não é a primeira vez que me trata mal, lembra?


-Eu sei...olhe>...eu gostaria de falar com você pessoalmente. Pode vir aqui em minha casa amanhã?


-Não pretendo ir aí mais, senhorita Gleese
.


Houve um momento de silêncio. Depois, a voz de Geri soou insegura:


-Eu entendo como se sente... eu a ofendi e humilhei. Mas quero consertar isso. Venha aqui amanhã por favor, Jade. Estou convidando-a para almoçar comigo e eu explicar coisas que não sabe. Vai dar-me essa chance?


A razão dizia a Jade que devia simplesmente mandar Geri Gleese para o inferno com suas neuroses. Mas o coração teimoso dizia que devia dar uma chance à bela mulher.


E o coração venceu:


-Está bem, vou ouvir o que tem a me dizzer. Que horas devo ir? -Disse com voz fria, não querendo demonstrar o quanto estava emocionada com o convite.


-Doze horas está bom para você?


-Perfeito. Até amanhã.


Desligou e fitou madame Lilith, que sorria maliciosamente.


-Ela se desculpou do que disse e conviddou-me para almoçar com ela - Disse Jade.


-Geri Gleese se desculpar com alguém? Isso é inédito! E ligar convidando você para almoçar? Incrível! Jade, posso estar errada, mas algo me diz que você conseguiu abrir o coração de Geri e está entrando aos poucos, até tomar posse dele!


-Você acha mesmo isso? - perguntou Jadee, sorrindo.


-Acho! E não adianta dizer-me que não eestá interessada, Jade...seus olhos estão brilhando!
Jade riu e falou, sentindo-se subitamente muito alegre:


-É melhor eu iir dormir! Boa noite, madame Lilith!

 

Jade mal conseguiu dormir. A expectativa do seu encontro com Geri não deixava. Sentia-se ansiosa como uma criança na véspera do Natal. Mas esse dia tão esperado não lhe traria nova decepção? Jamais alguém mexera tanto com seus sentimentos como Geri Gleese. Era um fato que a colocava sem defesa para a realidade: estava apaixonada por Geri Gleese. Ela a havia conquistado no primeiro olhar, mas só agora reconhecia isso porque nunca havia pensado antes na possibilidade de amar uma mulher, o que a enquadrava em um rótulo de pessoa que soava como uma maldição pela sociedade.


O dia amanheceu e Jade iniciou seu dia com olho na hora. Às onze já estava pronta, de banho tomado, perfumada, mas dessa vez, sem vestes sofisticadas. Ia apenas para um almoço sem maiores expectativas, e não queria colocar nada que desse a impressão que queria seduzir Geri. Assim, estava com roupas simples, Uma blusa de seda verde esmeralda, que ressaltava a cor dos seus olhos, e calça jeans e sandálias.


A limousine veio buscá-la e em pouco tempo estava sendo admitida na mansão, entrando com passos hesitantes. Estava nervosíssima. Como Geri a receberia?


Foi encaminhada como sempre por Chiquita à presença de Geri, só que dessa vez foi conduzida à uma sala de estar com uma parede com vidraças que descortinavam uma bela vista do jardim, com palmeiras e plantas tropicais, com um chafariz esguichando água cristalina. E ali estava Geri, sentada, mas levantou-se sorrindo, vindo ao seu encontro. Ela a olhou de cima à baixo e pareceu gostar de sua aparência.


-Olá, Jade!

 

 

 

Continua na parte 4

 

 

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